sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O caminho da vontade sempre sentida


    As vezes me falta fôlego e depois passa. As vezes me falta ar, me falta comida, me falta sede. E isso nunca passa. To sempre arranhando as paredes. O muito pra mim é pouco e pouco pra mim nunca basta. To sempre afim de sentir. Sentir dor, sentir amor. Tanto faz. To sempre afim de sentir qualquer coisa nova, surpresa, vazio e que depois passa. Só não quero ficar presa nessa coisa, nesse ciclo, nessa vida, nesse rio. Não quero nadar sem encontrar nada. Quero sempre ter a certeza que estou mesmo assim em qualquer caminho, seja perdida, seja achada, ou seja achando alguém também, quero saber se to fazendo algo, e se não tiver, invento algo, não sei.
    Só não suporto que entrem na minha vida e que não me façam sentir. Tem que ter alguma coisa, tem que ser alguma coisa, não pode ficar nesse vazio, nessa coisa cabisbaixa de deixar a monotonia te engolir, tem que ter sede, fome, paixão, tem que ter mordidas na pele, suor, vontade. Tem que ter vontade pra sentir.
E isso meu bem, não me falta.

Annabel Laurino.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Argamassa misturada, sentida, mundo mudo do... viver


  Na noite escura e silenciosa,
 o roçar da pele crespa de meus dedos quentes
 crepitam no papel do livro velho e bolorento
 o arranhar do vento no galho seco, o leva até o vidro
 chama e grita
 baixo como um ronronar nervoso,
 e a chama escura que alumia ao passar das horas
 descompassa do relógio da sala e tictacteia sem parar.
A minha pele quente envolta na roupa de dormir se aconchega,
 desdobrando as dobraduras do tecido e se acomodando aqui e ali,
 reconfortante meu corpo procura um melhor modo para dormir.
A xícara vazia em cima da mesa resta somente o vapor do café quente
 que antes ocupava o recipiente,
a tevê desligada, a cadeira vazia, as roupas esquecidas, desdobradas
E tudo mais aqui dentro se aglutinando com o lado de fora,
 Em um silêncio ininterrupto, ninguém fala,
nem boceja e muito menos chora.
Guardei meu caderno de poesias embaixo do colchão
pra ninguém achar, e quem sabe nem eu mesma.
 Amarfanhei meus sentimentos no poste mais alto da rua
e como as lâmpadas antes acessas foram piscando até se apagar.
Logo tapei o rosto pelo edredom macio e fechei os olhos,
nada mais a ouvir ou ver, somente a acompanhar.
Comecei a imaginar teu corpo, tua pele coberta de pelos e tuas pernas,
 teus músculos, tuas coxas, teu pescoço, teu cabelo
e fui girando em um mundo mudo que ninguém podia ver,
 nem ouvir e nem falar, somente sentir, sentir sem parar.


Annabel Laurino.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

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Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do "apesar de". Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do "a vida é assim mesmo". Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.
Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.
(PC Siqueira)


domingo, 28 de agosto de 2011

Minha casa aberta te afasta de tanta luz


Agora é pra valer. Se antes eu estava aberta, abria as minhas portas e deixava com que toda a minha luz pairasse por todos os lados chamando quem quer que quisesse se aproximar para ver, para com coragem abrir seus olhos diante das minhas facetas brilhantes e nítidas de luz, de como sou, transparente em luz. Agora me fecho. Estou entrando pra dentro da minha concha crua e nua e não estou respondendo a mais nada. Sou um ser tão individualista agora, quanto sempre fui. Achei que podia ter encontrado alguém que me fizesse largar dessa idéia egoísta e que tocasse lá no intimo de mim, mas esse alguém não ta afim. Ta afim de fugir de mim, das minhas luzes, do meu ser. Por isso que agora que troquei o certo pelo duvidoso to me achando incrivelmente idiota e não há mais nada a dizer. To indo embora. Já deu pra mim. Cansei de ficar esperando algo que nunca vai chegar, algo que eu nem sei se posso esperar. Deixei de ser uma pessoa por a minha incrível capacidade de amar incondicionalmente. To amando você até dizer chega. Deixei meu ser individualista de lado e feri a todos por você, feri a mim e a minha capacidade de ser eu. E agora chega. Você foi covarde de mais. E eu, lutei de mais.

Annabel Laurino.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sentindo tudo


E eu fico aqui, sinto e sinto tudo. Sou um completo ser sentindo, e ninguém me sente. Eu sinto tudo, sinto você, sinto á mim, sinto nós dois então, mas ninguém sente o que sinto, sente como sinto.

Annabel Laurino.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

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  Por que você me olha e não fala nada? O que é pior? Me deixar ir ou me perder?


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

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Será que quando ela diz : "Não agüento mais, me deixe em paz, não consigo, sinto dor", ela não esteja querendo dizer que um simples abraço seu, um simples toque, sem palavras, sem nada explicado, sem nada dito, resolveria tudo? Me deixe em paz, ela diz, traga a minha paz, ela pensa.

Annabel Laurino.

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Quando você tem tudo você não liga pra nada, difícil é depois quando você olha pro lado e não vê mais aquele alguém. Daí vai dizer, ela não faz falta?

Annabel Laurino.

Me deixe em paz!


    Me deixe em paz. Finja que não me vês e finjirei que não te verei. Finja. Como sempre fizeste. Finja que não sentes o calor do meu corpo e nem a vontade de falar. E assim eu fingirei que nada aconteceu, que nada surgiu, que foi tudo simplesmente apagado da minha memória recém fresca e confusa.
    Eu peço apenas para que me deixe em paz. Me esqueça, me anule. Parta a minha imagem da tua memória e regrave outro rosto de uma vez. Faça qualquer coisa! Me compare, me descole, me desgrude, me jogue, mas me esqueça! Me deixe em paz.
    Essa dor. Essa horrível dor dilacerante de querer falar e não poder, esse jogo, essa luta, esse conflito de ter que ser forte quando eu quero chorar de raiva e dizer que te odeio até não poder mais.
    Você não luta, você não sabe correr atrás, você não sabe buscar aquilo que você quer e não sabe como dói ser ignorado, não ser correspondido. Então chega. Cansei. Estourou toda a minha cota de ser gentil, amável e compreensiva. Chegou no meu limite, aturei por tempo de mais essa novela repetitiva. Eu engoli seus dramas, disse que os encararia, que se precisasse eu ficava ao seu lado embora que todos eles se voltassem contra nós. Eu estava disposta a lutar por você. E você, sentou-se sobre sua cadeira fria, cruzou os braços e me ignorou. Agora... Bem, agora me deixe em paz.


Annabel Laurino.