Eu não sabia o que eu sentia, nem como estava sentindo. Era tão vasta a explicação. Poderia passar horas tentando de alguma forma, superficial nem que fosse, elucidar o que sentia. Mas passariam as horas e eu não saberia explicar. Além de não saber o que sentia, não sabia como sentir. Como se pela primeira vez na vida me deparasse com um objeto estranho e não soubesse manuseá-lo. Não sabendo como sentir, nem o que sentia. Porém sentindo muito. Oras,como senti.
Annnabel Laurino
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
A visão das lentes embaçadas de eternidade
Era um eterno agudo aquele. Tingia fino, na janela que eclodia
toda a chuva. No céu escuro, o mundo jazia em caos. Dentro do quarto a
eternidade fotografou o segundo. Que pendeu como gota d'água nos lábios da
moça. Lambeu a gota. A gota sumiu na língua quente. As mãos que tocavam as
suas, eram mãos quentes.
A eternidade sentava-se ao lado, de vestido longo, óculos de aros de tartaruga, tinha duas covinhas acima de cada sobrancelha, analisava a cena, curiosa. A gota que entrou pelos lábios da moça, escorreu por um de seus olhos que brilhava irradiante. O sol rugiu e o rapaz das mãos quentes soprou um murmúrio doce, a eternidade curvou-se para frente, faminta, com sua máquina fotográfica entre as mãos, estava ávida pela cena. O rapaz tinha belas sobrancelhas negras, a moça, belos ombros redondos e pequenos. O rapaz a puxou mais para perto. O mundo se desfez numa entoação múltipla, não tinha importância se acabasse, na verdade. A eternidade rabiscou em sua caderneta vermelha, arrumou o óculos que pendia pela ponte de seu nariz pequeno, o óculos muito grande para seu frágil rosto de formiga. A moça e o rapaz, como duas cores sendo misturadas em um galão de tinta, difundindo-se em mesclas de pedaços de pele, um tão preciso do outro.
Ambos, não sabiam da eternidade, naquele momento tão especial, não sabiam sequer de sua pequenina presença ali. Não imaginavam que a eternidade estava naquele exato momento registrando tudo com suas minúsculas mãozinhas, uma disparando os momentos, a outra aguçando febril na ponta de uma caneta no papel.
A moça soluçou, doíam-lhe esses momentos de adeus. O rapaz soprou novamente, fazia isso quando contia fortemente o choro.
A eternidade parou seu trabalho, não sabia se tocada pela cena, ou se cansada por exaustão, na verdade, era alguém muito sensível, que ninguém compreendia. Por ora, já havia registrado demais, estava gravada sua pequena parte naquele momento, um segundo. Um pequenino segundo. Como a gota escorregando frágil na janela do quarto. E o casal nem sabia de sua presença. Como um bilhão de gotas, em meio a uma variável de segundos, a eternidade eclodiu naquele momento, em tantos outros. Explodindo como alguém metendo o pé numa poça. Não sabia se era o pé que explodia a poça, ou era a poça que era explodida pelo pé. A cena embaçou-se. Não pelos olhos chorosos da moça, não pelo frio cortante. Eternidade havia partido. O sentido se desfez.
A eternidade sentava-se ao lado, de vestido longo, óculos de aros de tartaruga, tinha duas covinhas acima de cada sobrancelha, analisava a cena, curiosa. A gota que entrou pelos lábios da moça, escorreu por um de seus olhos que brilhava irradiante. O sol rugiu e o rapaz das mãos quentes soprou um murmúrio doce, a eternidade curvou-se para frente, faminta, com sua máquina fotográfica entre as mãos, estava ávida pela cena. O rapaz tinha belas sobrancelhas negras, a moça, belos ombros redondos e pequenos. O rapaz a puxou mais para perto. O mundo se desfez numa entoação múltipla, não tinha importância se acabasse, na verdade. A eternidade rabiscou em sua caderneta vermelha, arrumou o óculos que pendia pela ponte de seu nariz pequeno, o óculos muito grande para seu frágil rosto de formiga. A moça e o rapaz, como duas cores sendo misturadas em um galão de tinta, difundindo-se em mesclas de pedaços de pele, um tão preciso do outro.
Ambos, não sabiam da eternidade, naquele momento tão especial, não sabiam sequer de sua pequenina presença ali. Não imaginavam que a eternidade estava naquele exato momento registrando tudo com suas minúsculas mãozinhas, uma disparando os momentos, a outra aguçando febril na ponta de uma caneta no papel.
A moça soluçou, doíam-lhe esses momentos de adeus. O rapaz soprou novamente, fazia isso quando contia fortemente o choro.
A eternidade parou seu trabalho, não sabia se tocada pela cena, ou se cansada por exaustão, na verdade, era alguém muito sensível, que ninguém compreendia. Por ora, já havia registrado demais, estava gravada sua pequena parte naquele momento, um segundo. Um pequenino segundo. Como a gota escorregando frágil na janela do quarto. E o casal nem sabia de sua presença. Como um bilhão de gotas, em meio a uma variável de segundos, a eternidade eclodiu naquele momento, em tantos outros. Explodindo como alguém metendo o pé numa poça. Não sabia se era o pé que explodia a poça, ou era a poça que era explodida pelo pé. A cena embaçou-se. Não pelos olhos chorosos da moça, não pelo frio cortante. Eternidade havia partido. O sentido se desfez.
Ah, a eternidade. Coisa frágil essa.
Annabel Laurino.
terça-feira, 29 de maio de 2012
:
Neste momento, estou todo arrepiado e com muita vontade de chorar. É como se ouvisse outra vez, escondido em meu quarto, com o cheiro forte de um jasmineiro ali embaixo, os discos de música erudita que você ouvia muito alto. Tudo isso me toma agora de novo e é tão mágico que quero agradecer a você a lembrança, tão remota e ao mesmo tempo tão dilaceradamente viva.
— Caio Fernando Abreu.
domingo, 27 de maio de 2012
:
Em alta velocidade a Alpha Cam dispara na Via Láctea. E eu achando bonito essa fuga vermelha, dardejada de estrelas, pintada num céu estelar, com luzes, explosões, gás e poeira interestelar, calor e brilho. Um universo inteiro e eu vou lá e me familiarizo com uma estrela fugitiva. Por que será?
Annabel Laurino.
Foto: divulgadas pela NASA
Vestida de Esperança
Te procuro em outros rostos, espero te ver por ai, a
qualquer momento. Eu até te receberia aqui em casa, qualquer hora da madrugada,
despenteada, de pijama amarrotado, sem maquiagem, cheirando a café e livros
velhos. Eu abriria a porta e sorria, não teria exaustão, coisas passadas, medo
de escuro e da noite. Qualquer sentimento recíproco seria mero sentimento perto
de te ver novamente. Te olhar. Ah sim, essa é minha sede que não cessa e que
arranha na garganta como coisa viva que não vai embora.
Mas fico
tranqüila, da melhor forma que posso ficar, aceito o inevitável, por que
afinal, é melhor assim, não é mesmo? Eu sei. Não precisa ser agora, tudo bem.
Mas eu ainda abrirei a porta para você novamente, ainda verei você entrando, sentando no
sofá, não estarei descabelada, não cheirarei a café ou a livros velhos, será um
dia qualquer, eu não estarei esperando. E será lindo. Ah sim. Eu sei.
Acontecerá, quando tiver que acontecer.
Lindo. Será Lindo, fico
repetindo.
Annabel Laurino.
.
Hoje sabe-se, quem sabe tudo, quem sabe nada. Descalça, de pés gelados, tocando a terra áspera, segue-se firme. Frio em ambos os lado do corpo, sozinha. Não haverá medo, acostuma-se. Será normal. Tranquilo. Como respirar. Quem sabe no futuro alguém. Quem sabe ele. No futuro. Não agora. Segue-se.
Annabel Laurino
Annabel Laurino
sexta-feira, 25 de maio de 2012
...
Cruel foi eu calar o meu coração tão sentimental e ingênuo e aguçar meus ouvidos para essa mente chata e cheia de si. Doeu parar de sentir, doeu a força de não ver mais você como meu coração gostava tanto de ver.
Fico na esperança de que posso vir a me acostumar. E fico esperando que sim. Que pare de doer essa luta cotidiana do não sentir, do não querer me doer.
Fico na esperança de que posso vir a me acostumar. E fico esperando que sim. Que pare de doer essa luta cotidiana do não sentir, do não querer me doer.
Annabel Laurino.
Luz dos Olhos
Os meus olhos vidram ao te ver
São dois fãs, um par
Pus no olhos vidros pra poder
Melhor te enxergar
Luz nos olhos para anoitecer
É só você se afastar
Pinta os lábios para escrever
A tua boca em mim
Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a lua irradia a glória
E eu te chamo
Eu te peço vem
Diga que você me quer
Porque eu te quero também
Cassia Eller
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