terça-feira, 17 de janeiro de 2012

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"Falávamos como se nos conhecêssemos há anos. Há vidas quem sabe." 




- Caio Fernando de Abreu 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O tal do impulso vital me impulsionando por ai.


    Te descobrirás tão bem. E será aquele tão bem, batalhado, sabe? Daquele tipo de que você luta pra chegar como uma meta, todos os dias, incansavelmente. Até que você consegue e se vê contente e logo, feliz. Bem. Plena de tudo. Parece que mesmo á baixo dos erros as coisas conseguem ficar no seu lugar, e tudo começa a fazer um sentido tremendo.
    E você se descobre aos poucos todos os dias. No meio do insano te sentirás normal, e no meio do tédio te sentirás lívida de paz, podendo fazer todas as coisas e não sabendo por quais delas começar. E terás sede, de inovar, buscar, criar. Aquele rejuvenescimento estampará teus dias, a fome por sabedoria, arte, criação baterá na tua porta e te sentarás com elas na tua sala, bebendo chá as três da tarde com as pestanas úmidas, ao calor do verão, te sentirás inteira.
    Saberás que mesmo com tantas partes que já te arrancaram o que ficou é o real, aquilo de verdade. Tudo se pintará novo e nada poderá ser velho. Rirás sempre, jogaras beijos, te descobrirás amando todos, paixões de verão passarão como raios de luz sobre teus lábios úmidos e te sentirás tão bem, tudo passará rápido, sem dor, sem pesos, viverás por momentos, serás livre, não haverá lamento.
    Abrirás a janela em uma manhã, e dirás: - vida venha sempre, seja breve, preencha e mate a sede que tenho, abraça-me, e que todos os meus dias sejam mais lindos do que já foram ontem. 



Annabel Laurino. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

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    Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu e você é você. É vasto, vai durar.
    O que te escrevo é um “isto”. Não vai parar: continua.
    Olha para mim e me ama.
    O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.

(Clarice Lispector)

Ao zero retornarás e começarás, novamente, e novamente mais um vez.

    Desaprendi o que é o amor.
    Sério mesmo. Não estou escrevendo isso por que acho que possa causar uma certa ligeira impressão de ingenuidade. É verdade. Eu desaprendi completamente o que é amar.
    Não sei mais como é que se sente esse troço.
    Que coisa mais estupida. E digo isso, estupido, á cada vez que essa ideia se forma mais nítida na minha cabeça.
    Vejo casais na rua, no cinema, na cafeteria, na praça, no restaurante, enfim, e há sempre aquele ar de envolto sabe, como se fossem dois imas grudados e preenchidos, como se um canal de ar estivesse ligado entre os dois bombeando algum tipo de hidrogênio romântico os revitalizando naquela aura auspiciosa de caricias, olhares, risos estravagantes e cheios de segredinhos, abraços, mão na mão, olho no olho, beijo no rosto, charminho e tal.
    Eu desaprendi tudo isso.
    Sinto-me como um robô recém tirado da dormência durante sei lá quanto tempo, me fechei tanto dentro dessa lata, dessa armadura, que agora não sei como voltar á funcionar. Se me olham, acho que é por que tem algum tipo de coisa errada no rosto, o batom está borrado, minha saia está amassada, estou descabelada, sei lá. Invento milhares de proposições para responder qualquer vestigio de sinal de atração que alguém possa ter por mim. Por que não acho que seja possivel existir. Por que desaprendi á saber quando existe. E vezes nem noto. Nem sei. É necessário que liguem buzinas, chamem um carro alegórico, a xuxa cantando nos meu ouvidos, a multidão do maracanã me empurrando e me amassando, gritando nos meus ouvidos, sinais de SOS, fogos de artificio, fogueiras o que for para que eu perceba. E olhe lá.
    Como se faz para que eu volte a funcionar, para que eu saia desse estado de profundo desinteresse pelo amor?
    Olho todos os dias pela janela e vejo o sol, é verão, e aquele impulso vital que tanto o Caio Fernando Abreu dizia está por ai, pairando, e eu espero que ele venha, que ele me toque, mas ele não vem e não me toca.
    As vezes acho que me fechei de mais, até de mim mesma. E vejo nessa minha cobertura externa tantos defeitos que não me dou espaço. Nem pra mim, nem para quem quer que seja. E vou ficando pra trás, sendo engolida pelos dias que se passam.
    Não sei se é necessário que alguém toque lá no fundo pra que isso aconteça, ou que eu me toque, ou espere me tocar. Não sei como se faz, se me atiro nessa maré nova, se espero ela se atirar sobre mim, simplesmente não sei. Não há como saber.
    E isso meio que dói.

bebellaurino.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

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É verdade que estou morrendo de medo do amor que você sente por mim. Mas não é só isso. Também ando com muito medo das pessoas todas. Eu sei disso.

(Caio Fernando Abreu)


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-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.

-Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.



Caio Fernando abreu

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“quando eu escrevo
eu consigo ordenar
tudo aquilo que eu penso.
agora, quando eu falo
ou quando eu sou, simplesmente,
não consigo ordenar nada.
eu sou da maneira
mais caótica possível”.
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caio fernando abreu

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Se te envolvo em mentiras, mentiras eternas tu serás.

    "Ah tudo bem.". Você repete isso como se fosse um tipo de mantra durante, mais ou menos, trinta minutos, uma hora, não tem como realmente saber, mas é muito tempo. E fica nesse "tudo bem", sem saber mesmo se acredita, mas tenta na repetição que a ideia entre na memória e que no fim, acredite.
    Quem pode julgar? Não é isso que gostamos de fazer? Mentir? Para nós mesmos então é como encenar um teatrinho irônico que se repete todo dia, "nunca mais..." e lá está você novamente sapateando no seu nunca mais e voltando atrás.
    Alguém disse que é errado? Eu não. To dizendo do contexto, entende? Sabe como é, mentir para nós mesmo, todo mundo faz isso. aliás é coisa básica de sobrevivência, é necessário em dado momento, até mesmo para não chafurdar na loucura cotidiana. Mas, é nesse mente e desmente e mente outra vez que já não se sabe mas o que é mentira ou verdade, ou vontade da gente de ser ou fazer, que no fundo, ocultamos por trás dessas mentiras que de desenrolam pitorescas e escondem a verdadeira face de nossos sentimentos.
    Por isso, estou determinada a parar de mentir para mim mesma. É verdade, não estou brincando não, ou tentando parecer no minimo um pouco iluminada de impulso. Estou querendo parecer mais limpa, não sei se você consegue compreender, mas todo esse caminho meio arranhado dos últimos tempos tem sido a base de "Oh, tudo bem, passa.", "já não lembro mais", ou "jamais...", o tipico jamais, nunca mais e mais todos os  nunca por ai. Quero ver como eu me viro dando a cara a tapa e dizendo a verdade constantemente, e se me perguntarem, responderei outra vez e vezes mais com o simples e direto toque da mais pura e nítida verdade de qualquer coisa que seja.
    É um teste. Quero ver como eu me viro sem guardar tanto dentro de mim, sem apostar tanto, sem esconder tanto, sem me esconder de mim.


Annabel Laurino. 

O que você nunca vai saber

    Não pretendo te contar sobre minhas lutas mentais. Você terá nas mãos minha simplicidade e minha leveza, que podem não ser totalmente verdadeiras, mas foram criadas com muito carinho pra não assustar pessoas como você. Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum.
    Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
    Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.





(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

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Não é fácil, prosseguir apagando da memória
Tudo aquilo que fez a nossa história