terça-feira, 1 de novembro de 2011

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Para de chorar vai, nada que dói que não possa ser curado e nada do que não é pra ser que não possa ser superado. Você sabe menina, você sabe, o melhor só está por vir.

annabel laurino.

Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.

                                                       Caio Fernando Abreu


A gente se segura em cada coisa quando espera por algo, ou alguém...

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Nunca diga é impossível, por que o impossível sempre acontece. 



annabel laurino.

domingo, 30 de outubro de 2011


"Foi muito lindo te ver pela 
primeira vez e pensar, sem 
palavras: eu quero.''














Caio Fernando Abreu

Choro


    E o choro não escorria por suas faces há dias. Simplesmente não saia, não brotava, ficou lá fechado durante horas esperando a hora certa de escapulir, mas nem quando mais doeu o corpo ou o coração ele saiu, foi no silêncio, na lembrança bruta da madrugada languida, do pensamento em saber que se foi, que não volta, que não tem mais jeito, que todo o tempo perdido já foi. E toda a luta, todos os gritos de vitória, todo os momentos insistidos, as esperanças guardadas, todo o esforço, as caminhadas pela manhã, as ligações, os abraços, as cartas, os beijos, as tardes de música, tudo, simplesmente jogado na mão do tempo e dito: “Toma, vai lá, joga em qualquer canto”.
    Não precisava ser assim, por isso talvez tenha doido tanto. Por que não dependia nem mesmo da sua dor, nem do seu choro, nem da vontade de arrancar seus próprios cabelos. Sentava na cadeira do quarto e escrevia sobre infinitos assuntos, mas nenhum assunto era tão desesperado quanto aquele que ficava guardado no fundo do peito. Como nenhuma dor fora tão desesperada assim. Como nenhuma vontade de chorar tão... Tão assim, do nada.
    Nada foi premeditado, logo ela que vivia de planos, lista de afazeres e futuro contado. É, estava cada vez mais certa de que o amor modifica. Destrói barreiras, mexe com a gente, sacode, grita e deixa a gente louco. Amor não é nada dessas coisas que poeta beat tenta passar, não é nada amor ever paz e gatinhos cor de rosa no meio da noite. Amor é coisa bem louca, machuca. Só serve pra deixar a gente magro e sem vida.
   Debruçada no vidro da janela admirava a chuva cair lá fora como uma criança se diverte em ver a avó mexer a massa do bolo na batedeira e colocar delicadamente sobre a forma untada e ajeitada. Deliciava-se no meio do choro ao mesmo tempo que via o tempo lá fora dançar com a sua dor, uma intimidade tangível, meio próxima e distante. 
    De uma coisa sabia, não poderia dizer que por alguma coisa não valera a pena. Pelo menos sabia que havia dado valor, havia lutado da forma mais bonita e honrosa que pode existir, sabia que havia sido entregue.
    Que coisa mais bonita, sorriu. Ser entregue. Ela sabia que tinha sido, tão disposta, tão apaixonada, fizera tudo que pudesse fazer.
    E chorou como quem chora aos soluços meio que pedindo “pare não suporto mais.” As idéias vinham na mente como balões recheados de tintas em neon explodindo no ar. Havia sido verdadeira, mas mesmo assim não fora verdade, apenas o fim.    
    Que desilusão, que pobre coração. Vasculhou os bolsos do casaco e simplesmente não encontrava nada, nem uma carta sua, nem um beijo, nem um te amo recebido e que envelhecido, talvez morto e no fundo do quarto estivesse coberto de pó e que nem mesmo assim, saberia dizer se pelo menos ele, havia sido de verdade.


Annabel Laurino.


sábado, 29 de outubro de 2011

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    Se alguma vez, por descuido ou coisa assim, ouvir It’s impossible,pense em mim. Ou não. E se a saudade bater, escreva uma carta que pode ser cheia de queixas, ou cheia de sol. Será bemvinda.
   Te gosto para sempre. 




Caio Fernando Abreu



Admito

Que não sejamos idiotas e deixemos o tempo passar. Mas é não sendo idiota e sendo a mulher metida, mimada e crescida antes do tempo que sempre fui que admito que sinto a sua falta. Que tenho vontade de estar perto, de ligar pra você de escutar o som da sua voz, e você dizendo-me as milhares de coisas que eu, nessa coisa insana, também sinto vontade de lhe dizer. Mas como egoísta e orgulhosa, não digo. Por que sofri de mais em meio a essa entrega que em troca nada tive. Por isso engulo essa vontade, choro, não tem problema, mas renuncio, acabo com esse amor, te afasto de mim, e não espero mais nada. Por que sei como você é, sei que você não é capaz e que nunca, nada muda.


Annabel Laurino.

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‎"E já não dói mais . Mas dá saudade . Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás ."


Caio Fernando Abreu



Clube dos Babacas


Você sente essa acidez mórbida escorrendo pela garganta como se fosse um veneno muito amargo ou coisa assim? Você também sente o coração preso, apertado, como se mãos pequeninas de unhas afiadas e forças nos dedos o expresse como se exprime uma laranja? Bem, então você também deve sentir vontade de gritar, de me ligar, de me dizer mil coisas, de me xingar, de dizer que me odeia, de chorar, e de rir de alivio por ouvir o som da minha voz. Que ótimo. Bem vindo no meu mais exclusivo clube de babacas. Funciona assim: Precisa-se que seja orgulhoso de mais para dizer e expressar sentimentos, idiota de mais a ponto de ceder e de fazer joguinhos infantis não revelando e não falando aquilo que mais da vontade de falar e precisa-se que tenha um coração grande, machucado, revoltado e ferido e que ame muito, mas muito mesmo. A regra é: seja um idiota pro resto da sua vida e se foda nas suas feridas amargas em um sábado a noite enquanto o resto do mundo foi ser feliz e soube o que a gente não sabe. Que pra amar tem que lutar, e isso é o outro requisito do clube, precisa-se ser um medroso total.

Annabel Laurino

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Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora. Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam sua falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia alguém mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu