quarta-feira, 4 de julho de 2012

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O tempo desperta pela manhã, da boca do leão ele ruge junto e lambe o sol, como lagarto espreguiçando-se sob a pedra quente do deserto. Nos pássaros batendo asas contra o vento gélido invernal. O tempo parece espiral, grunindo em uma lambareda de fogo que engole o papel, que pinta as chama de cores. Que desenvolve ao longo das fases daquele nome que chamamos de dia. O tempo recria o passado em nosso presente, ele trás a saudade, as lembraças, quadros pintados pelas mãos enrugadas do tempo. O luzidio futuro que nos espera daqui uma hora, trinta segundos. Todas as manhãs repetindo para que o dia, o dia seja diferente. Não reunimos forças, esperamos, ficamos no mesmo lugar. Afundamos no tédio. Reclamamos de tudo. O lagarto, o leão, renascem todos os dias. Precisamos acordar. Renascer. Como fogo crepitante, chama viva brilhante. Precisamos nos fazer.

Annabel Laurino.

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