sábado, 28 de abril de 2012

...



As vezes, quase sempre… Eu queria ter o teu colo pra me consolar.



(Caio Fernando Abreu)

.


“Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, histórias que conto às vezes. Saudade…”




(Caio Fernando Abreu)

...



    Todas as palavras do mundo não irão expressar o respeito a um cão tão imensuravelmente forte como você, meu amigo. 
    Se algum dia você virar uma estrela no céu, espero que você seja a mais brilhante. 
    Não, você não pode saber o que escrevo agora, você ainda está deitado na cozinha, ainda está do mesmo modo que te deixei quando me ausentei nesses cinco minutos para poder escrever isso que escrevo.
    Você será sempre o cão mais lindo e maravilhoso que eu poderia pensar em ter, você foi bravio e destemido e lutou como um guerreiro. Quem poderia ser mais forte do que você?
    Pensando bem, você não poderá ser uma estrela, seria muito pouco, você teria de ser um cometa ou um planeta luz, algo bem forte e lindo, cheio de luzes e faíscas flamejantes com auroras boreais todos os dias batendo ao pico de montes terrestres e chamas coloridas salpicando os arredores do globo planetário que seria você. Eu poderia dar seu nome a ele, se eu pudesse. De qualquer forma, você seria o planeta estrela mais lindo do céu. Você brilharia quando eu o avistasse numa noite de verão. Eu saberia que era você sem pestanejar. Sei disso.
     Já sinto saudades amigo, seja forte meu companheiro bravio. 
     E tenha certeza caro amigo, não esquecerei de você.
     Jamais.


Annabel Laurino.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

...

"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor."






Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 25 de abril de 2012

...

Como velhos desconhecidos, eles nem se olhavam mais.




annabellaurino

Beijo Invernal


É agora que os nós dos dedos tornam-se esbranquiçados no dorso da dobra que articula em volta da camisa de inverno sendo repousada na cama. É agora que o vento frio encarapita-se dentro da camisa de inverno, como bolhas de ar gelado brincando de entrar e sair da roupa enquanto ela repousa macia em cima da cama. É agora, nesse momento eterno e especial, que os finos pelos erguem-se de um sono caloroso, despertando-se para o frio invernal. Na pele do pescoço que se arrepia, viva, ela e seus pequeninos poros rugindo de uma sensação lenta e mordaz que escorre pela coluna, ergue aos ossos dos cotovelos e pela lombar, beija a coluna. É agora que a maciez da pele reflete no espelho, que o corpo delgado esconde-se nas camadas quentes das lãs e que o corpo busca refugio no outro corpo ou na caneca fiel do café amargo. Ou doce. Para matar os dias briguentos em que nós mesmos somos adornados pela santa preguiça de querer a cama e nada mais. Mas penso eu, que se é agora que essa mágica eterna acontece, e quem pode nos garantir que acontecerá novamente, o que quero eu com a cama, a apatia a vida ou ao drama melancólico e banal?
    É agora irmão, é agora que os versos nascem como filhos luzidios, que as folhas secam e que tudo transmuta-se em uma ternura lenta, como o alentar de um beijo quente decaindo frio nos lábios do mundo. É agora. É agora.


Annabel Laurino

segunda-feira, 23 de abril de 2012

...

Ando concluindo por ai, em meio aos tropeços e solavancos, em meio aos engasgos e quedas diárias, que ser forte tem sido cada vez mais difícil do que eu poderia imaginar. Mas graças a Deus, não mais do que eu possa suportar.


Annabel Laurino.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Olhos de Gato, saudades de você minha doce senhora


    Aqueles pincéis eram tudo para ela. Via-a organizando-os sobre a mesa depois do almoço, ou como sempre ocorria nos dias chuvosos - e me lembro de chover muito naquele tempo - antes do chá das três. Havia sempre uma xícara de chá ao lado dos pinceis, todos manchados de inúmeras cores, suas hastes descascadas, mas ela não parecia se importar. Os olhos eram como olhos de gato, incrivelmente perceptivos, anotavam mentalmente o tamanho da tela e vagueavam sobre o espaço branco e genuíno, como se descifrasse a si mesma no que seria feito. 
     Nunca falei sobre ela. Nunca consegui escrever sobre ela. E nem mesmo agora, nesse impeto momento de coragem para expurgar essa avalanche de lembranças as palavras me parecem insuficientes para descrever ela, olhos de gato, a senhora dos pinceis manchados. 
     Ela passava as tardes ali, pintando flores e frutas, de telas em alto relevo a linhas delicadas, recheadas de uma realidade transbordante que vezes eu me pegava duvidando se a realidade mesmo não seriam suas pinturas e não mais o momento presente em que vivíamos. Quando ela entrava para seu ateliler, fazendo crochês tranquilamente sentada no sofá desbotado, ela levantava os olhos de gato incrivelmente verdes sobre seus óculos moderninhos e sorria displicente quando me via chegar, as maças do rosto coradas e cheias de bluch rosado erguidas sobre o rosto anguloso e clássico. O nariz fino sem se mover, os lábios delineados como os de Monalisa, em um sorriso nada aberto, nada sensível. 
     Ela não era uma pessoa sensível. Apesar de todas aquelas cores em que tinha de conviver todos os dias. Tinha um ar ferino, resguardado e durão. Mas era de certa forma uma porta não trancada, porém sem maçaneta alguma, você só tinha que dizer as palavras certas para poder entrar lá dentro e descobrir o seu lado mais obscuro. E eu tinha medo disso, de descobrir ele, o lado obscuro, que quase ninguém conhecia. Sei hoje, pois entendo tudo muito melhor. 
     Fico me perguntando se ela teria como saber disso que escrevo agora. Sei que não, tudo bem. Mas talvez, se houvesse alguma maneira, eu gostaria de saber como ela mantinha toda aquela calma pintando e de onde ela encontrava tanta força para conseguir ser ela mesmo em seu próprio mundo. Que cores eram aquelas que ela via sobre as flores e que ninguém mais conseguia enxergar? Como exatamente ela via o mundo? 
    Não obterei respostas. Aqui nesse silêncio mudo, o tilintar das palavras não expressam minha gigantesca saudade. E aqui, ruminando lembranças me delicio sorridente em momentos felizes em que olhos de gato me ensinou tanto em seu formoso silêncio sem nem desconfiar que enquanto a observava com meus olhinhos brilhantes como as lentes de uma máquina fotográfica, registrava tudo. 
    Saudades. Muitas saudades de olhos de gato, minha majestosa senhora de lábios de Monalisa. 
    Encerro mansa essa lembrança, lembrança fiél que o tempo não poderá apagar.



Annabel Laurino.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

;


"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não de você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por que?"


Caio Fernando Abreu

;


“Me enfiei em casa e não saí. Um desgosto. Leio o tempo todo. Sento no jardim. Ouço música. Tento escrever, mas não sei se quero ou se preciso, e não consigo. Umas carências.”

   


Caio Fernando Abreu