domingo, 27 de maio de 2012

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 Em alta velocidade a Alpha Cam dispara na Via Láctea. E eu achando bonito essa fuga vermelha, dardejada de estrelas, pintada num céu estelar, com luzes, explosões, gás e poeira interestelar, calor e brilho. Um universo inteiro e eu vou lá e me familiarizo com uma estrela fugitiva. Por que será?


Annabel Laurino.





Foto: divulgadas pela NASA

Vestida de Esperança


    Te procuro em outros rostos, espero te ver por ai, a qualquer momento. Eu até te receberia aqui em casa, qualquer hora da madrugada, despenteada, de pijama amarrotado, sem maquiagem, cheirando a café e livros velhos. Eu abriria a porta e sorria, não teria exaustão, coisas passadas, medo de escuro e da noite. Qualquer sentimento recíproco seria mero sentimento perto de te ver novamente. Te olhar. Ah sim, essa é minha sede que não cessa e que arranha na garganta como coisa viva que não vai embora.
    Mas fico tranqüila, da melhor forma que posso ficar, aceito o inevitável, por que afinal, é melhor assim, não é mesmo? Eu sei. Não precisa ser agora, tudo bem. Mas eu ainda abrirei a porta para você novamente, ainda verei você entrando, sentando no sofá, não estarei descabelada, não cheirarei a café ou a livros velhos, será um dia qualquer, eu não estarei esperando. E será lindo. Ah sim. Eu sei. Acontecerá, quando tiver que acontecer.
    Lindo. Será Lindo, fico repetindo.



Annabel Laurino. 




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  Hoje sabe-se, quem sabe tudo, quem sabe nada. Descalça, de pés gelados, tocando a terra áspera, segue-se firme. Frio em ambos os lado do corpo, sozinha. Não haverá medo, acostuma-se. Será normal. Tranquilo. Como respirar. Quem sabe no futuro alguém. Quem sabe ele. No futuro. Não agora. Segue-se.


Annabel Laurino

sexta-feira, 25 de maio de 2012

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    Cruel foi eu calar o meu coração tão sentimental e ingênuo e aguçar meus ouvidos para essa mente chata e cheia de si. Doeu parar de sentir, doeu a força de não ver mais você como meu coração gostava tanto de ver. 
    Fico na esperança de que posso vir a me acostumar. E fico esperando que sim. Que pare de doer essa luta cotidiana do não sentir, do não querer me doer.






Annabel Laurino.

Luz dos Olhos


Os meus olhos vidram ao te ver

São dois fãs, um par
Pus no olhos vidros pra poder
Melhor te enxergar
Luz nos olhos para anoitecer
É só você se afastar
Pinta os lábios para escrever
A tua boca em mim
Que a nossa música eu fiz agora
Lá fora a lua irradia a glória

E eu te chamo

Eu te peço vem
Diga que você me quer
Porque eu te quero também


Cassia Eller 




quinta-feira, 24 de maio de 2012

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"Se você soubesse de como gosto de suas cheganças, você chegaria todo dia."

Chico Buarque

quarta-feira, 23 de maio de 2012

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Eis que começo a voltar. Não de uma galáxia distante, de outro planeta, sequer de uma cidade ou um parque. De mim, volto.








 — Caio Fernando Abreu

Entrelaçados


    E como te dizer, sem rodeios ou floreios, de palavras bonitas e misteriosas, que pensarás soberbamente no significado por um dado tempo até que prossigas esse pensamento solto que aqui registro?
    Preciso elucidar esse motivo de insônia, sem mais nada dizer além do que realmente preciso. E quero dizer que te queria aqui, agora. Sim, sim. Eu te queria aqui. Nós entrelaçados no meio do meu quarto, no meio dos meus livros. Te beijaria, me beijarias. Deitarias sobre minha cama quente, com seu corpo esguio, cada centímetro tão conhecido pelo meu. Tiraríamos os sapatos, me deitaria ao seu lado, tiraria os óculos e repousaria o rosto em teu peito, seguindo a linha do teu pescoço com meu nariz, fungando teu cheiro. Afagaria teus cabelos, a cavidade dos teus olhos, a pele lisa do teu rosto. Entrelaçaria minhas pernas nas tuas, nossos pés se encontrando, nossas mãos se buscando. Tuas mãos segurando-me forte perto de ti, para que não eu fugisse de repente. E eu te encontraria em mais tantos outros beijos em que meus lábios beijariam os teus, sem medo. Como uma sede não saciada, uma fome dolorosa de semanas.
    E tanto faz, penso agora, o dia que estivesse lá fora, sol, chuva, frio, calor. Mas penso no frio, na chuva, nas janelas fechadas estampando as gotas geladas no vidro. Penso no silêncio da casa, no cheiro de café que estaria em nossa boca, no gosto bom do teu sorriso estampado nos parênteses do canto de seus lábios. Ririas nervoso e tentarias me dizer qualquer coisa boba como a chuva lá fora, mas eu te pediria silêncio, porque não haveria mais nada que realmente importasse nessa hora. Descobriria tua pele quente com o toque dos meus dedos frios por baixo de tua roupa e sentiria era o arrepio. A tua pele e a minha acordando de um sono doloroso, depois de, não saberíamos quanto tempo ao certo,  sem se encontrarem. E já faz tanto tempo, não me lembro agora como realmente é o gosto do teu beijo, lembro do peito em combustão, das palpitações nervosas, do querer e não poder. Do sentir demais até doer.
    Eu, você. Em qualquer dia desses, em qualquer hora. Entrelaçados.



Annabel Laurino.




segunda-feira, 21 de maio de 2012

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Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água limpa sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. 






Caio Fernando Abreu

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As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir. 





— Caio Fernando Abreu


As manhãs são boas para acordar dentro delas, beber café, espiar o tempo. Os objetos são bons de olhar para eles, sem muitos sustos, porque são o que são e também nos olham, com olhos que nada pensam. Desde que o mandei embora, para que eu pudesse enfim aprender a grande desilusão do paraíso, é assim que sinto: quase sem sentir. — Caio Fernando Abreu