sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

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– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
  (Pausa)
– Pois é, também dá no mesmo.


Caio F. A.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Novembro aguado e nervoso, tingido na janela, jogado no coração.


    É novembro. Estava demorando a chover e agora, bem, justo hoje parece que choveu a cota inteira do início do mês. Choveu duas vezes. Uma pela tarde e agora à noite. Não é muito noite ainda, recém nove horas. Mas o negrume espaçoso e denso se aglomera pelo céu.
    Bateu uma melancolia daquelas agora. Não pude evitar. Foi meio como estar caminhando e você tropeçar. E não resisti também, confesso. Estava aqui olhando as gotículas cristalinas e pequenas pontilharem o vidro quente da janela do quarto, fiquei vendo as arvores quase que escondidas pela escuridão e serem engolidas por esse véu de chuva. Não resisti, não deu. Foi tão lindo o que eu senti. O que eu estou sentindo. Deu uma vontade de te ter aqui agora, nesse exato momento, e pegar sua mão, depois dizer: “Olha amor, não é lindo? Nesse caos inteiro você ainda consegue encontrar uma coisa bonita, quer dizer, está escuro, mas as coisas belas ainda estão lá e ainda são tocadas e ainda são vistas, em suas formas misteriosas, mas são. Novembro chegou, chuva, calor, novembro chegou.” . E sorrir. Eu sorriria de verdade, seria um sorriso daqueles que você tenta repuxar os cantos dos lábios mas é inútil por que sua boca não obedece, é sincero e um calor intimo percorre o estomago e da arrepios. Faces rubras, mãos suadas, seria assim.
    Não paro de pensar de quando eu era criança, por que nunca tive medo de chuvas e trovões, só depois de mais velhas, não entendo por que. Mas faz tempo que perdi esse medo. Agora eu gosto, na verdade eu amo quando chove assim. Quando tudo lá fora entra em uma atmosfera tão gritante de rugidos raivosos e raios tremendos, de lascas de gotas explodindo nos telhados e poças se aglomerando. Eu gosto sim. Me faz sentir viva, sabe como é, um pouco mais solta, um pouco mais cheia de uma brilhante euforia, da até pra dizer que é como se o mundo gritando lá fora entendesse. Me entendesse.
   Abro a janela do quarto, o vento forte arrasta as gotas da chuva que pontilham minha blusa negra, logo estendo o braço e como se segurasse algum fio de pano eu pego na mão todas as gotas que lhe caem na palma, fazendo cócegas meio brutas, escorregando na pele crespa. Pequeninas coisas eu sinto, de fato muito pequenas. Não da pra dizer ao certo o que são, são pequenas, não daria nem para colocar em um caleidoscópio gigante e tentar decifrar. Mas são coloridas e brilham, muito mais que purpurina e são doces, sim, doces e doces e fustigam, crescem, e querido, se você soubesse... Seria como escutar o mundo dizer: ‘Aqui jaz o fúria do mar. Do céu. Da vida.”.
  E concluo. Definitivamente, novembro chegou.

bebellaurino.



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- Tu tens duvida se eu te amei? É sim ou não.
- Não, jamais tive
- E ainda duvida se amo? É sim ou não.
- Ultimamente tenho e não queria ter.
- Pois nem deveria. Apesar de... Bem. Mas não deveria.
- Por que não deveria ?
- Por que da mesma forma que tu acredita que eu te amei, deves crer que te amo. Amar alguém não é assim, não se deixa de amar em duas semanas ou um mês. Não se é amor, não se tu acredita que eu te amei.
- E tu?
- E eu o que?
- Tu duvidas que eu te amo ?
- Sim, duvido. Pela minha insegurança de nunca ter tido respostas, acredito.
- Mas tenha certeza que de um jeito torto eu amei e amo sim.
- Muito torto, muito mesmo.




Bebel Laurino e Mateus Scheer.





terça-feira, 8 de novembro de 2011

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A verdade é que eu não consigo ser com mais ninguém o que eu fui com você. Então me devolve. Me devolve pra mim.

bebellaurino.





Queda


    Preciso tirar você de mim. Arrancar todos os pedaços que restaram de você aqui. E o pior de tudo é que você tratou muito bem de cuidar da metade do processo. Você despedaçou o viveiro colorido que morava dentro de mim e rasgou as fotos, incendiou as lembranças bonitas. Agora tudo que consigo ver é alguém que não era quem eu amava. Não era alguém que estava nas minhas lembranças mais doces. E não entendo por que. Não seria bom partir guardando balas e chocolates nos bolsos?
    Talvez o erro tenha sido meu. Talvez eu tenha demorado de mais sobre a indecisão de não saber se indo eu te perdia tanto que não conseguiria suportar. Mas vejo isso agora, com clareza e destreza, vejo que posso viver sem você. Que é fácil. Que é bom. Que com você as coisas ficam fora do lugar. Que você não tem me trazido coisas boas mesmo longe e que perto de você eu me sinto mal. Por mim. Sinto-me mal por mim, por ter acreditado em você. Por ter acreditado que você era uma boa pessoa, que por mais detestável que eu fosse, e por mais malvada que eu me tornasse você estaria ali logo depois, como um amigo faz, o amigo que eu pensei que acima de tudo você fosse. Que você não iria me julgar, nem apontar o dedo e nem interferir nos meus caminhos. Pensei mesmo, bobagem. A gente sempre pensa. A gente sempre acredita. Deitada na cama do quarto pensando, “ele é bom, ele não vai me julgar, por que ele vai me ajudar, ele vai ser o braço amigo que preciso, o colo que ninguém da.”. Não fostes, não és. E descubro agora que a queda é alta.

Annabel Laurino.

domingo, 6 de novembro de 2011

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É uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.

    Caio Fernando Abreu

Gosto estranho


    E tudo era um sabor estranho. Ela suando, sentindo sua pele escaldada em chamas ardentes que chamuscavam e escapuliam para fora de seus poros mais ardentes. Mãos estranhas vagavam sobre suas coxas grossas, seus braços pequenos, e tudo gritava, era noite e tudo tinha um sabor estranho. O arfar nervoso grunhia para fora de seus lábios tingidos de cor de rosa, o ambiente era quente, tinha cheiro de menta doce com vento fresco preso nas janelas negras de um carro qualquer. E tudo virava, parecia que o mundo virava também. A música escapulia como louca, nem parecia mais música, parecia que saia de dentro dela. Uma batida fervente, acrescentada a um segundo a mais e logo o mundo já estava diferente outra vez, parecia que escorria de algum lugar e se filtrava, se renovava e vinha reforçadamente insano. O suor escorria desde as veias mais azuladas dentro daquele corpo branco. Sem contar no outro corpo também. As chamas eram claras, e o pedido era simples: Me consuma agora e depois suma. É só agora. De repente ela começou baixinho como quem cantarola o hinário da igreja de domingo, mas não era o hinário e nem uma poesia antiga de seus livros envelhecidos e bolorentos, era algo mais batido e chocante, era algo mais ever-agora, de momento, sabe? Era rock and roll puro e de repente, só de repente ela descobriu o sabor. E não era doce, nem amargo, mas era incrivelmente quente. Incrivelmente errado e louco.



Annabel Laurino.

sábado, 5 de novembro de 2011

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    Só porque era sábado e não ficaria, desta vez não, parada entre o som, a televisão e o livro, atenta ao telefone silencioso. Sorriu olhando em volta, muito bem, parabéns, aqui estamos.
    Não que estivesse triste, só não sentia mais nada.

(Caio Fernando Abreu. Morangos Mofados)