terça-feira, 9 de julho de 2013

;



“ Quem é você? ” disse a lagarta. Alice respondeu um pouco tímida:
"Eu… eu… no momento não sei minha senhora… pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então.” 
"O que você quer dizer? ”, disse a lagarta ríspida. ”Explique-se!”
”Acho que infelizmente não posso me explicar, minha senhora”, disse Alice, ”porque já não sou eu, entende?”


Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

sábado, 6 de julho de 2013

Kiss you

    Eu não lembro a musica de fundo. Engraçado que nesses momentos sempre rola de estar tocando alguma musica de fundo, sei lá, cheia de trepes de bateria e solos românticos de guitarra. Dessa vez era só o silêncio constrangido do seu quarto com a nossa presença. Embora eu não ouvisse nada. Eu sabia que tinha o barulho da nossa respiração sendo embebida uma na outra, o som da gente juntos.
    Lá num outro canto da casa sua mãe perguntava ao seu pai sobre a ração do seu gato de nome simbólico e que perdeu um  pedaço da cola. Num canto da sua casa seus pais assistiam TV enquanto você me abraçava forte e dizia o quanto, e muitíssimo, bom foi ter me encontrado. E eu dizia o mesmo, meio engolindo em seco, meio respiração nervosa. Tão bom também, meu bem.
    Tão bom que eu nem conseguia responder direito. Apaga a luz ou acende. Horas nem sei a quantas são. O jantar estava excelente, obrigada. Mas me perdi mesmo foi depois enquanto você me buscava com os braços cheios de calor e me colocava na sua vida aos poucos, 'vem cá, eu sei cuidar de ti, eu sei do que você precisa'. E eu assim, meio absoluta, perdida pelas facetas da vida, aceitei o convite, te beijei outra vez, outra mais desde aquela primeira vez em meio aos livros, enquanto te interrompia falando da minha banda favorita e te olhava fundo nos olhos quase vendo o meu rosto também, olhos puros, escuros, gostei. Te beijei de novo. De novo. E outras vezes mais depois, porque tudo tinha um gosto bom.


Annabel Laurino 

"Es la moda,Es tu estilo & Eres tu'' | via Facebook

terça-feira, 2 de julho de 2013

;

“– Talvez você seja um cara legal, ainda não sei. Só que dá pra ver que você anda meio perdido, sem saber o que você quer, sabe, de mim, da sua vida, de você mesmo.
– Quem disse que eu não sei o que eu quero? Mas é claro que eu sei o que eu quero!
– E o que é? Me diga.
– Eu quero você.”



 Gabito Nunes

segunda-feira, 1 de julho de 2013

;

     Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.


Caio Fernado Abreu

;

Ninguém ajudou. Me virei sozinho.



Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 28 de junho de 2013

;

“Não quero palavras bonitas, quero palavras sinceras. Já basta.”


 Caio Augusto Leite

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Caminhos, descabelados e confusos

      A vida é complexa meu irmão. A vida é louca. Quer dizer, os caminhos que a vida toma. Tão obtusos e dissimulados, tardios e escorregadios, são disformes e uniformemente engenhosos, não sei como se cruzam, mas se cruzam e sempre de repente, como se uma linha imaginária os traçasse de uma hora para outra.
    Tudo muda tão rapidamente. Uma hora você está na fila da padaria esperando o pão quente e outra você pega um ônibus qualquer na rodoviária rumo aquela cidadezinha perto de casa e que tem bons filmes. Uma hora você acha que tem o amor da sua vida em mãos, que ficarão juntos para sempre, casarão e terão dois filhos e um cachorro com nome do baterista da sua banda predileta, mas em outra tudo acaba, tudo rui como pedacinhos se rachando lado a lado e não existe mais amor algum, só uma ilusão fantasiosa do que sua mente criou. Mas a vida é insana e produz surpresas e no mesmo tempo em que você se acabava chorando numa cama e ouvindo Don't Let Me Down o novo romance da sua vida se aproximava. É, aquele cara que se apaixonou por você enquanto te observava na fila do pão e gostou do seu cabelo e do seu nariz arrebitado e meio fofinho também. Vai ser ele que vai te levar pra conhecer lugares bacanas, ler poesia embaixo da árvore, comer chocolate em dia de chuva e massagear seus pés antes de dormir, te dará flores numa tarde qualquer e dará seu nome a uma estrela no céu.
    Pra você ver, pra você ver, a vida sempre tão estranha. Acontece, uns chamam de loucura, eu chamo de descomplicamento fatalístico. Tem que acontecer meu irmão, tem que acontecer, é só deixar fluir. Uma hora você tropeça em algo lindo que virá com toda força e te trará luz.
    Sabe quando aquilo é tão bom que chega a limpar a sua cabeça? Pois é. Qualquer hora isso acontece com você.
    Claro, esses caminhos que a vida traça, vezes bem traiçoeiros, vão acabar com seu fôlego e vontade de lutar, haverá dias que você não terá vontade de ver a luz do sol e nem de abandonar a cama, nada terá graça e tudo perderá o riso, mas força, e sempre em frente, como dizia o Russo. Afinal, é dessas fossas todas, nesses momentos de pouca luz, desses momentos de 'desbaratamento' total, onde tudo fica confuso, e eu disse tudo, é que a gente tira um coelho da cartola e aprende a caminhar até com as mãos, se preciso for.
    Seja criativo, se a solidão bater, dança com ela, já dizia o Camelo. Dança, dança. Se cair chuva, dança. Se der vontade de chorar, dança também. Vai bota aquela musica, tira o pó dos livros, deixa a vida fluir que aos poucos ela se ajeita. É assim sempre, é assim que funciona. 
     Eu só espero que tenha sol todos os dias, cinzas e rosados, tanto faz e que os dias amanheçam doces com cheiro de alecrim e alfazema, alguém cantando baixinho I Need You no meu ouvido e eu querendo viver pra sempre, ser infinito. Mas se isso não acontecer, amanhecerá igual, os amanhãs estão ai, por todo os caminhos a frente dos quais nos encontramos, e serão doces, surpreendente doces, vezes fatais, mas ensinarão a você, a mim, a nós todos, que nada é tão fatal que não possa continuar a te surpreender.
    Pequenas liturgias nervosas de aprendizados contínuos. Você precisa de uma porção dessas coisas. E de amor também. Amor para todos nós. Amor por todos os caminhos a frente, por favor.





Annabel Laurino

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Cê precisa, eu preciso

To precisando de alguém que me segure forte
Que me agarre com força
Por que sou como água, fluo sozinha
Eu estou aqui, parada, quieta, sou a calmaria em carne
Mas fluo
Horas e outras não estou mais aqui
Preciso que me agarrem, mãos fortes e precisas, para que me prendam
Porque preciso disso
Preciso sentir-me segura
De um conforto, de um cheiro, de um gosto, de um afago
Tão, tão fácil que é
E tão complicado de se fazer
Por que não entendo, muitas vezes, e fujo
E quando fujo é pra valer
Daí você tem que me caçar em um jogo que nem eu mesma entendo
Acontece que eu sofro de mais
Por vezes, dores que nem são minhas
E fujo com essas dores, para que ninguém veja o quanto sofro
Preciso de alguém que perfure lá dentro, lá no intimo, que instigue, que puxe, que cole
E não descole depois
Preciso de chocolates
Cobertores
Sol
Flores
Música
Danças
Corações quentes
E sorrisos sem fim
Preciso de algo longe do eterno
Eternidade é muito tempo para se contar
E acho que não tenho esse tempo todo
Mas preciso de algo, do tipo, agora
No momento
E que tenha recheio
Não me venha com nada vazio
Nada de que eu não possa me lembrar depois
Com um sorriso no rosto
E duas lágrimas latentes escorrendo pelo rosto infantil.




Annabel Laurino