Annabel Laurino
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
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Indiferença é um chá para ser tomado a goles forçados, que nem remédio com gosto amargo e se faz milhares de careta. Indiferença não é automático, não liga na tomada, ela simplesmente se faz aos pouquinhos, como quem não quer nada. O gosto só piora a cada gole e conforme se faz o efeito. Mas depois, quando os goles esvaziam a xícara e todo o resto se faz, o resultado é imediato e... Estranho. Indiferença é coisa mutua, silenciosa, quase nem se percebe quando ela age. Você olha para o nada e para o cheio e tudo é o mesmo. Da uma tristezinha pequena. Mas as dores de cabeça e as incomodações aliviam. E eis os milagres de um bom gole de indiferença.
Criatividade derretida
Começou o verão e a criatividade sucumbiu pro saco. É, isso mesmo, minha cota de criatividade foi embora junto com o frio das estações. E que saudade!
Essa coisa toda de calor, todos os dias, sol a pico, ter que ficar se escondendo nas sombras com os ombros torrados e virados em um pimentão está acabando comigo. Eu passo a maior parte do tempo em casa e só saio a noite. Parece mentira mas por incrível que pareça eu saia muito mais no inverno. Tantas cafeterias, cafés no AM/PM, caminhadas no frio congelante sobre uma lua enorme no céu, aquelas chuvas repentinas e geladas entrando pelas mangas do casaco enquanto, desesperada, tentava abrir o guarda-chuva.
Lá se foram as tardes sentada tomando vários cafés quentes e filosofando sobre a vida, por que sei lá, parecia mais fácil filosofar sobre a vida com um café fumegante na mão e paisagem cinzenta lá fora. Calor é tão... Humano. É meio que o caos que a gente realmente é, entende? Calor nos aproxima de nós mesmos enquanto o frio nos faz imergir para algum lugar mais cinzento, mais congelante e resguardado de nós.
Não vou nem falar nada dos finais de semana, da praia lotada, do 1 kg de protetor solar e daquela gente mal educada te mandando longe no meio da avenida lotada só porque você passou na frente do carro delas. Verão é legal e tudo, mas é muito verão. É só isso. É sol, temperaturas altas e gente em exibicionismo maior, todos se sentindo deuses. Fim, acabou. Só isso.
Acho que terei sempre uma alma de velha por amar os outonos e os invernos, aquele friozinho gostoso, a ponta do nariz vermelha e gelada, os chocolates quentes, as roupas, as luvas e cachecóis, os livros nas livrarias e toda aquela paisagem ficando mais limpa, mais rarefeita, acho que até as pessoas ficam um pouco mais bonitas!
Então eu fico aqui sentada no meu quarto, ouvindo rumores dos corajosos que se ariscam de que o sol está escaldante lá fora e vislumbro aqueles raios fortes, aquela gente suada se apertando nas calçadas e a vontade de sair explode no ar como uma bolha de sabão e eu regresso para a cadeira, ligo o computador e morro de saudades do outono, morro de saudades das folhas secas e descoloridas e, espero. Espero a criatividade vir, que não vem, e me aperto quente aqui sentada, esperando. Desesperando.
Annabel Laurino
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Mama, take this badge from me
I can't use it anymore
It's getting dark too dark to see
Feels like I'm knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
knock-knock-knockin' on heaven's door
Mama, put my guns in the ground
I can't shoot them anymore
That cold black cloud is coming down
Feels like I'm knockin' on heaven's door
(Knockin' On Heaven's Door - Guns N' Roses)
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
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"Me esforço. Refaço a cada instante uma lista com motivos que tenho pra me afastar, mas você nem lê, e me ganha rindo."
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
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- Tá fresquinho.
Ela serviu o café.
- Agora só consigo dormir depois de tomar café.
- A senhora não devia. Café tira o sono.
Ela sacudiu os ombros:
- Dane-se. Comigo sempre foi tudo ao contrário.
Caio F. Abreu
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Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu realmente quiser estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Não vou fazer joguinho. Eu me entrego mesmo. Assim. Na lata.
Caio F. Abreu
domingo, 2 de dezembro de 2012
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"O destino nada me perguntou em colocar você na minha vida, mas caso você encontre com ele, agradeça-o em meu nome."
Caio Fernando abreu
sábado, 1 de dezembro de 2012
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"Você tem que encontrar o que você gosta. E isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para seus companheiros. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então continue procurando e você vai encontrar. Não se contente."
(Steve Jobs)
Depois da chuva, o arco-íris. A regra é essa
Foram o que, três horas de discussão? Ou quem sabe um pouco mais? A terceira vez nessa semana que a gente discutia, e debatíamos e nos exaltávamos um com o outro. Não somos de gritar, de usar palavrão ou de ficar com xingamentos, usamos de artifícios próprios e extremamente cansativos. Eu com o meu jeito sarcástico e irônico, debatendo tudo, com um quê de orgulho, você todo irritado, magoado e implicante. A gente não chegando em lugar nenhum, as horas passando no relógio desde que você tinha chego e eu não havia nem te dado um beijo de boas vindas.
Entramos numa fase estranha acompanhada do verão e da lua cheia. Ficamos nos estranhando, eu te estranhando mais do que você. Sei lá, deu um medo de tudo. Deu medo até de mim e da gente e todas as outras pessoas. A incerteza foi substituída pela insegurança que foi reforçada pela falta de confiança.
A vontade era que todo o redor sumisse e eu pudesse me enfiar em uma toca por sei lá, vinte anos, até que tudo isso passasse e estivesse velho demais para ser novidade.
Mas enquanto a gente discutia, em voz baixa, como dois velhos resmungões comemorando as bodas de ouro sentados na varanda de casa, você me pescava com os olhos, e eu desviava o olhar, afundada num ressentimento de tudo, de você, de mim, da gente. Sempre acabo assim, meio ferina demais quando a vontade de te estrangular transborda das bases.
E você me disse tanta coisa, e eu te disse tantas mais. E foram coisas e mais coisas, palavras soltas, afiadas e pontudas. De todas elas a que mais afundou no meu peito foi você exasperado, perdendo o controle, descabelando os cabelos, em crise, não sabendo mais o que fazer comigo, eu podia ver nos seus olhos que você seria capaz de levantar um carro qualquer parado ali na rua para me fazer voltar a sorrir. E você gritou: "Por que eu to aqui? Por que? Porque eu te amo demais caramba! Por que você não entende isso?". Não respondi. Fiquei te olhando passar a mão pelos cabelos e ficar parecendo um louco maniaco perdendo o controle, os olhos enormes por trás das lentes dos óculos, os dentes perfeitos mordendo o lábio. Não aguentei, surtei também, comecei a rir. E sim, eu lembrei porque eu também te amava tanto, você sempre me faz rir.
Depois a gente mudou de lugar porque tinha aquela chuva de insetos, e as três horas já tinham passado, estávamos mais quietos, sem nada mais para dizer. Como ficam os parques de diversões depois de uma algazarra de crianças ensandecidas e seus pacotes de pipoca, latinhas de refrigerante e palitos de maça do amor espalhados pela grama. No nosso caso, a mágoa era um caos completo sem deixar espaço para a grama surgir.
Porém não resisti ao teu sorriso enorme, as tuas mãos grandes segurando as minhas costas. Você me contou uma historinha no pé do ouvido, com todo o seu charme brincalhão, me subiu nos degraus da escadinha de uma casa para que eu ficasse próxima da sua altura beirando ao dobro do meu tamanho. Tive que elevar o pescoço ainda assim e te olhei nos olhos, você sorriu e me roubou as chaves da mão. Nada de casa agora, era a mensagem prescrita nos teus lábios fechados. E você me puxou para mais perto até que a sede da tua boca saciasse na minha. Sorri em meio ao nosso beijo e tu sorriu e tudo tinha um gosto bom. O gosto da tua língua perpassando na minha, o gosto da minha boca dançando na tua, do teu abraço apertado, das tuas mãos firmes na minha cintura, nos meus quadris.
As três horas foram penduradas no cabide dentro do armário que fica lá embaixo no porão. Eu nem lembrava mais de quase nada depois que terminei de te beijar e tu me puxou de novo para mais perto. "Ainda não pequena, minha linda, minha boneca". E me lembrei de tudo, desde o inicio. Como tudo sempre teve um...Gosto bom. Eu quase disse que te amava, mas não era preciso, tu sabia enquanto eu te beijava, de novo, de novo e de novo outra vez.
E outra vez.
Entramos numa fase estranha acompanhada do verão e da lua cheia. Ficamos nos estranhando, eu te estranhando mais do que você. Sei lá, deu um medo de tudo. Deu medo até de mim e da gente e todas as outras pessoas. A incerteza foi substituída pela insegurança que foi reforçada pela falta de confiança.
A vontade era que todo o redor sumisse e eu pudesse me enfiar em uma toca por sei lá, vinte anos, até que tudo isso passasse e estivesse velho demais para ser novidade.
Mas enquanto a gente discutia, em voz baixa, como dois velhos resmungões comemorando as bodas de ouro sentados na varanda de casa, você me pescava com os olhos, e eu desviava o olhar, afundada num ressentimento de tudo, de você, de mim, da gente. Sempre acabo assim, meio ferina demais quando a vontade de te estrangular transborda das bases.
E você me disse tanta coisa, e eu te disse tantas mais. E foram coisas e mais coisas, palavras soltas, afiadas e pontudas. De todas elas a que mais afundou no meu peito foi você exasperado, perdendo o controle, descabelando os cabelos, em crise, não sabendo mais o que fazer comigo, eu podia ver nos seus olhos que você seria capaz de levantar um carro qualquer parado ali na rua para me fazer voltar a sorrir. E você gritou: "Por que eu to aqui? Por que? Porque eu te amo demais caramba! Por que você não entende isso?". Não respondi. Fiquei te olhando passar a mão pelos cabelos e ficar parecendo um louco maniaco perdendo o controle, os olhos enormes por trás das lentes dos óculos, os dentes perfeitos mordendo o lábio. Não aguentei, surtei também, comecei a rir. E sim, eu lembrei porque eu também te amava tanto, você sempre me faz rir.
Depois a gente mudou de lugar porque tinha aquela chuva de insetos, e as três horas já tinham passado, estávamos mais quietos, sem nada mais para dizer. Como ficam os parques de diversões depois de uma algazarra de crianças ensandecidas e seus pacotes de pipoca, latinhas de refrigerante e palitos de maça do amor espalhados pela grama. No nosso caso, a mágoa era um caos completo sem deixar espaço para a grama surgir.
Porém não resisti ao teu sorriso enorme, as tuas mãos grandes segurando as minhas costas. Você me contou uma historinha no pé do ouvido, com todo o seu charme brincalhão, me subiu nos degraus da escadinha de uma casa para que eu ficasse próxima da sua altura beirando ao dobro do meu tamanho. Tive que elevar o pescoço ainda assim e te olhei nos olhos, você sorriu e me roubou as chaves da mão. Nada de casa agora, era a mensagem prescrita nos teus lábios fechados. E você me puxou para mais perto até que a sede da tua boca saciasse na minha. Sorri em meio ao nosso beijo e tu sorriu e tudo tinha um gosto bom. O gosto da tua língua perpassando na minha, o gosto da minha boca dançando na tua, do teu abraço apertado, das tuas mãos firmes na minha cintura, nos meus quadris.
As três horas foram penduradas no cabide dentro do armário que fica lá embaixo no porão. Eu nem lembrava mais de quase nada depois que terminei de te beijar e tu me puxou de novo para mais perto. "Ainda não pequena, minha linda, minha boneca". E me lembrei de tudo, desde o inicio. Como tudo sempre teve um...Gosto bom. Eu quase disse que te amava, mas não era preciso, tu sabia enquanto eu te beijava, de novo, de novo e de novo outra vez.
E outra vez.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
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Geralmente quando eu finjo algo eu acabo acreditando no papel sendo exercido. Então fingir que eu não me importo, geralmente é não me importar de verdade. E você não iria gostar disso.
annabel laurino
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