sábado, 1 de dezembro de 2012

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"Você tem que encontrar o que você gosta. E isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para seus companheiros. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então continue procurando e você vai encontrar. Não se contente."

(Steve Jobs)

Depois da chuva, o arco-íris. A regra é essa

    Foram o que, três horas de discussão? Ou quem sabe um pouco mais? A terceira vez nessa semana que a gente discutia, e debatíamos e nos exaltávamos um com o outro. Não somos de gritar, de usar palavrão ou de ficar com xingamentos, usamos de artifícios próprios e extremamente cansativos. Eu com o meu jeito sarcástico e irônico, debatendo tudo, com um quê de orgulho, você todo irritado, magoado e implicante. A gente não chegando em lugar nenhum, as horas passando no relógio desde que você tinha chego e eu não havia nem te dado um beijo de boas vindas.
    Entramos numa fase estranha acompanhada do verão e da lua cheia. Ficamos nos estranhando, eu te estranhando mais do que você. Sei lá, deu um medo de tudo. Deu medo até de mim e da gente e todas as outras pessoas. A incerteza foi substituída pela insegurança que foi reforçada pela falta de confiança.
    A vontade era que todo o redor sumisse e eu pudesse me enfiar em uma toca por sei lá, vinte anos, até que tudo isso passasse e estivesse velho demais para ser novidade.
    Mas enquanto a gente discutia, em voz baixa, como dois velhos resmungões comemorando as bodas de ouro sentados na varanda de casa, você me pescava com os olhos, e eu desviava o olhar, afundada num ressentimento de tudo, de você, de mim, da gente. Sempre acabo assim, meio ferina demais quando a vontade de te estrangular transborda das bases.
    E você me disse tanta coisa, e eu te disse tantas mais. E foram coisas e mais coisas, palavras soltas, afiadas e pontudas. De todas elas a que mais afundou no meu peito foi você exasperado, perdendo o controle, descabelando os cabelos, em crise, não sabendo mais o que fazer comigo, eu podia ver nos seus olhos que você seria capaz de levantar um carro qualquer parado ali na rua para me fazer voltar a sorrir. E você gritou: "Por que eu to aqui? Por que? Porque eu te amo demais caramba! Por que você não entende isso?". Não respondi. Fiquei te olhando passar a mão pelos cabelos e ficar parecendo um louco maniaco perdendo o controle, os olhos enormes por trás das lentes dos óculos, os dentes perfeitos mordendo o lábio. Não aguentei, surtei também, comecei a rir. E sim, eu lembrei porque eu também te amava tanto, você sempre me faz rir.
    Depois a gente mudou de lugar porque tinha aquela chuva de insetos, e as três horas já tinham passado, estávamos mais quietos, sem nada mais para dizer. Como ficam os parques de diversões depois de uma algazarra de crianças ensandecidas e seus pacotes de pipoca, latinhas de refrigerante e palitos de maça do amor espalhados pela grama. No nosso caso, a mágoa era um caos completo sem deixar espaço para a grama surgir.
    Porém não resisti ao teu sorriso enorme, as tuas mãos grandes segurando as minhas costas. Você me contou uma historinha no pé do ouvido, com todo o seu charme brincalhão, me subiu nos degraus da escadinha de uma casa para que eu ficasse próxima da sua altura beirando ao dobro do meu tamanho. Tive que elevar o pescoço ainda assim e te olhei nos olhos, você sorriu e me roubou as chaves da mão. Nada de casa agora, era a mensagem prescrita nos teus lábios fechados. E você me puxou para mais perto até que a sede da tua boca saciasse na minha. Sorri em meio ao nosso beijo e tu sorriu e tudo tinha um gosto bom. O gosto da tua língua perpassando na minha, o gosto da minha boca dançando na tua, do teu abraço apertado, das tuas mãos firmes na minha cintura, nos meus quadris. 
    As três horas foram penduradas no cabide dentro do armário que fica lá embaixo no porão. Eu nem lembrava mais de quase nada depois que terminei de te beijar e tu me puxou de novo para mais perto. "Ainda não pequena, minha linda, minha boneca". E me lembrei de tudo, desde o inicio. Como tudo sempre teve um...Gosto bom. Eu quase disse que te amava, mas não era preciso, tu sabia enquanto eu te beijava, de novo, de novo e de novo outra vez.
    E outra vez.




Annabel Laurino






sexta-feira, 30 de novembro de 2012

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    Geralmente quando eu finjo algo eu acabo acreditando no papel sendo exercido. Então fingir que eu não me importo, geralmente é não me importar de verdade. E você não iria gostar disso. 

annabel laurino

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Estou consertando um buraco onde a chuva entra
E bloqueia minha mente de viajar
Onde ela irá.
Estou fechando as rachaduras que apareceram pela porta
E bloqueou minha mente de viajar
Onde ela irá


( Fixing A Hole - The Beatles )

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   "Não fugirei de palavras bonitas porque quem diz não é uma pessoa perfeita, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra as novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em busca de ter realmente uma vida.
    Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final.
Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo." 


Caio F. Abreu

Ligados sintonizados


    Se havia aquela excitação ao desligar o telefone depois de uma conversa rápida e despretensiosa lá pelas duas e talvez três da manhã? Claro, sim, com certeza, sempre haverá.
    - Então tá, vou dormir.
    - Claro, tudo bem.
    - Boa noite, se cuida, tá?
    - Boa noite, me cuido sim, se cuida também.
    - Durma bem – diziam juntos.
    - Um beijo.
    - Beijo.
    - Tchau.
    - Tchauzinho.
    E aquele arrastar do telefone passando da orelha para a boca enquanto o tchau ia saindo devagarzinho e o olho grudado na tela na esperança vaga de que sei lá, de repente, viesse mais alguma coisa dita lá do outro lado da linha. Não vinha, claro, e ambos desligavam o telefone, jogados em suas camas, em seus quartos, em suas casas, separados por trilhões de argamassas de concreto e casas e prédios e ruas e carros e sinaleiras e bairro e praças e pessoas e mais casas. As noites eram assim as vezes, um arrastar familiar de uma conversa mais familiar ainda. Como a dose de café para um mero viciado, ou um copo de coca-cola gelada para os amantes enervantes, ou um bom e delicioso chocolate, para os chocólatras. Uma droga inocente, mas que latejava a falta nos dias em que não sucedia a reposição das doses. Olhos triste pro telefone sem tocar, uma vontade de sei lá, nem que seja ligar só para brigar, bater boca, fazer beiço, fazer drama e sabendo, porque sabiam, fazer as pazes no outro dia. Criava-se um vicio, quase que um ritual, depois da primeira mordida ao fruto desejado era impossível parar. E eles não paravam de se procurar aqueles dois.
     Por que? Não havia explicação. Essa era a graça. Eram os risos, as brincadeiras, as lutas, as mordidas, as brigas, as conversas, os jogos mentais e as guerrinhas bobas. As disputas, as competições. Não se cansavam, essa era também a beleza.
    Como velhos amigos as grandes palavras as vezes são desnecessárias para uma explicação que exemplifique a Sintonia. E sintonia era o que tinha naqueles dois. Sintonia. Uma estranha sintonia. Uma ligação sintonizada de parâmetros complexos e basicamente, estranhos.



Annabel Laurino

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Quem me machuca com a verdade merece todo meu perdão.
(Até quando) Gabito Nunes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

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"Então, eu acho que somos o que somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas."




As vantagens de ser invisível

domingo, 25 de novembro de 2012

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"Não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo está bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem"

- Ggaropaba mon amour -