segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

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  -  E você acha isso bom?
  - Não sei... Deve ser, não é mesmo?
  - Bem, você não me parece muito bem. Então não sei aonde a parte boa se encaixa nisso tudo.
   (silêncio)
   - Acho que você tem razão. Não ando bem.
   - Eu sabia...
   - ... Ainda espero alguém ou algo que me cure.
    (silêncio)
   - Eu te curo.


bblaurino.

domingo, 4 de dezembro de 2011

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    Vou lembrar de você sempre... As vezes. Quando eu não puder aglutinar lembranças, como em um domingo á tarde, no inverno talvez. Quando minha mão fria tocar minha pele, e no toque, na sensação gelada, talvez, me venha tudo em um reflexo muito bonito do que vivemos. Sem mágoas. Vou lembrar da gente, das tardes frias, das folhas do outono, dos beijos quentes, dos carinhos, os cafunés, os sorrisos, e todas as coisas bonitas que crescem devagarzinho quando se começa a construir algo, com alguém.
    Mas é verdade que as coisas mudaram. Mudamos. E talvez você nem lembre mais das mesmas coisas que lembro quando fico só. Talvez você nem sinta mais as mesmas coisas que sentia antes quando meu nome lhe vem a mente e o tom da minha voz lhe aperta na saudade. E se tudo mudou mesmo, e se nada conservou-se apesar da luta, das noites tempestuosas e das mudanças de temperatura, e nem mesmo os sentimentos bons restaram, então, bem, então obtivemos a resposta com o mais glorioso grito de vitória de quem arremata um fim com um ponto final ao longo da história.
    Amor. Nunca acaba. Nem quando se tem um fim. E se acaba, não era amor. Nunca foi então. E não há do que se envergonhar disso. Tudo bem. Essas coisas acontecem. E são sentidas. E são lembradas. Mas o mundo gira. A vida se renova. E quem sabe um dia a gente se encontra e ria de tudo que passou.
    Quem sabe.


  Te guardo para sempre.
Annabel Laurino.
 

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O médico perguntou: — O que sentes? E eu respondi: — Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias.


Caio Fernando Abreu

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"Não tinha mais um dia a perder, pois embora fosse muito cedo, começou a suspeitar que era também desesperadamente tarde demais."


                         Caio Fernando Abreu

sábado, 3 de dezembro de 2011

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Babaca insolente.
   Comecei a entrar em uma estranha fase de ódio por você.


annabellaurino.

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Lâmpada

    Ficou olhando para o teto, o forro branco cintilante, brilhando e refletindo os glóbulos finos de luz que saiam notoriamente da lâmpada acessa do quarto. Ficou ali, sentada na cadeira com o corpo lânguido estirado sobre ela, como se a houvessem atirado ali, e ela continuasse do mesmo jeito, na mesma posição que ficam as coisas quando jogamos-as num canto e elas permanecem, abandonadas. Na sua testa de pele muito branca e pálida, um vinculo se formava. A boca crispada numa linha fina de confusão. Dentro dela se assomavam muitas duvidas. E naquele exato momento, encarando a luz acessa do quarto, como se pedisse silenciosamente para que uma tão igual lâmpada brilhante se acendesse dentro da sua mente com uma idéia mirabolante, como nos desenhos animados, perguntou-se então: Deus, o que eu estou sentindo?
    Mas não houve tão pouco resposta. De direita á esquerda, nem de baixo á acima, nem mesmo da lâmpada, e por menos uma lâmpada acendeu-se em sua mente. Mas permaneceu ali, onde estava. Seus pensamentos trabalhavam freneticamente em busca de respostas e idéias que a fizessem surtir sobre um efeito mais simples e direto do que realmente estava sentindo.
    Bem, assimilou, fisicamente estou péssima, meu corpo inteiro dói, pensou. E emocionalmente, sinto-me... Sinto... Um vazio.
    Vazio.
    Era isso. Um vácuo sugador bem no meio do peito.
    Não exprima choro, nem tão pouco cara de tal. Não chorava á horas, desde a noite passada, a mais terrível crise que já se lembrava de ter.
    Esticou o braço sobre a mesa catando o celular e viu as horas. Ótimo, já era tarde o suficiente, tinha uma desculpa muito convincente para ir para a cama e dormir. E ninguém perguntaria por que estava se retirando aquela hora, ela poderia se deitar sozinha no escuro do quarto, tapar-se até a cabeça, colocar seus fones de ouvidos e chorar baixinho se o choro viesse, e se não, dormiria, o que achava improvável.
    A correnteza de pensamentos sempre lá, sempre distante, sempre perto de quem não deveria estar, de quem ela, já estava providenciando em não estar mais.
    Mas como se faz uma coisa dessas?
    Como se mata o vazio sem nem mesmo ele ser preenchido de algo?



Annabel Laurino

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Acho que a dor sempre foi como uma espécie de alavanca mágica, mesmo que muito dolorida, é verdade. Mas sempre foi como a carga da caneta, entende? Sem ela seria desnecessário sentir. Pois, penso eu, que é preciso que se sinta dor, para sentir de verdade. Afinal, qualquer coisa sentida, seja ela qual for, exprime sua própria dor. É impossível que tudo seja doce. Há sempre o lado negro e obscuro da história, e que por muitas vezes, por ingenuidade, ou fatalidade até mesmo, caímos despercebidamente nos dando conta apenas quando tudo soma-se fatal.

Annabel Laurino.


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Do you remember?








annabellaurino