E repito constantemente: Somos tolos, somos dois tolos que sofremos infantilmente e que cultivamos essa dor dias após dia. Você esconde suas espadas, adorna o peito de uma constante fuga secreta para não ter que encarar problemas, discussões... Enquanto eu, bem, como sempre, meio desvairada, saio urrando sons de luta, saio querendo que tudo de certo, querendo que as coisas se ajeitem de um modo ou de outro e dando nome á tudo, sentimentos, momentos... Sem nem mais saber que, nos perdemos. Não temos nome, possuímos apenas algum sentimento nomeável que se registra por "amor". Registra-se apenas, por que no englobamento de multicores de como colore e acontece dentro da gente, bem querido, fica difícil de explicar... Talvez essa seja a grande chave do segredo. É muito amor pra desistir de nós.
Annabel Laurino.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
"Que coisas são essas
que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar,
todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza
é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade
de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que
faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti. Como pude
cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me
afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara"
Caio Fernando Abreu.
.
“Você é um idiota. É um babaca cretino e sabe disso. Você frustra todas as expectativas que eu já tive em relação à alguém pra mim. E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu gosto, é pra você que eu volto… sempre.”
Caio F Abreu
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Acabaram-se os dias de alegria, as regurgitações nervosas no
peito, as palpitações de euforia latejando nas palmas das mãos suadas, os
sorrisos envergonhados, roubados, os beijos, os amassos. Lá se foram as
ligações no meio da madrugada, sobre assuntos quentes, vezes por expressão de
duvidas vertiginosas, ansiedades, mágoas não comentadas.
Ficaremos
estampados em porta-retratos e fotos guardadas no computador. Eu e você, um ao
lado do outro, sorrindo. Guardaremos conosco dias chuvosos, tardes ventanosas,
dias alegres e por vezes, quem sabe sempre, o nosso amor aprofundado no brilho
dos olhos enquanto se soava o clique da foto.
Seram guardados os
cheiros, o toque dos fios de cabelos, o encontro dos corpos, os beijos ansiosos
e famintos. Nos guardaremos na memória. Em uma caixinha secreta, quem sabe. Mas
nos guardaremos.
Afinal, essas
coisas não se esquecem assim. Não é sempre que se tem um amigo e depois
descobre nele um amor. Não é todo dia que se entende o que é amar, se apaixonar
e ver aquela coisa insana crescer dentro da gente. Não é sempre que aprendemos
a lidar com a dor, com a saudade, e driblar o egoísmo humano que muitas vezes
fala mais alto.
Eu aprendi isso,
aprendi que não posso pedir de você mais do que você pode me dar. Que não posso
mudar ninguém, muito menos você. Não posso obrigá-lo a ser aquilo que não és e
fazer aquilo que vai da além da sua capacidade de lhe ser. Por isso parto.
Carrego na mão algumas fotos, músicas, imagens e sensações de sua presença
sempre ao meu lado. Guardo seu riso, sua voz e você sussurando baixinho
“amor.”. E quando lembro-me na metade do caminho de que dizias que me amavas,
não sei se acredito, se realmente faz diferença acreditar ou não, mas sustento
essa frase e repito de imediato: “Oras, eu também te amo.”
Por isso, parto.
Annabel Laurino.
.
A porta azul ainda estará aberta. A maçaneta cor de rosa
ainda clicará fácil quando você for forçá-la. Ela clicará e você poderá abri-la
e entrar. O tapete verde mar ainda estará levando-o para o mesmo lugar, flores
amarelas e azuis estarão nos vasos brancos, onde você deixou antes de sair. Os
quadros de molduras em neon estarão gritando no corredor, o piano estará
tocando sozinho, nenhuma figura estará dedilhando o teclado empoeirado que você
deixou para trás. Quando partiu. Minha boca seca estará gritando, a pele
nervosa e rachada estará suplicando. Não, água não. A fonte que mata a sede
está em outro lugar, outro corpo. Seus passos aumentam no lugar, suas pegadas
macias e pesadas sobem a escada branca, seu corpo esguio sobe e sobe. Já posso
escutar.
Minhas mãos pingam de
suor, eu posso ouvir. Meus ouvidos se aguçam. Meus olhos entre a tempestade de
luz que golpeia da janela se afirmam na reentrância e afinam o foco. Um suspiro
lento como um golpe no ar sopra dos meus lábios rachados causando dor e ardência.
Vejo sua moldura alta, a forma brilhante de seu corpo branco. Seus olhos
brilham no sol. Suas mãos nos bolsos, sua boca vermelha e úmida. Até que enfim,
você chegou.
Annabel Laurino.
Adaga
Então, – como sempre começa uma história horrível e trágica –
ela empurrou a adaga. Simples. Apertou firme contra o próprio peito, sem sentir
dor. Tamanha dor já fora no inicio, agora, espalhada pelo seu corpo, tomando-a
por inteiro, a dor era quase uma sensação de uma coberta cálida e venenosa, a
tapando inteiramente.
Lágrimas não
sobrepujavam para fora de seus pequeninos olhos brilhantes, nem mesmo uma
gotícula úmida. Nada. Eram vazios e não capturados, vagos, meio caídos, como em
repouso, duas orbitas brilhantes, sem sombra de vida, brilhavam por pura
fatalidade de um brilho seu.
Ela continuou ali,
parada, no frio, apontando a adaga gélida e fina, afiada e dura, contra seu
próprio pequeno corpo macio.
Ela pensava em
milhares de coisas.
Por que estava
fazendo isso afinal?
Partir era, na sua
opinião, uma coisa muito tola de se fazer.
Na verdade, nessa
hora da história, deve-se dizer que não existe adaga alguma, só para
esclarecer. Ela não era louca, não iria afinar o próprio corpo na esperança
mutua de trazê-lo de volta. Não iria adiantar.
A adaga fria, fina,
afiada e dura, é só algo vago que preciso dar nome, um conjunto de sentimentos,
uma situação venerosa, o arrebatamento da alma da própria moça.
Mas é verdade que
estava frio. E que ela sofria, embora dor alguma sentisse e nenhuma lágrima
escapulisse brilhante para fora de seus olhos.
Seus lábios
crisparam-se, secos em vida. Ela, que tanto esperava da vida, agora não
esperava mais nada. Sentou-se na areia sentindo os grãos quentes e tostados do
sol arranharem em sua pele, sentiu uma brisa vinda de longe cortejar seu rosto
e depois não sentia quase nada. Somente o sol, o dia, a movimentação das cores,
as conotações das luzes e o movimento do ar, das nuvens acima e os pássaros
voando ao longe.
Havia tanta gente,
para todo lado que se olhasse. Gente aqui, gente ali. Ela se perguntou se havia
ele no meio de tanta gente. Seu coração frágil ribombou no peito e depois saracoteou
na esperança cálida querendo fervilhar no mesmo instante.
Não, repreendeu-se.
Tirou uma foto da
bolsa, a foto dele. Queria chorar, mas lágrimas não lhe vinham, assim como
muitas coisas já não lhe vinham mais.
Como palavras, ou
como doces e alegria. Nada vinha. Sentia-se a espera de coisas que jamais iriam
chegar. Coisas como os planos que fizera com ele.
Ah sim, ela havia
feito muitos planos. E alguns ela nunca comentou com ninguém. São aqueles
planos que se faz quando se está só. Deitada na cama, mexendo nos cabelos
bagunçados e escutando o som da chuva, ela pensava e imaginava os dois juntos,
os dias perfeitos, as tardes languidas, as coisas certas, as brigas que depois
iriam se acertar, o fim do incerto e da insegurança sem fim, os dias em que
passariam rápido deixando rastros do quero mais.
Milhares de coisas
assomaram em sua mente enquanto segurava aquela foto. Droga, ele nem sabia
daquela foto.
Mas ela a tinha.
A tinha como
milhares de coisas que possuía e ele não sabia. Milhares delas, fragmentos de
sentimentos dolorosos que nunca chegou a lhe contar, sonhos e seus planos, e
alguns segredos de cá e de lá.
De repente uma coisa
bruta se chocou contra seu peito e uma avalanche de emoções lhe cobriu como uma
nevoa embaçada e mórbida.
Pronto.
O medo, a solidão e o desespero lhe preencheram até as solas
dos pequenos pés.
Estava perdendo-o,
para a vida, para os caminhos do destino, para a fatalidade do tempo e do
momento, para tudo e para seja lá mais o que que tivesse uma força tão maior do
que ela pudesse citar.
Dor e magoa.
Chorou.
Sentiu as lágrimas sendo arrancadas a força e de repente a
ardência em seus olhos lhe fez chorar mais e mais e tão mais não chorava com
força, chorava entregue. Entregava-se em cada soluço, em cada pedaço que sentia
das lembranças sendo mortas a facadas lentas na sua mente fresca.
Tudo que ela
pensava era nos dois juntos. Nos momentos bons, nos sentidos, na ausência, na
saudade do seu corpo, do seu calor, dos seus pelos, seu rosto, seu gosto, tudo
lhe arfava fortemente, a destruindo.
Então a adaga estava lá, girava contra seu pequeno corpo e a
dor era insuportável.
Mais lagrimas tremidas. Mais café quente e amargo. Mais dor,
mais saudade. Mais um fim.
Annabel Laurino.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
2 Bicudos
Quando eu te vi andava tão desprevenido
Que nem ouvi tocar o alarme de perigo
E você foi me conquistando devagar
Quando notei já não tinha como recuar
Que nem ouvi tocar o alarme de perigo
E você foi me conquistando devagar
Quando notei já não tinha como recuar
E foi assim que nos juntamos distraídos
Que no começo tudo é muito divertido
Mas sempre tinha um amigo pra falar
Que o nosso amor nunca foi feito pra durar
Que no começo tudo é muito divertido
Mas sempre tinha um amigo pra falar
Que o nosso amor nunca foi feito pra durar
Por mais que eu durma eu não descanso
Por mais que eu corra eu não te alcanço
Mas não tem jeito eu não sei como esperar
Desesperar também não vou
Não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar
Por mais que eu corra eu não te alcanço
Mas não tem jeito eu não sei como esperar
Desesperar também não vou
Não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar
Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo
Tudo que pode acontecer com dois bicudos
Não são tão poucas as arestas pra aparar
Mas é que o meu desejo não deseja se calar
Tudo que pode acontecer com dois bicudos
Não são tão poucas as arestas pra aparar
Mas é que o meu desejo não deseja se calar
Até os erros já parecem ter sentido
Não sei se eu traí primeiro ou fui traído
Não te pedi uma conduta exemplar
Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar.
Não sei se eu traí primeiro ou fui traído
Não te pedi uma conduta exemplar
Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar.
Ana Carolina
Bons tempos quando...
Bons tempos quando me deleitava como uma pétala vazia e seca
sobre a cama quente e solitária. Bons tempos quando a mente nada guardava e o
coração era apenas um compartimento que preenchia-se de lembranças, bons
momentos, amigos e família. Amor com linha marcada. Nada tão ultrapassado
assim.
Ninguém perfurava a
minha bolha indiferente e ninguém me tocava, cutucando lá dentro as coisas mais
secretamente envolvidas dentro de mim.
Agora é como
correr contra o tempo, arrancar pedaços das paredes, chorar pelos cantos,
soltar suspiros e pedir milagres sem fim. É como morder um pedaço de uma trufa,
fechar os olhos e sentir o sabor, quando abri-los descobrir-se louco e insano,
vertiginosamente viciado na trufa, até entender que ela, a pequena a trufa, é
minúscula de mais para satisfazer tanta devoção e vicio.
Que culpa tem a
pobre trufa? Culpa tenho eu que não resisti em mordê-la, em comer seus flancos
pedaços gostosos que multiplicavam-se gostosamente em picadelas agudas
derretendo na ponta da minha língua quente, cada toque vaporosamente mais
forte, mais preso, mais tocável e sentido. Não podendo fugir, sensações brutas
latejando sem parar. Como sair disso? Desse englobamento colossal e reticular
nervoso que só me recria e cria, me cola e me puxa em sabor, calor...
Bons tempos... É
verdade. Quando não sentia nada. Pesada feito pedra, fina e seca como papel. Me
divertia solitariamente em colar figuras alegres nas paredes do meu quarto,
dormir tranqüila no ressoar da noite, deitar a cabeça no travesseiro e só
pensar no que fazer do outro dia, do quão legal foi ler determinado livro e o
quanto a tarde de domingo foi divertida tomando café e rindo com as amigas...
Puft.
Algo estourou e me
vejo perdida. Com uma trufa quente nas mãos e um gosto agridoce na boca
espalhando-se com urgência para determinadamente todos os lugares de mim. Não
sei mais o que fazer. Não consigo lhe tirar de mim.
Annabel Laurino.
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