sexta-feira, 7 de junho de 2013

Anna e o seu beijo Francês

    Hoje eu falo aos leitores, aos sonhadores, aqueles que nunca se cansam de reler.
    Aliás você já releu seu livro favorito ultimamente? Ou pelo menos se lembra daquela sensação incrível após terminar um livro de que você simplesmente não conseguiu largar desde a primeira página até a ultima? 
    Ter uma relação linda com um livro acredito que é uma das sensações mais incríveis que possam existir, dentre todas elas, quero dizer. Invariavelmente eu gosto de reler alguns livros de que amei muito. Parece que sempre foi deixada alguma coisa importante para trás, e toda vez que o abro é como se eu regressasse para o primeiro momento em que o li, e então é fácil estar novamente num dia de chuva com o livro aberto no colo e um café quente ao lado, ou na escola e um montão de gente gritando ao fundo enquanto eu os ignoro e continuo a ler, na praia ou na fila do supermercado. Reler um livro é sempre um encontro com novas redescobertas que deixaram-se passar desapercebidas e regressar ao primeiro instante em que foi lido. 
    Ler Anna e Beijo Francês é assim para mim. As páginas que eu considero perfeitas, as letras, a capa, tudo nele é encantável e simplesmente sempre retorno a lê-lo dentro de um espaço de tempo, o fato é que nunca consigo deixar de sentir o mesmo gosto que sinto quando repito a leitura, como se estivesse sempre apaixonada.  
    E é isso mesmo, é como se eu quisesse viver dentro dele para todo o sempre. Cada detalhe, cada lugar da história, cada personagem ao qual fui apresentada ficam na minha mente depois que o livro inteiro termina e o gosto é sempre o mesmo, o de quero mais. 
    A minha familiaridade com o livro não está somente com a história em si, eu simplesmente adoro a Anna e me identifico muito com ela e sou louca por uma amiga como a Mer que é apaixonada por Beatles e que não saberia o que fazer diante de um cara legal como o St. Clair, toda a apatia de Anna pelos romances escritos pelo seu pai onde pelo que é descrito no livro me lembram bastante os de Nicholas Sparks, os quais sempre alguém morre, me fazem um tanto feliz, pois é a mesma minha apatia. Só que toda essa identificação está um pouco mais além. Eu simplesmente adoro a escritora. Eu consigo enxergar cada ponto da história detalhadamente trabalhado e quando leio seus agradecimentos no final e entendo como a história teve sua inspiração para nascer eu me emociono, então sempre é o grand finale onde termino o livro com os olhos cheios d´água. 
    Stephanie Perkis criou o livro porque um dia também foi apaixonada pelo seu melhor amigo. Então segundo mais vários fatores que acrescentaram na inspiração da história ela decidiu escrever sobre isso também. E voilá. Anna e St. Clair nasceram e Paris, e Josh, Rashimi e Mer e a Resident Lambert. E eu, apaixonada por cada página desse livro. 
    Escrevi uma resenha há muito tempo atrás a respeito dele no meu blog  Livros, Chás e Bolinhos, e isso definitivamente não é uma resenha. É mais uma forma de expressar o "ei olhe esse livro que maneiro, o mundo precisa saber disso!". Não são todas as pessoas que gostariam de Anna e o Beijo Francês, mas eu gosto muito de um paradigma que encontrei uma vez em que dizia que os livros ficam aos sonhadores. E se você, seja quem for, é um sonhador, você amaria Anna e o Beijo Francês. Por isso é tão simples para as pessoas que me conhecem de perto logo de cara me compararem ao livro, não porque sempre que encontro uma oportunidade falo sobre ele, mas porque é um livro que defino como "a minha cara". Eu me sinto em paz toda vez que o leio, é como um regresso a um mundo que eu criei enquanto o lia desde a primeira vez, e espero que isso dure por muito e longos anos afins. 
    Claro, não é o único livro que amo reler, há vários além dele. Mas esse em especial é o que está guardado em algum espacinho muito afundo de mim. Tenho certeza que quem preza seus livros e sabe o que é ter aquela vontade de reler aquele seu livro que há muito ficou abandonado na estante e sente bater aquela saudade daquela história, daqueles personagens, entende do que eu estou falando. 
    E sim, ficam os sonhos depois que termino de ler Anna e o Beijo Francês. Sonhos como Paris, a Pâtisseriie com seus montes de doces perfeitos e delicadamente saborosos como só Paris pode ter, os cafés e cafeterias, os macarons de várias cores, o Louvre, a Notre-Dame, O Jardim de Luxemburgo, Mona Lisa e os milhares de cinemas. Eu estou incansavelmente apaixonada por esse livro, é como uma história que mesmo que eu termine de ler ela nunca terá um final propriamente dito, nunca morrerá ou terminará. Porque é perfeita.

    "Finalmente, obrigada a Jarrod Parkins, que será sempre meu primeiro leitor, me tira da cama, me despeja café e chá goela abaixo e me empurra para o escritório. Que faz o jantar, leva até minha escrivaninha e leva de volta os pratos sujos. Que nunca teve dúvidas de que eu teria sucesso, que enxuga minhas lágrimas, ri das partes engraçadas e leva seriamente em consideração minha pergunta frequente "O garoto é gostoso o suficiente?". Eu estou profundamente apaixonada por você. Obrigada por ser você, porque você é o meu favorito" (Ultima parte dos Agradecimentos de Stephanie Perkins no livro, se referindo ao seu melhor amigo e atual marido) 

    E é nessa parte que as lágrimas rolam mais uma centena de vezes sem que eu me canse jamais de lê-lo novamente. 



Annabel Laurino

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“Era uma dessas meninas que acredita em todos e tudo, até em botão de semáforo para pedestres.”


Gabito Nunes

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dias daqueles meio assim

    Daqueles dias que você sente uma humildade latente no peito, você seria capaz de abraçar um mendigo, de lavar a calçada das ruas com as mãos e escovinhas de dentes e ainda assim se sentir só 5% melhor. Daqueles dias que tudo que você deseja é que te percebam. Que alguém pegue sua mão e pergunte "ta tudo bem com você menina? Parece meio triste..." e que você responda meio zonza de humildade latente e vontade louca de desmoronar "to bem sim, é só sono". Mas que a pessoa não vire as costas satisfeita com a resposta, nada disso. É um dia daqueles que você quer que 1% dos 99% dos covardes e desatentos do mundo que passam por você todos os dias insista pra saber como você realmente está, e esse corajoso não vai se importar de ouvir suas lamentações estupidas de vidinha medíocre, ele só vai ouvir, dar tapinhas nas suas costas e quem sabe dizer que vai ficar tudo bem. E é disso que todos nós precisamos, não é mesmo? Alguém que nos ouça de vez em quando só pra variar, alguém que minta pra gente um pouquinho e que nos deixe em paz mesmo que seja só ouvindo nossas idiotices sem cabimento enquanto os tapinhas nas costas conforte qualquer coisa como uma avalanche dentro de nós mesmos pronta a desabar. 
    O mundo as vezes parece tão pequeno. Pequenino, pequenino. Viajar, eu quero viajar. Muitas vezes só abrir lugar numa estrada qualquer e fingir que estou num daqueles movimentos Beats e que nada mais importa além da estrada a minha frente e a gasolina que preciso repor. Só isso. Gasolina e estrada, brisa leve, coisas fáceis. Mas minha essência grita toda manhã, e eu sei que não suportaria o fato de viver em vão a procura de qualquer coisa, porque no momento tudo que eu preciso está bem aqui ó, na minha frente. Sei que da uma vontade desesperada de jogar tudo para o alto e abandonar tudo, deixar que as coisas se desarrumem a vontade, mas por outro lado eu sei que é a minha tarefa agora, que é a minha sina, meu fado, razão dos meus dias. Eu só preciso encontrar forças, eu só preciso resgatar minha fé. 
    Mas acho que você me entende, entende não é mesmo? Você sabe o que eu estou querendo dizer, você sabe como é se sentir sozinho com seus próprios pensamentos e querer tanto que alguém só te olhasse por mais do que cinco segundos e captasse qualquer coisa sua, nem que por uma telepatia poderosa e do além. Sabe, a vida assim bruta e um abraço em dias difíceis cairia bem. 
     Enquanto me sinto pequena como parte de qualquer coisa no mundo lá fora. Enquanto tenho desejos virulentos de só esquecer de tudo. Enquanto tudo muda sem minha permissão. Enquanto as coisas correm na velocidade da luz para qualquer lugar distante de mim. Enquanto histórias se formam e capítulos terminam. Tudo e tudo, nada e nada. 
    Sei que você entende.
    Dias daqueles que vez em quando todos tem. 




Annabel Laurino

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“Pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”


 Cecília Meireles

segunda-feira, 3 de junho de 2013

April again

    Tossiu. Uma tosse que não passava a quase uma semana. Tomava remédios e aquele xarope de nome esquisito e gosto ruim e mesmo assim a tosse lhe vinha pela garganta cada vez mais forte, atacando seus pulmões fracos. Desconfiava que morreria jovem, muito jovem, mas era só uma tosse e sua inclinação ao drama desenfreado.
    Atravessou a rua. Quase três da tarde e o sol bateu forte em sua cara desmantelada de sono. Agitou os cabelos com as mãos e espalhou os fios ainda mais, deixando-os terrivelmente bagunçados. 
    Não sabia de onde havia saído toda aquela gente. Caminhavam ávidas passando umas pelas outras em tamanha rapidez e se batiam os ombros sem pedir se quer desculpa, apenas seguiam o rumo adiante para as ruas em frente. O que tanto tinham para fazer àquela hora? Sacolas de compras, contas para pagar, algumas saiam de cursos, jovens matando a aula, desempregados sem nada para fazer, não saberia o que mais dizer. Ele mesmo se pudesse não estaria ali aquela hora da tarde, se ainda conseguisse ficar sozinho e ter o poder de filtrar a sua mente que insistia em se sentir tão... Só.
    Foi ai que sentiu aquele estalo. Um bem forte e que quase lhe deixou surdo. Olhou toda aquela gente, e todas aquelas moças, aqueles cabelos compridos, curtos, pernas de fora e braços e bocas e sentimentos que carregavam como bagagens para todos os lugares. Poderia se apaixonar por qualquer uma delas. Qualquer uma. 
    Entrou em um café e puxou uma cadeira. Café expresso, por favor. Olhou a garçonete que anotava seu pedido, bonitos lábios e rosto angelical, nova, talvez vinte, poderia se apaixonar por ela. Talvez gostassem de algumas bandas parecidas, talvez pudessem ir ao cinema e falar mal de alguns filmes e depois ficarem juntos na cama até o dia amanhecer, qualquer cama, na dela ou na sua. Poderia funcionar. 
    Ou não. 
    Cabelos encaracolados e corpo de violão lhe assaltaram a mente tão rápido quanto uma supernova explodindo no espaço distante. Sorriso de criança feliz e pés gelados, perfume gostoso de sentir e aquela risada, ah, aquela risada. 
    De repente a garçonete sumiu, a cafeteria desapareceu.
    Já fazia tanto tempo que tudo havia acontecido. A ultima vez que a vira seus cachos que costumavam serem eletricamente felizes e dourados estavam caídos e tristes. A ultima vez que a vira ele havia ido embora e a deixado para trás em um ponto de ônibus qualquer da cidade. Não era o mesmo desde aquele dia. 
    Era mentira. Não conseguiria apaixonar-se por qualquer pessoa. Não naquela hora ou naquele dia ou talvez por um bom tempo. Sentia-se, como era mesmo? Substituindo. E dessa vez seria substituindo algo que fora lindo e que ainda não havia ido dormir, como deve acontecer com os sentimentos ou coisas que terminam porque morrer não, nada morre, ou simplesmente cai-se em esquecimento ou adormece dentro da gente. 
    Sorriso de criança e cabelos encaracolados ainda não estavam dormindo dentro de si. Tomou um gole do café que havia chegado sem que ele percebesse. Tentou admirar a garçonete de longe, tentou gostar dela e tentou se forçar a talvez um flerte, um gracejo na hora de pagar a conta e talvez a convidar para sair. Mas não seria mais possível, não por ora.
    Olhou seu reflexo no vidro e se viu tão estranho. O rosto magro e com a barba por fazer, as mãos ossudas segurando a xícara e os olhos fundos, mergulhados em olheiras roxas. 
    Ah a vida sempre tão frágil.
    Mas não foi ele mesmo que decidiu ir embora quando tudo ainda podia ser uma flor ou um jardim ou qualquer coisa linda que pudesse crescer e dar frutos? Não foi ele que virou as costas? 
    Sim, foi. 
    E mesmo assim se encontrava ali, infeliz e vazio. Um vácuo por dentro que nada daria jeito. Pensou em pegar um cinema, em se levantar da cadeira, em ir para qualquer lugar e dar um jeito na vida e fingir pelo menos por alguns segundos ser feliz, mas parecia necessitar de um esforço imenso para que conseguisse operar todas essas ações. E infelizmente, ah sim, infelizmente, sua motivação havia evaporado. Ou melhor, sido deixada para trás. Ser forte não era mais uma opção. Ser forte para quem, para que? Para os seus amigos solteiros e que desacreditavam no que poderia ser o amor? Ou para as cervejadas de sexta e o futebol de quinta quando colocava todo o seu lado homem e viril de se mostrar? Pra quem sabe então as outras mulheres ou a sua colega de trabalho do terceiro compartimento à esquerda. Não, para ninguém mais. Ser forte não era mais uma opção, não era mais possível, não era mais útil. 
    Depois de um longo tempo que não soube dizer quanto, a garçonete retornou a sua mesa e perguntou se poderia retirar a xícara, sim, por favor, e se talvez ele gostaria de mais alguma coisa e então pensou. A língua passou pelos cantos da boca, olhou para cima, para os olhos da moça, escuros, quase negros, negros como o café preto que havia recém tomado. E disse enfim:
    - Sim, sim, eu quero sim. Eu quero uma máquina do tempo e que seja abril outra vez. Apenas abril outra vez.



Annabel Laurino




quarta-feira, 29 de maio de 2013

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"Tenho muita coisa aqui pra te oferecer, mas sabe o que é? Sou incompleto, também preciso receber."


Caio Fernando Abreu 

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Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, me deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar



(De janeiro a Janeiro)


segunda-feira, 27 de maio de 2013

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“A gente escuta um Beatles enquanto você desenha corações deitado na cama e eu escrevo “oh, you don’t realize how much I need you.” E nesses dias em que eu me sinto só, é só pensar que em algum lugar você deve estar pensando em mim. E nesses dias em que a gente briga, fica tudo meio cinza. E nos dias em que a gente faz as pazes, eu deito do seu lado e canto no seu ouvido “oh, I could never really live without you.”


Caio Fernando Abreu


domingo, 26 de maio de 2013

Autumm and Spring

    Tudo no mundo pode ser alterado muito bem sem a minha ajuda. Tudo pode entrar e sair de um ciclo sem que haja influência minha. Tudo é contornável e as ações são reações de fatos já existentes na atmosfera terrestre. Tudo existe por alguma razão e tudo deixa de ser por algum motivo. Sem a minha ajuda.
    As coisas fluem. A vida é fluido das veias do tempo. Tudo acontece em questão de segundos. E é só preciso um segundo para que tudo deixe de existir.
    Eu vi o tempo brincar na gangorra com o amor. Eu vi muitas coisas. As pessoas indo e vindo e eu ficando sentada no mesmo banco da estação enquanto o trem nunca vinha. Eu vi o sol renascer inúmeras vezes e contei gotas de chuva escorrendo frias pela janela de um quarto.
    Conheci o que é saber deixar ir e deixar ser e let it be, let it be.
    Foi difícil, difícil como ensinar para uma criança que ela não pode sonhar com super heróis, papai noel, princesas e castelos com dragões imensos. Veio da minha essência acreditar em tudo, não querer me despedir daquilo que eu amo, não querer deixar passar.
    Mas uma hora dessas a gente vai aprendendo com os socos que a gente ganha e uma dessas a gente aprende a ficarmos quietos e distantes. Respira irmão, respira. Deixa estar.
    Não me entristeci mais por ver muita gente indo embora e deixando de gostar de mim pelo o que eu realmente sou. Não me entristeci porque aprendi que quem te ama de verdade segura tua mão até o fim e nunca vai deixar de te amar por qualquer coisa como uma avalanche deslanchando ou um temporalzinho de verão. Então eu só fiquei quieta e deixei que eles fossem, deixei que não gostassem mais de mim, deixei. 
    Alguns erros foram desnecessários, outros sobretudo em vão. Mas eu aprendi com eles, aprendi até mesmo a nunca mais comete-los. Foi o que restou para pensar nas noites sem o sono vir. 
    Sonhos eu tenho alguns, desejos eu tenho sempre. Mas não te contarei todos. Te direi apenas que me faz falta alguém por aqui, alguém firme e estável, espalhando flocos de luz e me deixando provar uma réstia de gosto bom do que é compartilhar a vida e dividir momentos, segredos, coisas assim. Ouvir e contar histórias. Ser e dar o bem. 
    Não, eu não chorei mais. De vez em quando somente, quando vejo algo bonito, eu choro. Algo que me emocione a alma. Um casal feliz, uma família bonita, um filme romântico, uma musica, um cheiro, uma lembrança e alguns momentos introspectivos. 
    É mentira quando eu disse que continuava a mesma. Não continuo. Na vida tudo flui, como disse Heráclito, tudo é ciclo. Eu sou um ciclo pensante e que me altero conforme as conotações da vida. Tive que mudar, foi preciso. Mas não vi e nem sei quando me ocorreu essa mudança, quando foi que me dei por mim mudada. Aconteceu como acontece de uma árvore perder suas folhas secas e depois em outra estação estar cheia delas, lindas e verdes. Não sei qual das árvores eu sou agora, a seca ou a exuberante árvore primaveral. 
    As vezes penso que sou a seca, com meus ramos desnudos sobre um sol de inverno, esperando o cantar dos pássaros, o calor da estação próxima, e então eu poderei me encher de ramos e folhas e me cobrir de luz, novamente. 
    Tudo flui, e fluirá uma hora de eu ser outra coisa além dessa e de novamente não estar mais como era antes. 
    Perdendo folhas secas ao vento, ganhando novas quando a próxima estação chegar.




Annabel Laurino

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Sou apaixonado por abraços. Não resisto a segurança de abraços fortes, sinceros que me envolvem.


Caio Fernando Abreu