sexta-feira, 22 de junho de 2012

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   E agora, o tempo passou, o café quente esfriou e não cobre mais os ressequidos dos lábios secos. Estamos entrando no outono daqui uns dias e essas tardes úmidas só me fazem lembrar de você. Logo as folhas das arvores vão mudar de cor, as areias das praças ficaram úmidas e arenosas, cobertas de folhas avermelhadas e amareladas. Caminharei por essas ruas de pedregulhos históricos e me lembrarei de você. Quando enfiar a cara no ar gélido de junho, vou me lembrar de você. E quando enfim julho chegar, novamente, vou sentir o estomago frio e revirado de saudade, como tem que ser. Vou assistir um filme de lembranças, vou lembrar de todas as coisas e vou sonhar com você. Será como uma história bonita, contada por faunos e floras, flores de inverno, flocos de neve que não caem por aqui. Impossível, irreversível. Que agora só existe na minha cabeça, como um livro empoeirado esquecido em uma prateleira de um sebo velho qualquer. Bonita, dolorida e tristemente só.


Annabel Laurino



- escrito em 16/05/12

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De repente me encontrei não querendo saber de você e te pedindo para partir.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

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Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. 




Caio Fernando Abreu.





quarta-feira, 20 de junho de 2012

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“Tão difícil deixar fluir. Mas é o que precisa ser feito agora."




Caio Fernando Abreu

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“Eu me acostumei tanto em ser sozinha que já não sei mais ter alguém.”
Verônica H.

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"Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar."

Tati Bernardi

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"Alguns hábitos são impossíveis de se abandonar. Como não impedir que as pessoas que queremos por perto vão embora. Nem aquela velha mania de dizer a simples frase: “Eu me importo com você”. Não ligar. Não demonstrar. O coração implora, grita e nosso orgulho se faz de surdo. Nós somos fortes, né? Sobrevivemos, superamos e esquecemos. Quanta bravura! No meio disso esquecemos que abandonar velhos hábitos significa nos permitir viver coisas novas. Sair do mesmo cenário e nos livrarmos da mesmice. Algumas vezes a melhor saída é encarar o risco, o perigo, o medo. E simplesmente se deixar levar. Simples, complicado, leviano. Ceder ao orgulho é tão mais fácil. Tão mais divertido. Afinal, dizem que tudo que é verdadeiro volta. Eu não volto. Por mais que eu queira, por mais que sinta. Não sou de ceder. Vou levando, escondendo e deixando “pra lá”. Talvez descubra que é tarde demais quando encontrar alguém exatamente como eu. Que não vai ligar nem se importar. Nem voltar. E aí? Perdi uma chance? Cuidado. Seja seletiva, mas não seja tão dura consigo. Tente, experimente e deixe o seu orgulho descansar um pouquinho. Possivelmente há alguém esperando só uma brechinha para entrar na sua vida pra fazer tudo mudar. Algumas barreiras podem e devem ser quebradas – mas a sua armadura anda te protegendo demais. Permita-se, antes que seja tarde. Tarde demais."

terça-feira, 19 de junho de 2012

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Fico repetindo na cabeça, em voz alta não, não traz harmonia, fico repetindo e repetindo, procurando entoação, fixação. The really problem. E fico, minutos, segundos. Até que decido, subitamente, em um momento de tamanha alegria e satisfação, o peso diminui a nada. A desistência de pessoas na vida da gente, descobre-se, é reconfortante muitas vezes. Lembra, fecha-se uma porta, abre-se outra. Outra porta, sempre se abre. Don't worry.

Annabel Laurino

domingo, 17 de junho de 2012

Vigas amadeiradas rompem-se para uma reflexão curiosa. Assombrosa.


    O teto do quarto continua intacto. Quer dizer, como um teto normal deve ser. Não sei se o seu é assim. Mas o daqui, a essas horas da madrugada, continua completamente apático em sua pintura branca de madeira antiga. Não entendo de tetos. Mas olho para cima a um bom tempo como se entendesse. Ou como se visse algo de especial estampado nele. Não há. Apenas ideias flutuando no fundo da retina, brilhando e refulgindo, sem parar.
    Sou só eu que perco o sono? Tenho certeza que não. Mais uma leitura de um livro completada, Stand by Me toca nos fones de ouvido e eu tenho uma vontade louca de chorar, mas é uma vontade mais próxima de morder os travesseiros, abraçar as cobertas, saber que to viva, que alguém me toca, aperta meu braço. Mas não toca, não aperta. Tenho vontade de saber que alguém ta perto, mas não tem nada, ninguém. Sou só eu, afundada em meio a um amontoado de cobertas, com kilos de livros em cima da minha cabeça, nas prateleiras, e um livro de um tamanho imenso, ao lado.
    Entorpecida, é ai que começo a olhar para o teto. Não sei, jogada na cama, afundada na vontade voraz de sentir qualquer coisa, sem ter como sentir,  entro na aceitação. 
    Aceitação é o primeiro passo.
    Então o que vem depois?
    Você nunca se perguntou o que você esta fazendo da sua vidinha rapaz?
    Eu me pergunto a respeito todos os dias.
    A resposta, quase sempre decepcionante.
    As vezes eu penso que posso morrer a qualquer segundo. Me pergunto: Então se tudo acabasse agora, nesse exato instante, eu estaria deixando o que de bom para trás? E o que eu estaria levando de bom? O que eu teria construído realmente de importante, e o que eu estaria levando de lição?
    Não se trata de auto reconhecimento, mantra cântico de yoga, salvação ética ou moral, papo cabeça de psicólogo mal formado, não se trata de auto-ajuda, momento inspiração divina. Trata-se apenas de uma verdade daquelas que é como se olhar no espelho e ter que encarar que querendo ou não, você não acorda como as mulheres dos filmes, incrivelmente maquiadas e lindas. De cabelos penteados e prontos.
    É a verdade que assusta. Você é um humano. Você não é perfeito. Ponto.
    Fico pensando, às vezes, tão perdida na insensatez da carne, quanto egoísmo meu! Mas às vezes, na minha forma humana e carnal de encarar as coisas, da vontade de viver tudo de uma só vez. Usar os esmaltes, um de cada cor, cada dia da semana, todos os batons, mudar de estilo cada dia da semana, ir picotando o cabelo e tingindo, ler todos os livros, o máximo que puder, ouvir todas as musicas, visitar todos os lugares, conhecer o máximo possível de coisas, aprender, etc. Da vontade de abraçar o mundo e ficar segurando ele e dizer no final que vivi.
    Tão fútil.
    Você morre e leva que esmalte, que cor de cabelo, quem vai lembrar de você falando de livros como uma neandertal em uma época tecnológica? 
    Egoísmo minha cara, não convém.
    Repentinamente da vontade de salvar alguma coisa que não seja eu mesma, da vontade de sair porta afora e abraçar qualquer morador de rua. O mesmo sangue que passa pelas minhas veias, passa nas veias sangrentas dele também. Da vontade de chorar só de imaginar o quanto de tempo se perde pensando em uma única pessoa, o dia inteiro, 24 horas por dia, e essa pessoa sou eu mesma.
     Não é como jogar uma mochila nas costas e ir para a África, fazer uma rebelião, arrecadar fundos para os carentes, Madre Teresa de Calcutá, ao estilo John Lennon e Yoko Ono, não é isso. Não é nadica disso. É mais ou menos como se sentir viva irmão, viva, entende? Mas sem me fazer viva, é a graça pura de tocar uma pele que não é a sua, um desconhecido, olhar aqueles olhos vagos de quem já percorreu tanto, caminhos tão diferentes do seu, e não se importar com etnia, cor da pele, cor do cabelo, fundo bancário, carro do ano, roupa da moda, sapatos caros. É estender a mão e dizer: Vem irmão, vem, eu você e todo mundo estamos no mesmo barco, vamos morrer um dia, e sabe lá Deus quanto tempo ainda me sobra, mas além das estrelas ou do Universo, nesse momento crucial eu te ajudo, me ajudas também.
    O teto ainda parece branco, em tinta, em cor, em apatia total, sem nada me dizer. Mas há uma voz clara, uma candes completamente quente que pulsa, dentro, fora, dos lados embaixo, muito além de mim. De repente um caminho começa a se formar, uma ideia quase pronta na cabeça, uma vontade no coração e não pareço mais estar sozinha. Solidão é quando não temos capacidade de amar, amar, amar. 
    Quanto necessário seria repetir para entender que amar é quando não pensamos mais em nós mesmos? 
    Teto branco, caminhos brancos. Pensamentos genuínos.

Annabel Laurino.

sábado, 16 de junho de 2012

Repetitivos e Repentinos


    Passou a mão pelos cabelos. Gesto repetitivo ultimamente. Tomou um gole de café. Um vicio repetitivo ultimamente. Olhou, dispersa, através do vidro da janela do quarto. O peixe preto nadava notoriamente, de lado a outro, pelo aquário. As arvores, apáticas pelo frio repentino. Aliás, tudo parecia repentino naquela hora. Uma mistura de sentimentos que eclodiam dentro de si mesma, sem saber decifrá-los individualmente. Sentou-se no peitoril da janela e jogou as pernas para fora, os pés mal alcançando as telhas velhas da varanda abaixo. Contou, entediada, quantos pássaros voavam no céu, rumo a norte. Contou quatro. O mesmo número de dias que não se falavam mais. Incentivada pela contagem, contou mais algumas coisas. Quanto tempo fazia desde a primeira vez que o vira. Fácil. Tentou, inutilmente, contar todas as brigas, não conseguiu. Eram muitas.
    Não entendia ao certo por que tanto brigavam. Complexo? Eram tão diferentes? Tão iguais? Tão egoístas? Tão explosivos? Tão dramáticos? Não entendia. Fazia parecer que não podiam se suportar mais do que algumas horas sem que alguma coisa saísse voando pelos ares, estilhaçada em cacos.
    Perguntou-se, assim como todas as outras vezes, se nesta em especial, haveria como fazerem as pazes. Sorriu ao se perguntar isso, fazia parecer que ainda estava no jardim de infância e que acabara de puxar o cabelo da sua coleguinha ao lado, tendo logo que lhe pedir desculpas antes que ficasse sem sua merenda.
    Desta vez, sabia que não teria a merenda, recusava-se veementemente a reclinar-se e ceder. Não cederia. Já havia cedido tanto... Não regressaria a sua fase deprimente de quase um ano atrás. Aquele maldito tempo em que sua cabeça havia saído do lugar. Não se machucaria novamente. Estava decidida a deixar com que as coisas fluíssem, nem que para isso, ficasse sem sua merenda.
    Decaiu em lembranças fortíssimas, uma saudade, quase esqueceu de sua certeza, quase se esqueceu de tudo, quase pulou por cima do telefone, se jogando longe da janela, e discando os números freneticamente, sem pensar. Quase. Não o fez, não o faria. Sabia profundamente que o tempo havia passado, que a hora havia passado, que os dias haviam passado. Que algo dentro de si havia mudado. Não correria atrás, não se pronunciaria.
    Pegou a caneca de café no peitoril da janela e bebeu de dois longos goles. Sentiu o corpo quente, por dentro, apenas por dentro. Fechou os olhos, inspirada na injeção múltipla de cafeína, fechou os olhos.
    Gestos repetitivos.
    Sorriu.



Annabel Laurino.