quarta-feira, 28 de março de 2012

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"Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver . Não me faz ser assim tão absurdamente feliz, só porque tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso . Mas admito que estou conhecendo (Num gerúndio de gostar sem fim), essa coisa maluca de gostar de verdade . Eu com minha TPM, meus livros e meu jeito meio-gato . Ele com seu ciúme camuflado, seus mil projetos e seu jeito de abraçar o mundo … Mas quer saber ? Eu olho pra ele e fico pensando sozinha : Será que alguém nesse mundo faria o que ele faz por mim ? Porque ele me escuta, me aguenta, me mima, me inspira, me faz sentir a mulher mais linda e especial do mundo ."


Fernanda Mello



segunda-feira, 26 de março de 2012

Euforia

 Gorda. Sua espaçosa. Chegou mansa passando seus bracinhos curtos e nervosos pelo meu corpo quente logo pelo inicio da manhã. Assim que abri as janelas do quarto, aquela chuvinha rasante se espalhando pelas telhas avermelhadas dos telhados vizinhos, o ar gélido, o céu cinza, as folhas das copas das arvores desbotando em um verde pálido, algumas secas, despencando no chão. Um grupo de pássaros rasgou no céu branco acinzentado. O gosto de café amargo estalou nos lábios e a lingua a procura sedenta rastejou na boca degustando do sabor. Ela já estava aqui assim que conclui o dia perfeito, ela sorriu para mim como uma irmã destrutiva e gentil, seus dentinhos pequenos e curtos esboçado na boca larga e risonha, de maças do rosto coradas até as - pobrezinha - suas roupas tão extravagantes e coloridas, um terror, imagine. Euforia disse: "Bom dia pequena, vim lhe saudar". Sua voz gentil pareceu.... Bem... Eufórica. Não pude resistir àqueles olhos tão grandes e vibrantes de tanta energia e gostei muito de como ela me fazia sentir. De como a Euforia, em um dia como esse, que para muitos é um péssimo dia, me deixou tão bem. Como se eu tivesse usado algum tipo de droga calmante, mas era apenas a Euforia. Sentada ao meu lado, ela me depositou um beijo no rosto, meu coração quentinho tal como o corpo recém desperto. Eu tive tantas certezas depois daquele beijo de Euforia que não sei nem como explicar. Acima de tudo, eu só consigo dizer, que tudo daqui para diante dará certo. Sim, dará certo. É só isso que consigo dizer.


Annabel Laurino. 
Você não precisa mais de chocolate. Agora, você tem um cidadão que te causa o mesmo efeito. Que te dá uma sensação boa pelo corpo inteiro. Que te dá energia e que te dá gosto. Que dá gosto de olhar, de tocar, de sentir, de beijar. Ele dirige bem seu corpo e, se sua vida fosse um filme, ele poderia ser o diretor. Ou o personagem principal. Ele escreve as coisas mais lindas que você já leu e, mesmo assim, ele consegue ler seus textos cheios de clichês. E ele é meio clichê do seu lado. Ele fala que te adora. Te chama de linda. Diz que te quer pra sempre. Mas enquanto o pra sempre não chega, você quer aproveitar cada segundo do lado dele. Você queria não ter hora pra ir embora. Você queria que ele não fosse embora. Você só queria rir com ele à noite inteira. E queria que a noite inteira não tivesse fim. Pra vocês falarem besteiras. Pra jogar conversa fora. Pra você falar das coisas fúteis sem parecer estúpida. A noite é sempre perfeita. Ri porque se diverte com ele. Ri porque ele consegue ser mais bobo que você. Ri porque não entende como pode ser tão gostoso estar do lado daquele cara que nada sabe sobre você e gosta da sua companhia mesmo assim. Está feliz de estar ali. E queria estar ali pra sempre. Você ri porque ele não é nada daquilo que você imaginou pra sua vida. Mas ele te convence, sem palavras, de que é o cara perfeito pra você. E faz com que tudo que você viveu antes dele pareça tão morno. Faz com que os outros caras que já passaram pela sua vida pareçam tão pouco. Ele admira seu sorriso. Diz que seu corpo é lindo. Adora seu cabelo. Suas pernas. Beija sua mão. Beija seu rosto com um carinho ingênuo. Ele te abraça e muda o ritmo da sua respiração. Porque, na verdade, ele mudou sua vida. Ele não fez nada pra isso, mas te faz a pessoa mais feliz do mundo. Quer ele te abraçando com aquela mão macia. Com aquele corpo quente. Aqueles olhinhos brilhando do seu lado. Aquele olhar que fala sem palavras. Aquele sorriso mais do que fofo. Aquele cara que chegou e te rendeu sem o mínimo esforço. Por quem você abandonaria todos os outros caras interessantes que te ligam sábado à noite. Deletaria do seu celular todos os números de telefone. Por quem você largaria todas as outras propostas. Arriscaria começar tudo de novo. Ele é o cara pra quem você olha e pensa: fica na minha vida pra sempre? 







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Crise produtiva, fabrica parada, produção esquecida, acordem maquinários!
   O final de semana acabou.
      Acorde. 


domingo, 25 de março de 2012

Os tais 5 minutos sagrados

    Normal sabe, esses momentos tão normais. Descansar a caneca de café sobre a mesa, descansar o pulso, descansar a mente, descansar as vistas, o coração. Descansar. Nem que seja cinco minutos. Os sagrados cinco minutos depois de um banho quente. Senta na beirada da cama, solta o disco, bebe café, - sim, antes de dormir - e repensa na vida como se folheasse as páginas de uma revista sobre paisagismo. Tudo bem, que clichê! Mas é, amigo, é assim mesmo. Os cinco minutos sagrados de todos aqueles que se preocupam com o tal dito Amanhã. 
    E o que farei, o que vestirei, o que comerei, o que beberei, o que... Amarei? Onde estarei daqui a... dois meses. Sim, por isso é sim e claro, obviamente, uma pergunta um tanto sã para quem à alguns dias atrás não era nada além de partícula solta no ar e logo alguém sendo lembrado pela vida e colocado em altos acontecimentos inesperados. 
    Me preocupo muito, de certa forma, em querer planejar sabe? Só quero um pouco mais de garantia. Quero ter amor de sobra nos bolsos, e uma viagem para bem longe, logo daqui a um ano. Por que um ano? Não sei, mas tem que ser um ano. Ano que vem. 
    Parece sempre que eu exijo que a vida mude, que ela traga coisas boas, que ela se reinvente, que não fique no marasmo pessimista e chato de sempre. E isso é errado? Não sei, não sei.
    Os 5 minutos sagrados chegam ao fim, penso em estar em algum outro segurando a mão dele, olhando para o Empire States e respirando fundo um aroma denso de cidade grande adentrando os poros da pele muito branca. Frio, folhas secas. Outono. 
    Sem perceber, os cinco minutos chegam ao fim e a realidade é como uma alavanca sendo puxada ringindo a seco.




Annabel Laurino.

sábado, 24 de março de 2012

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"Esse sim, esquenta as suas mãos e escuta os seus impropérios e gracinhas com o mesmo apego (...) Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a garota dele."

Tati Bernardi


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"E no meio de tanta gente eu encontrei você...Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio. E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida." 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pássaro Feliz

    Porque minhas palavras são favas e ralas, como roupas esfarrapadas e muito rasgadas, não servem para definir o ponto atual. Engasga logo quando delineia no papel. Não dá, sai forçado, tudo muito clichê. Parece que só por que finalmente, agora, que estou vivendo esse algo mágico e real é que as palavras não funcionam, não me vem puras e nem cristalinas, assim como o esperado. Fico tentando parafrasear, criar algo no minimo adequado mas as palavras simplesmente ficam trancadas na metade da língua. 
    A euforia é tanta, o coraçãozinho tão pequeno querendo se alongar grande como um passarinho saltitante abrindo suas asas, alongando o corpinho encarapitado e empinando o pescoço para cima - para o céu - querendo cantar a mais linda musica que houver, logo agora que o sol sai de mansinho de trás das nuvens negras depois de um longo e nebuloso temporal.  
    Quero deixar claro, mas nada me parece um tanto claro agora. Não, não é confuso, parece tudo muito certo. Mas ainda não estou certa dessa certeza toda, como se eu tivesse ainda que observa-la por um caleidoscópio, e  você sabe bem como sou. Preciso saber com certeza, e com absoluta astucia do que se trata isso que chega manso e com dentes afiados e mãos quentinhas abrindo alas pelo caminho.
   No fundo eu bem sei do que eu quero falar, claro. Quero dizer que estou feliz, que vivo bem, que a vida aqui ta ótima, nunca pensei em ser tão feliz, plena, limpinha e serena. Tenho até medo dessa calmaria toda, dessa beleza toda. Mas acho que esse medo é natural... Fico contando as horas para o telefone tocar e ouvir a voz de timbre forte dele, de ter aquelas mãos fortes na minha cintura, abraçando-me, apertando as minhas costas, de ter aqueles olhos firmes e negros sobre os meus, e sentir o gosto perfeito de lábios doces e delicados. Quero ouvir ele, ter ele. Ele que me trouxe coisas boas, ele que - e só pode ser, não há mais nenhuma explicação - Deus colocou na minha vida. 
    Acho que como um pintor preciso ser mais sensível a isso tudo e um pouco menos Alice, preciso sentar-me sobre o banquinho do parque, respirar fundo e me dar um tempo - quanto tempo? Não sei - para digerir essa virada toda, esse tudo que me toma. Então levantarei-me como uma duquesa-de-vossa-serenidade-e-alteza-de-toda-classe e caminharei à passos lentos - porém felizes - e saberei exatamente como descrever tudo isso. Tenho certeza.



Annabel Laurino. 

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"Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus -, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer - eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom" 




Caio Fernando Abreu 

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O imprevisto acontece e alguém te encontra. E te reecontra. Te reinventa. Te reencanta. Te recomeça.


Gabito Nunes