segunda-feira, 24 de outubro de 2011

.


Nossa, o dia está tão bonito que dá até vontade de sair na rua, respirar fundo e se jogar debaixo de um ônibus. 
Pc Siqueira


.

Suas atitudes não condizem com o que as suas 

palavras me dizem.



Annabel Laurino.

...



"Como se pra gostar de alguma coisa ela tivesse que ser perfeita."
 
Pc Siqueira





.




Não importa quanto vá durar: É infinito agora.
  

                                                          (Caio Fernando Abreu)



beije-me


Me pega de jeito. Me faz carinho. Vem de Mansinho. Coloque seu dedo sobre meus lábios macios e peça silêncio. Diga assim: Querida descobri que te amo. Vem assim. Sem dizer, sem avisar. Me tire o fôlego. Me deixe sonsa, sem ar. Diga que sempre procurou por mim, que sempre me quis, que agora que estou aqui, é assim, é a hora. Pegue meu rosto entre suas mãos quentes e olhe-me, deixe eu me perder nesses seus olhos, nesses seus incríveis olhos que não consigo traduzir cor. Me beije, peça. Me beije, que eu te beijo.
 Beije-me, direi. Beije-me, agora, essa é a hora.

Annabel Laurino

domingo, 23 de outubro de 2011

A vida é Frágil e Absurda


    Onde foi que eu li isso?
    Eu não lembro.
   Mas que seja...
    Você acorda, você dorme, as coisas seguem, os relógios acompanham o passo da pressa do dia a dia, você não vê as coisas passarem, é inverno é verão o cenário muda você está sempre lá, sentado sobre uma cadeira gelada, desligando-se das folhas que apinham-se no chão a sua volta, as crianças brincam no parque, o som das falas se misturam as batidas se seu coração solitário e frio, a desenvoltura do momento morreu e um botão que antes era ligado á uma luz que pendia a vida, a noção das cores e dos sentimentos está empoeirado dentro de você. Sem nunca mais ter sido tocado, nunca mais ter sido visto.
   Mas a vida é frágil. Porém absurda.
    Você está lá sentado sobre a cadeira fria, o céu nublasse acima de sua cabeça cheia de pensamentos perdidos e sem nexo, o céu gira com rabiscos de frio e granizo, daí uma coisa absurda acontece.
   O botão dentro de você é arremessado longe, muito longe, para onde seus olhos não podem ver. Ele é cruelmente apertado, instigado por mãos puras e destinadas a isso, você corre e corre e não alcança. Nos relógios, os ponteiros parecem correr mais rápidos mais dessa vez no sentido certo e favorável. As cores explodem no ar como pequenas balinhas de multicor sendo misturadas ao sol. Daí é assim, as mãos puras possuem corpo, incríveis olhos brilhantes e afáveis, e um coração tão mais solitário que o seu.
   Eu digo absurdo por que é incrível o caminho que a coisa vai.
   Sua mão possui outra mão agora quente sobre o calor das cores que lhes envolvem, e mesmo que um dia um borrão cinza transpasse o céu, você terá um corpo tão mais sedento e cheio de sabedoria tal igual ao seu, e já não se sentira mais tão só.
  
Annabel Laurino. 

.


sábado, 22 de outubro de 2011

.


"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento historinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga."

    Caio Fernando Abreu.

.


    Não sei por que estou chorando. De repente bateu uma tristeza tão grande. Como uma coberta quente e pesada, jogou-se sobre mim. Não pude negar, na verdade nem tive tempo. Só comecei a chorar, e chorei e chorei. Por tudo talvez, por saber que não volta mais, por saber que tudo mudou. Que de alguma forma eu mudei, e não sei se gosto de como estou agora, de como as coisas estão. Agora que vejo o quebra-cabeça montado a minha frente, concluo que não me agrado do que eu vejo. Não gosto nem mesmo do que vejo quando me olho no espelho. Da proporção do brilho desses olhos de ressaca, olhos amargos, não gosto de como olham pra mim. Choro, por que sinto sua falta, e sinto falta de um carinho, um colo que ninguém da, um abraço que ninguém dispõe a estender seus braços e me envolver. Choro por que penso que preciso ser amada, mesmo quando eu menos mereça, por que é assim que deve ser, ser amada quando eu for uma idiota, uma burra, por que eu sou humana, eu erro também. Foi assim que sempre te amei, aceitando seus erros. E por que não agora comigo também? Seria isso uma resposta? Você não me ama? Choro. Engulo a verdade e choro ainda mais. Ta sendo um dia difícil, um dia que podia ter sido bom, fácil, calmo, assim podia ter sido, mas se tornou terrível, está quase que sendo... Péssimo, algo assim.

Annabel Laurino.

.


    Hoje eu não quero falar com ninguém. Quero ficar aqui, quieta e só. Ultimamente é muita gente falando comigo, pedindo atenção, pedindo o calor do meu corpo, o riso dos meus lábios, se não o gosto deles, e até meus sentimentos. Querem que como um pedaço de pão eu reparta a mim e saia por ai me doando, me despedaçando em flancos pedaços e depois ficando com o que mesmo? Dedos trabalhando sobre um teclado. Não quero ver ninguém. As pessoas me cansam. São elas o grande motivos de minhas consternações. Sou sempre muito forte, sempre sirvo como fonte de escape e quando acho que encontrei alguém forte pelo meio do caminho, alguém que seria tão capaz de me amar como ninguém mais e tão capaz de lutar por mim, ela arranca meus pedaços, me cobre de duvidas, de decepções e parte, vai embora, não deixa nada, a não ser memórias. Que eu vou tilintando com a ponta dos dedos sobre o teclado frio. Mas esta tudo bem. Eu só não quero ver ninguém. Não quero olhar fundo nos olhos de ninguém e nem ser tocada, por favor, repito, não me toque. Não quero ninguém olhando para mim também, por favor, não me repare. Finja que só estou aqui, que passo como um vento ameno de um canto a outro do quarto, mas não me observe, não guarde nada, não se interesse por mim, não tente me ter, não tente gostar das minhas imperfeições detalhes, não ache meu cabelo legal, não goste do meu visual e nem das minhas roupas, não goste de mim, pronto. Simplesmente não vá com a minha cara. Me deixe ir, não me toque, não me puxe, não me veja, me deixe inteira. Não quero ver ninguém.

Annabel Laurino.