terça-feira, 2 de julho de 2013

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“– Talvez você seja um cara legal, ainda não sei. Só que dá pra ver que você anda meio perdido, sem saber o que você quer, sabe, de mim, da sua vida, de você mesmo.
– Quem disse que eu não sei o que eu quero? Mas é claro que eu sei o que eu quero!
– E o que é? Me diga.
– Eu quero você.”



 Gabito Nunes

segunda-feira, 1 de julho de 2013

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     Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.


Caio Fernado Abreu

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Ninguém ajudou. Me virei sozinho.



Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 28 de junho de 2013

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“Não quero palavras bonitas, quero palavras sinceras. Já basta.”


 Caio Augusto Leite

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Caminhos, descabelados e confusos

      A vida é complexa meu irmão. A vida é louca. Quer dizer, os caminhos que a vida toma. Tão obtusos e dissimulados, tardios e escorregadios, são disformes e uniformemente engenhosos, não sei como se cruzam, mas se cruzam e sempre de repente, como se uma linha imaginária os traçasse de uma hora para outra.
    Tudo muda tão rapidamente. Uma hora você está na fila da padaria esperando o pão quente e outra você pega um ônibus qualquer na rodoviária rumo aquela cidadezinha perto de casa e que tem bons filmes. Uma hora você acha que tem o amor da sua vida em mãos, que ficarão juntos para sempre, casarão e terão dois filhos e um cachorro com nome do baterista da sua banda predileta, mas em outra tudo acaba, tudo rui como pedacinhos se rachando lado a lado e não existe mais amor algum, só uma ilusão fantasiosa do que sua mente criou. Mas a vida é insana e produz surpresas e no mesmo tempo em que você se acabava chorando numa cama e ouvindo Don't Let Me Down o novo romance da sua vida se aproximava. É, aquele cara que se apaixonou por você enquanto te observava na fila do pão e gostou do seu cabelo e do seu nariz arrebitado e meio fofinho também. Vai ser ele que vai te levar pra conhecer lugares bacanas, ler poesia embaixo da árvore, comer chocolate em dia de chuva e massagear seus pés antes de dormir, te dará flores numa tarde qualquer e dará seu nome a uma estrela no céu.
    Pra você ver, pra você ver, a vida sempre tão estranha. Acontece, uns chamam de loucura, eu chamo de descomplicamento fatalístico. Tem que acontecer meu irmão, tem que acontecer, é só deixar fluir. Uma hora você tropeça em algo lindo que virá com toda força e te trará luz.
    Sabe quando aquilo é tão bom que chega a limpar a sua cabeça? Pois é. Qualquer hora isso acontece com você.
    Claro, esses caminhos que a vida traça, vezes bem traiçoeiros, vão acabar com seu fôlego e vontade de lutar, haverá dias que você não terá vontade de ver a luz do sol e nem de abandonar a cama, nada terá graça e tudo perderá o riso, mas força, e sempre em frente, como dizia o Russo. Afinal, é dessas fossas todas, nesses momentos de pouca luz, desses momentos de 'desbaratamento' total, onde tudo fica confuso, e eu disse tudo, é que a gente tira um coelho da cartola e aprende a caminhar até com as mãos, se preciso for.
    Seja criativo, se a solidão bater, dança com ela, já dizia o Camelo. Dança, dança. Se cair chuva, dança. Se der vontade de chorar, dança também. Vai bota aquela musica, tira o pó dos livros, deixa a vida fluir que aos poucos ela se ajeita. É assim sempre, é assim que funciona. 
     Eu só espero que tenha sol todos os dias, cinzas e rosados, tanto faz e que os dias amanheçam doces com cheiro de alecrim e alfazema, alguém cantando baixinho I Need You no meu ouvido e eu querendo viver pra sempre, ser infinito. Mas se isso não acontecer, amanhecerá igual, os amanhãs estão ai, por todo os caminhos a frente dos quais nos encontramos, e serão doces, surpreendente doces, vezes fatais, mas ensinarão a você, a mim, a nós todos, que nada é tão fatal que não possa continuar a te surpreender.
    Pequenas liturgias nervosas de aprendizados contínuos. Você precisa de uma porção dessas coisas. E de amor também. Amor para todos nós. Amor por todos os caminhos a frente, por favor.





Annabel Laurino

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Cê precisa, eu preciso

To precisando de alguém que me segure forte
Que me agarre com força
Por que sou como água, fluo sozinha
Eu estou aqui, parada, quieta, sou a calmaria em carne
Mas fluo
Horas e outras não estou mais aqui
Preciso que me agarrem, mãos fortes e precisas, para que me prendam
Porque preciso disso
Preciso sentir-me segura
De um conforto, de um cheiro, de um gosto, de um afago
Tão, tão fácil que é
E tão complicado de se fazer
Por que não entendo, muitas vezes, e fujo
E quando fujo é pra valer
Daí você tem que me caçar em um jogo que nem eu mesma entendo
Acontece que eu sofro de mais
Por vezes, dores que nem são minhas
E fujo com essas dores, para que ninguém veja o quanto sofro
Preciso de alguém que perfure lá dentro, lá no intimo, que instigue, que puxe, que cole
E não descole depois
Preciso de chocolates
Cobertores
Sol
Flores
Música
Danças
Corações quentes
E sorrisos sem fim
Preciso de algo longe do eterno
Eternidade é muito tempo para se contar
E acho que não tenho esse tempo todo
Mas preciso de algo, do tipo, agora
No momento
E que tenha recheio
Não me venha com nada vazio
Nada de que eu não possa me lembrar depois
Com um sorriso no rosto
E duas lágrimas latentes escorrendo pelo rosto infantil.




Annabel Laurino

segunda-feira, 24 de junho de 2013

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    Creio que qualquer hora dessas será necessário que alguém descongele esse coração com medo. Que toque lá no fundo. Nos recônditos encantados de mim mesma. E então eu topo confiar mais uma vez nessa coisa que eles chamam de se apaixonar, amar, isso tudo. Mas já vou avisando, tem que valer a pena. Já doeu demais uma vez.



Annabel Laurino

domingo, 23 de junho de 2013

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     “‘Tão longe ficou o tempo...’, pensarás – e sentirás uma vontade absurda de voltar, de encontrar, de ligar para alguém que talvez já não atenderia mais; falar da imensa falta que faz tudo o que não vivestes, contar das tantas inexplicáveis carências incuráveis, e sentirás atravessada na garganta – ou no peito ou na mente–, tudo aquilo que chamamos de ausência, e então fugirás, porque é isso que fazes, e encontrarás outros cheiros, outros gestos, outros sorrisos numa outra pessoa qualquer, mas no espelho cru, os teus olhos já não acham nem graça, nem brilho. E repetirás outras e muitas vezes; mastigando, engolindo, ruminando em uma frase escrita sobre algum tempo: vai passar, eu sei que vai passar. E lentamente silenciarás, e lentamente aceitarás.”


Andre Wade

sábado, 22 de junho de 2013

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    Oro a Deus não pedindo cargas mais leves, e sim ombros mais fortes. E tenho repetido que no que depender de mim, me recuso a ser infeliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. 



Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Saturno

    Hoje Saturno reluz. Porque nada está perdido, nem mesmo os pequeninos sonhos para se remoer antes de dormir.
    Mastiga lento o desejo próximo de querer ser feliz. Mastiga a favola doce daquela lembrancinha amarga. Mastiga, pequena.
    Saturno brilha porque não quer mais chorar. É tanta coisa lá fora, é tantas pessoas que passam e nem sabem que você está ai, do lado de dentro de algum lugar. Não se esconda, pequena criança. Sorria, abra seu coração novamente, se livre das amarras que te prendem. Quem foi que disse que o tempo de ser feliz acabou?
    Ah, esses sonhos com gosto bom, ficam passando na cabeça da gente que nem cafuné de mãe antes de dormir. Cê pensa e pensa, da aquela vontade de viver de novo o que ainda nem aconteceu. Mas é bom não é? É bom ter esses sonhos.
    Por isso que Saturno nunca se apaga. 
    E reluz mais uma vez numa noite de breu, ao lado das estrelas minimas. 
    Enquanto você dorme sem saber onde irá estar Saturno da próxima vez.


Annabel Laurino

Fotos do mural