terça-feira, 30 de abril de 2013

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Lost but now I am found
I can see but once I was blind
I was so confused as a little child
Tried to take what I could get
Scared that I couldn’t find
All the answers, honey


          Born To Die

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sensível

    Eu não queria parecer assim tão frágil. Fico dizendo para mim mesma o tempo inteiro "seja forte, empine o queixo, seja forte", mas ando assim, meio sensível ao menor dos toques e quando percebo o risco de um tom de voz elevado ou um movimento brusco que possa se quer me ferir eu corro para dentro da minha toca, escondo-me, porque já doeu tanto e as minhas marcas de guerra ainda continuam expostas, incuráveis. 
    Quase como se eu não quisesse mais me dar ao luxo de mais alguns arranhões. Me deixaram como um gato arisco, fico com os meus olhos enormes de raposa astuta observando a minha volta e com o menor dos gestos de risco eu me escondo. Porque já doeu demais. 
    Tenho chorado por qualquer coisa. Isso não me orgulha e nem faz de mim uma pessoa melhor, pelo contrário, eu me sinto fraca por isso. Mas as vezes dói tanto essa solidão amarga com gosto ruim no fundo da boca. Leio um trecho bonito e choro, trago aquilo para dentro de mim como se alimentasse a alma, mas não alimenta. E choro como se chorasse a mesma dor de Caio Fernando Abreu ou Clarisse Lispector, como se de repente eu sentisse tudo e mais um pouco do que já foi escrito. Escuto uma musica e choro, porque fala tanto de mim e de repente eu só queria um abraço para confortar forte mas é só a musica que fala  então eu choro por um tempo e depois que passa parece que fiquei mais leve. Só que eu não sei se fico, é como um ciclo. Volta e meia vejo um filme e choro, porque acho lindo algumas coisas que todos parecem ter esquecido tão de repente, abruptamente. 
    Eu não queria mais ser assim, sensível. Mas estou e sou. Sinto-me como uma rosa obrigada a fechar-se depois de ter florescido. Como você obrigada uma rosa a desflorescer? Ande logo, feche-se, ninguém vai olhar para você, ninguém irá achar bonita essa sua cor rubra e suas pétalas macias de nada valem, feche-se e esqueça. 
    Mas não consigo mais. Por isso ando reprimindo qualquer interação com o mundo exterior. Leu muito, ouço musica, sento na janela, escrevo, falo com um amigo pelo telefone e depois choro baixinho quando a noite cai. Porque o mundo as vezes fica cinza e ninguém percebe, tem dias que tudo é lindo e também ninguém percebe. 
    Acho que um abraço agora me colocaria em prantos e talvez eu me desmanchasse em choros novamente. Por isso também ando dispensando abraços. Ninguém entenderia isso tudo e por isso eu me calo. 
    Um casal apaixonado, um frase profunda, uma melodia gostosa de ouvir, tudo isso me emociona. Acho que não conseguiria mais ser aquela pessoa fria e calculista de antes, que não pensava nos outros e não tinha medo de arriscar qualquer passo involuntário no escuro, que se atiraria no mar revolto sem medo e que partiria qualquer hora sem mágoas ou saudade no peito. Desconfio que essa pessoa já não existe mais dentro de mim, porque ando tão perspectiva ao mundo a minha volta, e entendo tudo e compreendo e não consigo mais julgar. De repente sinto-me tão frágil e como se essa minha humildade toda tivesse criado em mim uma fome imensa, a de ser compreendida também.



Annabel Laurino 


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“A gente escuta um Beatles enquanto você desenha corações deitado na cama e eu escrevo “oh, you don’t realize how much I need you.” E nesses dias em que eu me sinto só, é só pensar que em algum lugar você deve estar pensando em mim. E nesses dias em que a gente briga, fica tudo meio cinza. E nos dias em que a gente faz as pazes, eu deito do seu lado e canto no seu ouvido “oh, I could never really live without you.”

 

Caio Fernando Abreu

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“Se Amélie prefere viver no sonho e ser uma moça introvertida, é direito dela. Pois, estragar a própria vida é um direito inalienável!”


 Le fabuleux destin d’Amélie Poulain

domingo, 28 de abril de 2013

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"Diário de uma epilética:
entrego-me ao que sou,
tudo que vejo repousa nas pálpebras da minha alma."


- moscou, 1821

sábado, 27 de abril de 2013

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No more

    Não sofrer mais. Nada, nem um pouquinho. E nem chorar. Nada de choros e chorinhos, de madrugada principalmente, depois que você percebe que o dia realmente acabou e não aconteceu nada de lindo ou fantástico ou memoravelmente cativante. Nada de tapar a cabeça com as cobertas e abafar o soluço com os travesseiros e ouvir musica triste e sentir dó de si mesma porque tudo vai mal. Chega.
    Eu não quero mais isso. O meu 'não querer mais' vem também acompanhado de muitas outras restrições. Além de não querer mais sofrer chega de irritamentos bobos, coisas fúteis que me tiram do sério, chega de entristecer-se por quem quer ir embora ou por quem não sabe o que quer. Chega, além de tudo, de relações pela metade e expectativas frustradas completamente enviadas a uma emergência na UTI.
    Existe uma frase de um filósofo francês em que ele diz que não importa de fato o que as pessoas fazem com você, importa o que você faz com isso. Ou seja, você se importa, você chora, você grita ou você fica triste ou então você pira de vez e acaba passando a vida cortando relações com o mundo exterior que ainda chamamos de sociedade. 
    Decidi que não vou mais sofrer. Até porque não estou pronta para morar numa casa pequena, trancada, abastecendo comida e ter uma crianção de gatos para me fazer companhia junto dos meus livros atulhados em todo lugar. 
    Não estou falando que isso será para o resto da vida. Deus sabe que você não tem como passar ileso de tudo isso depois que você cresce e descobre que tem um coração. Mas pelo menos por enquanto ou quem sabe por um longo tempo. Não há mais como ficar pelos cantos choramingando pedacinhos de vida que deixaram de ser. 
    Não sofrer mais pela indiferença alheia e nem pela falta de carinho e afeto. Não chorar e não gritar por fome de algo que ainda não veio.
    Tratasse de aceitar com o queixo erguido que as pessoas, a vida, as situações são como tais elas são e não sou eu querendo mudar tudo isso que de fato irão mudar. Eu não irei fazer de um soco no estomago o fim de um país ou a aproximação da Terceira Guerra Mundial. Não criarei em cima de uma decepção um caos e nem de uma indiferença um motivo para chorar depois que o dia acaba. Chega disso baby, ta na hora de fazer nascer flores onde não tem e de criar coisas boas, sair colorindo por ai, espalhando sorrisos e evitar, sim, evitar esses encaretamentos que nada me servem. 
    Ser paz, ser luz, desejar paz, enviar luz. Ir indo, como sempre se vai e de repente tropeçar em algo bom, em algo que direcione um caminho mais firme, com terra mais plana. 
    Enquanto isso nada de tristezas, nada de sorrisos enviesados. É hora de sorriso aberto e peito estufado de amor. 




Annabel Laurino

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Preciso

    Eu preciso de alguém carinhoso e compreensivo, que não vá entrando na minha vida e chutando tudo longe e querendo mudar os centímetros quadrados de pensamentos que eu levei a vida inteira para reagrupar. Que me ajude quando a mesmice diária bater e eu tiver vontade de prender a cabeça no vão da janela e fechá-la com uma só batida. Que me abrace forte e prometa que tudo vai ficar bem, mas que não seja uma promessa dessas que exija prazo para ser cumprida, apenas dessas que se cumprem progressivamente ao longo que a sua mão for pegando da minha e os seus beijos forem beijando-me e tudo for ficando doce ao longo do tempo. E então tudo ficará bem.
    Uma pessoa que me faça esquecer dos dias escuros e me lembre que sempre haverá um sol lindo e se ele demorar a nascer, bem, subimos no telhado e admiramos a luz da lua e a brilho essência das estrelas. 
    Alguém que dê um jeito de me fazer sorrir e não me deixe ser tão bruta com os sentimentos e tão fria com as emoções, em outras palavras, alguém que me toque. É, lá fundo e profundo de um jeito que se vai aos poucos e com cuidado que é para não me assustar de repente e fazer meu lado medrosa sair correndo. Que me dedique musicas, me dê flores e me faça cafuné, que me deixe ser e estar. Que tenha o abraço mais gostoso do universo e que simplesmente mate minha sede de mundo numa só fisgada de beijo, que passe segurança como se a noite não fosse fria e os dias não fossem terrivelmente longos, apenas pelo fato de estar ali, naqueles braços longos que façam voltas no meu corpo. Alguém que não me abandone por ser doida, cheia de manias, com compulsões por livros e roupas e que fale o tempo todo. 
    Alguém que entenda tudo isso e realmente queira ficar, porque sabe que aqui nesse coração vasto, comprido, remendado, há uma casa bonita, humilde é verdade, mas que tem luz e jardim bem cuidado, varanda perfeita, torta de maça refrescando na janela, lareira acessa e canecas de chocolate quente servidas, sofás com almofadas fofinhas e bordadas a mão, um cheirinho de lar, uma vontade de ser lar para alguém e de abraçar um mundo que não é meu e fazer logo alguém feliz. Sabe, alguém que vai saber que do lado de fora dessa casa irá eventualmente chover sim e o jardim ficará meio sem cuidados vezes ou outras, mas sempre tudo terá um jeito especial de ser. E esse alguém realmente cuidará disso, para que seja especial.
    Para que seja doce.



Annabel Laurino


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