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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
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"Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva para Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 13 de novembro de 2012
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Tati Bernardi.
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E quando seus temores se acalmarem
E as sombras ainda permanecerem
Eu sei que você pode me amar
Quando não houver mais ninguém para culpar
Então não se preocupe com a escuridão
Nós ainda podemos encontrar um jeito
Porque nada dura para sempre
Nem mesmo a fria chuva de novembro
November Rain - Guns N' Roses
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
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De vez em quando choro, é bom chorar, eu não tenho vergonha, mas em todos os momentos existe a certeza de ter feito uma escolha acertada, de estar caminhando em direção à luz. Não nego nada do que fiz, também não tenho arrependimentos ou mágoas: eu não poderia ter agido de outra maneira.
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Uma compressa de sexta
A sexta feira chegou esmagadora. As imagens na cabeça eram
do filme de terror visto na noite passada, aquele meio antigo em que a menina
vira a cabeça em 1000° e da as piores risadinhas diabólicas do mundo. Sem
contar que no fundo da retina, muito complicada e perdida, estavam todas
aquelas tragédias diárias, das familiares até as frustações românticas. A sexta
começou mal.
Começou afogada
numa caneca de café amargo e com um olhar ainda mais amargo diante do espelho. “Meu
Deus, pensou, eu devia estar feliz.” E porém, não estava.
Tinha, aquela
menina meio descabelada, a péssima mania de misturar sentimentos como se fossem
alimentos sendo jogados num liquidificador, e que ela ligava, com o maior
prazer, sem se preocupar em por a tampa, fazendo tudo voar pelos ares,
manchando as paredes, tingindo o branco limpo das cortinas intocáveis.
Dizem que as
sextas feiras são os piores dias da semana, são o ultimo grito do martírio e
então o salve da paz em direção a liberdade do final de semana e do “venha tudo
que puder” o qual nos trazem sempre.
No fim não
acontece nada. E nunca acontecia de qualquer forma.
Tomou banho gelado
e pôs no corpo a roupa obrigatória de toda a semana, sair a luta era o
potencial dos dias, ser esmagada pelas suas próprias emoções era o fado de uma
vida sem explicações.
Começou a chorar
sempre. Antes de dormir, quando as luzes eram apagadas e se via envolta pela
escuridão, dormia chorando, entre o rolar de uma lágrima e o gemido fininho de
uma dor aguda no coração. Sem contar quando começou a chorar até quando chegava
em casa, sentada no sofá abraçada à uma almofada. Nunca fora assim tão sensível,
e agora, parecia quase que iria quebrar, de dentro para fora.
Pressentia nos
ventos abafados daqueles dias calorosos uma estranha sensação que chegava a
perfurar no peito, uma espécie de sede destrutiva, de fuga da realidade, de
fazer mil bobagens ou, de simplesmente não fazer absolutamente nada. Uma
dorzinha mesclada com desejo que beirava à desistência. E não sabia explicar.
Mas havia sempre, sobre essas sextas, uma vontade doida de sumir de tudo, sumir
com tudo, mesmo que o sol ainda berrasse grande e impotente lá fora.
Annabel Laurino
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