quarta-feira, 12 de setembro de 2012

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Acabei me entristecendo com as coisas que escrevi. As verdades, porque as mentiras não entristecem.


— Caio Fernando Abreu

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"O que você quer? Absolvição? Aplausos? Ver nos meus olhos uma ponta de dor? Que eu desague um rio de lágrimas? Correção? Desculpa entrar na brincadeira sem julgar seu acontecimento como uma mera molecagem credora de castigo. Nunca fui sua mãe e você já não é mais criança, posso afirmar, apesar da sua ingenuidade em pensar que assim a coisa soaria mais honesta. A pior ingenuidade é achar-se esperto."


Gabito Nunes

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Às vezes estou por cima, às vezes estou por baixo. Mas estou sempre por alguma coisa. Por alguém. Por aí. Por você. Pelos metrôs. Por uma coisa diferente. Pela coisificação dos romances.

Gabito Nunes

terça-feira, 11 de setembro de 2012

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Cadê você que me esqueceu?
Quem você que eu não esqueço?
Quem é você que me prendeu
E depois me deixou pra trás?

Que não vai voltar
Por mais que eu cante, escreva, toque
Não vai dar

Você não vai mudar
Você não vai mudar
(E sabe que sozinho eu não sei aonde ir)


Pianinho - Esteban

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

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É essa minha mania de mergulhar de cabeça nas coisas que me deixa tão pirada. Uma hora eu estou tão sozinha, quieta, esquecida, colocando uma massa de bolo no forno e esperando a massa crescer, esquematizando minha lista de estudos e ouvindo uma musica, bebendo um chá gelado de pantufas e pijama, e em outra hora eu estou nos braços de alguém, nadando num passado e me afogando num futuro que eu nem sei de onde veio, sendo acertada em cheio pelo inesperado presente. Faz sentido? Eu sei que não faz. Até agora não sei bem onde estou e como vim parar aqui. Não é ruim, essas situações loucas de que me coloco sempre. Da a impressão de que sou uma fugitiva, sempre em fuga de alguma coisa que me persegue e me faz correr para todos os lados e abrir todas as portas, ou uma caçadora de um tesouro escondido, vasculhando novas ilhas misteriosas. Não sei se é ruim, se mata, se engorda. Não faz sentido, não diminuiu, quem sabe, acrescenta. "Não sei se me levo ou se me acompanho." Sabe como é? Eu também não.

                      Annabel Laurino

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"As coisas só começam a fluir, quando a gente permite que isso aconteça. Eu to confiando em mim de novo, me permitindo, porque eu sei que posso muito, mereço muito! É muito bom finalmente me dar essa segunda chance, depois de ter dado tantas pra quem nem valia à pena."



Tati Bernardi

Reflexo

    Sua queda foi não saber que o meu olho mágico não ficava na minha testa, nem na minha boca que te contava histórias para te distrair, ou nos meus ouvidos que ficavam atentos em cada delonga sua, de horas e virgulas e respostas afiadas, não perdendo nem um ponto que despencava no abismo dos teus lábios. Meu olho mágico que registrava tudo, até suas transformações de cores que se alternavam em dias, seu humor sempre nublado, sua felicidade sempre mista e mesclada, difundida em nostalgia, suas máscaras de sorrisos acompanhados de olhos tristes, tudo isso amor, tudo isso eu registrei na minha retina imperceptível, meus dois radares de alta voltagem e sensoriais. Tudo isso porque de alguma forma sua essência passou a ser refletida não mais nos meus olhos, mas em mim mesma, quase como um reflexo de espelho, uma imagem completamente familiar, intocável, mas ainda assim familiar, e você nem se quer percebeu. Sua queda foi essa, pensar que distraidamente se distraindo me distrairia pelo caminho distorcido que andavas. Alteração alguma eu poderia fazer para te transformar em uma peça ajustável e mais bonita, brilhante, finés. Mas eu reconhecia, dolorosamente te reconhecia. E não mais que ninguém, sabia quando os vincos da sua boca estavam para baixo e uma lágrima invisível despontava dos teus olhos, mesmo que tentasses esconder. Mesmos que tentasses se esconder.

 Annabel Laurino

Mais uma crônica qualquer


    Fiquei muito irritada com você. De verdade. Eu quase senti que ia sair fora do corpo de tanta raiva. Vontade era de socar você e sua cara de sono, sua língua grossa e seus olhos desmantelados. Cansei. Chutei o pau da barraca.
    Passei duas horas me arrumando em frente ao espelho, arrumei o cabelo, pintei as unhas, coloquei seu perfume preferido e tava com saudade! Olha só, eu, com saudade! Todas as peripécias perfeitas de quem gostaria de ser notada e se importando um pouco com a situação. E olhe o que você fez!
    Você todo desligado, me chega todo desfeito, despreparado, despreocupado. Garanto que nem notou na minha felicidade cantante de quando te abri a porta, te mandei entrar, com um ar meio diferente, alegre, entusiasmada por te ver, porque era domingo, tinha sol e eu queria muito sair, pegar da tua mão e rir feito doidos como de costume, porque isso sempre foi e seria ainda melhor em mais um domingo como aquele. Só que você tava com cheiro de cerveja, descabelado, desarrumado, tonto, perdido, com chiclete de menta para disfarçar a promessa assídua do que não iria fazer e acabou fazendo, com os bolsos recheados de desculpas esfarrapadas e perdidas de sempre.
    Pensei em chorar no meio daquela musica do Bon Jovi, sentada em frente ao computador pensando no que te disser, mas eu não tinha mais nada pra dizer e mesmo o que eu acabei dizendo foi tudo da boca pra fora, foi tudo tipo engasgo desengasgado. Não foram palavras prontas ou pensadas. Eu fiquei mesmo foi triste, decepcionada. Nossa, você foi tão cruel.
    Já parou pra pensar o quanto esse coração aqui era frio até você chegar? Eu nem se quer sabia a diferença de uma borboleta marrom para uma folha enegrecida caindo de uma árvore. Minha percepção aos detalhes era difusa. Você mudou tanta coisa. Me trouxe tantas musicas, sons, cores, sabores e me mimou tanto. Faz aquele cafuné gostoso, aquele café doce e aquece os pés de alguém como ninguém. O que foi que houve rapaz? Não me diga que você é esse tipo de jogador confuso que quando ta no final do Time, nos acréscimos do segundo tempo, pronto pro desempate da vitória, ganhando na casa, você entrega o gol pro time adversário? É isso mesmo?
    Tinha desmarcado todos meus compromissos na agenda pra te ver. E olha o que você faz. Acho que assim não segue, sei lá. Já foram tantos ‘agora pode fluir, agora vai, o vento sopra, a coisa firma’ que eu to desanimada demais. Desanimei. Desiludi. Coisa mais chata você e sua áurea desorganizada, negra e cheia de mesmices. Já disse que odeio gente molenga? Que não sabe se vai, se vem. Que fica se atirando nas paredes, que anda meio que se empurrando pra frente, esperando alguém aparecer para dar um sacodes e ajudar no ‘vamo lá!’. Já fui esse tipo de gente, que parava com a maior paciência do mundo. Que te ajudei, que te dei os maiores sacodes do Universo e que te disse as maiores delongas de uma vida inteira. Mas hoje, hoje meu rapaz, não mais.
    Fui. Já chega. Já era. Deu. Acho que se você me ouviu direito eu disse muito bem, eu até recitei um verso da querida Tati Bernardi do seu lado, enquanto você jogava e nem me dava ouvidos, “Quando a gente se importa, ainda é um sentimento, ainda é alguma coisa, raiva, ódio, essas coisas. Quando a gente não se importa mais, vira apatia, indiferença.”.
    Acho que é isso que você quer de mim, minha total e completa indiferença, só para que eu pare então de falar, lavar, esfregar paredes, fazer sinais de fogo pra te chamar a atenção, eu e meu lado certo, correto, organizada e chata. Mas to nem ai, você que é burro, você que me perde sempre e sempre, e por coisas tão banais que você julga tão legal e cool e tal. 
    Tchau. Já fui. A segunda feira já começou, minha sintonia desentronizada de você também. Um beijo.



Annabel Laurino.

sábado, 8 de setembro de 2012

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“A partir de hoje, só o que for muito, muito leve, bonito e fácil. A grande maioria desiste. Eu, só estou abrindo mão. Concordo contigo, também aconteceu comigo: o meu coração partiu. Para outro lugar.”



Gabito Nunes

Translúcida


    Sou um espírito impaciente, por natureza sóbria e consciente. Se você diz que chegara as dez, e se as dez e um ainda não tiver chego eu estarei fechando as janelas, passando o trinco na porta, pelo lado de fora, e tomando um rumo qualquer sem deixar bilhete grudado no batente. Sou criança, mimada, manhosa, mas sei quebrar vidros, queimar fotos e me esquecer do passado com um estalar de dedos, friamente calculável. Eu sei, eu tenho minhas manias, beber café antes de dormir, ficar indecisa com qual leitura irei iniciar e ficar cheteada por não me decidir, cheirar livros, falar sozinha, beber chá depois do almoço, falar com os animais como se fossem gente, ouvir musica alta, comer doce antes do almoço ou da janta e pedir meus momentos de solidão, para que eu possa desfrutar da minha leitura, ou da minha escrita, que vezes me ferem agudas.
    Em questão física, eu sou quase imperceptível, mas sou macia como um lençol d’água, flexível e dobrável, olhos, cabelo, boca, tal como você também tem. Dias eu acordo tão transparente e dias eu acordo cinzenta, como um céu nublado cheio de nuvens carregadas de tempestade.
    Procurarei nos seus braços um abraço de conforto e nas suas coxas um colo para que eu possa me deitar e no seus ombros um ombro para que eu possa reconfortar meu rosto e pedir alento, ou amor, ou carinho, tanto faz. Procurarei na tua boca um beijo, mas não qualquer beijo, um beijo de verdade, que desperte sentidos, que acorde da mesmice diária como uma injeção de ânimos.
    Não acredito em meio termo, mais ou menos é pior ainda. Não existe amor mais ou menos, carro mais ou menos, casa mais ou menos, as coisas são ou não, de mais ou de menos, mas são. É tudo ou nada. Não quero que você segure a minha mão se tem a intenção de solta-la amanhã, você tem que segurar a minha mão acima da incerteza do futuro, porque você quer segura-la e ponto. Não importa se você não pensa em passar o resto dos seus dias comigo, mas que você quer passar o próximo momento mais duradouro da sua vida ao meu lado.
    Eu não vou te ligar no meio da noite implorando para que salve a minha vida, porque eu descobri que a única pessoa que pode salvar minha vida sou eu mesma, independente de alguém. E também não irei mentir, eu não minto. Quase sempre, ou sempre, responderei uma de suas perguntas com tanta sinceridade que te surpreenderás, engasgarás magoado ou ferido pelo golpe no estomago que não esperavas e depois pensaras que é melhor assim, no meio do vicio, do comício, da dor, do desespero, da perda, dos olhos fatigados e das noites agourentas de madrugadas insandecidas, pensarás que melhor mesmo é ter alguém que diga sim ou não e que te olhe dentro desse teu olho marejado de saudade todas as coisas que ninguém ainda teve coragem de te contar. E talvez, só talvez, essa seja uma das minhas, se não a maior, qualidade. Não te escondo nada, firo, mas sou sincera e nua como a verdade incontestável.


Annabel Laurino