Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
Namore uma Garota que lê...
Namore
uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem
problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore
uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de
biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Date A Girl Who
Reads – Rosemary Urquico
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Você não é previsível.
Ninguém é. Previsível é uma palavra que se encaixa para uma pedra, um galho
seco, uma mosca morta, um punhado de terra acumulada do sapato, essas coisas. Previsível
é qualquer coisa sem vida, que não fala, não se move. Imprevisíveis somos todos nós que vivemos em
movimento, constantemente, e que mudamos de pensamento a todo segundo. Quem
sabe onde podemos estar amanhã? E seu eu fizer as malas, abrir a porta e simplesmente partir? Ou se não? O fim desse argumento pode ser típico para você,
surpreendente, ou até mesmo interessante. Posso arrematá-lo com
rosas, floreios, ou uma simples conclusão. Quem pode garantir? Se não for hoje,
amanhã então, a gente se encontra, se senta numa mesa qualquer, toma um café,
se olha, se admira, conversa, ou não, ficaremos quietos. Quem sabe a
gente nunca mais se vê, sumiremos. Quem pode saber?
Annabel Laurino
sábado, 4 de agosto de 2012
Cadarços, Balança, Vida chata e eu, a louca
Ficou um vazio. Sei lá. Um vazio meio tosco, parecido mais
ou menos de quando a gente tenta abraçar o mundo, mas não consegue. Quando a
gente acaba de amarrar os cadarços e três minutos depois eles estão
tictaqueando na calçada suja. Da uma vontade de entender por que não ficam
amarrados. Por que os benditos otários cadarços não ficam lindos e bonitos no
idiota do laço que você acabou de dar.
Eles simplesmente
de desesronlam, desnodam, se desfazem. Sem permissão, consentimento, funciona
basicamente além da física, matemática ou se você quiser se aprofundar mais,
vai além da objetividade a respeito do material dos cadarços, da força exercida
do nó para com o laço e a gravidade do ar, o movimento do pé com a pressão
exercida sobre o nó e o quanto ele poderia desfazer-se ou não.
Não sei. Não faz
muito sentido se você quer minha opinião, mas da mesma forma dos cadarços de um
calçado a vida funciona basicamente assim. Vai além, se você quiser se
aprofundar. E também pode ser bem simples, caso você queira ser objetivo e seja
do tipo de pessoa que prefere as coisas as claras/escuras, para não perder
tempo tentando decifrar nada quando você sabe que a resposta pode não lhe
agradar.
Aquela garota que
você quer muito? Ela não te da bola? Não te liga? Não está nem ai pra você?
Aquele garoto então? Não? Ta... Não é nem sexos a parte, talvez o emprego, a
faculdade, a prova, a oportunidade dos sonhos, a viagem, o carro novo, ou quem
sabe mais simples então... O próximo ônibus que iria pegar, o livro que iria
chegar e não chegou, o bolo que abatumou na hora das visitas, as chaves que você
perdeu, a discussão antes de dormir...
A lista é longa,
campeão, mas somos sobreviventes deste acaso initerrupido que a vida nos
oferece dia após dia. Eu, você e acho que todo mundo, a não ser aquelas pessoas
chatas e perfeitas que tem tudo nas mãos e muito dinheiro, sentadas o dia
inteiro na beira da piscina com um cosmopolitan na mão. A não ser elas, somos
como todos os outros e sofremos do acaso irritante da vida, a balança do
destino. Pode dar certo, pode dar errado e na maioria das vezes achamos que o
certo era o errado e o errado o certo, e quando tudo se confunde, nos
confundimos, não aceitamos, choramos, nos escabelamos e pobre travesseiros para
nos aturar.
Comecei a aceitar
o desfrute da vida de me surpreender. E ela parou. Sério mesmo, ficou quieta. E
a vida ficou mortalmente chata se você quer saber. Chatissima, um porre. Todo
dia abro a janela na esperança de encontrar algo super legal no jardim, uma
passagem secreta para outro mundo, um avião, um pônei, uma cafeteria esclusiva,
epa! Estou pedindo demais...
O importante, o irreversível
nessa história toda, nessa longa estrada toda que damos um pequeno passo de
tartaruga todo dia é que a jornada adiante sempre nos espera para nos pregar
peças. Sim, inoportunas peças. Decide você se chora, se ri, se aceita. Ou se
assim como eu, malucos a parte e adoidados andando por ai, começa a desviar
curvas, adentrar a mata, criar próprios caminhos e pregar peças na própria
vida. Coisa de pirraça, bobagenzinhas. Não salva, mas diverte. Advirto.
Annabel laurino
Bobagem é não viver a realidade
Eu queria. Muito. Mas depois as horas perduraram no relógio e tudo que eu queria era dormir. Mas não mais com você. Não mais sonhando ou pensando em você, só dormir. Entende? Não? Tenta vai. Eu só queria. Te queria, queria a gente, queria nós, enroscados, entrelaçados, dormidos, acordados, despertados, sedentos, famintos, mas não rolou, não desenrolou, só complicou ainda mais. Ficava olhando você através daquele caleidoscópio sem lógica, perfurando todos os teus defeitos inimagináveis e achando que podia lidar com cada um deles. Sei lá, foi mal, não posso. Você não ajuda também, não ameniza o choque. Fica me embebedando das suas crises, das suas coisas diferentes de mais para mim e nem espera para que eu digira. Achava que minha sede é de amor, mas minha sede é outra. Que você me deu no começo, e continuou me fartando dia após dia, de todo esse seu carinho, mas dai tive que começar a abrir mão de coisas, dizer adeus para tantas outras, dividir meus dias ao seu lado e vi você, amontoando seus pacotes de vida, costumes antigos, manias chatas, coisinhas pequenas ao lado, como um mero animal se preparando para o inverno. Você não querendo abrir mão de nada seu, e logo achando que seu carinho a mim depositado era muito. Mas era o minimo meu amor, meu amigo, meu fado, meu anjo, meu lindo. O minimo. E eu toda enferrujada fazendo ao máximo para criar em mim um coração, como o Homem de Lata em o Mágico de Oz e você como o Leão, o covarde. Não consigo te dizer mais nada, só isso. Acordei de um sono lento enquanto assistia a novela, sentada no sofá da sala. A realidade difundida na minha cara sonolenta, nas minhas retinas escuras, e eu toda boba, querendo fantasiar.
Annabel Laurino
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
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"Não eram um casal perfeito, daqueles de cinema. Brigavam muito, ficavam um tempo sem se falar e nesse intervalo ainda rolava uma guerra de indiretas, cada um querendo ser o dono da verdade. Mas no fundo eles sabiam que tudo era joguinho bobo de orgulho, e que por trás das caras fechadas e bicos não se aguentavam de saudade. Tudo bem se eles passavam uma imagem de cão e gato, mas uma coisa é certa… Eles se amavam mais do que qualquer coisa."
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
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Eu gosto de tudo que aperta o laço no eterno, que me
instiga, que me prende, e me busca em meus momentos de solidão, mesmo uma parte
minha implorando em estar só. Eu adoro as mãos quentes de quem vem até a mim e
segura minha mão, sem ser pedido. Que agarra forte meu corpo e ao mesmo tempo implora pela minha essência. Que não tem medo de se entregar, de jogar limpo. E isso, ultimamente, você tem feito muito
bem.
Annabel Laurino
Desamparada
Nada fazia mais sentido. E o grande mal começou a surtir um
efeito contraditório e letárgico. Comecei a entrar em um cruel estado de
indiferença, do não me importar. Trouxe muitas reviravoltas nesses últimos
dias do que nos últimos anos. Comecei a sofrer por dentro e a escamar dores por fora. Talvez tenha sido
a época mais dramática de toda essa vida e incrivelmente complicada. Mas com tudo isso me tornei muito simples. Quase nem
choro mais. Fico quieta como um ramo de flores envelhecendo ao sol, respirando
os últimos golfos de ar que ainda me restam e compreendendo a vida toda muito
antes da hora.
Talvez eu não saia
dessa, sei lá. Ou talvez haja mesmo um final feliz nisso tudo, se é que existe
essa de final feliz, mas deve ter uma luz no fim do túnel, um brilho, uma coisa
que ilumine e acabe com essa situação toda.
Não posso te
contar o que é essa situação toda. Bem que eu queria, cuspir tudo para fora e
chorar durante um longo tempo e te dizer com cara de choro e lágrimas úmidas e
encharcadas o quanto suspeito que estou ficando louca, que tudo isso é demais
para mim. Mas então eu estaria fazendo drama, e estaria deixando com que tudo
saísse do controle, e te envolveria nessa minha névoa confusa. Prefiro ficar
quieta, chorar e dizer todas essas coisas mas sozinha. Eu e eu somente, ninguém
mais.
Olhando esse sol
forte depois de longas horas de chuvas, esses bichos rastejantes fugindo de
suas tocas úmidas depois de tanta água, fico vendo esse sol muito forte entrar
vivo pelo quarto e me sinto tão grata por poder estar aqui, somente aqui,
respirando esse ar, vendo esse sol, e fingindo ser alguém qualquer com seus
próprios problemas , não sentindo nada e sentindo muito.
Annabel laurino
;
"Minha vida não daria um romance. Ela é muito pequena. Mas é meio sem sentido ficar pensando em jeitos de escrever se ninguém nunca vai ler. Talvez eles me impeçam até mesmo de contar o que se passou. Mas há dias está tudo escuro e a luz da vela em cima da minha mesa não vai acordar ninguém."
Caio Fernando Abreu
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