sexta-feira, 3 de agosto de 2012

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"Não eram um casal perfeito, daqueles de cinema. Brigavam muito, ficavam um tempo sem se falar e nesse intervalo ainda rolava uma guerra de indiretas, cada um querendo ser o dono da verdade. Mas no fundo eles sabiam que tudo era joguinho bobo de orgulho, e que por trás das caras fechadas e bicos não se aguentavam de saudade. Tudo bem se eles passavam uma imagem de cão e gato, mas uma coisa é certa… Eles se amavam mais do que qualquer coisa."


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

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Eu gosto de tudo que aperta o laço no eterno, que me instiga, que me prende, e me busca em meus momentos de solidão, mesmo uma parte minha implorando em estar só. Eu adoro as mãos quentes de quem vem até a mim e segura minha mão, sem ser pedido. Que agarra forte meu corpo e ao mesmo tempo implora pela minha essência. Que não tem medo de se entregar, de jogar limpo. E isso, ultimamente, você tem feito muito bem.


Annabel Laurino


Desamparada


    Nada fazia mais sentido. E o grande mal começou a surtir um efeito contraditório e letárgico. Comecei a entrar em um cruel estado de indiferença, do não me importar. Trouxe muitas reviravoltas nesses últimos dias do que nos últimos anos. Comecei a sofrer por dentro e a escamar dores por fora. Talvez tenha sido a época mais dramática de toda essa vida e incrivelmente complicada. Mas com tudo isso me tornei muito simples. Quase nem choro mais. Fico quieta como um ramo de flores envelhecendo ao sol, respirando os últimos golfos de ar que ainda me restam e compreendendo a vida toda muito antes da hora.
    Talvez eu não saia dessa, sei lá. Ou talvez haja mesmo um final feliz nisso tudo, se é que existe essa de final feliz, mas deve ter uma luz no fim do túnel, um brilho, uma coisa que ilumine e acabe com essa situação toda.
    Não posso te contar o que é essa situação toda. Bem que eu queria, cuspir tudo para fora e chorar durante um longo tempo e te dizer com cara de choro e lágrimas úmidas e encharcadas o quanto suspeito que estou ficando louca, que tudo isso é demais para mim. Mas então eu estaria fazendo drama, e estaria deixando com que tudo saísse do controle, e te envolveria nessa minha névoa confusa. Prefiro ficar quieta, chorar e dizer todas essas coisas mas sozinha. Eu e eu somente, ninguém mais.
     Olhando esse sol forte depois de longas horas de chuvas, esses bichos rastejantes fugindo de suas tocas úmidas depois de tanta água, fico vendo esse sol muito forte entrar vivo pelo quarto e me sinto tão grata por poder estar aqui, somente aqui, respirando esse ar, vendo esse sol, e fingindo ser alguém qualquer com seus próprios problemas , não sentindo nada e sentindo muito.

Annabel laurino

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    "Minha vida não daria um romance. Ela é muito pequena. Mas é meio sem sentido ficar pensando em jeitos de escrever se ninguém nunca vai ler. Talvez eles me impeçam até mesmo de contar o que se passou. Mas há dias está tudo escuro e a luz da vela em cima da minha mesa não vai acordar ninguém."

 Caio Fernando Abreu

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Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio (…)
”
— Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 30 de julho de 2012

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Queria tanto fazer tudo diferente agora, mas não sei por onde começar.

domingo, 29 de julho de 2012

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Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido.  Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer te amo outra e outra vez. 

Caio Fernando Abreu

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Paul – Holly, estou apaixonado por você.
Holly – E daí?
Paul –E daí?! E daí muita coisa. Eu a amo. Você me pertence.
Holly – Não. As pessoas não se pertencem.
Paul – Claro que sim.
Holly – Ninguém vai me pôr em uma jaula.
Paul –Não quero colocá-la em uma jaula. Eu quero amá-la.
Holly – É a mesma coisa.
Paul – Não é não. Holly…
Holly – Não sou Holly. Não sou nem Lula Mae. Não sei quem eu sou. Sou como esse gato. Somos dois coitados sem nome. Não  pertencemos a ninguém e ninguém pertence a nós. Nós nem sequer pertecemos um ao outro
(…)
Paul –Sabe qual é o seu problema, Srta. Quem-quer-que-seja? Você é medrosa. Não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer “A vida é um fato. As pessoas se apaixonam sim e pertencem umas às outras sim, porque esta é a única chance que têm de serem realmente felizes”. Você acha que é um espírito livre, selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você já está nessa jaula. Você mesma a construiu. E ela não fica em Tulip, Texas ou em  Somaliland. Ela está em qualquer lugar que você vá. Porque não importa para onde você corra, você sempre acaba trombando consigo mesma.




(Breakfast at Tiffany's - Bonequinha de Luxo)




Garoto lindo e sua pipa estimada


    Fico me perguntando por que você não foi embora ainda. Quer dizer, eu não quero que você vá. Francamente, eu quero que você fique. Sim, fique. Você sabe, eu gosto muito quando você está por perto. Me sinto leve, solta, desinibida, como se a vida fosse um punhado de pó colorido e seus bilhares de grãos desfacelando pelo ar, como se eu estivesse numa daquelas cenas de filmes antigos, como Bonequinha de Luxo, com Holly sentada na janela com um violão nos braços cantando para a Nova York lá embaixo.
    Fica vai. Quero estender minhas pernas sobre teu colo, tirar os sapatos e te permitir me tocar, se você quiser, então só então eu vou ver aquela sua face de menino tímido todo com cuidado para me fazer um simples carinho. E vou te pedir que encha a minha caneca de mais chá, e você vai levantar e vai dizer “Com certeza”. Sei que eu dou o maior trabalho, esse jeito de menina mimada com manias, trejeitos, frescurinhas, minha independência e auto-suficiência que irrita, mas você me atura. E eu não entendo como.
    Por que você não abandonou o barco ainda meu amigo? Quer dizer, o barco já tava furado quando você chegou, não tinha pé, tava inundando. Mas você todo louco não quis nem saber e começou a arremessar as mangas e tirar a água fora, tapar os buracos, aprumar as velas, dar sinal de comando, você que nunca tinha dado partido num barco antes. As vezes eu penso que você tem problemas de infância, sei lá. Vai ver eu sou para você uma pipa que quando pequeno você perdeu no céu e nunca mais conseguiu pegar, uma pipa estimada e diferente que só você dentre seus amiguinhos possuía, e agora você vê em mim essa bendita pipa que por um estranho motivo você não quer deixar fugir. E fica me segurando, me agarrando entre essas mãos grandes que são maiores que os meus pés. Aceitando os meus defeitos como se fossem normais, como se eu merecesse todos os seus cuidados, todo esse amor sem medidas.
   Ah eu sei, fui eu que disse que queria que você ficasse. E eu quero mesmo. Você me acostumou mal, não tenho culpa, ou tenho, sei lá. Eu só preciso te ligar, dizer que preciso muito, muito de ti, ou nem usar do muito, só do preciso e você já esta na minha porta com os bolsos cheios de boas palavras e de sua boa educação. Eu amo isso, acho que nem mais gosto de você, eu amo muito você. Mas não me peça nada, por favor. É sabe, não me peça aquela coisa séria que não vamos utilizar de nome. Ta tudo bem assim na verdade. Cargas leves por que somos muito pirados para qualquer loucura séria. Mas eu quero te pedir, muitas coisas aliás. Sim eu tenho uma lista de todas as coisas que eu quero te pedir. São todas boas e bobas, mas são coisas. E eu não quero ouvir um não. Eu quero seu sim, sims. E sei que você me daria qualquer coisa.
    Lá vem eu e meu lado mimada que você só piorou depois que chegou aqui. Mas não posso fazer nada. A não ser te telefonar daqui a pouco e te contar que comprei uma meia calça nova, que eu to cheirosa, que o domingo ta lindo e tem uma penca de coisas que podíamos fazer e que eu to te esperando. Sei que no começo da frase você já estaria abrindo a porta e vindo pra cá. Sabemos.
    Garoto lindo, já disse como eu amo seu sorriso ultimamente?


Annabel Laurino

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Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. 






 Caio Fernando Abreu