quarta-feira, 26 de outubro de 2011


"Diante de mim havia duas estradas;
Eu escolhi a menos percorrida
E isso fez toda a diferença."

Robert Frost

Sentido


    Não é que a vida deixou de ser legal. Ela só esta meio que desconexa agora. É meio como olhar a vida pela janela e o vidro estar muito embaçado. Quase não consigo ver nada e definir coisas, pessoas, paisagens, não da. Mas tudo bem. Ando ouvindo bem. Agora. Ando prestando atenção nos sinais, nas conotações de rastros que antes eram jogados para trás, para os lados, ignorados. Aprendi uma coisa muito importante esses dias.
    Foi algo muito simples, nunca talvez, tenha sido tão fácil. Cheguei bem perto do espelho e me olhei. Admirei esses olhos redondos que mal defino cor, não sei castanhos, não sei verdes, não sei, mas os admirei, pelo brilho, pela sinceridade, não sei... Mas, era tão eu. A pele envolta do rosto, dos ombros pequenos e nus, os lábios, tudo tão carnalmente e ao mesmo tempo, não. Meio como a gente começar a amar a gente mesmo, a gostar desses nossos defeitos, dessas nossas manias. E gostei de ver isso. Nunca tinha me visto assim.
    Perceber isso me deu uma doida vontade de sorrir. Quantas vezes não parei sozinha no quarto querendo saber por quem eu lutaria se agora eu já não tinha mais ele, por que não podia mais ter? E ao me ver no espelho, tão branca e macia, tão jovem e tão cheia de vida,  redescobri milhares de pigmentos importantes. Um deles gritou assim: “Ei menina, não é lutar por alguém, é lutar por você!”. E sabe, faz total sentido agora. Quanto tempo faz que eu não luto por mim?


Annabel Laurino.

Novos...


    Meus novos amores são, o café, muita Música, a minha adorável cama, um bom computador para jorrar minha consternação nervosa que às vezes, insiste em surgir por aqui. Logo vêm meus livros, meus mundos mágicos encorpados de sabedoria de que me recheio e me delicio constantemente. E claro, amigos. Quem não precisa deles? Para alguém como eu, que antes pequenina possuía muitos diários, meus amigos são como uma espécie viva deles. Confortam-me, me divertem e muito melhor que tudo, eu levo para a vida toda.

Annabel Laurino.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cansada.

E de repente você fica tão, tão cansada. Qualquer coisa cansa. Adivinhar, perguntar, falar, repetir as mesmas questões. Tudo. Até mesmo você se cansa da pessoa em si. Do cheiro, do riso, das coisas que antes eram legais. As coisas vão desbotando aos poucos, de uma forma desenfreada, a culpa nem é sua, você nem se quer deu permissão. Tentar para que isso não aconteça é quase que sem valor algum. As gotas de paciência escorrem água abaixo e você se vê gritando, esmurrando e depois um silêncio mordaz. Tudo some. Todas as coisas de valor, tudo fica branco, sem cor, sem som, sem nada. Você se vê diante do zero. E tudo, bem, tudo virou nada.

Annabel Laurino.

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Nossa, o dia está tão bonito que dá até vontade de sair na rua, respirar fundo e se jogar debaixo de um ônibus. 
Pc Siqueira


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Suas atitudes não condizem com o que as suas 

palavras me dizem.



Annabel Laurino.

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"Como se pra gostar de alguma coisa ela tivesse que ser perfeita."
 
Pc Siqueira





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Não importa quanto vá durar: É infinito agora.
  

                                                          (Caio Fernando Abreu)



beije-me


Me pega de jeito. Me faz carinho. Vem de Mansinho. Coloque seu dedo sobre meus lábios macios e peça silêncio. Diga assim: Querida descobri que te amo. Vem assim. Sem dizer, sem avisar. Me tire o fôlego. Me deixe sonsa, sem ar. Diga que sempre procurou por mim, que sempre me quis, que agora que estou aqui, é assim, é a hora. Pegue meu rosto entre suas mãos quentes e olhe-me, deixe eu me perder nesses seus olhos, nesses seus incríveis olhos que não consigo traduzir cor. Me beije, peça. Me beije, que eu te beijo.
 Beije-me, direi. Beije-me, agora, essa é a hora.

Annabel Laurino

domingo, 23 de outubro de 2011

A vida é Frágil e Absurda


    Onde foi que eu li isso?
    Eu não lembro.
   Mas que seja...
    Você acorda, você dorme, as coisas seguem, os relógios acompanham o passo da pressa do dia a dia, você não vê as coisas passarem, é inverno é verão o cenário muda você está sempre lá, sentado sobre uma cadeira gelada, desligando-se das folhas que apinham-se no chão a sua volta, as crianças brincam no parque, o som das falas se misturam as batidas se seu coração solitário e frio, a desenvoltura do momento morreu e um botão que antes era ligado á uma luz que pendia a vida, a noção das cores e dos sentimentos está empoeirado dentro de você. Sem nunca mais ter sido tocado, nunca mais ter sido visto.
   Mas a vida é frágil. Porém absurda.
    Você está lá sentado sobre a cadeira fria, o céu nublasse acima de sua cabeça cheia de pensamentos perdidos e sem nexo, o céu gira com rabiscos de frio e granizo, daí uma coisa absurda acontece.
   O botão dentro de você é arremessado longe, muito longe, para onde seus olhos não podem ver. Ele é cruelmente apertado, instigado por mãos puras e destinadas a isso, você corre e corre e não alcança. Nos relógios, os ponteiros parecem correr mais rápidos mais dessa vez no sentido certo e favorável. As cores explodem no ar como pequenas balinhas de multicor sendo misturadas ao sol. Daí é assim, as mãos puras possuem corpo, incríveis olhos brilhantes e afáveis, e um coração tão mais solitário que o seu.
   Eu digo absurdo por que é incrível o caminho que a coisa vai.
   Sua mão possui outra mão agora quente sobre o calor das cores que lhes envolvem, e mesmo que um dia um borrão cinza transpasse o céu, você terá um corpo tão mais sedento e cheio de sabedoria tal igual ao seu, e já não se sentira mais tão só.
  
Annabel Laurino.