segunda-feira, 7 de março de 2011

Dream a Little Dream of Me

Estrelas brilham em cima de você
Brisas noturnas parecem sussurrar "eu te amo"
Pássaros cantando no plátaro
Sonhe um pequeno sonho comigo

Diga boa noite e me beije
Apenas me abrace forte e me diga que você vai me perder
Quando estou sozinho, azul, como pode ser
Sonhe um pequeno sonho comigo
Estrelas desaparecem, mas eu permaneço, querida...
Ainda desejando o seu beijo.
Desejo prolongar até o amanhecer, querido,
Basta dizer isso

Doces sonhos até os raios de sol te encontrar
Doces sonhos que deixam todas as preocupações para trás
Mas em seus sonhos, quaisquer que eles sejam,
Sonhe um pequeno sonho comigo.


(Dream a Little Dream of me - The Mamas and The papas)


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Aulas

    Bem, amanhã recomeçamos, regressamos para as aulas, e prosseguimos em direção ao futuro.
  ...
    Poupe-me, please?

    Só de pensar que amanhã a escola vai estar cheia, lotada de gente diferente, de bocas falando ao mesmo tempo, gritinhos eufóricos, todo mundo comentando sobre as férias, sobre o tempo com os amigos, os começos e términos de namoro e etc. Me da vontade de me joga no chão e dormir até o ano letivo acabar.
    Mas infelizmente não dá.
    Então é isso gente, amanhã á uma e meia da tarde regressaremos para a escola, para o futuro iminente, para os tantos meses adiante aturando professores irritados, e graças a Deus existes os bons de coração. Regressaremos para a escola. E que as boas mentes tenham dó de nós.

- Drama, eu sei

    Enfim, acabou-se as tardes jogada no sofá devorando livros, caminhando pelo centro, indo aos cafés escrever, terminou-se os dias de sessão da tarde O vale a pena ver de novo(justo agora que eu estava amando a Jade...).
    Enfim... Lá vamos nós...


                         Boa sorte para todos! E que comecem as aulas!



Bejinhos,
                       Annabel Laurino.



Sinto-o...

Sinto-o tão aconchegado á mim que sinto vontade e fome de lhe apertar, de espalmar seu corpo contornando suas formas difusas e macias
Sinto-o aconchegado e colado em mim, quase como se ficasse-mos da mesma cor e nos borrifasse-mos á cada segundo á mais um no outro.
Quero senti-lo mais perto, quero senti-lo cheirando em mim
Quero que você marque e desmarque no meu corpo, uma forma perfeita de que você esteve aqui.
Que outra forma que não melhor no meu corpo?
Que outra forma que não melhor em mim?

 Annabel Laurino.







Dedico, com carinho, em especial,  Mack. Obrigada pelo seu entusiasmo!
 

O Novo Esperado

    Sabe aquela sensação estranha?
    Você olha para o roupeiro totalmente bagunçado e solta um longo suspiro fitando a enorme bola desarrumada de roupas que você ainda não dobrou. Porém, em compensação, a parte dos sapatos esta toda em ordem, você acabou de arrumá-la. Lustrou cada um deles, esquadrinhou os pares em forma de cores, sapatos de inverno e verão, ajeitou-os na prateleira, e organizou os pares devidamente, lado á lado. E por um segundo você inveja aquela organização que você acabou de fazer, de uma forma estranha, você inveja profundamente. Por que você consegue arrumar os sapatos tão bem e as roupas não? 
    Então você pensa, pensa que poderia ser assim na sua vida, como quando você arruma e emparelha os sapatos na prateleira, todos devidamente lado á lado, ao seu canto. Poderia ser assim. Você bem que poderia ter esse dom de arrumar as coisas, de conseguir fazê-las dar certo e de se ajeitarem rapidamente. Mas, você, por incrível que pareça não consegue. Seu maravilhoso dom de arrumar os sapatos, mesmo que perfeitamente, não alcança as coisas supremas que rodeiam você.
    Mas mesmo assim, você não ignora aquela sensação estranha e espalhafatosa que rodeia você desde a hora que você acordou. Ela fica se agitando como uma bola enorme e desengonçada, de cor rosa gritante, que fica quicando e pedindo atenção á sua volta, mas você não liga, é só mais uma sensação estranha...
    Porém agora, agora que você se sente tão confuso, e mal-humorado por causa dos sapatos e de tudo mais, você olha com mais atenção aquela enorme bola rosa chamante que rodeia você. É estranha, mas ao mesmo tempo surte quase que um efeito reconfortante, como uma bola de chiclete ela dança e rodeia, e você aos poucos consegue traduzir aquela sensação.
    Algo novo e inesperado se aproxima, você sente, todos os pequeninos fios de seu corpo sentem, algo grande, algo bom. Algo que você pediu á muitas noites atrás, uma vez sozinha no quarto falando com Deus, você pediu em meio á uma lágrima que corria de seu rosto, uma coisa boa, uma coisa que você desejava e iria esperar, pela qual lutaria com unhas e dentes e que suportaria tempo e dor, mas que queria, queria com afinco e amor. E agora, agora você consegue sentir-se perto do novo.
    Uma sensação de enorme euforia percorrer seu corpo e você quase esquece os sapatos. Essa sensação é ilustre, e quase tudo começa se encaixar. Mas então, em meio á euforia, uma sensação idiota se aproxima, a incredulidade, aquela que esnoba as coisas boas que ainda não se pode ver. E depois o medo. Você olha a pilha de roupas desarrumadas, e vislumbra o calção velho que um dia ele vestiu, em uma noite em que teve que ficar na sua casa, era verão, calor, e ele precisava tirar a roupa quente, precisava também de um banho fresco, e tudo que você teve á oferecer foi um calção velho do seu pai, e mesmo que ele tenha ido embora, á muito tempo partido, você ainda guarda inutilmente o calção que um dia ele vestiu. 
    Tolice, não?
    Mas, então o medo e a incredulidade se unem com a saudade... Como? Como você pode ir para o novo e abandonar tudo aquilo, tudo aquilo que você mais ama, é ele não? É a confusão. Os dias tentando encaixar o passado no presente, tentando sorrir sem saber para quem, que já não existe mais, tentando ver alguém presente do seu lado, quando esse alguém já foi. Então você lembra que esse alguém está muito bem agora, muito melhor que você, está segurando outra mão, e outra vida o acompanha nesse exato instante.   Quanto á você, você está no meio do quarto, sentada no chão, ao lado de uma bola de roupas embaralhadas e uma prateleira de sapatos arrumados e lustrosos, você está com o calção que ele usou uma vez nas mãos, a expressão de dor nos olhos encolhidos reprimindo as lágrimas que você lembrou o gosto em segundos quando o imaginou chegar. E você se pergunta, eu preciso disso? Preciso mesmo? Preciso arrumar o passado no presente sendo que isso é impossível? Consigo?
    A resposta é não. Não mais. Você não pode mais. Você deve seguir, precisa seguir. Você consegue.
    O que isso tem haver com sapatos e roupas?
    É tão simples, você consegue arrumar algumas coisas, mas sempre deixa outras para trás, você consegue aprender uma língua diferente, consegue ler milhares de livros em um mês, consegue juntar dinheiro para aquele verão no exterior que você tanto sonha, consegue milhares de coisas, consegue organizá-las e vive-las. Enquanto isso, você acumula um outro lado que você julga ser incapaz. As roupas. Você acha que não pode lidar com elas, por que parecem meramente mais complicadas, o trabalho de passá-las, dobrá-las, dividi-las em cores e tamanhos, em estações de uso, colocá-las em cabides e depois, ajeitá-las em pilhas e organizadas para que não despenquem. Tudo isso, você acha não ser capaz, como esquecê-lo, como seguir em frente, como aquelas promessas que você faz todo dia antes de fechar os olhos pela ultima vez. Tudo isso, que agora você pode.
    Você joga o velho calção na sacola riscada com canetão azul, onde se lê “Doar”. E sorri. Você pode lidar com isso, mesmo que lá no fundo doa, mesmo que lá no seu intimo uma dor conhecida de desapego comece a apertar. Mas você sabe que é para seu próprio bem. Por que afinal, uma coisa nova, brilhantemente cor de rosa e escandalosa lhe espera bem adiante, você só precisa começar por um calção velho e daqui a pouco tudo começa a surtir efeito. Até você sentir o cheiro agridoce, do tão esperado... Novo. Para logo, começar á partir.


   Annabel Laurino

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

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"Nossas digitais não se apagam das vidas que tocamos."
                         (Remeenber)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Um momento.

    São naqueles pequeninos momentos que você vê que tudo vale a pena, simplesmente tudo.
    São esses, os pequeninos momentos, de caminhar e chapinhar na lama, de cair de bunda na areia molhada, sentir as gotas pesadas de chuva baterem sobre sua cabeça e rapidamente lhe inundar de água gelada. Os risos escapando de sua boca em gargalhadas divertidas e gostosas, como calda doce escorregando no ar, para algum lugar. É melhor do que ótimo. Escutar o outro som de outra risada próxima acompanhando seu riso, gargalhando divertida por ver você caído no chão, com os cabelos molhadas, as vestes sujas de lama.
    Os cachorros se desprenderam da coleira e saíram correndo pela praça, você quer busca-los, mas o riso é tão forte e gostoso que sua barriga dói. A chuva é mais forte agora, as folhas amareladas caídas pelo chão são como grãos de arroz nas enormes poças de chuva.
    Você sai correndo pela chuva, pingando feito um pinto molhado, tirando os cabelos encharcados dos olhos ainda escutando os risos companheiros da pessoa que lhe mostra que você não está sozinha.
    Correndo, o vento trazendo a chuva para seus olhos, tentando ver em meio as gotículas frias, você sai correndo atrás do enorme cão preto que brinca com as folhas nas poças com as patas como uma garça feliz enquanto a cola abana-se descontroladamente no ar. Você o pega o abraça, e ri pela cara faceira e astuta que ele lhe mostra.
    É um daqueles momentos, aqueles momentos que você só tem poucas vezes na vida. É como estar em um filme, e tudo que você consegue fazer é sorrir, tudo parece mágico e renovador.
    Você não tem duvidas, sobre você ser capaz ou não de fazer algo, você não sente o medo, e nem mesmo a angustia ou preocupação por suas roupas estarem completamente encharcadas.
    Tudo simplesmente adentrou um vácuo distante que por um milagre, você conseguiu escapar.
    Você pode ainda assim, sentir aquela velha saudade perfurando seu peito, você pode querer ele por perto naquele exato momento, não por que é um momento feliz, somente por que você gostaria de ouvir a risada dele se mesclando junto á sua. Mas, mesmo assim, você compreende.
    Acima da saudade.
    Esses momentos completamente felizes e renovadores não nos servem só para um bem estar físico ou mental, espiritual, sei lá. Mas como se uma fixa caísse e algo instantaneamente afrouxasse em seu peito, você compreende coisas que nunca poderia ter compreendido antes.
    Você compreende o momento. O momento do aqui e agora. O momento de saber viver e respirar sem pedir nada mais em troca. O momento de esperar, de entender que tudo vem e vai com um propósito. O momento que certamente foi feito para dar certo, mas custa para chegar, apenas demorar, não quer dizer que não vá chegar. O momento da certeza brilhante e chamuscante que lhe aquece mesmo em meio a chuva fria escorrendo pelo seu corpo.
    As coisas vão ficar bem a partir de agora. As coisas vão dar certo.
    E você pode se perguntar por que? Por que tanta certeza?
    Então você olha a sua volta, os cães com seus olhos brincalhões e divertidos, um enorme e outro do tamanho de uma almofada de dormir, os dois parecendo completamente felizes. Você olha a alma viva que lhe acompanha, o sorriso bonito em seu rosto, os cabelos desgrenhados e também molhados, as vestes grudadas no corpo, você vê aqueles olhos brilhando da mesma certeza que os seus. As arvores se balançando no ar, as folhas caindo, a chuva despencando mais lentamente, a calmaria, os barulhos dos respingos explodindo no chão.
    A certeza de um momento vale mil vezes do que uma vida toda.
    Está respondido, certamente respondido.
    Por que foi feito para dar certo.
    Basta crer.
Annabel Laurino.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Meio que sem tempo

To tentando morrer de amor, amor quente cheio de ardência derretida esquentando o corpo, em um copo transbordante e borbulhante. Vinho vermelho caindo em meio as minhas mãos. Mas agora nesse exato momento, meio que sem tempo, to tentando viver. Tirar a chaleira do fogo e beber um forte e delicioso café adoçado pela tua ausência que já não me serve mais.



Annabel Laurino.



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(...) "Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto". (Verde lagarto amarelo) Lygia Fagundes Telles.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

E ontem á noite...

    Antes de dormir, eu estava pensando em você, não posso negar. É verdade que não era uma coisa boa. Não para mim. Talvez boa para você. Talvez... Nem faça sentindo nenhum. Tanto faça. Para você.
    Estava decidida em lhe esquecer.
    Lembro-me das palavras nítidas em minha mente como uma letra de musica muito escutada.
   “Preciso esquecê-lo, já chega, não posso mais, não posso mais lidar com isso. Você nem se quer sabe, você nem se quer imagina que eu ainda estou aqui, ainda penso na gente, na gente que já não existe mais, somente para mim. Já chega não posso mais, preciso esquecer você. Preciso apagar seu telefone celular da minha mente e me controlar para não ligar, preciso parar de visitar sua pagina na internet, preciso parar de escutar as musicas que me façam lembrar você, preciso jogar aquele urso idiota que você me deu fora não posso mais olhar para aquela cara peluda branca e preta que sempre me olha assim que eu entro no quarto. Já chega. Não posso mais.”
    E eu nunca entendo. Queria saber para quem perguntar para, apenas uma única vez poder ter a resposta certa. Por que eu não posso esquecer você? Por que é tão difícil? Como se descolassem algo de mim.
    Eu não pedi isso pedi? Eu não pedi para amar você, não mesmo, me lembro muito bem de negar, negar até a ultima pontinha de mim que eu não amava você.
    E olhe só!
    Olhe só para mim!
    Hoje. Enquanto caminhava pela praça. As solas dos calçados raspando na areia úmida, amassando as folhas secas caídas pelo chão. Olhando a grama emborrachada, muito verde, muito brilhosa. Os verdes musgos dos troncos das arvores, as cascatas de folhas penduradas em seus galhos acima de minha cabeça. Sentindo o cheiro forte de orvalho, pairando pelo ar. A praça vazia. Alguns carros passando pela rua. Algumas pessoas saindo do trabalho. As gotículas pequeninas e frias da fraca chuva embaçando minha já muito enfraquecida visão. O vento gélido que nem aparente de verão adentrando minha pele e sentindo uma louca vontade de tomar um café quente, sentir o gosto descendo tranquilamente pela minha garganta e aquecendo-me rapidamente... Então. Então você chegou. Como um vento súbito que batesse em mim. Chegou me arrebatando de mim mesma.
    “Não por favor. Você precisa esquecê-lo” pedi para mim mesma; “você precisa. Você deve esquecê-lo.”
    Mas, uma outra parte de mim. Uma parte teimosa que nunca ouve o que a razão firme e vivida dentro da minha mente diz.
    “ E se você o visse agora? E se você o encontrasse nesse exato momento? Não seria..."
    “ Não vou encontrá-lo.”
    “Mas e se? E se você encontrasse. E se você o visse e ele a visse. O que você faria?”
    “E o que poderia fazer?”
    “Abraçá-lo-ia?”
    Abraçá-lo... Sentir seu corpo bem perto do meu. Tudo. Tudo que eu almejei naquele pequeno instante. Era simplesmente como se eu pedisse um presente como uma criança pequena que olha uma vitrine de brinquedos. Você não quer todos, você quer apenas um em especial, um que você sabe que não pode ter. Mas você quer.
     E eu queria um abraço. O seu abraço. Queria sentir o calor do seu corpo transpassando ao meu.
Atravessei a rua. Abandonando o parque, entrei no lugar onde estava indo. E lá estava você. Sim. Dentro daquele pequeno local.
    Eu não acreditei. Parte da minha mente, a racional, também não.
    “Não pode ser...”
    “Sim!Sim!É ele! Oh eu disse que podia vê-lo, disse que podia ser!”
    Meu coração desacelerou no peito. Era você. Atrás de uma prateleira. Você lá parado. De costas para mim. Minha visão alcançava apenas sua cabeça, mas foi o suficiente para saber que não estava louca, era você. Era você. A mesma figura perfeita e imperfeita que destaca nas fotos guardadas do meu computador. O rosto lúcido de uma imagem muito bem guardada em meio a um livro meu.
    Que engraçado.
    Era você ali. Real. Real como um sonho. Você. Seu rosto e seu corpo, nítidos a minha frente depois de tanto tempo sem ser em uma das suas fotos que eu ainda guardo e que algumas eu roubei de você.
    Entreguei os filmes para a atendente, mal escutando o que ela falava comigo. Minha mente inerte. Meu corpo gritando sem saber o que fazer. De repente me senti estúpida e completamente idiota.
Simplesmente não sabia o que fazer. Onde colocar as mãos, como falar o que falar. Cumprimentar você ou não cumprimentar? Fingir que vi ou que não vi?
    Rejeitando a parte da minha mente irracional que gritava incontrolável para chegar em você e abraçá-lo, mesmo que em um cumprimento, mesmo que por dois segundos, eu poderia me contentar com apenas uma provinha que fosse do seu corpo ao meu.
    Fiz a volta na estante de filmes, tentando ignorar a minha mente, o meu descontrole físico, o disparate do coração.
    Cumprimentei-o.
    As palavras saindo da boca como se sopradas.
    E de repente como uma surpresa, você havia me abraçado, ou chegado perto, não sei. Mas meus braços, meus pequenos braços acompanharam, como por um ensaio a volta do seu corpo, um abraço. Era tudo que eles pediam. Um encontro do seu corpo. Um encontro firme. Suguei seu cheiro como se sugasse vida no ar completamente deliciada, aturdida e maravilhada. Rapidamente senti o desapontamento chegar quando me dei por mim que o cumprimento já acabara.
    Palavras jogadas fora, um silêncio constrangedor. Nada do que eu dissesse seria algo que eu profundamente gostaria de dizer. Cansaço. Cansada de puxar um assunto sobre estudos, trabalho ou família. Cansada de dizer tudo contrário ao que eu gostaria de falar.
    “Preciso de você.”
    Em uma locadora? Assim? Do nada? Suportar seu olhar de rejeição?
     Não, obrigada. 
    Vi você pegar seu filme, ir ao balcão e vir me dar um xau rápido antes de ir embora. Mas antes. Antes você me abraçou novamente. E meu corpo já não sentia mais prazer pela saudade ser mesmo que milímetros decaída. Meu corpo sentiu-se profundamente só.
    Meu rosto corado. Um sorriso no rosto que eu não conseguia guardar. Eu vi você sair. Ir embora.
    E de repente eu voltei ao normal.
    Fora só isso. Minha mente constatou.
    Que coisa. Que coisa amarga eu senti.
    Depois, senti-me estúpida e perdida. Peguei um filme, sai da locadora e enquanto voltava pelo mesmo lugar, mal sentindo os pés tocar ao chão, mal notando a chuva sobre mim, mal notando o caminho que tomava eu pedi, silenciosamente que isso não quisesse dizer nada. Que eu ainda pudesse esquecer você.  Que fosse algo do acaso, por qualquer objeção sem motivos.
    Simplesmente eu tomara a decisão de ir ao mesmo lugar que você, sem saber que você estaria lá.
    Só isso.
    Mas o outro lado da minha mente indagou friamente. O irracional. O lado que ainda tanto deseja por você. Você que eu não posso mais ter.
    Será?
    Será mesmo?


Annabel Laurino.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

E quem...Quem é você?

     É uma boa pergunta. Se eu tivesse uma boa resposta. Mas é complicado quando tudo que eu tenho á dizer é que é quase impossível me denotar em uma resposta como esta. Quem sou eu? Bem, há milhares de explicações. Sou milhares de coisas, milhares de coisas e de sabores. Não sou uma coisa só. Ainda que habite um corpo apenas. Sou um vento arrebatador. Possuo um aroma indescritivelmente único, como você também. Tenho sabor de milhares de gostos bons e amargos também. Sou da cor que melhor você pode ver. Depende da luz, de como o sol bate sobre meu corpo e como fica minha pele quando a luz adentra os pequenos poros dessa camada incrivelmente fina que encobre o conjunto de meus ossos e músculos.
    Mas ao todo eu sou carente, sou esperta e possuo um gênio muito forte e difícil de aturar. Não sou daquelas pessoas que tem milhares de amigos. Vezes é por escolha própria, vezes é por que não se tem escolha, quando você fica sete horas do dia trancada em um quarto bebendo café e escrevendo. Sabe, não se há muito tempo de fazer amigos novos. Mas tenho velhos amigos que não trocaria por nada e que todos já estão cansados de saber quem são.
    Adoro o que é velho e guardado. Adoro as coisas antigas os discos de vinil, os livros nos Sebos e os quadros á tinta óleo que entoam paisagens de campos e rosas. Gosto do descanço, do silêncio e do que o silêncio trás. Gosto da saudade. Sou profundamente harmônica e traduzo meu humor dependendo do ambiente. Você pode colocar uma musica super dançante e pode ter certeza que eu vou estar dançando com você, se você quiser.
    Sou perspicaz, astuta e geniosa. Não me acho orgulhosa e quase me sinto sufocar quando encontro um orgulhoso, se bem que me vejo nas vinte e quatro horas do meu dia, profundamente apaixonada por um orgulhoso incorrigível.
    Não sou mentirosa. Mas minto só quando bem convém. Fazer o que. Eu tenho que mentir as vezes, preciso omitir a verdade, por que grandes sábios sabem, as pessoas perguntam algo, mas quem disse que é tudo, realmente tudo que se está na pergunta que elas querem saber?
    Admiro as pessoas sinceras. Admiro as pessoas simples, aqueles que são puros, não por que acham certo ser, não existe isso, simplesmente são. Mas gosto das pessoas não puras também, que me falta palavras para classificar, gosto delas, as vezes são tão sinceras quando a própria sinceridade e se você parar para pensar, nem se quer medem esforços para agradar. Simplesmente são.
    Gosto de sentir um carinho. Gosto de compartilhar algo. Um momento, um afago sobre a minha mão. Gosto de preparar algo, fazer planos a dois, de viajar de conhecer e ver o novo.
    Não tenho medo de quase nada, á não ser do próprio medo.
    Sou como cão e rato e brigo comigo mesma. Mas sou da paz. Gosto de ver o sol. Gosto de ver como as pessoas são. Para mim não existe beleza perfeita, a própria é a perfeição. E que perfeição não existe tal como a beleza real. Tudo é bonito. Tudo é como deveria ser. Tudo é normal. Tudo é real. Os defeitos não são defeitos, são desculpas que encontramos para implicar que algo não ta legal.
    Mas ao todo eu sou normal. Sou mesmo, de verdade, tão careta quando á sua avó. Asso biscoitos no Natal e no Halloween. Faço festa para as crianças para diverti-las com livros de contar história.
    Adoro o irreal. É uma maneira de me desprender da verdade e por instantes pequeninos achar que tudo, no fundo é normal.
    E sério. Eu disse. É longo de mais explicar alguém, não importa quem. Mas como eu disse. Eu sou legal. Tão natural quanto.
    As vezes eu não gosto muito de falar. E as vezes tenho vontade de rir como criança quando vejo alguém me olhando como se fosse de outro mundo.
    Não me importaria de dizer que sim, se fosse possível o que seria hilariante só de pensar.
    Mas, por hoje é só.
   Uma pergunta.
   Quem é você?
   E as vezes eu prefiro só mesmo encurtar de uma vez. Dizer que eu sou eu e você é você. Mas como foi uma pergunta especial, feita por alguém especial, eu respondo claro, de todo o coração. Por que vale a pena responder quando é feita com tanta gentileza como assim foi. E assim, respondida está.


 
Annabel Laurino.
Dedico. L.R.