domingo, 13 de maio de 2012

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Quando você sente saudade demais de uma pessoa, então começa a vê-la nas outras, em todos os lugares. 






 Caio Fernando Abreu.





sábado, 12 de maio de 2012

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"Contradigo-me em passos de dança invisíveis, enlaçando pernas e prendendo bocas, querendo muito e gostando tão pouco."

Verônica H.

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"ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, quase duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essa história de que atraiçoamos todos os nossos ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara."

CaioF.

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Sempre é melhor reagir, partir pra outro do que arrastar, arrastar. 






Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 11 de maio de 2012

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    "Será que eu te conto? Depois disso e até hoje, no final de todo beijo tem a saudade do seu. No final de todo abraço tem a saudade do seu. No final de toda conversa tem a saudade da sua voz, sempre entre o genial e o tradicional, o menino artista e burocrático. O menino louco e ponderado. Você não tem ideia, você não imagina, essas noites sozinha aqui, com Jens Lekman, Feist e Magnetic Fields. Nem temos uma música, todas emprestamos das suas outras relações. Nem temos uma história, todas eu imaginei, todas a gente só pensou. Nem tenho você, mas você não imagina. A falta que faz o que você podia ser. É isso. A falta que faz o que a gente podia ter sido.[...] 
    Cansei do meu orgulho cheio de ocos e ecos e secos. Então eu queria dizer como era enorme isso tudo dentro de mim. E como ainda é. [...] Eu não consegui gostar de você de tanto que eu gostava e isso não merece chances ou palmas. Cansei de só sentir se for maior do que eu justamente pra dar a desculpa que, por ser maior do que eu, não posso sentir. É o jogo macabro que faço comigo pra nunca sair do mesmo lugar mas me dizer romântica. Eu não sou romântica, eu sou burra. Medrosa. Só isso.
    As coisas que eu amo são como uma borboleta que eu acho tão linda, tão linda, tão linda que quero engolir as asas e apertar contra o peito e lamber as cores e pegar carona com meu peso e tudo acaba sem ar, sem voo, sem cor, sem ser borboleta."




Tati Bernardi 

Bomba Relógio


     Novos punhos de aço aprisionam meu peito. Ah sim, esses punhos fortes e destemidos, envoltos firmes de mim, na esperança bruta e cega de me manter sobre vigília constante. Oh, mal sabe ele o quanto esse coração se faz por livre. O quanto de espaço minha alma leve necessita para que possa respirar todo esse ar solitário, esse punhado de solidão que me agrada muito manter em minha dieta balanceada.
    Não, eu não gosto de não poder respirar. Sim, eu odeio seus jogos banais. Eu odeio perder tempo com coisas fúteis, eu odeio as amarras no peito, eu odeio o nojo que eu sinto quando me encobrem de infantilidades e cinismo desnecessário.
    Eu prefiro a velha moda do à seco, do que ao temperado e docinho de mais.
    Para que? Eu me pergunto.
    Não posso sobreviver com os tique-taques de um relógio programado para parar de trabalhar em algum instante próximo, eu prefiro a entrega inteira do que viver com esse pé atrás. Então, novamente, eu odeio pessoas que me fazem ficar com um pé atrás.
    Na minha mente ingênua a mostra das reais faces facilitaria uma vida inteira. Para que mostrar aquilo que você não é? 
    E então essa retidão. Eu não gosto de ser retida, de não poder me soltar. Eu, que em minha vida toda passei por recatada, desligada, quietinha e justo quando encontro um complemento carnal para dividir as dores do mundo eu tenho que ser recatada? Tenho que guardar toda a minha arte, todo o meu amor, todo o meu fulgor? Tenho que me fingir branca e sem vida?
    Não gosto, não suporto.
    Um cansaço além do físico sobressai meu corpo, umas dores, um vazio, uma fome além. Não gosto do que sinto, não gosto do que vejo.
    Umas sensações que não entendo. Ou no mínimo quero fingir que não entendo.
    E me pergunto quando é que a bomba desse relógio programado irá estourar.
    Claro, não sei.



Annabel Laurino

quinta-feira, 10 de maio de 2012

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"Preencho meus dias com lembranças dele. Lembro que ele me olhava como se eu fosse um tesouro precioso. Será que encontrou outro tesouro? Será que encontraremos um caminho de volta? A estrada é tão longa, e minha mente está tão sombria. Sinto que nosso elo se enfraquece a cada dia e não posso fazer nada para impedir."


(Dawson's Creek)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um dia.



    Não sei o que houve. Estou lendo desde que a gente parou de se falar mais cedo. Te contei que estava lendo Um dia, não contei?
    A história é a seguinte: Eles são jovens e se conhecem no final da faculdade e ficam juntos por uma noite, nesse tal dia onde tudo começa, o dia da formatura. O cara, Dexter é um tanto egoísta, imaturo e viaja no dia seguinte que fica com ela, Emma. Ela é uma projeção idêntica de mim e não estou me gabando disso. Sério, fiquei um tanto assustada, por que até mesmo no físico dela que é contado no livro é parecido com o meu... Ela é escritora, lê pra caramba e etc. o resto você pode imaginar...
    Eles ficam juntos no dia 15 de julho de 1988 e toda a história são relatos de anos a seguir, mas sempre no mesmo dia 15 contando como eles estão. Mas vezes eles brigam muito, ou até mesmo param de se falar por uns tempos, mas sempre se reencontram em algum momento. Eles ficam com outras pessoas por que simplesmente não conseguem ficar juntos um com o outro. Se tornam apenas melhores amigos, porém se amam muito.
    Sei que não faz muito sentido, mas esse livro é realmente lindo e me doeu muito. Sério. Como eu sei que você não vai ler eu preciso contar o que acontece que em parte é o motivo de estar escrevendo o e-mail.
    Depois de muitos interlúdios e separações bruscas, afastamentos abruptos entre os dois, e que Dexter se mete em várias roubadas, Emma da uma guinada na vida, publica livros, ele se casa, tem um filha. Ela segue a linha independente e vai para Paris, e é onde eles se reencontram. E depois de tudo, quando eles percebem que a vida já seguiu de mais e que no fundo, mesmo assim, eles sentem muito mais do que uma amizade um pelo outro, eles ficam juntos.
    Mas a vida prova de que nem sempre podemos recuperar o tempo perdido.
    Emma morre em um acidente enquanto ia se encontrar com Dexter para eles escolherem a casa em que iriam morar depois de oito meses de casados, isso no quase final do livro, depois de tudo, de tudo que eles decidiram, que eles finalmente haviam confessado o amor de um pelo outro. Ela morre!
    Isso me doeu de uma forma extrema. Quer dizer, eles se amavam tanto, eram melhores amigos, viviam brigando, é verdade, super diferentes, mas se amavam! E ela morre? 
    Puxa fiquei triste, fiquei relendo as cartas que ela mandou para o Dexter ao longo do livro de quando ele estava viajando e ela estava sem emprego e meio depressiva por que havia se formado e não sabia o que fazer da vida. 
    Fico pensando que garantia a gente tem se não vai mesmo morrer a qualquer segundo. Sei, parece mordaz e depressivo de mais, mas tudo que eu quero dizer é que é triste esse pensamento.
    Fiquei chorando por um tempo e resolvi que precisava falar contigo, que é a única pessoa que me entende nesses momentos doidos. 
    Eu sei, você vai dizer: "Anna é a vida, acontece" ou "Anna é só um livro, uma história, fica tranquila" ou você vai rir jocoso e me dar um cutucão dizendo "é por isso que a gente tem que aproveitar ao máximo enquanto estamos vivos".
    Em parte eu sei que pode até ser verdade, mas o negócio é que fiquei triste com essa história toda. Emma era tão legal e morreu! Parece tão injusto...
    Ta já estou vendo você suspirar e dizer: "a vida é injusta anjo" 
    Eu sei, eu sei.
    Só queria colocar pra fora, para ver se eu entendo bem essa coisa toda e se eu meio que me curo dessa dorzinha incomoda. Parece até que é algum sentimento de culpa interior. Da para entender?
    Do tipo de quanto a gente se olha em um espelho e sabe que tem alguma coisa errada refletindo nele, mas lá dentro, a gente não quer ver. Então a gente para de olhar, para de passar na frente do espelho e até apaga as luzes para facilitar com que as sombras da casa não sobressaiam-se tentando transmitir a verdade.
    Algo assim... Não sei. Tão familiar, posso dizer.




Annabel Laurino – email ao amigo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

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"É andar dois passos, voltar meio, sofrer um pouquinho por ser apegada ao antigo e ao mesmo tempo desesperada pelo novo."


Verônica H.

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"Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver . Não me faz ser assim tão absurdamente feliz, só porque tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso . Mas admito que estou conhecendo (Num gerúndio de gostar sem fim), essa coisa maluca de gostar de verdade . Eu com minha TPM, meus livros e meu jeito meio-gato . Ele com seu ciúme camuflado, seus mil projetos e seu jeito de abraçar o mundo … Mas quer saber ? Eu olho pra ele e fico pensando sozinha : Será que alguém nesse mundo faria o que ele faz por mim ? Porque ele me escuta, me aguenta, me mima, me inspira, me faz sentir a mulher mais linda e especial do mundo ."


Fernanda Mello