Café Mocha
terça-feira, 20 de março de 2012
Abram alas, e regozijam seus corações
- Você precisa manter a calma.
- Calma? Como pode me falar de calma em uma hora como essa?
- E o que tem a hora agora?
- Bem, é tempo de me sentir ansiosa.
- Ah... Sim. Coisas boas estão acontecendo?
- Sim, você acredita nisso?
- Acredito. O outono está chegando.
- O que o outono tem a ver com as coisas boas que estão acontecendo comigo?
- Bem, no outono as coisas mágicas acontecem, é como se explodisse de algum lugar algum tipo de segredo, que somente os sortudos pudessem ouvir. Algum tipo de estação especial.
- Não sabia disso.
- É, são as coisas que ocorrem no outono, tudo pode acontecer.
- Acho que tem razão. Tudo pode acontecer.
- E não é?
[silêncio]
Tinham razão.
- Calma? Como pode me falar de calma em uma hora como essa?
- E o que tem a hora agora?
- Bem, é tempo de me sentir ansiosa.
- Ah... Sim. Coisas boas estão acontecendo?
- Sim, você acredita nisso?
- Acredito. O outono está chegando.
- O que o outono tem a ver com as coisas boas que estão acontecendo comigo?
- Bem, no outono as coisas mágicas acontecem, é como se explodisse de algum lugar algum tipo de segredo, que somente os sortudos pudessem ouvir. Algum tipo de estação especial.
- Não sabia disso.
- É, são as coisas que ocorrem no outono, tudo pode acontecer.
- Acho que tem razão. Tudo pode acontecer.
- E não é?
[silêncio]
Tinham razão.
Annabel Laurino.
...
Estremeceu mais uma vez, como se espiasse por baixo de um curativo, e fechou o caderno com força. Meu Deus, "a coisa ilusória".
[Um Dia - pág. 65]
Surpreendendo-se
Acho lindo isso de ir dormir com o coração limpinho. De encostar a cabeça no travesseiro cheirando a sol e fechar os olhos tranquila. Desliguei o telefone agora a pouco, falando com ele, me desprendi e me surpreendi como usava de uma naturalidade mansa para falar de alguém que não era eu, para instruir que ele deveria sim procurar ela, que ele dizia tanto amar. Não me senti ferida, triste, magoada ou até mesmo com ciumes. Me senti feliz, veja só. Pensei que esse dia nunca iria chegar, mas me senti tão inteirinha que se duvidasse estava até sentindo os mindinhos dos pés.
Se alguém me contasse eu não iria acreditar. Mas é, verdade verdadeira. Meus olhos sorriam, prestei a atenção em cada virgula do drama e quando terminada a conversa o peito eclodia em uma canção mansa, sincera e bonita. Quando nos despedimos até desejei uma benção, uma boa sorte para ele. E antes de me deitar orei tranquila, agradeci por meu coração inteiro, por não sentir mais nada, nem um resto de fio de cabelos de sentimentos pressos ou escondidos. Como se eu tivesse passado uma temporada em uma clinica de recuperação. Estou novinha. Infelizmente não houve clinicas, o aprendizado foi à pauladas virulentas, mas valeu a pena.
Valeu a pena.
Se alguém me contasse eu não iria acreditar. Mas é, verdade verdadeira. Meus olhos sorriam, prestei a atenção em cada virgula do drama e quando terminada a conversa o peito eclodia em uma canção mansa, sincera e bonita. Quando nos despedimos até desejei uma benção, uma boa sorte para ele. E antes de me deitar orei tranquila, agradeci por meu coração inteiro, por não sentir mais nada, nem um resto de fio de cabelos de sentimentos pressos ou escondidos. Como se eu tivesse passado uma temporada em uma clinica de recuperação. Estou novinha. Infelizmente não houve clinicas, o aprendizado foi à pauladas virulentas, mas valeu a pena.
Valeu a pena.
Annabel Laurino.
Lie
Desenrolam-se mentiras da ponta de sua língua úmida
Você acha que não percebo
Pensa que assim como outros
Embebedo-me na tua fala confusa e embriagada
Mas não, sóbria, sou atenta as tuas virgulas
Tuas viralidades pontuais
Não me esqueço nunca de quem és de verdade
E já que te esqueces
Das faces que me mostrasses um dia
Eu finjo que acredito no que desenrolas para mim
Sem vergonha, mentes, com naturalidade
Acredita que fecho os olhos diante de suas mentiras
Tão bobas, parecem ter sido tiradas
De um livro de histórias ilustradas e infantis
Aceno a cabeça
Um sorriso nos lábios
Você mente bem,
Que pena é que eu não acredito em você.
Você acha que não percebo
Pensa que assim como outros
Embebedo-me na tua fala confusa e embriagada
Mas não, sóbria, sou atenta as tuas virgulas
Tuas viralidades pontuais
Não me esqueço nunca de quem és de verdade
E já que te esqueces
Das faces que me mostrasses um dia
Eu finjo que acredito no que desenrolas para mim
Sem vergonha, mentes, com naturalidade
Acredita que fecho os olhos diante de suas mentiras
Tão bobas, parecem ter sido tiradas
De um livro de histórias ilustradas e infantis
Aceno a cabeça
Um sorriso nos lábios
Você mente bem,
Que pena é que eu não acredito em você.
Annabel Laurino.
segunda-feira, 19 de março de 2012
...
"Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona, é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa resgatada da torre de um castelo."
Martha Medeiros
domingo, 18 de março de 2012
...
"Gostei da luz,
dos olhos dele. Gostei que estava me encantando, gostei de não poder me
encantar e mesmo assim estar me encantando."
Tati Bernardi
.
“Pela janela aberta, o silêncio do domingo impresso num céu sem
cor. Na rua deserta de rumores: domingo. Abre um livro.”
Caio Fernando Abreu
Senhora vida, muitíssimo obrigada
De repente meu amor você se encontra tal como Alice, entrando em uma toca inesperada, de um coelho maluco, adentrando em um país maravilhoso, cheio de mágicas e coisas surpreendentes que você não esperava, que estava longe de poder imaginar.
Fica sentadinha agora, ruminando alegrias, mastigando sorrisos nos cantos dos lábios e suspirando alegre. Não tem nada melhor, eu juro. De repente a senhora vida parece que te deu um prêmio, Deus olhou para você menina, é isso. "Lembraram de mim", você pensa alegre, quase saltitando pelo quarto, como uma criança, o cabelo preso com um palito chinês em um coque formoso, os lábios rosados, as bochechas coradas.
Oh agora preciso ir, que o coelho diz estar atrasado e a vida é assim, ruge.
Segue-a, segue-a, vamos lá!
Fica sentadinha agora, ruminando alegrias, mastigando sorrisos nos cantos dos lábios e suspirando alegre. Não tem nada melhor, eu juro. De repente a senhora vida parece que te deu um prêmio, Deus olhou para você menina, é isso. "Lembraram de mim", você pensa alegre, quase saltitando pelo quarto, como uma criança, o cabelo preso com um palito chinês em um coque formoso, os lábios rosados, as bochechas coradas.
Oh agora preciso ir, que o coelho diz estar atrasado e a vida é assim, ruge.
Segue-a, segue-a, vamos lá!
Annabel Laurino.
sábado, 17 de março de 2012
...
Talvez a coisa mais terrível de se escutar de alguém, ou não escutar, já que essas palavras podem muito bem serem pronunciadas no silêncio de um ato, ou da falta de um, simplesmente porque funcionam bem quando supostamente usa-as no esquecimento, no silêncio, na falta da procura. Terríveis e tenebrosas, eu mesma sugiro que seja-se forte para ouvir, pois é cruel, talvez as palavras mais cruéis que alguém pode dizer para outra pessoa. Quando pronunciadas, ou não pronunciadas, arrastam-se no silêncio de uma lacuna que fica no ar, pesadas e duras, não escorregam pelos ouvidos facilmente, são frias e amargas, tão difícil de engolir. Dita-as assim: Desisto de você.
Annabel Laurino.
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