Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
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Alguém me perguntou se eu conhecia você, um milhão de memórias passaram pela minha mente e eu sussurrei: não mais.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
L'Amour
L'amour, hum hum, j'en veux pas
J'préfère de temps en temps
Je préfère le goût du vent
Le goût étrange et doux de la peau de mes amants,
Mais l'amour, hum hum, pas vraiment !
Carla Bruni
Nebulosamente fria e dura, só, sempre só
Começo clara como água cristalina. Em parte, por que as vezes é preferível enfiar a ponta da adaga rápida do que prolongar lentamente, rasgando a pele aos poucos em uma dor agonizante e lenta, lenta e agonizante. Digo logo, não sei o que faço aqui e nem o que sinto.
Isso se torna um tudo muito falso e simplificado. Porém real, porém lucido.
As vezes você não prefere que seja assim?
Penso que a dor não sai mais daqui, parece como uma companhia bruta, quase carnal, parece que se aloja de tal modo ao meu lado que está sempre acorrentada a mim, e anda comigo por todas as partes e quartos da casa, nas ruas também. E quando estou acompanhada ela parece ainda mais viva, puxando-me os cabelos, baforando nuvens densas de suas chamas quentes em minha face, gargalhando das minhas tentativas inúteis para não me sentir tão só. Sempre querendo que eu me sinta estupida. E sempre conseguindo. Me pegando em flagra como uma criança no meio da noite abrindo a gaveta de chocolates e sendo pega pelo pai.
Fico repetindo que tudo isso tem que passar, é só uma entrada de dor passageira, passa, passa. Mas ela persiste tanto e tanto. Cada vez me sinto mais só, soterrada em coisas só minhas, e são tantas, tão pesadas, e que ninguém quer saber, que me sinto afundar.
Eu não aguento mais cuidar de ninguém. Não me leve a mal, mas já servi tanto de cobertor para noites frias, remédio para dores incuráveis, sol para noites chuvosas, corpo quente para vidas solitárias. Não aguento mais consertar pessoas, servir de ponte para realidades objetivas, não consigo, não funciona, não tenho mais forças.
Eu só queria uma unica vez que alguém chegasse e colocasse-me sobre o colo, acariciasse meus cabelos sem palavra alguma, essa pessoa escutaria todas as minhas dores, da mais fúteis até aquelas que nunca foram contadas a ninguém, mesmo nos momentos mais desesperadores. Então eu que seria carregada, consertada, que teria as feridas curadas, o peito frio aquecido, as lágrimas secas, o corpo são e a mente viva. Seria uma unica vez eu a salva, eu a resgatada.
Como dizia o Caio, chega de me doar, chega de me doer.
E de tanto arrastar-me nessa busca incansável é que a dor persiste, e vejo sempre com muito peso que estou sempre só.
Quase sempre sozinha no quarto, escutando uma musica velha, escrevendo categoricamente, penso no passado, penso naquele alguém que de certo nem pensa mais em mim e penso no quanto eu tive a oportunidade de não ter curado, mas ter sido curada e me neguei. A mim, a nós. A tudo.
Erros cruéis.
Digo a mim mesma, menina passado não se tira pó, se joga na gaveta. Começo andando em frente, mas vou dizer que ta difícil.
E é assim que encerro as águas, cesso as ondas, seco as lágrimas, engulo o desabafo, finjo que nenhuma tormenta nebulosa veio me visitar, saio daqui, me jogo sobre a cama e penso e repenso na vida, dando voltas em um circulo sem saída.
Tão difícil.Tão, tão...
Annabel Laurino.
Isso se torna um tudo muito falso e simplificado. Porém real, porém lucido.
As vezes você não prefere que seja assim?
Penso que a dor não sai mais daqui, parece como uma companhia bruta, quase carnal, parece que se aloja de tal modo ao meu lado que está sempre acorrentada a mim, e anda comigo por todas as partes e quartos da casa, nas ruas também. E quando estou acompanhada ela parece ainda mais viva, puxando-me os cabelos, baforando nuvens densas de suas chamas quentes em minha face, gargalhando das minhas tentativas inúteis para não me sentir tão só. Sempre querendo que eu me sinta estupida. E sempre conseguindo. Me pegando em flagra como uma criança no meio da noite abrindo a gaveta de chocolates e sendo pega pelo pai.
Fico repetindo que tudo isso tem que passar, é só uma entrada de dor passageira, passa, passa. Mas ela persiste tanto e tanto. Cada vez me sinto mais só, soterrada em coisas só minhas, e são tantas, tão pesadas, e que ninguém quer saber, que me sinto afundar.
Eu não aguento mais cuidar de ninguém. Não me leve a mal, mas já servi tanto de cobertor para noites frias, remédio para dores incuráveis, sol para noites chuvosas, corpo quente para vidas solitárias. Não aguento mais consertar pessoas, servir de ponte para realidades objetivas, não consigo, não funciona, não tenho mais forças.
Eu só queria uma unica vez que alguém chegasse e colocasse-me sobre o colo, acariciasse meus cabelos sem palavra alguma, essa pessoa escutaria todas as minhas dores, da mais fúteis até aquelas que nunca foram contadas a ninguém, mesmo nos momentos mais desesperadores. Então eu que seria carregada, consertada, que teria as feridas curadas, o peito frio aquecido, as lágrimas secas, o corpo são e a mente viva. Seria uma unica vez eu a salva, eu a resgatada.
Como dizia o Caio, chega de me doar, chega de me doer.
E de tanto arrastar-me nessa busca incansável é que a dor persiste, e vejo sempre com muito peso que estou sempre só.
Quase sempre sozinha no quarto, escutando uma musica velha, escrevendo categoricamente, penso no passado, penso naquele alguém que de certo nem pensa mais em mim e penso no quanto eu tive a oportunidade de não ter curado, mas ter sido curada e me neguei. A mim, a nós. A tudo.
Erros cruéis.
Digo a mim mesma, menina passado não se tira pó, se joga na gaveta. Começo andando em frente, mas vou dizer que ta difícil.
E é assim que encerro as águas, cesso as ondas, seco as lágrimas, engulo o desabafo, finjo que nenhuma tormenta nebulosa veio me visitar, saio daqui, me jogo sobre a cama e penso e repenso na vida, dando voltas em um circulo sem saída.
Tão difícil.Tão, tão...
Annabel Laurino.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
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Imagina só acordar todos os dias as sete da manhã, lavar o rosto em água quente e depois em água fria, passar todos aqueles cremes faciais, dentais, enxaguantes e etc. Pentear os cabelos coloridos de vermelho, sorrir falsamente para o espelho, tomar os primeiros 500ml de água dos 2l do dia, comer frutas, uma das sete do dia. Criar uma tabela organizada, as oito e meia sair de casa calçando seus melhores tênis de corrida e correr um perímetro longo e exaustante, voltar para casa depois de ter pego no minimo 15 minutos de um sol matinal leve e gostoso, tomar um banho e seguir os dias em dietas, leituras introspectivas de Clarice Lispector à Caio Fernando Abreu, livros de fantasias, aventuras e romances. Escrever todos os dias milhares de capítulos para seus próprios livros sempre quando a noitinha estiver caindo no céu, quando o sol estiver indo embora, e você escutar uma musica de inspiração grilar nos ouvidos bem baixinho. Imagine só, se ver tão saudável, a pele clarinha, os olhos luzidios de um brilho são, expressando uma mensagem clara daqueles que sobrevivem as guerras cotidianas. Alegre, olha no calendário, os dias passam rápidos. Um dia, e depois outro e outro. Um de cada vez. Respira fundo se sentindo viva, saudável, de bem com o universo, um tanto só, um tanto esquecida, porém viva, porém feliz.
Annabel Laurino.
Annabel Laurino.
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Tirei uns dias pra me despreocupar de tudo. Da rotina, das pessoas, do que me fazia mal e do que não fazia diferença na minha vida. E assim fui, esqueci de tudo por um dia e vi que é melhor viver assim.
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Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito. Mas amor não se pede, imagine só.
— Tati Bernardi.
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Sabe quando parece que nada da certo pra você? Quando o mundo se torna o pior lugar do mundo pra estar. Parece que ninguém te entende, parece que ninguém te ouve. Só que você continua quieto, calado, mesmo quando seu coração parece gritar por socorro. Tudo continua, as semanas são as mesmas, só que você para de acreditar em contos de fadas, começa a perceber que aquilo tudo que você sempre sonhou não passa de uma palhaçada. É triste ter que mudar por obrigação, aquela criança que vivia sorrindo cheia de alegria do nada se tranca no quarto. Pior que ela nem sabe o porque… Talvez esteja precisando de tempo mesmo. Quando você esta sozinha você pensa muito nas coisas, só que não sabe o que é, não sabe o que fazer. Pior pensa que não sabe de nada.
— Desventuras Em Serie
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Tão dificil deixar fluir. (..) Mas é o que precisa ser feito agora. Virar barquinho, mesmo. Relaxar e observar o caminho, a paisagem. E assim vamos fluindo. Correnteza leve, por favor. Que não estamos assim muito prontos pra grandes tormentas. Tá tudo bem na verdade.
CFA
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