quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dentro de mim, do tempo...


    Hoje eu estou assim. Acordei com você dentro de mim. De uma forma tão linda. Foi como acordar, abrir os olhos e vasculhar lá dentro. E remexendo, mexendo, acendi as luzes e sobre a mesa estava as lembranças da gente. E muito mais que lembranças estava todo você. Estava também um sentimento tão lindo de te desejar, de te admirar tanto e tanto. Como: “meu bem, com eu te amo.”. Longe, perto, não tem diferença, os sentimentos reluzentes e limpos, incrivelmente limpos, estavam lá. E recheavam uma calorosa esperança, como uma espécie de força interna, fé, força, e mais um pouco de certeza.
    Descobri nesses dias que sem você a vida fica sem graça. Que eu preciso desse toque de mel que se acrescenta pintados no canto dos teus lábios repuxados em um sorriso tão guardado na minha memória, que é necessário o som da sua voz para que eu durma melhor, e que saber que tu me amas, faz tudo mais leve, da mais sentido, mais vontade de abrir as janelas pela manhã e respirar melhor, como se encarando mais bravamente essa guerra cotidiana.
    Não sei, mas acordei assim. Acho que são sentimentos que sempre estiveram dentro de mim, com você presente. Sinto-o comigo mesmo estando longe e vezes quando vou dormir, sussurro baixinho que te amo, para você dormir com os anjos, que te vejo no outro dia. E fico brincando com historinhas, imaginando a gente, quem sabe, daqui a algum tempo. Por que sei, a gente se encontra um dia. Quando não sei, quem sabe em outro momento, não importa, mas a gente se encontra. E vai ser lindo, tão lindo.

Annabel Laurino.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

...


Outra noite que você
Passa e finge que nem vê
Não esconde o teu rancor
Quer tentar me enlouquecer
Quanta coisa a gente faz
Depois quer voltar atrás
Então, me diz alguma coisa
Bate aqui de madrugada
Pra lembrar daquele tempo
Pra sempre ou só por um momento
Me dá um beijo na boca
E depois me leva pra tua casa

(Armandinho)

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Volta. 
Diz que volta.
Antes da música acabar.


bebellaurino.


sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

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– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
  (Pausa)
– Pois é, também dá no mesmo.


Caio F. A.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Novembro aguado e nervoso, tingido na janela, jogado no coração.


    É novembro. Estava demorando a chover e agora, bem, justo hoje parece que choveu a cota inteira do início do mês. Choveu duas vezes. Uma pela tarde e agora à noite. Não é muito noite ainda, recém nove horas. Mas o negrume espaçoso e denso se aglomera pelo céu.
    Bateu uma melancolia daquelas agora. Não pude evitar. Foi meio como estar caminhando e você tropeçar. E não resisti também, confesso. Estava aqui olhando as gotículas cristalinas e pequenas pontilharem o vidro quente da janela do quarto, fiquei vendo as arvores quase que escondidas pela escuridão e serem engolidas por esse véu de chuva. Não resisti, não deu. Foi tão lindo o que eu senti. O que eu estou sentindo. Deu uma vontade de te ter aqui agora, nesse exato momento, e pegar sua mão, depois dizer: “Olha amor, não é lindo? Nesse caos inteiro você ainda consegue encontrar uma coisa bonita, quer dizer, está escuro, mas as coisas belas ainda estão lá e ainda são tocadas e ainda são vistas, em suas formas misteriosas, mas são. Novembro chegou, chuva, calor, novembro chegou.” . E sorrir. Eu sorriria de verdade, seria um sorriso daqueles que você tenta repuxar os cantos dos lábios mas é inútil por que sua boca não obedece, é sincero e um calor intimo percorre o estomago e da arrepios. Faces rubras, mãos suadas, seria assim.
    Não paro de pensar de quando eu era criança, por que nunca tive medo de chuvas e trovões, só depois de mais velhas, não entendo por que. Mas faz tempo que perdi esse medo. Agora eu gosto, na verdade eu amo quando chove assim. Quando tudo lá fora entra em uma atmosfera tão gritante de rugidos raivosos e raios tremendos, de lascas de gotas explodindo nos telhados e poças se aglomerando. Eu gosto sim. Me faz sentir viva, sabe como é, um pouco mais solta, um pouco mais cheia de uma brilhante euforia, da até pra dizer que é como se o mundo gritando lá fora entendesse. Me entendesse.
   Abro a janela do quarto, o vento forte arrasta as gotas da chuva que pontilham minha blusa negra, logo estendo o braço e como se segurasse algum fio de pano eu pego na mão todas as gotas que lhe caem na palma, fazendo cócegas meio brutas, escorregando na pele crespa. Pequeninas coisas eu sinto, de fato muito pequenas. Não da pra dizer ao certo o que são, são pequenas, não daria nem para colocar em um caleidoscópio gigante e tentar decifrar. Mas são coloridas e brilham, muito mais que purpurina e são doces, sim, doces e doces e fustigam, crescem, e querido, se você soubesse... Seria como escutar o mundo dizer: ‘Aqui jaz o fúria do mar. Do céu. Da vida.”.
  E concluo. Definitivamente, novembro chegou.

bebellaurino.



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- Tu tens duvida se eu te amei? É sim ou não.
- Não, jamais tive
- E ainda duvida se amo? É sim ou não.
- Ultimamente tenho e não queria ter.
- Pois nem deveria. Apesar de... Bem. Mas não deveria.
- Por que não deveria ?
- Por que da mesma forma que tu acredita que eu te amei, deves crer que te amo. Amar alguém não é assim, não se deixa de amar em duas semanas ou um mês. Não se é amor, não se tu acredita que eu te amei.
- E tu?
- E eu o que?
- Tu duvidas que eu te amo ?
- Sim, duvido. Pela minha insegurança de nunca ter tido respostas, acredito.
- Mas tenha certeza que de um jeito torto eu amei e amo sim.
- Muito torto, muito mesmo.




Bebel Laurino e Mateus Scheer.





terça-feira, 8 de novembro de 2011

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A verdade é que eu não consigo ser com mais ninguém o que eu fui com você. Então me devolve. Me devolve pra mim.

bebellaurino.





Queda


    Preciso tirar você de mim. Arrancar todos os pedaços que restaram de você aqui. E o pior de tudo é que você tratou muito bem de cuidar da metade do processo. Você despedaçou o viveiro colorido que morava dentro de mim e rasgou as fotos, incendiou as lembranças bonitas. Agora tudo que consigo ver é alguém que não era quem eu amava. Não era alguém que estava nas minhas lembranças mais doces. E não entendo por que. Não seria bom partir guardando balas e chocolates nos bolsos?
    Talvez o erro tenha sido meu. Talvez eu tenha demorado de mais sobre a indecisão de não saber se indo eu te perdia tanto que não conseguiria suportar. Mas vejo isso agora, com clareza e destreza, vejo que posso viver sem você. Que é fácil. Que é bom. Que com você as coisas ficam fora do lugar. Que você não tem me trazido coisas boas mesmo longe e que perto de você eu me sinto mal. Por mim. Sinto-me mal por mim, por ter acreditado em você. Por ter acreditado que você era uma boa pessoa, que por mais detestável que eu fosse, e por mais malvada que eu me tornasse você estaria ali logo depois, como um amigo faz, o amigo que eu pensei que acima de tudo você fosse. Que você não iria me julgar, nem apontar o dedo e nem interferir nos meus caminhos. Pensei mesmo, bobagem. A gente sempre pensa. A gente sempre acredita. Deitada na cama do quarto pensando, “ele é bom, ele não vai me julgar, por que ele vai me ajudar, ele vai ser o braço amigo que preciso, o colo que ninguém da.”. Não fostes, não és. E descubro agora que a queda é alta.

Annabel Laurino.