domingo, 28 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Sentindo tudo
E eu fico aqui, sinto e sinto tudo. Sou um completo ser sentindo, e ninguém me sente. Eu sinto tudo, sinto você, sinto á mim, sinto nós
dois então, mas ninguém sente o que sinto, sente como sinto.
Annabel Laurino.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
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Será que quando ela diz : "Não agüento
mais, me deixe em paz, não consigo, sinto dor", ela não esteja querendo dizer
que um simples abraço seu, um simples toque, sem palavras, sem nada explicado,
sem nada dito, resolveria tudo? Me deixe em paz, ela diz, traga a minha paz,
ela pensa.
Annabel Laurino.
.
Quando você tem tudo você não
liga pra nada, difícil é depois quando você olha pro lado e não vê mais aquele alguém.
Daí vai dizer, ela não faz falta?
Annabel Laurino.
Me deixe em paz!
Me deixe em paz. Finja que não me vês e finjirei que não te
verei. Finja. Como sempre fizeste. Finja que não sentes o calor do meu corpo e
nem a vontade de falar. E assim eu fingirei que nada aconteceu, que nada surgiu,
que foi tudo simplesmente apagado da minha memória recém fresca e confusa.
Eu peço apenas para que me deixe em paz. Me esqueça, me
anule. Parta a minha imagem da tua memória e regrave outro rosto de uma vez.
Faça qualquer coisa! Me compare, me descole, me desgrude, me jogue, mas me
esqueça! Me deixe em paz.
Essa dor. Essa horrível dor dilacerante de querer falar e
não poder, esse jogo, essa luta, esse conflito de ter que ser forte quando eu
quero chorar de raiva e dizer que te odeio até não poder mais.
Você não luta, você
não sabe correr atrás, você não sabe buscar aquilo que você quer e não sabe
como dói ser ignorado, não ser correspondido. Então chega. Cansei. Estourou
toda a minha cota de ser gentil, amável e compreensiva. Chegou no meu limite,
aturei por tempo de mais essa novela repetitiva. Eu engoli seus dramas, disse
que os encararia, que se precisasse eu ficava ao seu lado embora que todos eles
se voltassem contra nós. Eu estava disposta a lutar por você. E você, sentou-se
sobre sua cadeira fria, cruzou os braços e me ignorou. Agora... Bem, agora me
deixe em paz.
Annabel Laurino.
Montanhas de pó
Não me pergunte mais nada. Não me pergunte nada. Eu não sei de nada, eu não quero saber. Eu to cheia. Cheguei na beira da cama quente, olhei por baixo e avistei o pó. Montanhas de pó. Esta tudo há muito tempo guardado, há muito tempo esquecido. Não quero mexer, tenho medo das cartas que posso encontrar, das aranhas que podem sair, dos chinelos velhos que gastei tempo procurando, dos lenços de papel, das folhas do caderno, de um brinco perdido, tenho profundo cansaço de achar qualquer coisa embaixo desse pó. Não me pergunte. Eu não quero mais saber. Cheguei ao meu limite. Agora, se tem uma coisa que você ainda pode saber, uma única coisa que não me abstenho em responder, é que estou completamente ocupada. Não estou mais aqui. Acabo de colocá-lo na minha montanha de pó.
Annabel Laurino.
domingo, 21 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
Desbordando, nua, descosturando tudo, nunca existiu...
Quando eu estou só, nunca me sinto só. Tenho uma estranha
tendência a abrir as janelas, a ligar a música a todo som, a estender a mente
para muito longe e repousá-la, como a um tapete a muito tempo guardado sobre um
sol muito quente. Como se ela precisasse tirar a poeira, limpar, esvaziar,
pegar um ar.
Nesses momentos em
que estou só, aguardo sentada na cadeira do meu quarto. Descalça, quase não sinto frio. Posso ficar nua, como tiver
que ficar, não sinto nada. Minha pele é como uma cobertura tênue e infalível,
não passa frio, não sente frio. Por fora estou assim. Embora que por dentro
sinto-me em um caos gritante, milhares de pensamentos, de duvidas, de questões
me arrebatando, me bombardeando de todos os lados. Eu sei todas as respostas.
Sei que posso ignorá-las, mas não devo. Não vou.
Por isso as guardo
no peito, abro a minha caixa secreta, e nua como nua, a pele quente tão quente,
me vejo chorar, sei que se eu quisesse acreditar poderia crer que era fraca
para te deixar. Mas não sou amor.
Sou frágil, sou
eu. Sou só. Mas ainda sou eu. Frágil e nua, frágil por fora. Tão forte por
dentro. Não sou como você. Sei onde está o ponto, sei onde se encalça a dor,
sei onde tudo termina e sei sair do caminho quando bem me convém.
Me convém agora.
Convém-me estar só e não necessitar de nada. De calor, de corpo algum para me
aquecer. Não necessito. Necessitava. Agora tudo que passou entre agente
parece-me vago, sem sentido.
Em que caixa
perdida, em que corpo eu estava, em que mundo foi deixada a minha mente, para
que eu acreditasse tanto nesse amor?
Nesse amor vazio, que eu mesma criei, pintei,
bordei. E que agora reparto sem dó. Descosturo as linhas que ligavam-se tão
feiamente, sem sentindo, sem cor, e olho-me no espelho. Sim, estou
definitivamente só. Parece até que você nunca esteve aqui. Parece até que você
nunca existiu.
Annabel Laurino.
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