domingo, 17 de outubro de 2010

Vezes ou Outra...

Vezes ou outra sinto-me como uma estátua. Parada, dura, seca e muda. Fico sem fala, sem ação. Somente vejo as horas passarem, vejo as pessoas irem e virem. Vezes ou outra pego-me como uma criança ansiosa, apontando os dias no velho calendário. Esperando os dias estenderem-se, as coisas mudarem.
Vezes ou outra acho-me tola no entanto. Achando que um novo dia trará um novo sol. O sol é o mesmo sempre. Ele só brilha mais, resplandece, ou se oculta.
Vezes eu quero fugir.
Vezes eu quero ficar e esperar você voltar.
Vezes anseio ficar só.
Vezes tudo que eu mais quero e ter você aqui comigo.
Vezes eu penso e choro.
Vezes eu lembro e rio.
Vezes eu sou só eu mesma.
Vezes eu mesma me assombro.


Annabel Laurino.



Em que espelho ficou perdida minha face? [Cecília Meireles]

Marian Keyes para que te quero!

Se há algo no mundo que eu adoro além de tudo é pegar uma água bem gelada sentar no sofá e me deliciar (literalmente) com os livros da Marian Keyes!
 Descobri esse amor por ela ha um tempinho atrás quando comprei, tipo muito espontâneo um livro dela em promoção no Avon. (eu sou a consumidora mais louca do mundo e vivo atrás de promoções para livros. Lugar mais fácil de me achar: Sebos- com certeza!). O tal livro é Melancia, que foi um dos grandes sucessos dela. Eu amei de paixão e quando comecei a ler foi como se eu pegasse uma marca totalmente nova e super linda de sapatos! Foi tipo tudo! Marian Keyes consegue muito bem caminhar ao lado da sensualidade, comédia, romance e vida real total!
  Mas, deixando um pouco de falar da autora, vamos falar de suas obras.

 Eu tenho apenas dois livros delas, mas já li quatro. O que todo mundo deve saber antes de ler um livro estilo Marian Keyes é que, a partir do momento que você abre a capa, você esta prestes a se dar de cara com qualquer história muito louca e engraçada. E em meio a tantas coisas engraçadas, alguns livros da autora, dependendo da personagem, a linguagem vai sendo meio que diferenciada. Há obras da autora em que a linguagem bem normal do dia a dia é usada freqüentemente, com palavrões e gírias normais. O sexo também é bem exposto nos livros da autora, há pessoas que se intimidam a ler, por que há livros da Marian Keyes em que capítulos tornam-se no entanto meio...eróticos. Mas, nunca saindo do padrão literário.

   Bom, vou começar abrindo a lista de livros com uma das autoras que mais admiro, pela força e história que são transmitidas em cada obra.

- Melancia - 
O primeiro livro que li da Marian Keyes foi tal dito, Melancia. Quase todos os livros são contados na história de cinco irmãs que são mega diferentes, e variam exageradamente em modos de ser e viver. O Melancia conta a história de Clarie que tem 29 anos, e acaba de ter uma filha. Com o nascimento de sua recém-nascida filha, seu marido acabou de confessar seu caso de mais de seis meses com a vizinha também casada. (Um Mega choque!) Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e muita depressão, bebedeira e choro. Mas ela decide avaliar os prós e contras de um casamento desfeito depois de três anos. E quando começa a se sentir melhor seu ex marido, reaparece para convencê-la a assumir a culpa por tê-lo jogado nos braços de outra. Claire vai recebê-lo, no entanto reservará uma bela surpresa para o seu "amado" ex. E nisso tudo, no decorrer de toda a história coisas mega engraçadas e loucas são expostas, como o envolvimento da personagem com um cara mais novo e coisas bem típicas de Marian Keyes.

Indicação pessoal: Falando sinceramente, é claro que eu indico! Mas, ai depende de gostos, como eu disse, os livros da Marian Keyes são livros quentes, engraçados e cheios de surpresa. As vezes quando estou lendo um livro da autora, sinto-me melhor amiga da personagem, como se eu conseguisse sentir a raiva, amor, e todos os sentimentos que a mesma esta sentindo.


Outras obras da autora que eu li, foram:

Los Angeles - Tem Alguém ai? - Férias!



- Los Angeles –

Los Angeles ótimo, eu realmente gostei. É todo cheio daquele lado erótico e engraçado, misturado com um toquezinho de romance e sutileza. Tem todo o jeito da personagem, cativante e absolutamente inebriante dos livros da coleção. É uma história cheia da vida de pessoas ricas, desesperadas por um lugarzinho no mundo da fama. Modelos, escritores, diretores, atores e muito mais do que há do mundo dos famosos roda a solta no livro, Los Angeles.

"O sexto romance de Marian Keyes é uma história absolutamente cativante sobre um casamento que deu errado e uma mulher sensível que, subitamente, resolve fazer o que bem entende da vida.
Diferente do resto de sua família, Maggie Walsh sempre foi a irmã mais certinha de todas, em tudo, a santa que andava sempre na linha. Pelo menos até o dia que largou o marido e foi para Hollywood! Em L.A., roupas sofisticadas, pessoas magérrimas e emperiquitadas e festas bem freqüentadas são presenças constante, e acreditem: até as palmeiras ao longo das calçadas são magras. Ao se hospedar com a sua melhor amiga, Emily, uma roteirista raladora, Maggie começa a fazer coisas que jamais fizera antes, tipo se enturmar com estrelas de Hollywood e até mesmo usar meias-calças na cabeça para firmar o penteado e fazer apresentações de roteiros para produtores de cinema na maior cara-de-pau - e mais, muito mais! Assim, conhece o misterioso Troy, um homem tão antiaderente, que é conhecido como Teflon Humano.
Acompanhe Maggie em sua jornada (de descobertas) com as estrelas dos subúrbios sofisticados de L.A. ao bronzeado deslumbrante que só se consegue nas praias da Califórnia, engolindo mágoas e, de quebra, muitos martínis, enquanto procura o que realmente quer da vida e qual o verdadeiro motivo de ter pulado fora do casamento."



 - Tem alguém ai?-
 
Foi o livro da Marian Keyes que chorei de tanta surpresa que uma pagina e outra me oferecia. Tal como os títulos agente sempre fica meio que: "Nossa, 'Tem alguém ai?' Por que desse nome?" E depois de ler o livro você entende completamente do por que, conforme o enredo da história. Esse foi um livro que eu chamaria de uma caixinha de surpresas. Um romance delicioso, cativante, envolvente cheio de uma história linda que nos prende por sua forma misteriosa de se desenrolar.

"O livro conta a história de Anna, que, após sofrer um acidente de carro em Nova York, volta para Irlanda a fim de se recuperar ao lado da família. Contudo, após um tempo com os pais, ela decide que é hora de voltar para os Estados Unidos e reencontrar o marido Aidan, os amigos, e retomar seu emprego como relações públicas da Candy Grrrl, empresa de cosméticos. Chegando a Nova York, Anna não encontra Aidan - ele não retorna seus telefonemas, emails e mensagens de voz. O que terá acontecido com ele? Por que ela não recebeu nenhuma ligação do marido enquanto esteve fora? "

 O livro é mega lindo. Anna é sem duvida a melhor personagem criada pela autora, conforme a minha opinião. A que sem duvida eu mais de identifico. Esse livro é o topo dos meus indicados e com certeza vale a pena ler. Por que depois quando você termina você fica com cara de quero mais. Os livros da Marian Keyes, literalmente, viciam!


E claro, - Férias! -

Esse eu adquiri, mas não por promoção. Comprei por preço inteiro na livraria e me custou os olhinhos da cara, mas valeu a pena.
 Outro livro maravilhoso, diferente no seu próprio estilo. Cheio de coisas mega engraçadas. Conta a história de Rachel Walsh, com uma pequena participação ilustre da minha amada Anna. O livro é magnífico, lindo, engraçado e outro que eu total me identifiquei.

"Rachel Walsh tem 27 anos e sua grande magoa de calçar 40. Ela namora Luke Costello, um homem que usa calças de couro justas. E é amiga - pode-se mesmo dizer muy amiga - de drogas. Até a que a sua vida vai para a Cucuia e ela, na marra, para o Clautro - a versão irlandesa da Clinica Betty Ford. Ela fica uma fera. Afinal, não é magra o bastante para ser uma toxicômana, certo? Mas, olhando para o lado positivo da coisa, esses centros de reabilitação são cheios de banheiras de hidromassagem, academias e artistas semifissurados(ao menos ela assim ouviu dizer). De mais a mais, bem que já esta mesmo na hora de tirar umas feriazinhas.
 Rachel encontra homens de meia-idade usando suéteres marrons e sessões de terapia em grupo do que poderia supor a sua vã filosofia. E o pior é que parecem esperar que ela entre no esquema! Mas, quem quer abrir as janelas da alma, quando a vista esta longe de ser espetacular?
 Cheia de dor de cotovelo (o nome do cotovelo é Luke), ela busca salvação em Chris, um Homem com um passado. Um Homem que pode dar mais trabalho do que vale...
 Rachel é levada da dependência química para o terreno da maturidade, passando por uma ou duas histórias de amor, neste romance que é, a um tempo, comovente, forte e muito, muito engraçado.
  O que mais posso dizer? É claro que eu recomendo!!


É isso gente linda, esses são todos os livros da Marian Keyes que tive o bom gostinho de ler. Los Angeles e Tem alguém ai? eu peguei na biblioteca, onde é ótimo para quando estamos indecisas em comprar um livro. Então pode deixar, conforme eu for lendo os livros dessa amada autora, cuja a qual eu admiro e muito, eu vou postando aqui. Espero que tenham gostado das dicas e recomendações!


Beijos mil em todos!


Ps: Não só vou fazer indicações dos livros desta autora, como vou fazer indicações de todos os livros que já li e que considero bons. E claro, como não é dificil é capaz de eu acertar no gosto de todos, por que eu, literalmente leio tudo que é tipo de livro. Então, espero mesmo que vocês gostem das indicações.

sábado, 16 de outubro de 2010

Sinto-me só.

Acordo em uma vaga manhã de um dia qualquer e vislumbro o céu. Aconchego-me na alma e recosto-me nos sentimentos translúcidos de meu coração. Passo as mãos sobre os cabelos e me pergunto “o que temos hoje?”. Acendo a luz de meu espírito e vislumbro-o mais uma vez, procuro em meio a guardados e repentinos fatos de algo que possa me dizer o que sinto hoje. Hoje me sinto só.
Sinto-me só e sem respostas. Nem mais meu próprio eu preocupa-se em responder minhas incansáveis e inquestionáveis perguntas.
Às vezes me deparo com o mundo e o acho tão rotineiro. Tão comum. Talvez nem seja culpa do mundo, mas das mentes que o ocupam. Tão inertes em si próprias, tão egoístas.
Sei lá qual meu problema as vezes. Se me perguntasse o motivo que me sinto só eu não saberia responder ao certo. Talvez seja a cruciante saudade de sempre.
A saudade daquela velha amiga que, no entanto não a reconheço mais. Não a reconheço, não por que tenha crescido e se desenvolvido mais, mas por que tenha mudado, deixou de ser minha amável amiga para uma simples e mera desconhecida.
A saudade um aconchego melhor, de acordar de manhã e receber um abraço, de ter para quem ligar para quem contar segredos, para quem dividir a vida mesmo essa sendo tão pacata as vezes.
Queria que todos me entendessem as vezes, mas isso é pedir de mais. Nem mesmo eu própria me entendo.
O mundo tornou-se um vago e repentino esboço do que não ser para mim.
Tento não me sentir assim, tão submersa da realidade, ou até mesmo fantasiar de mais. Sabe, fantasiar as coisas, achar que tudo pode mudar de uma hora para outra. Sendo que as coisas só mudam quando resolvemos mudar.
Tento não me sentir só, com as minhas mudanças. E eu mudo constantemente. As vezes apaixono-me, e então desapaixono-me. As vezes amo tudo, tanto depois, odeio. Acabo então me sentindo só por ver que todos ainda amam tudo que amavam ainda a dias ou anos atrás.
O que há de ser comigo?
Não sei bem responder. Não sei explicar.
Talvez seja falta do que pensar ou do que sentir. Seja lá o que for a arte da solidão é como uma carência sentida, um aprofundamento solitário no ato de ter sede de algo. De não poder ter, mas querer, a alma anseia, flameja, arde e grita.
Eu grito.


                                Annabel Laurino.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Um novo dia.

   Era uma manhã normal. Umas daquelas manhãs em que você já acorda sem frio pela chegada da breve partida do mais puro inverno á mais bela entrada da nova estação de primavera. Era uma manhã comum. Uma daquelas em que agente acorda com tanto sono que se mal acorda e já se quer voltar a dormir. Mas, por mais vontade de me virar ao lado e dormir novamente eu não podia, já havia dormido de mais e deveria levantar-me e começar os meus afazeres matinais. Levantei-me então, calcei minhas pantufas velhas e desbotadas e desci os andares da escada. Passei pela sala e pela varanda, cheguei na cozinha e pus uma caneca de água a ferver. Fui até o banheiro atendi minhas necessidades e então voltei na cozinha, tirei água da chaleira e despejei-a fervente na minha velha caneca. Logo despejei na caneca quatro colheres pequenas de café forte e umas gotas de adoçante. Conduzi meu corpo ainda dormente até a sala e sentei-me no sofá vazio e gelado. 
  Enquanto bebericava o forte e quente café, me incitei ao perceber que toda a casa era silenciosa. O mais silêncio profundo que se pode ouvir. Não havia som nem dentro e nem fora da casa. Na verdade, o único som de fora era os pássaros que já cantavam no alto das arvores no jardim. As fracas luzes do sol me cortejavam bom dia enquanto entravam celestiais e límpidas pela janela da sala.
  Estranhei a calmaria e a vastidão silenciosa, estranhei a pouca luz e por eu ser a única pessoa da casa acordada. Olhei no relógio pendurado na parede e lá marcavam seis e meia da manhã. O que eu fazia acordada á essa hora? Fui até a porta e lá estava o jornal do dia que havia sido posto na noite passada, olhei a data e era um domingo. E eu, estava acordada as seis e meia de uma manhã de domingo.
  Não podia ser, fiquei confusa e consternada de uma avalanche de espanto. Eu não havia percebido os dias passarem. Contava que ainda fosse um mero dia de semana, mais um, um daqueles em que eu acordaria e começaria meus afazeres de ir para academia, voltar, arrumar a casa, tomar banho e etc. e etc.. Mesmo assim eu nunca me levantava as seis horas em dia qualquer, por que justo agora? Caminhei até o banheiro e me pus debruço por sobre a pia de mármore olhei-me vagarosamente no espelho pendido á minha frente. A figura que refletia do reflexo do espelho me cumprimentava com um vinculo por sobre a testa de duvida e espanto. Que mal educada, pensei. Ao menos um sorriso lhe faria bem.
  A figura era eu mesma, alguém que por si não conhecia mais. Cabelos longos e finos pendiam sobre o ombro, de tom castanho e fios claros alourados, olhos amadeirados cortejados de pinceladas de um mel claro, lábios tênues, levemente cheios e vinculados nos cantos. Oras, nem se quer lembrava-me de minhas feições. Nem se quer parava para ver-me e observar-me. Não digo isto por uma forma obsessiva de vaidade e amor por si próprio. Mas, por que se eu mesma não me perceber como vou querer que me percebam? Foi esta pergunta que me fiz e me fez abruptamente cair por sobre a escada emocional em que me perdurava.
Respire, lembrei-me.
  Caminhei novamente até o sofá e sentei-me. Era estranho estar sozinha em um mais puro silêncio, onde até o som do meu arfar pulsante era percebido.
Cenas me dedilharam a mente. Passara as últimas semanas como um mero eu, vazio e sem sentido. Acordando e cumprindo minhas tarefas do dia a dia sem se quer lembrar-se de mim mesma. As lágrimas eram torrenciais margeando por sobre minha face sem sentido.
  De repente senti o medo junto a mim, vinha a minha direção cumprimentando-me com seu sorriso zombeteiro e farsante, a duvida também estava ao seu lado, seu olhos caídos e cheios de amargura me davam um belo bom dia. Os dois convidaram-se á sentar ao meu lado, mas os recusei. Não queria suas péssimas companhias. Preferia ter de ficar só. Mas, o medo disse-me sarcasticamente que não era possível ficar só, eu seria obrigada a ficar com um ou com o outro.
  Já havia provado dos dois, sabia que o medo era o pior, era maldoso e sem coração, afligia meus melhores dias e minhas melhores noites de sono. A duvida em melhores vezes até me respondia algumas perguntas inquestionáveis, porém. Decidi ficar com a velha duvida. E esta prontamente feliz tratou de fazer seu trabalho. Abriu sua maleta velha e surrada e tirou dali uma bela caixa, escrita lembranças em sua tampa, a duvida no seu melhor jeito de amargura e lentidão entregou-me a caixa. Abri-lhe e vi coisas que me desagradavam. Não era bom ver as coisas recentes em que me aconteciam, não era de muito ruim, era somente chatas e vazias. Vasculhei e vasculhei, mas nada interessava-me saber havia ali. Porém, em um momento abrupto achei uma lembrança que me chamou a atenção como um ponto de exclamação tingido em neon. Era apenas eu, quando era pequena, sentada no capim verdejante cheirando ao mais puro cheiro de terra de jardim da casa de verão em que passava no veraneio, rodeada de minhas bonecas, vestindo o meu mais lindo vestido verde de manguinhas curtas estilo bonequinha. Eu brincava só, mas ria feliz, meus avós estavam sentados ao longe me vendo brincar e riam também. Como era fácil, pensei. Não havia nada em que me preocupar, apenas ficar brincando de me divertir. A duvida me repreendeu, não era isso que ela queria me mostrar, ela queria que eu visse outra coisa nesta vaga lembrança. 
  Eu podia até ser jovem, pequena e indefesa. Não sabia nada do que podia acontecer pela frente e nem se quer tinha idéia dos caminhos que eu iria passar. Eu sou como aquela pequena criança brincando de bonecas, ainda não faço idéia das coisas que me aguardam. Quando eu era apenas aquela garotinha e não fazia idéia de nada do que iria passar e viver até chegar onde eu cheguei, eu apenas vivia o presente, juntava o desagradável com a aprendizagem e vivia feliz. Não foi nada fácil, mas também nada difícil.
  Por que eu não fazia isso então? Por que era tão difícil viver o presente e deixar as duvidas de lado, as magoas e a ansiedade?  Nesse momento a duvida sorriu, levantou-se do sofá e fez um gesto de adeus para mim, e rompeu pela porta sua breve partida, ela havia completado seu trabalho. Respondeu minha duvida me deixando ainda mais com duvidas.
  Fiquei ali no sofá, e pensei, não preciso de duvidas e nem do medo. Na verdade eu não preciso mais pensar sobre o que ficou para trás. Não importa o quanto eu me machuquei, o quanto me feri e o quanto chorei. Eu ainda possuía forças para prosseguir eu ainda veria um mais belo dia nascer sem hora pra morrer. Mas, não era ainda a hora, a hora era de somente viver e saber lidar com o medo do fim do dia, o medo de nunca mais vê-lo, nunca mais tê-lo. Ele já partiu, pensei. Ele, o medo, e as duvidas. Agora sou só eu.

  E foi naquela estranha manhã sem sentido que eu entendi o mais maravilhoso desfeche das minhas magoas e consternações. Um lindo dia sempre amanhece, um sol sempre surge, não é sem importância que ele nos acorda e pela bela arte de nos deixar fazer sorrir. E eu enfim, me deixei sorrir. Levantei-me do sofá sequei as lágrimas já vazias e sem sentido e subi as escadas, rompi em meu quarto e cai sobre a minha cama quente e macia como uma pluma feliz e segura em seu pouso atenuado e grácil.

                                                


                                                    Annabel Laurino

domingo, 29 de agosto de 2010

"Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."



Cecília Meireles

Carência.

    Alguns já de fato decretaram que a saudade em si é um dos sentimentos mais urgentes. Tudo bem, talvez eu concorde. Mas neste pequeno caso, caso onde o que sinto não é saudade, por que saudade sente-se de algo que já se teve. Então, digo que a carência em si, é que é um dos sentimentos mais urgentes já existidos e sentidos por aqueles que lamentavelmente são desafortunados.
   Devo então explicar que, o termo “desafortunado” se deve ao uso de quem não pode saciá-la, digo, a carência.
   Carência, necessidade, apuro, falta, vazio...
A carência em si não precisa ser vista como um modo melodramático. Uma pessoa não precisa senti-la somente pelo simples fato de não haver nada mais para reconfortá-la, pelo contrário. A carência, nos deixa loucos. Loucos de vontade por aquilo que de fato não possuímos, e não quer dizer que não temos opção. Mas, a falta que temos é uma necessidade, não pode ser consumida com um engano. Uma mentira.
   Venho tentando entender o que realmente sinto. E cheguei à conclusão que sinto carência. Se existisse um médico do qual eu pudesse me tratar á respeito disso, certamente ele me diria que estou em um caso grave de carência.
   Ando tentando entender coisas, coisas cuja quais não reparava antes. Coisas que me fizeram ver o “camarim” por trás do grande “espetáculo”.
Mas, uma das coisas cuja quais não consigo entender é este sentimento urgente, mais comumente já sentido por cada célula de meu corpo. Não posso ser a única que sofre deste que me aflora. E muito menos a única que almeja por entender este sentimento.
   Sinto a falta de borboletas, de senti-las debatendo-se em meu estomago, de senti-las borbulhando, e me deixando alienada do mundo. Sinto falta de mãos por sobre o meu rosto, mãos que me afagassem a pele, talvez até secassem minhas lágrimas, não precisariam ser de dor, muito poderiam ser de felicidade, do amor. Felicidade e amor. Como sinto falta destes. Sinto falta também de meu rosto corar, do meu meio sorriso envergonhado se abrir de frente á algo que certamente me deixaria sem palavras, talvez, aqueles momentos onde tudo é completamente novo, desconhecido, inserto, mas, muito bom. Sinto falta de ter uma mão colocada por sobre a minha, de sussurrar palavras tolas ao ouvido, de rir de coisas bobas, de contar histórias do passado, histórias que todos os meus amigos mais chegados já sabem e já cansaram de ouvir, mas, eu poderia contá-las todas novamente, pois, seria a primeira vez. Sinto falta de mãos tocando meus cabelos, puxando minha pequena franja desengonçada e desarrumada longe de meus olhos. Sinto falta de ficar no chão do meu quarto escutando minhas músicas mais melosas e especiais, com alguém é claro, mas por motivos mais românticos. Sinto falta de olhar as estrelas procurando somente vê-las, e não entende-las. Sinto falta de abraçar sem hora pra acabar, abraçar forte. Sinto falta do toque de peles cálidas e gritantes.
  Ah sinto falta de tantas coisas. Seria preciso uma lista imensa, talvez umas páginas desta lista, para colocar tantas coisas das quais sinto falta.
  Carência. Sentimento mais egoísta este. Eu sinto falta, mas não me importo de quem sinta, por que do que sinto ainda ninguém cessou e não me importo ainda quanto tempo mais eu tenha que senti-la. Eu quero somente saciá-la. Só não sei como, não sei quando, não sei nada mais. Só sei o que sinto. E espero que acabe, pois, dói.




Annabel Laurino.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Em algum lugar.

Nasci e cresci nesse decorrer de tempo em uma cidade muito pequena, em um lugar pequeno. Acostumada com pessoas pequenas de sonhos pequenos, mas ao mesmo tempo muito amáveis e adoráveis. Cresci me nutrindo do ar de uma vida simples e real. Não me fantasio de filmes ou novelas, mas com os meus próprios sonhos. Senti o vento soprar e levar o mar. Vi pássaros voarem ao céu. Observei e ilustrei na mente o sol ao amanhecer até se partir. Guardei em mim as cores de um fim de tarde ao alvorecer de um dia. Um dia qualquer para qualquer outro, mas, no entanto pra mim todo dia é um dia de cores e de luz. Podem me chamar de quanto tudo de coisas imagináveis. Podem formar sobre mim opiniões de quanto todo tipo, e o mesmo nem me importarei. Podem dizer que leio meus livros de mais, que crio histórias de mais, que vivo no mundo da lua, que acho a realidade, no entanto uma realidade fora do comum. Podem também dizer que sou dura com as palavras que não tenho papas na língua, que falo o que quero na hora que quero e ao mesmo não inflijo leis de que sejam as minhas. Tanto faz. Dês de que falem o que é verdade e que falem com seriedade, que pesquisem antes de falar, que afundam no pensamento assim como eu que até mesmo pra falar de mim própria preciso pensar antes de falar, pois até eu mesma me desconheço às vezes.
Criei e ilustrei sonhos na minha vida, sonhos que me afloram a alma e me julgam um ser sonhador e livre. Não tenho medo de aventuras e nem medo do desconhecido. Por mim que venham o desconhecido e as dificuldades. Quero mais é sair da rotina, quero que me levem a lugares distantes que me façam ver e ser o novo. E se assim alguém que se ouse capaz não puder, por favor, não insista, não aceito que me mudem. Sou o que sou, nasci onde nasci, vi o que vi, penso no que penso, e vou pra onde vou.
Não me rotulo por diferente e nem por uma mente inteligente, assim como tantos insistem em dizer. Eles não insistiriam muito se soubessem realmente as minhas notas na escola e o quanto busco pra conquistá-las.
Já vi e já cansei de ver – pra falar a verdade – pessoas formarem opiniões á meio respeito logo quando me vêem pela primeira vez. E depois, logo após algumas conversas e umas risadas convidativas, logo percebem que não passo de uma pessoa qualquer, alguém que simplesmente sonha como qualquer outro e tem em seu peito dores guardadas e sentimentos que fazem de mim alguém estrênua e esbaforida por desprendê-los de mim.
Acontece que logo assim, nos últimos dias em que tenho vivido, e acordado e dormido, seguido a rotina de sempre. Pensei que preciso de algo muito mais findo. Algo muito mais real do que isso tudo. Às vezes o mundo me parece tão ensaiado. Tão rotineiro que talvez seja este mesmo o grande problema de todos. Vivem uma rotina de viver e morrer e não percebem-se no decorrer dos fatos apenas no começo e no fim, e que se seja isso.
Decidi que quero mais. Quero mais realidade e sonhos. Decidi que aumentarei meus sonhos para muito mais
do que sempre foram. E tanto faz quem ousar dizer que serão impossíveis e que nunca os alcançarei, tanto faz. Eu sonho, eu conquisto.
Não importa onde eu nasci, por onde eu cresci, nada me impede de ser quem eu quero ser e quem eu acredito ser, eu sou o que sou, e sonho o que sonho. O sol no mundo inteiro é o mesmo, e eu serei a mesma em qualquer lugar, serei a mesma, mas mais realizada com meus próprios sonhos.


 
 
Annabel laurino.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Renovando-se

Já ouviram falar de renovar guarda roupa, renovar a pintura da casa, a cor do cabelo, o esmalte da unha, a dieta do mês, o sapato de caminhada, o tratamento de pele... Pois é existem várias coisas a se renovar. E daquelas tantas esquecemos, porém, de renovarmos a nós mesmos.
Já se ouviu falar que ausência de algo ocupa espaço. No meu caso ocupa e muito.
Mas há aqueles momentos da vida, que você tem respirar fundo pegar todo o fôlego do primeiríssimo fio de cabelo até a pontinha do pé de forças e lutar contra a si próprio. Lutar com aquilo que lhe faz mal. Se desprender das coisas que nos prendem á nós mesmos, nos tornando nossos próprios prisioneiros, prisioneiros de nossos sentimentos e emoções. Deixando de agir na razão e pensando somente na emoção. Tornando-se irracionais e fora de nós mesmos, embriagados de dor e angústia, e sem perceber acomodando-se á isto.
Então chega a tal hora de renovar. De tirar as amarras que nos prendem aos sentimentos fajutos e eloqüentes. Hora de juntar todas as forças que existem em nós para lutarmos com aquilo que nos machuca e nos depreda.
Então agora vou lá, vou lá me renovar. Vou me limpar da intoxicação de pensamentos que me sujam a mente e me enganam constantemente com ilusões futuras sem cabimento.
Entenda, não falo de sonhos. Falo de sentimentos. Os “maus” sentimentos. Os falsos. Aqueles que nos cegam, são capazes de destruir a nós mesmos e até ao nosso próprio e preciso tempo. O tempo que perdemos chorando e nos desgastando torturando-nos por coisas passadas, que foram ou deixaram de ser.
Entendi finalmente que não sou eu meus sentimentos, eles que me são. Não são eles uma parte de mim, mas a minha essência. Mas não há nada que me impeça de me desfazer destes, dos “maus” sentimentos. Talvez eu não possa mesmo arranca-los, e nem jogá-los em qualquer canto. Mas posso muito bem não me tornar uma sofredora deles.
Sou eu a razão junto à essência de emoções. Emoções que me afloram e banham-me, me perfumam, me enchem, me embriagam. Mas que logo passam, deixam marcas que podem ser saturadas, mas logo curadas, cuidadas com o tempo. Basta eu querer, basta eu lutar, lutar contra aquilo que me faz mal. Então eu posso renovar-me, vestir as novas vestes e me fazer livre. Ser livre. Ser eu mesma depois de tanto tempo, sendo algo que somente a minha mente construiu ser.

Annabel Laurino.

domingo, 1 de agosto de 2010

Até logo, queridas férias...

É lá se vai as férias de inverno, nossos momentos de desleixo e despreocupação. Lá se vão as tardes viajando ou sem fazer nada. As tardes com os amigos. As manhãs dormindo até tarde, sem hora pra dormir e nem pra acordar. E agora estamos aqui regressando para a volta as aulas, as manhãs ou tardes acompanhadas de colegas e aulas cansativas e demasiadas. E embora seja muito cansativo, devo confessar que não agüentava mais ficar em casa me sentindo meio que inútil sem fazer nada. Senti muita falta de fazer meus deveres e cumprir com as tarefas do dia-a-dia... Então lá vamos nós... Também devo avisar meus caros e amados leitores que irei me ausentar não por completo, mas em medidas curtas de tempo irei ficar sem postar, devido ao fato de aulas, academia, cursos... Só que mesmo assim não pensem que não irei postar, irei sim, só que não tanto como fiz ou faço agora que não tenho aulas.
Mas, é isso meus caros leitores, irei postar alguns textos aqui, e logo me ausentarei, mas também logo eu irei voltar. Continuem ai, e um ótimo começo de semana á todos!



Um beijo com todo amor e carinho, Annabel Laurino.

.

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilingüindo toda
Ao som do blues
Abusou do scoth
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
...

(Maria Gadú - A história de Lili Braun)