Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 21 de abril de 2014
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"Anotaria mais tarde, na mesma noite, antes de dormir, talvez enganado, e totalmente óbvio: a vida é dinâmica."
sábado, 19 de abril de 2014
Eterno de mim
Onde eu comecei e onde eu estou plantada. Penso nisso enquanto continuo parada na esquina do calçadão. Onde eu comecei e onde eu estou plantada. Enraizada. Firme com meus pés sobre as calçadas sujas de pedras desgastadas, pisoteadas no meio do tempo. E que tempo longo, num intervalo deste eu apareci. Nasci aqui e aqui fiquei, nessa cidade de pedras e cascalhos. Nessa cidade de água e cheiros.
Passei muito tempo fora de mim. Hoje eu sinto que estou mais dentro, mais e mais dentro de mim. Hoje eu diria que eu estou introspectiva, que eu mudei sem ter mudado, eu só deixei de me vestir de algo que as pessoas ao meu redor gostariam de ver. Eu coloquei a roupa que eu queria, eu encarei as ruas, eu me vesti de mim.
É sábado e um vento sobe e me encontra nessa esquina onde eu analiso o fluxo. Onde o vento assopra nos meus ouvidos e mordisca a minha pele, que reclama de frio, braços nus, despreparados. É sábado e tudo tem cheiro de inverno, de chocolate, de café, de livro velho e essa gente passa e ninguém me vê, ninguém me nota.
Lembro que acordei pelo inicio da tarde, muito tarde, eu pensei. Era para ter acordado cedo, enfrentado o dia, efetuado minhas tarefas de sábado, caído na minha rotina. Mas acordei tarde. Acordei procurando alguém ao meu lado, acordei tateando as cobertas quentes pelo meu corpo e procurando mãos que estivessem me tocando, mas não estavam. Um vazio de uma presença além do tocável. Eu queria que quando eu acordasse alguém estivesse me segurando, como se eu caísse na vida real depois do sono e precisasse que alguém me colocasse nos braços. "Calma, calma, essa é a vida, você só acordou, ta tudo bem, é só mais um dia."
Não reclamo mais. Deixei de reclamar da vida, das coisas, das pessoas. Entrei numa espécie de aceitação, não que eu me conforme, mas não vejo mais motivos para reclamar, para esbravejar. Tenho entendido muito melhor o mundo a minha volta e tudo bem. Não sei se isso é bom. Talvez um dia eu me canse de algumas coisas e as abandone por decreto, sem explicação. E não sei se isso é bom.
Vamos indo, vamos pedalando com o tempo numa estrada vã de sonhos e pensamentos sem saber o que exatamente alcançar, sem saber bem aonde estamos indo. Sem saber o que é amor, o que é a vida depois da vida ou o que é a morte depois da vida e se a morte existe ou é só um pensamento. Vamos indo sem saber se para a morte ou para a vida. E levantamos nossos braços, para passar as mãos nas folhas das árvores acima de nossas cabeças, agarrando as folhas, agarrando o que pudermos, enquanto pedalamos.
Onde eu comecei e onde eu flui plantada, é onde eu retorno sempre. E me convenço, e me conformo, me conheço. Onde começa e onde termina. Eu sou o inicio e o fim. Enquanto a minha eternidade durar.
Passei muito tempo fora de mim. Hoje eu sinto que estou mais dentro, mais e mais dentro de mim. Hoje eu diria que eu estou introspectiva, que eu mudei sem ter mudado, eu só deixei de me vestir de algo que as pessoas ao meu redor gostariam de ver. Eu coloquei a roupa que eu queria, eu encarei as ruas, eu me vesti de mim.
É sábado e um vento sobe e me encontra nessa esquina onde eu analiso o fluxo. Onde o vento assopra nos meus ouvidos e mordisca a minha pele, que reclama de frio, braços nus, despreparados. É sábado e tudo tem cheiro de inverno, de chocolate, de café, de livro velho e essa gente passa e ninguém me vê, ninguém me nota.
Lembro que acordei pelo inicio da tarde, muito tarde, eu pensei. Era para ter acordado cedo, enfrentado o dia, efetuado minhas tarefas de sábado, caído na minha rotina. Mas acordei tarde. Acordei procurando alguém ao meu lado, acordei tateando as cobertas quentes pelo meu corpo e procurando mãos que estivessem me tocando, mas não estavam. Um vazio de uma presença além do tocável. Eu queria que quando eu acordasse alguém estivesse me segurando, como se eu caísse na vida real depois do sono e precisasse que alguém me colocasse nos braços. "Calma, calma, essa é a vida, você só acordou, ta tudo bem, é só mais um dia."
Não reclamo mais. Deixei de reclamar da vida, das coisas, das pessoas. Entrei numa espécie de aceitação, não que eu me conforme, mas não vejo mais motivos para reclamar, para esbravejar. Tenho entendido muito melhor o mundo a minha volta e tudo bem. Não sei se isso é bom. Talvez um dia eu me canse de algumas coisas e as abandone por decreto, sem explicação. E não sei se isso é bom.
Vamos indo, vamos pedalando com o tempo numa estrada vã de sonhos e pensamentos sem saber o que exatamente alcançar, sem saber bem aonde estamos indo. Sem saber o que é amor, o que é a vida depois da vida ou o que é a morte depois da vida e se a morte existe ou é só um pensamento. Vamos indo sem saber se para a morte ou para a vida. E levantamos nossos braços, para passar as mãos nas folhas das árvores acima de nossas cabeças, agarrando as folhas, agarrando o que pudermos, enquanto pedalamos.
Onde eu comecei e onde eu flui plantada, é onde eu retorno sempre. E me convenço, e me conformo, me conheço. Onde começa e onde termina. Eu sou o inicio e o fim. Enquanto a minha eternidade durar.
Annabel Laurino
quarta-feira, 16 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Sobre bolsos pequenos, sobre não ter espaço para tanto
O frio chegou. Acordei no final da manhã de domingo com a noticia que estava marcando 14°. Não poderia ficar mais feliz. Voltei para casa, noite escura, sete horas e a lua lá em cima, banhando tudo. É nessas horas que a nostalgia bate e eu me sinto acolhida, dentro do meu casaco preto de bolsos pequenos que só cabem minhas mãos e nada mais.
Para que eu preciso de bolsos pequenos se eu não poderia colocar neles todas as coisas que eu guardo? Que eu escondo e você nem sabe, é tão furtivo, é o que eu faço, sem ninguém perceber. Como papéis de bala que todo mundo soca na bolsa ou nos bolsos. Eu e as minhas coisas não ditas, eu e os meus papéis de bala amassados.
Agora sem espaço, eu não tenho aonde por. Engulo no solavanco firme e que dói na garganta que lateja, reclama. Guardar é mais fácil, engolir não.
Como as lembranças que eu vou guardando, só para depois, sozinha, ficar remoendo. Um fusca azul passa e eu tenho a remota memória de saber o que fazer mas não tem ninguém ao lado, estão ocupados. É uma brincadeira, eu lembro, aquela em que você se vira e bate em alguém por causa do fusca azul. A coisa é essa. Mas a brincadeira não flui. Mantenho as mãos no bolso sem espaço para essa recordação, engulo-a.
Penso que chegarei em casa e tomarei uma boa caneca de café, dobrarei as roupas, colocarei uma musica para tocar e depois, depois é só o depois que fica longe, bem distante e que eu não preciso pensar.
Agora, no momento, eu quero meias, quero chocolate, quero filmes antigos e a minha cama. Quero o abraço do favorecimento romântico sem o drama pós filme. Você me entende? Eu sei que não.
Nessas noites que parecem lânguidas onde o frio beija o nariz da gente, onde as mãos geladas parecem tão finas, tão pequenas, nessas noites cheias e com dias curtos, vezes com sol forte, vezes com chuva branda, eu quero desejar fininho, deitada no chão do meu quarto com a musica ao fundo, a letra ressoando. Estarei cantando junto, assim: "Just hold me tight and tell me you'll miss me".
Para que eu preciso de bolsos pequenos se eu não poderia colocar neles todas as coisas que eu guardo? Que eu escondo e você nem sabe, é tão furtivo, é o que eu faço, sem ninguém perceber. Como papéis de bala que todo mundo soca na bolsa ou nos bolsos. Eu e as minhas coisas não ditas, eu e os meus papéis de bala amassados.
Agora sem espaço, eu não tenho aonde por. Engulo no solavanco firme e que dói na garganta que lateja, reclama. Guardar é mais fácil, engolir não.
Como as lembranças que eu vou guardando, só para depois, sozinha, ficar remoendo. Um fusca azul passa e eu tenho a remota memória de saber o que fazer mas não tem ninguém ao lado, estão ocupados. É uma brincadeira, eu lembro, aquela em que você se vira e bate em alguém por causa do fusca azul. A coisa é essa. Mas a brincadeira não flui. Mantenho as mãos no bolso sem espaço para essa recordação, engulo-a.
Penso que chegarei em casa e tomarei uma boa caneca de café, dobrarei as roupas, colocarei uma musica para tocar e depois, depois é só o depois que fica longe, bem distante e que eu não preciso pensar.
Agora, no momento, eu quero meias, quero chocolate, quero filmes antigos e a minha cama. Quero o abraço do favorecimento romântico sem o drama pós filme. Você me entende? Eu sei que não.
Nessas noites que parecem lânguidas onde o frio beija o nariz da gente, onde as mãos geladas parecem tão finas, tão pequenas, nessas noites cheias e com dias curtos, vezes com sol forte, vezes com chuva branda, eu quero desejar fininho, deitada no chão do meu quarto com a musica ao fundo, a letra ressoando. Estarei cantando junto, assim: "Just hold me tight and tell me you'll miss me".
Annabel Laurino
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
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“Você gosta de como ela te abraça, te entende, te ouve, te beija, te olha. Você acha bonita a forma como ela mexe a colher dentro da panela, amarra o sapato, segura o guarda- chuva, tosse, liga a televisão. Só aquele tom de voz te tranquiliza, só aquele abraço te salva do caos de uma semana infernal.”
Clarissa Corrêa
terça-feira, 8 de abril de 2014
Rise to The Sun
I feel so homesick
Where's my home
Where I belong
Where I was born
I was told to go
Where the wind would blow
And it blows away - away
Alabama Shakes
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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"Eu não sou sentimental - Eu sou tão romântico quanto você. A ideia, você sabe, é que a pessoa sentimental acha que as coisas irão durar para sempre - A pessoa romântica tem a confiança que não durarão."
Este Lado do Paraíso - Scott Fitzgerald
quinta-feira, 3 de abril de 2014
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"Qual o sentido de ficar com alguém se essa pessoa não muda sua vida? Disse isso, e Julio estava presente quando disse: que a vida só tinha sentido se a gente encontrasse alguém que mudasse, que destruísse sua vida."
Alejandro Zambra in Bonsai
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