sábado, 22 de fevereiro de 2014

Moon





Olha rapaz
Eu já nem sei
Se já não é tarde demais
Tão devagar
Que eu nem notei
Mas de repente estranho a minha falta de ar

Olho para rua e
Vejo a chuva cair
Dessa vez espero escurecer
Eu sei que algo está pra me acontecer

It might be soon, my heart changes with the moon

Eu pensei
Que era capaz
De te inventar e não voltar atrás
Mas tanto faz
Quem vai dizer
Que já não era diferente 10 minutos atrás

Sem pressa fico por aqui
Fecho os olhos pra me decidir
Qualquer coisa vai me acontecer
Algo muda perto de você

It might be soon, my heart changes with the moon






Thiago Pethit

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Confabulando com copos de isopor cheios de café sobre um livro com nome de árvore

- Ta, mas como ela morre?
- Ela se mata, sabe. Suicídio. Se joga na frente de um trem, no metro.
- Ela era depressiva?
- Sei lá, mas não acho que para uma pessoa querer se matar tenha que ser obrigatoriamente alguém depressivo.
- Não?
- Não. Ela poderia simplesmente pensar que já tinha feito de tudo e que escolher a sua hora de ir dessa para uma melhor era algo que ela tinha o direito de fazer. Vai ver ela não acreditava em nada.
- E nem no amor. Como podia amar ele então?
- Ela não amava..
- Não?
- Não, ela foi embora.
- Mas só porque ela foi embora não quer dizer que não amasse ele...
- Então ela não aguentou a barra.
- Do amor ou da vida?
- Dos dois.


Annabel Laurino

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

RoadHouse Blues

Let it roll, baby, roll
let it roll, baby, roll
let it roll, baby, roll
let it roll, all night long


The Doors

Barulhinho

   Da página que vira
   Na mão o livro
   A página se enrosca
   Na outra página 
   Faz aquele barulhinho 
   Quase inaudível
   Flap
   Nova página
   Continua a leitura
   E o barulhinho também
   Ainda não acabou o livro





Annabel Laurino
 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Eu não sei como dizer que eu fui sem querer ter ido

    Talvez se tivesse pintado qualquer chance de ter jogado as malas carregadas no chão e ter desistido da ideia, a ideia essa de ter ido embora, então eu teria voltado ao ponto onde tudo começou, o instante entre o meio de partida e o da decisão, aquele em que simplesmente fui embora.
    Teria voltado no segundo em que arrumo as malas, e as teria deixado vazias. Para voltar vez em quando com uma desculpa amena de pegar algo que esqueci. E esse esquecimento seria o tudo, que eu deixei para trás. 
    Teria voltado no instante em que disse mil palavras por nanosegundos e ao mesmo tempo eu não disse nada, porque na verdade eu nada conseguia dizer, eu nem se quer conseguia pensar. Eu não teria dito nada. Eu voltaria para dizer depois. Como desculpa de que teria pensado melhor, você sabe.
    Não teria respirado tão rápido assim. Teria enchido mais lentamente os pulmões de todo o ar que os pobres coitados poderiam suportar, preenchido as narinas lentamente com todo aquele cheiro de lar incrustado agora só na minha memória. Só na minha mente lenta e profundamente, eu digo, guardei seu cheiro de lar.
    É, talvez do material eu não sinta tanta falta, das fotos talvez. Porque essas eu rasguei todas, pus fogo, chorando convulsivamente como louco, como uma pessoa faz quando não há ninguém por perto assistindo o drama, como uma pessoa costuma fazer quando perde o controle, sem pose e nem classe, como a dor deve ser. De todas as coisas eu só sinto falta da minha gaveta do banheiro com a presença de uma escova de dentes a mais, fora isso somente as fotos, aquelas em preto e branco, principalmente. Na praia, sol de domingo, você de roupa de banho e eu pensando na sua silhueta com os olhos no seu rosto, tentando disfarçar. 
    Nada mais além disso mesmo. 
    Se me perguntassem hoje se eu não teria ido embora, caso tivesse a oportunidade de voltar no tempo, eu teria dito que teria ido do mesmo jeito. Uma hora ou outra um de nós teria pulado do barco. Não é assim que funciona? Pelo menos 5% dos relacionamentos nascem para serem massacrados por uma história triste onde sempre existe alguém que 'não sabe lidar'. O nosso foi assim. Fomos os 5% dos casais mais infelizes do mundo, aqueles que foram feitos para não ficarem juntos. Algo entre o seu cérebro e o meu, algo além da minha boca e da sua, alguma conexão falhou. Hoje eu entendo, antes não. Por isso eu convivo bem com o fato de ter ido embora e ponto. Não mudaria isso. Mudaria ter sido assim, tão abrupto. Esmigalhando qualquer chance de reparação.
    Nada foi covarde. Foi só que eu 'não pude lidar'. Você sabe. Não ouço mais Harrison por culpa sua, não toquei mais na minha guitarra desde então. 
    Droga, eu só queria pelo menos ter uma desculpa para bater na sua porta num dia desses, dizendo que esqueci minha camisa favorita, meu CD, meu livro, a foto da minha mãe, qualquer coisa. 
    E dizer olá outra vez.
    Como se eu nunca tivesse ido embora. 






Annabel Laurino

sábado, 8 de fevereiro de 2014

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“Hoje acordei sem chão, e percebi que nunca tive casa. Não uma moradia, e sim um sustento. Já tive base, mas nunca tive proteção. O que é engraçado, pois tenho milhões de motivos para sorrir, mas uma simples telha fora do lugar consegue fazer com que uma tempestade me molhe por inteiro, se é que me entende. Pequenas coisas fora do lugar fazem estragos enormes em mim, e eu não me acostumo com isso.”



 Gabriel Malaquias

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

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    Quando você pensa que tudo está perdido, não está. Meu bem, a vida não é só isso que os olhos podem alcançar. Eu sei, eu sei. Agora nesse meu momento de felicidade gritante essas palavras parecem meio blá, meio chiclete, coisa que você já ouviu tantas e tantas outras vezes. Mas eu não te minto, porque a luz de dentro é maior, é maior que muita coisa ruim que possa parecer gigante, invencível.
     Quando menos se espera os dias se renovam com céu limpo e claro e o que menos se espera, acontece. 
     Acredite, você tem que acreditar.



Annabel Laurino
     

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

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"Você precisava de amor, mas não o tipo de amor que a maioria das pessoas costumava dar e no qual se consumiam."


Charles Bukowski

domingo, 26 de janeiro de 2014

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"Eu quero guardar teu beijo na concha das mãos. Teu cheiro eu levo feito mancha na roupa que não lavo, não.
Sou alvo pros teus olhos claros parecidos com essa estação. E adoro os efeitos sonoros de quando você sussura absurdos no ouvido do meu coração.
Se eu corro, eu corro demais só pra te ver, meu bem. É que eu quero um socorro.
Se eu corro...” 



A Banda Mais Bonita da Cidade

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Meu caro amigo Inverno...

    Segunda feira, inicio da semana. Inicio do ano. Mas o final do mês já está ai. Janeiro quase indo embora quando ele mal chegou. Eu nem sei direito que gosto janeiro tem.
    Mas tudo isso são apenas observações de quem tem mania de ver o tempo passar, ou observar o quão rápido passa o tempo. Parece que eu nem terminei de comer minha ceia de Natal e já estão todos falando do Carnaval, do BBB, das férias, da volta ao trabalho, do material escolar das crianças...
    O que foi que aconteceu, eu não sei dizer. Tudo o que eu sei é que o tempo passou voando e nem percebi. Mas o que realmente me interessa mesmo é que o inverno está cada vez mais próximo e eu mal posso esperar. 
     A estação invernal para mim é como um amigo de infância, tão familiar quanto uma pessoa real da qual eu tenho boas lembranças. E enquanto eu aguardo por sua chegada é como se eu estivesse realmente esperando um antigo amigo retornar à minha casa, passar suas férias por aqui. É nisso que penso enquanto mentalmente começo a fazer planos para esse próximo inverno que está por vir. 
    Onde passarei minhas férias de julho? Quantos cafés eu vou conseguir botar para dentro sem entrar em coma? E o chocolate quente? E as luvas e os gorros, preciso comprar mais? O que estará em alta nesse inverno? Cores quentes ou as frias? Devo me preocupar com as botas? E para os meus cachorros, mando fazer mais uma capa para eles se aquecerem?
    Tudo isso vai passando pela minha cabeça enquanto almejo desesperadamente para que o Outono chegue, sendo ele a nossa próxima estação. Não só fico namorando as árvores, aquele verde brilhante e tão vivo, e imaginando quando eu poderei ver novamente aquelas folhas avermelhadas, alaranjadas, amareladas e secas, tão... Familiares.
     E novamente aquela sensação como se eu estivesse na espera de um antigo amigo retornar, porque tudo no inverno é familiar para mim. O nariz congelando e com a ponta vermelha, as mãos doloridas de frio, o vento forte nas janelas, o barulho dos sapatos na areia seca das praças e o barulho dos sapatos esmagando as folhas secas nas praças, o céu quando desperta cinza cheio de vergonha e depois com o seu sol ainda mais envergonhado. Os cafés com sua fumaça espiralando no ar, as livrarias e depois os sebos com o cheiro de livros mofados, as pessoas mais bonitas, mais bem vestidas, as roupas... Tudo. Tudo para mim é mais lindo no inverno.
    É por isso que enquanto toda essa gente ainda fala sobre o verão, o verão que parece que a recém começou - e eu não vejo a hora que acabe - e discutem avidamente sobre praias, protetores solares, biquínis, veraneio, viagens e todas essas coisas, eu apenas mantenho o meu tom nostálgico de saudade. A manta e o cachecol estão guardados no meu armário, ali, esperando o tempo certo para voltarem a serem usados, minhas botas e minhas luvas, assim como todos os casacos pesados. Todos eles aguardam silenciosamente.
     Mas o que mais aguarda mesmo é aquele café tão maravilhosamente sonhado, aquele café que deve ser muito bem tomado e que apenas a sensação congelante do frio pode nos oferecer. 
     Inverno, saudades!





Annabel Laurino