Charles Bukowski
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
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"Você precisava de amor, mas não o tipo de amor que a maioria das pessoas costumava dar e no qual se consumiam."
domingo, 26 de janeiro de 2014
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"Eu quero guardar teu beijo na concha das mãos. Teu cheiro eu levo feito mancha na roupa que não lavo, não.
Sou alvo pros teus olhos claros parecidos com essa estação. E adoro os efeitos sonoros de quando você sussura absurdos no ouvido do meu coração.
Se eu corro, eu corro demais só pra te ver, meu bem. É que eu quero um socorro.
Se eu corro...”
Sou alvo pros teus olhos claros parecidos com essa estação. E adoro os efeitos sonoros de quando você sussura absurdos no ouvido do meu coração.
Se eu corro, eu corro demais só pra te ver, meu bem. É que eu quero um socorro.
Se eu corro...”
A Banda Mais Bonita da Cidade
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Meu caro amigo Inverno...
Segunda feira, inicio da semana. Inicio do ano. Mas o final do mês já está ai. Janeiro quase indo embora quando ele mal chegou. Eu nem sei direito que gosto janeiro tem.
Mas tudo isso são apenas observações de quem tem mania de ver o tempo passar, ou observar o quão rápido passa o tempo. Parece que eu nem terminei de comer minha ceia de Natal e já estão todos falando do Carnaval, do BBB, das férias, da volta ao trabalho, do material escolar das crianças...
O que foi que aconteceu, eu não sei dizer. Tudo o que eu sei é que o tempo passou voando e nem percebi. Mas o que realmente me interessa mesmo é que o inverno está cada vez mais próximo e eu mal posso esperar.
A estação invernal para mim é como um amigo de infância, tão familiar quanto uma pessoa real da qual eu tenho boas lembranças. E enquanto eu aguardo por sua chegada é como se eu estivesse realmente esperando um antigo amigo retornar à minha casa, passar suas férias por aqui. É nisso que penso enquanto mentalmente começo a fazer planos para esse próximo inverno que está por vir.
Onde passarei minhas férias de julho? Quantos cafés eu vou conseguir botar para dentro sem entrar em coma? E o chocolate quente? E as luvas e os gorros, preciso comprar mais? O que estará em alta nesse inverno? Cores quentes ou as frias? Devo me preocupar com as botas? E para os meus cachorros, mando fazer mais uma capa para eles se aquecerem?
Tudo isso vai passando pela minha cabeça enquanto almejo desesperadamente para que o Outono chegue, sendo ele a nossa próxima estação. Não só fico namorando as árvores, aquele verde brilhante e tão vivo, e imaginando quando eu poderei ver novamente aquelas folhas avermelhadas, alaranjadas, amareladas e secas, tão... Familiares.
E novamente aquela sensação como se eu estivesse na espera de um antigo amigo retornar, porque tudo no inverno é familiar para mim. O nariz congelando e com a ponta vermelha, as mãos doloridas de frio, o vento forte nas janelas, o barulho dos sapatos na areia seca das praças e o barulho dos sapatos esmagando as folhas secas nas praças, o céu quando desperta cinza cheio de vergonha e depois com o seu sol ainda mais envergonhado. Os cafés com sua fumaça espiralando no ar, as livrarias e depois os sebos com o cheiro de livros mofados, as pessoas mais bonitas, mais bem vestidas, as roupas... Tudo. Tudo para mim é mais lindo no inverno.
É por isso que enquanto toda essa gente ainda fala sobre o verão, o verão que parece que a recém começou - e eu não vejo a hora que acabe - e discutem avidamente sobre praias, protetores solares, biquínis, veraneio, viagens e todas essas coisas, eu apenas mantenho o meu tom nostálgico de saudade. A manta e o cachecol estão guardados no meu armário, ali, esperando o tempo certo para voltarem a serem usados, minhas botas e minhas luvas, assim como todos os casacos pesados. Todos eles aguardam silenciosamente.
Mas o que mais aguarda mesmo é aquele café tão maravilhosamente sonhado, aquele café que deve ser muito bem tomado e que apenas a sensação congelante do frio pode nos oferecer.
Inverno, saudades!
Mas tudo isso são apenas observações de quem tem mania de ver o tempo passar, ou observar o quão rápido passa o tempo. Parece que eu nem terminei de comer minha ceia de Natal e já estão todos falando do Carnaval, do BBB, das férias, da volta ao trabalho, do material escolar das crianças...
O que foi que aconteceu, eu não sei dizer. Tudo o que eu sei é que o tempo passou voando e nem percebi. Mas o que realmente me interessa mesmo é que o inverno está cada vez mais próximo e eu mal posso esperar.
A estação invernal para mim é como um amigo de infância, tão familiar quanto uma pessoa real da qual eu tenho boas lembranças. E enquanto eu aguardo por sua chegada é como se eu estivesse realmente esperando um antigo amigo retornar à minha casa, passar suas férias por aqui. É nisso que penso enquanto mentalmente começo a fazer planos para esse próximo inverno que está por vir.
Onde passarei minhas férias de julho? Quantos cafés eu vou conseguir botar para dentro sem entrar em coma? E o chocolate quente? E as luvas e os gorros, preciso comprar mais? O que estará em alta nesse inverno? Cores quentes ou as frias? Devo me preocupar com as botas? E para os meus cachorros, mando fazer mais uma capa para eles se aquecerem?
Tudo isso vai passando pela minha cabeça enquanto almejo desesperadamente para que o Outono chegue, sendo ele a nossa próxima estação. Não só fico namorando as árvores, aquele verde brilhante e tão vivo, e imaginando quando eu poderei ver novamente aquelas folhas avermelhadas, alaranjadas, amareladas e secas, tão... Familiares.
E novamente aquela sensação como se eu estivesse na espera de um antigo amigo retornar, porque tudo no inverno é familiar para mim. O nariz congelando e com a ponta vermelha, as mãos doloridas de frio, o vento forte nas janelas, o barulho dos sapatos na areia seca das praças e o barulho dos sapatos esmagando as folhas secas nas praças, o céu quando desperta cinza cheio de vergonha e depois com o seu sol ainda mais envergonhado. Os cafés com sua fumaça espiralando no ar, as livrarias e depois os sebos com o cheiro de livros mofados, as pessoas mais bonitas, mais bem vestidas, as roupas... Tudo. Tudo para mim é mais lindo no inverno.
É por isso que enquanto toda essa gente ainda fala sobre o verão, o verão que parece que a recém começou - e eu não vejo a hora que acabe - e discutem avidamente sobre praias, protetores solares, biquínis, veraneio, viagens e todas essas coisas, eu apenas mantenho o meu tom nostálgico de saudade. A manta e o cachecol estão guardados no meu armário, ali, esperando o tempo certo para voltarem a serem usados, minhas botas e minhas luvas, assim como todos os casacos pesados. Todos eles aguardam silenciosamente.
Mas o que mais aguarda mesmo é aquele café tão maravilhosamente sonhado, aquele café que deve ser muito bem tomado e que apenas a sensação congelante do frio pode nos oferecer.
Inverno, saudades!
Annabel Laurino
sábado, 18 de janeiro de 2014
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Poema Antigo, Caio Fernando Abreu.
Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair
Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
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“Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.”
Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
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“Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso sim, acredito até o fim.”
Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Diagnóstico
- Você tem certeza? Você olhou direito? Porque eu desconfio que você deixou alguma coisa passar.
- Não, eu tenho certeza. Está tudo correto aqui.
- Não é possível, não é possível! Você nem se quer me examinou direito. Olhe mais uma vez!
- Receio que não será necessário, uma vez que já estou com seu diagnóstico em mãos. Sendo assim, eu tenho certeza, não há nada de errado.
- Olha, veja bem, preste a atenção. Eu acordei hoje cedo, bem cedo, sete da manhã por aí, e lavei o rosto, coloquei a cafeteira para passar um café, abri as janelas, essas coisas matinais. Depois acendi um cigarro e fumei, devagar, com sono ainda, colocando as cinzas no cinzeiro, aquele cinzeiro me incomodou por um tempo enquanto eu o olhava, sabe, de ferro batido com pedras coladas nele, não lembrava de ter comprado aquela porcaria em nenhuma feira hippie em que lembro de ter estado. Mas mesmo assim bebi meu café, comi um pão e fui para a janela do meu apartamento. E foi então que eu senti uma dor bem forte no peito, pensei que tinha levado um tiro. Uma bala perdida, pensei. Corri para o espelho do quarto e não vi nada. Nada. E depois me deitei, com dor ainda, procurei o telefone, fechei os olhos. Pensei 'bem, deve ser isso, a morte chega para todos'. Mas foi quando fechei os olhos que eu me senti esquisita sabe, vazia. E a dor passou e eu não senti mais nada. Nada.
- Hum, sim, eu entendo. Claro, claro. Bem, pode ter sido uma dor muscular, um mal jeito sabe. Essas coisas.
- Doutor, ou o senhor entende que eu nunca senti isso na minha vida antes e analise novamente o meu diagnóstico ou eu lhe enfio esse estetoscópio no...
- Olha minha senhora, acalme-se. Não é necessário tudo isso. Bem, como queira.
O homem com o jaleco branco se inclinou sob sua paciente, alta, magra, cabelos castanhos ondulados e bagunçados. Para uma paciente que insitia em um problema não existente, ela parecia ótima. Ergueu as mãos enluvadas e tratou de examiná-la durante algum tempo.
- E então doutor, encontrou algo?
- Hum, não exatamente.
- Não exatamente?
- Minha senhora...
- Senhora não, senhorita.
- Senhorita, como seja... Você tem sofrido de problemas emocionais?
- Emocionais?
-Sim, você sabe, problemas com o coração. Término de namoros, morte de mãe, pai, cachorro e o papagaio.
- Ninguém da minha família morreu..
-...
- Ah bem, há um mês atrás talvez, eu tenha tido alguns desentendimentos.
- Sei.
- Mas eu apaguei tudo da minha cabeça sabe, e estou bem.
- Apagou tudo?
- É, esqueci, fiz um tratamento.
- Hum, sei.
- É.
- E está bem agora? Você disse que o cinzeiro lhe incomodou...
- Ah bem, as vezes parece que me lembro, as vezes parece que esqueço, mas quando eu lembro que eu esqueci eu lembro de me lembrar e isso é confuso e então eu finjo que esqueço. As vezes eu encontro algo perdido por ai e me lembro de algo que nem sei se me lembro direito. Acho que o cinzeiro foi algo assim. Algo dele. - disse a paciente pronunciando a ultima palavra como se pronunciasse algo secreto de mais para ser ouvido pelas paredes.
- Acho que entendi.
- E dói.
- Dói?
- Sim, algumas memórias voltam e dói um pouco, sabe, as vezes.
- Ah, sim.
- E o meu diagnóstico?
- Bem, eu acho que você mesma chegou a conclusão correta, dores emocionais.
- Dores emocionais?
- Sim, você deve ter tido um reflexo de uma memória, algo doloroso.
[silêncio]
- E... E é só isso? O senhor não achou mais nada no meu cérebro ou coração?
- Não, mais nada. Parece tudo limpo. Talvez, eventualmente você sinta alguma dor, devido aos flashes de lembranças, mas isso vai passar, quando isso acontecer apenas se sente e beba uma água.
- Certo. Só isso?
- Só isso.
- E... E mais nada?
- Mais nada.
- Bem, esse é o meu problema.
- Nada?
- Nada. Tudo limpo.
- Limpo demais?
- Limpo demais.
- Não, eu tenho certeza. Está tudo correto aqui.
- Não é possível, não é possível! Você nem se quer me examinou direito. Olhe mais uma vez!
- Receio que não será necessário, uma vez que já estou com seu diagnóstico em mãos. Sendo assim, eu tenho certeza, não há nada de errado.
- Olha, veja bem, preste a atenção. Eu acordei hoje cedo, bem cedo, sete da manhã por aí, e lavei o rosto, coloquei a cafeteira para passar um café, abri as janelas, essas coisas matinais. Depois acendi um cigarro e fumei, devagar, com sono ainda, colocando as cinzas no cinzeiro, aquele cinzeiro me incomodou por um tempo enquanto eu o olhava, sabe, de ferro batido com pedras coladas nele, não lembrava de ter comprado aquela porcaria em nenhuma feira hippie em que lembro de ter estado. Mas mesmo assim bebi meu café, comi um pão e fui para a janela do meu apartamento. E foi então que eu senti uma dor bem forte no peito, pensei que tinha levado um tiro. Uma bala perdida, pensei. Corri para o espelho do quarto e não vi nada. Nada. E depois me deitei, com dor ainda, procurei o telefone, fechei os olhos. Pensei 'bem, deve ser isso, a morte chega para todos'. Mas foi quando fechei os olhos que eu me senti esquisita sabe, vazia. E a dor passou e eu não senti mais nada. Nada.
- Hum, sim, eu entendo. Claro, claro. Bem, pode ter sido uma dor muscular, um mal jeito sabe. Essas coisas.
- Doutor, ou o senhor entende que eu nunca senti isso na minha vida antes e analise novamente o meu diagnóstico ou eu lhe enfio esse estetoscópio no...
- Olha minha senhora, acalme-se. Não é necessário tudo isso. Bem, como queira.
O homem com o jaleco branco se inclinou sob sua paciente, alta, magra, cabelos castanhos ondulados e bagunçados. Para uma paciente que insitia em um problema não existente, ela parecia ótima. Ergueu as mãos enluvadas e tratou de examiná-la durante algum tempo.
- E então doutor, encontrou algo?
- Hum, não exatamente.
- Não exatamente?
- Minha senhora...
- Senhora não, senhorita.
- Senhorita, como seja... Você tem sofrido de problemas emocionais?
- Emocionais?
-Sim, você sabe, problemas com o coração. Término de namoros, morte de mãe, pai, cachorro e o papagaio.
- Ninguém da minha família morreu..
-...
- Ah bem, há um mês atrás talvez, eu tenha tido alguns desentendimentos.
- Sei.
- Mas eu apaguei tudo da minha cabeça sabe, e estou bem.
- Apagou tudo?
- É, esqueci, fiz um tratamento.
- Hum, sei.
- É.
- E está bem agora? Você disse que o cinzeiro lhe incomodou...
- Ah bem, as vezes parece que me lembro, as vezes parece que esqueço, mas quando eu lembro que eu esqueci eu lembro de me lembrar e isso é confuso e então eu finjo que esqueço. As vezes eu encontro algo perdido por ai e me lembro de algo que nem sei se me lembro direito. Acho que o cinzeiro foi algo assim. Algo dele. - disse a paciente pronunciando a ultima palavra como se pronunciasse algo secreto de mais para ser ouvido pelas paredes.
- Acho que entendi.
- E dói.
- Dói?
- Sim, algumas memórias voltam e dói um pouco, sabe, as vezes.
- Ah, sim.
- E o meu diagnóstico?
- Bem, eu acho que você mesma chegou a conclusão correta, dores emocionais.
- Dores emocionais?
- Sim, você deve ter tido um reflexo de uma memória, algo doloroso.
[silêncio]
- E... E é só isso? O senhor não achou mais nada no meu cérebro ou coração?
- Não, mais nada. Parece tudo limpo. Talvez, eventualmente você sinta alguma dor, devido aos flashes de lembranças, mas isso vai passar, quando isso acontecer apenas se sente e beba uma água.
- Certo. Só isso?
- Só isso.
- E... E mais nada?
- Mais nada.
- Bem, esse é o meu problema.
- Nada?
- Nada. Tudo limpo.
- Limpo demais?
- Limpo demais.
Annabel Laurino
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
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“Era malcriada demais, revoltada demais, embora depois caísse em si e pedisse desculpas.”
Clarice Lispector
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Só mais uma página
Tanta coisa se foi menina. Tanta coisa voou do seu diário, páginas que ficaram bolorentas pelo tempo, desgastadas, ruídas pelas traças. Outras, em branco. Daquele tipo de página que você poderia ter escrito, mas não. Nada. Apenas um silêncio contido diante do papel sem uso. Em branco.
Tanta coisa meu amor que deixou de ser e agora já não é mais. Fica só aí, nas linhas retas e monótonas do seu diário escondido. Coisas bobas, memórias, acontecimentos passados. Porque tudo é passado, até mesmo esses papéis com letra rabiscada as pressas, na euforia de escrever novas e mais novas coisas, de preencher as folhas avidamente, com sucesso, com amor, carinho, como uma criança feliz. Hoje, me aconteceu algo... E assim por diante.
A onda do tempo vem e nos arrasta para longe, tão longe ficamos da praia. A arrebentação nos empurra, nos coloca contra os ponteiros do relógio numa luta sem fim. Como nadar contra a corrente, como diria um velho pensador.
Lá estão suas páginas, preenchidas, seus dias de inverno, suas tardes de café quente, seus amores enfeitados com uma tinta de caneta colorida, dado codinomes para que ninguém além de você pudesse saber. É como um segredo bom que só você carrega no peito, ninguém precisa entender, ninguém irá entender. Essas coisas de gente grande a gente só finge que não acontece, a gente enfeita a vida para que fique mais bonita, mais aceita, mais florida.
Como jogar purpurina para o alto e ver as partículas coloridas e brilhantes fosforescerem no alto da sua cabeça, assopra, assopra. Elas caem sobre seus cabelos, a luz bate nos seus cílios agora cobertos de pó brilhante e você acredita quase que por um fio que a vida é como uma purpurina lilás.
O hoje, amanhã já será passado. Já terá passado.
No seu diário secreto que guarda embaixo da cama terão outras páginas a serem preenchidas, que você irá escrever num lusco fusco de uma tarde de verão perfumada. Tomando chá gelado na varanda, sentada sobre uma rede, o cabelo preso num coque bagunçado, você pensará mil vezes que a vida é mágica. Você aprendeu a esquecer os cortes lentos que já levou. Tirará o gosto doce.
E o gosto doce esse sempre virá. Mesmo que as vezes não se perceba. Te surpreenderás que mesmo depois do choro você aprenderá de novo e de novo e novamente e vai conseguir tirar seu próprio coelho branco da cartola. Ou o que quiser tirar lá de dentro. Você pode escolher, a vida é sua.
Ah menina, se tudo fosse fácil, essas palavras não existiriam. Se tudo fosse belo e não assim tão frágil, as palavras não existiriam. O seu diário secreto perfurado de codinomes nas entrelinhas também não existiria. É preciso sempre disfarçar um pouco para que não doa.
E assim nós vamos indo, nadando contra a corrente só para exercitar. Um dia a gente aprende, ou não, quem sabe.
Buscando o gosto bom que tudo isso pode ter, esquecendo, lembrando, anotando, dançando numa musica louca, cantando até encontrar a rouquidão da garganta seca.
We are infinite.
E essa é só mais uma página.
Tanta coisa meu amor que deixou de ser e agora já não é mais. Fica só aí, nas linhas retas e monótonas do seu diário escondido. Coisas bobas, memórias, acontecimentos passados. Porque tudo é passado, até mesmo esses papéis com letra rabiscada as pressas, na euforia de escrever novas e mais novas coisas, de preencher as folhas avidamente, com sucesso, com amor, carinho, como uma criança feliz. Hoje, me aconteceu algo... E assim por diante.
A onda do tempo vem e nos arrasta para longe, tão longe ficamos da praia. A arrebentação nos empurra, nos coloca contra os ponteiros do relógio numa luta sem fim. Como nadar contra a corrente, como diria um velho pensador.
Lá estão suas páginas, preenchidas, seus dias de inverno, suas tardes de café quente, seus amores enfeitados com uma tinta de caneta colorida, dado codinomes para que ninguém além de você pudesse saber. É como um segredo bom que só você carrega no peito, ninguém precisa entender, ninguém irá entender. Essas coisas de gente grande a gente só finge que não acontece, a gente enfeita a vida para que fique mais bonita, mais aceita, mais florida.
Como jogar purpurina para o alto e ver as partículas coloridas e brilhantes fosforescerem no alto da sua cabeça, assopra, assopra. Elas caem sobre seus cabelos, a luz bate nos seus cílios agora cobertos de pó brilhante e você acredita quase que por um fio que a vida é como uma purpurina lilás.
O hoje, amanhã já será passado. Já terá passado.
No seu diário secreto que guarda embaixo da cama terão outras páginas a serem preenchidas, que você irá escrever num lusco fusco de uma tarde de verão perfumada. Tomando chá gelado na varanda, sentada sobre uma rede, o cabelo preso num coque bagunçado, você pensará mil vezes que a vida é mágica. Você aprendeu a esquecer os cortes lentos que já levou. Tirará o gosto doce.
E o gosto doce esse sempre virá. Mesmo que as vezes não se perceba. Te surpreenderás que mesmo depois do choro você aprenderá de novo e de novo e novamente e vai conseguir tirar seu próprio coelho branco da cartola. Ou o que quiser tirar lá de dentro. Você pode escolher, a vida é sua.
Ah menina, se tudo fosse fácil, essas palavras não existiriam. Se tudo fosse belo e não assim tão frágil, as palavras não existiriam. O seu diário secreto perfurado de codinomes nas entrelinhas também não existiria. É preciso sempre disfarçar um pouco para que não doa.
E assim nós vamos indo, nadando contra a corrente só para exercitar. Um dia a gente aprende, ou não, quem sabe.
Buscando o gosto bom que tudo isso pode ter, esquecendo, lembrando, anotando, dançando numa musica louca, cantando até encontrar a rouquidão da garganta seca.
We are infinite.
E essa é só mais uma página.
Annabel laurino
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
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Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque
de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.
Caio Fernando Abreu
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