sábado, 10 de agosto de 2013

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Não sei, comigo vai tudo azul 
Contigo vai tudo em paz 
Vivemos na melhor cidade 
Da América do Sul 
Da América do Sul 
Você precisa, você precisa 
Não sei, leia na minha camisa 
Baby, baby, I love you 
Baby, baby, I love you



Caetano Veloso

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Inovação no ramo da vida

    Quem nunca se perdeu, irmão? Quem nunca teve seus 32 segundos de insanidade? Quem nunca teve vontade de sumir e brotar em algum outro lugar do tempo espaço sendo qualquer coisa como um vegetal e nada sentir? 32 segundos de loucura e você se perde nas suas próprias limitações. 32 segundos de coragem súbita e você faz algo estupido que se lembrará para sempre. 32 segundos de paixão e você toma uma decisão errada.
    Todo mundo tem seus 32 segundos de loucura na vida, acredite. Estudos mostram claramente sobre essa novidade e apontam que a cada dez pessoas no mundo nove já provaram dos 32 segundos, o restante está morto e enterrado por causas desconhecidas/diversas. 
    Alguns cientistas do ramo de pesquisas sobre a mente e seus funcionamentos neurológicos chegaram a conclusão de que o cérebro humano é impulsivo por si só, com suas diversas divisões de comando e cada qual apontam para vontades diferentes e que uma pessoa que está em seu BadTime pode facilmente se recuperar se ela souber como comandar o seu cérebro, enviando para ele mensagens como 'preciso ficar bem, preciso ficar bem, preciso ficar bem' até que ele envie mensagens de volta como 'está tudo bem, está tudo bem, tudo bem'. Nesse caso, seria preciso apenas 32 segundos. 32 segundos de uma vontade imensa de se sentir melhor.
    Veja só, nem tudo na vida é estupido. Você pode usar esses seus segundinhos de impulsividade para sei lá, decidir pular de Bungee Jumping ou quem sabe entrar em um ônibus qualquer sem olhar para onde está indo e simplesmente ir para qualquer lugar ou comprar um cachorro, vender a casa, pintar o cabelo de amarelo, gastar todo dinheiro da poupança ou casar com um cara que você acabou de conhecer à la Britney Spears, vai saber. As opções são imensas, mas o bom nisso tudo é que você também pode utilizar esses segundos sagrados para tomar decisões óbvias, sensatas e claras, como decidir ficar bem.
    E isso é outro estudo. Todo mundo quer ficar bem, é como o sonho de ganhar na loteria, todo mundo quer, tem até gente matando pra isso. Ficar bem hoje em dia é como alcançar o Nirvana, todo mundo almeja. 
    Utilizei meus 32 segundos para me sentir melhor. Vai, me julga, sou como a maioria da população, eu poderia sei lá ter agido como John Lennon e a Yoko e ter feito um movimento sobre a paz e ficado nua para milhões de pessoas, mas invés disso eu preferi nadar como todos os outros peixinhos. 32 segundos apertando um botão flash da mente do qual as lembranças foram revertidas à passado e tudo ficou onde realmente deveria ficar. Do meu estado de angustia e vontade de mofar na cama passei para a vida é bela e tudo pode ficar melhor. Sabe quando parece que sua mente se ilumina? Então. 
    Estudos apontam que você pode fazer o que quiser, até mesmo comandar seus sentimentos. Eu não sei bem se isso é verdade, mas eu decidi fazer uma limpa por aqui, como arrumar as gavetas e tirar o pó dos livros. Aproveitei e coloquei um som e depois acendi um incenso e irmão, tudo ficou mais claro, mais justo, mais sensato de sentir. É tudo questão de toque, de tato, de entender, de ter uma perspectiva melhor. 
    32 segundos de puro entendimento. 





Annabel Laurino

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

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"Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar a página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar."


Tati Bernardi 

Sugar Town

Eu tenho alguns problemas, mas eles não vão durar
Eu vou deitar aqui na grama
E muito em breve todos os meus problemas vão passar
Porque eu estou em shoo-shoo Shoo, shoo-shoo shoo-
Shoo Shoo, shoo Shoo, shoo shoo- Sugar Town





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Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino
Agora não vou mais mudar
Minha procura por si só
Já era o que eu queria achar
Quando você chamar meu nome
Eu que também não sei onde estou
Pra mim que tudo era saudade
Agora seja lá o que for

E saiba que forte eu sei chegar
Mesmo se eu perder o rumo
E saiba que forte eu sei chegar
Se for preciso eu sumo



Ana Carolina

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É necessário o escuro, porque dele brota a luz.




(Caio Fernando Abreu in Triangulo das Águas)



Untitled | via Tumblr

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

The end has no end

    Eu senti sua falta. Eu sinto sua falta. Meus pais sentem sua falta. E eu sei disso quando eles perguntam se não tive nenhuma noticia sua nos últimos dias e sei mais uma vez pelo olhar que eles dão quando digo à seco ‘não’ e meu pai responde 'que pena, ele era um cara tão legal'. Meus cachorros também sentem sua falta, e os vizinhos que não te vêem mais batendo na porta e ficando parado ali esperando eu abrir, você e seus fones de ouvido tocando musica pesada. Até a minha cama manda dizer que sente sua falta. Do seu corpo e do seu cheirinho de banho misturado com alguma essência a mais e só sua. As paredes do meu quarto sentem a falta de te ver por aqui, de ouvir sua voz meio rouca, meio forte, meio alta, só sua. A varanda da minha cozinha nunca presenciou tantas brigas na história desta casa, mas manda dizer que sente sua falta, mesmo assim. De você fazendo cafés para mim ou me pegando no colo escondido enquanto minha mãe atendia o telefone na sala e assim você me roubava mil beijos, me apertava junto a ti. A varanda da minha cozinha nunca presenciou um amor tão gostoso na história desta casa. E a cozinha nunca viu gente mais atrapalhada que a gente lavando a louça e errando as letras de musicas enquanto cantadas. A cozinha também sente sua falta. 
    O carinha da cafeteria perguntou por você um dia desses. Me fez ficar cabisbaixa, é verdade. Aposto como ele lembra de você pagando a conta dos cafés e pedindo aquela Soda de maça verde que ninguém pede, só você pedia. Aposto que ele lembra de você se inclinando na mesa pra beijar minha mão e do quanto eu sorria escondido, feliz. O cara da cafeteria sente a sua falta também. 
    Sem contar do resto das pessoas da família, aquele meu tio que fala alto e careca, ele pergunta de você e sei que ele sente sua falta, ele nem precisa dizer, eu era mais sorridente quando você estava aqui. A mãe da minha amiga perguntou por você qualquer dia desses no supermercado e eu sei que ela sente a sua falta porque fez aquele olhar pra baixo e olhou para o meu lado como se ali, aquele vazio tão visível para todos, só pudesse ser completado por você. É, ela sente a sua falta em mim.
    E os lugares que estivermos eles sentirão a sua falta. E irão sentir, eu sei. 
    O meu corpo, pobre coitado, sente a sua falta. Das suas mãos grandes passando envolta de mim, me puxando, me elevando, me jogando no sofá da sala e brincando comigo como se eu fosse um cubo mágico de mil cores, das quais você manuseava tão bem. Meu corpo manda dizer que sente sua falta. Assim como meu sorriso já cansou de procurar o seu por ai, só para ele sorrir maior.
    Já faz um pequeno tempo que todos nós sentimos a sua falta. Todos nós e o meu universo paralelo ao seu, porque é isso que eu sou, um universo paralelo ao seu. E esse universo todos os dias se refaz mais uma vez, sentindo a sua falta. É difícil não sentir, é difícil disfarçar. Lembro e esqueço da sua barba, dos seus olhos, da sua maneira, de você e você mesmo e tudo mais que vinha no pacote, e te amo mais uma vez em um silêncio rarefeito que ninguém escuta mas todos sabem porque já esta estampado em mim. 
    E não mais do que uma vez e nem mais uma novidade I miss you, again and again and again. 




Annabel Laurino