quarta-feira, 7 de agosto de 2013

;

"Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar a página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar."


Tati Bernardi 

Sugar Town

Eu tenho alguns problemas, mas eles não vão durar
Eu vou deitar aqui na grama
E muito em breve todos os meus problemas vão passar
Porque eu estou em shoo-shoo Shoo, shoo-shoo shoo-
Shoo Shoo, shoo Shoo, shoo shoo- Sugar Town





;

Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino
Agora não vou mais mudar
Minha procura por si só
Já era o que eu queria achar
Quando você chamar meu nome
Eu que também não sei onde estou
Pra mim que tudo era saudade
Agora seja lá o que for

E saiba que forte eu sei chegar
Mesmo se eu perder o rumo
E saiba que forte eu sei chegar
Se for preciso eu sumo



Ana Carolina

;

É necessário o escuro, porque dele brota a luz.




(Caio Fernando Abreu in Triangulo das Águas)



Untitled | via Tumblr

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

The end has no end

    Eu senti sua falta. Eu sinto sua falta. Meus pais sentem sua falta. E eu sei disso quando eles perguntam se não tive nenhuma noticia sua nos últimos dias e sei mais uma vez pelo olhar que eles dão quando digo à seco ‘não’ e meu pai responde 'que pena, ele era um cara tão legal'. Meus cachorros também sentem sua falta, e os vizinhos que não te vêem mais batendo na porta e ficando parado ali esperando eu abrir, você e seus fones de ouvido tocando musica pesada. Até a minha cama manda dizer que sente sua falta. Do seu corpo e do seu cheirinho de banho misturado com alguma essência a mais e só sua. As paredes do meu quarto sentem a falta de te ver por aqui, de ouvir sua voz meio rouca, meio forte, meio alta, só sua. A varanda da minha cozinha nunca presenciou tantas brigas na história desta casa, mas manda dizer que sente sua falta, mesmo assim. De você fazendo cafés para mim ou me pegando no colo escondido enquanto minha mãe atendia o telefone na sala e assim você me roubava mil beijos, me apertava junto a ti. A varanda da minha cozinha nunca presenciou um amor tão gostoso na história desta casa. E a cozinha nunca viu gente mais atrapalhada que a gente lavando a louça e errando as letras de musicas enquanto cantadas. A cozinha também sente sua falta. 
    O carinha da cafeteria perguntou por você um dia desses. Me fez ficar cabisbaixa, é verdade. Aposto como ele lembra de você pagando a conta dos cafés e pedindo aquela Soda de maça verde que ninguém pede, só você pedia. Aposto que ele lembra de você se inclinando na mesa pra beijar minha mão e do quanto eu sorria escondido, feliz. O cara da cafeteria sente a sua falta também. 
    Sem contar do resto das pessoas da família, aquele meu tio que fala alto e careca, ele pergunta de você e sei que ele sente sua falta, ele nem precisa dizer, eu era mais sorridente quando você estava aqui. A mãe da minha amiga perguntou por você qualquer dia desses no supermercado e eu sei que ela sente a sua falta porque fez aquele olhar pra baixo e olhou para o meu lado como se ali, aquele vazio tão visível para todos, só pudesse ser completado por você. É, ela sente a sua falta em mim.
    E os lugares que estivermos eles sentirão a sua falta. E irão sentir, eu sei. 
    O meu corpo, pobre coitado, sente a sua falta. Das suas mãos grandes passando envolta de mim, me puxando, me elevando, me jogando no sofá da sala e brincando comigo como se eu fosse um cubo mágico de mil cores, das quais você manuseava tão bem. Meu corpo manda dizer que sente sua falta. Assim como meu sorriso já cansou de procurar o seu por ai, só para ele sorrir maior.
    Já faz um pequeno tempo que todos nós sentimos a sua falta. Todos nós e o meu universo paralelo ao seu, porque é isso que eu sou, um universo paralelo ao seu. E esse universo todos os dias se refaz mais uma vez, sentindo a sua falta. É difícil não sentir, é difícil disfarçar. Lembro e esqueço da sua barba, dos seus olhos, da sua maneira, de você e você mesmo e tudo mais que vinha no pacote, e te amo mais uma vez em um silêncio rarefeito que ninguém escuta mas todos sabem porque já esta estampado em mim. 
    E não mais do que uma vez e nem mais uma novidade I miss you, again and again and again. 




Annabel Laurino

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

;

 " - Mas nós ainda estamos segurando as mãos um do outro, não estamos? Quer dizer, você sabe... nós ainda estamos...
   - Sim, nós estamos."


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

There Are

    Meus pés me levaram até lá. Foram eles, os traidores. O impulso vital do meu corpo entrou em comando assim que a minha retina ficou transbordando da sua imagem presente, viva. E eu fui. O que mais eu poderia fazer? Chega uma hora que o corpo cansa de lutar contra, que a gente cansa de lutar contra. De se reprimir.
    Não, você nunca vai saber que eu estive lá. Nunca vai ter ideia de que no instante que meus pés começaram a caminhar uma musica tocou nos meus fones e eu tive vontade de chorar ali mesmo, no meio da praça.
    Mas caso você venha saber, por intermédio qual eu nem imagino, você talvez não iria lembrar de onde, de quando aconteceu e como estivemos lá. Foi no tempo em que eu estava perdida e você também e eu soltei sua mão por segundos até que eu me perdesse em vão. Naquela praça, aquela perto do centro da cidade, mas não no centro onde se pegam os ônibus, só aquela pequenina praça em que há alguns bancos verdes e uma lancheria ao fundo. Aquela mesma em você me viu chegar perto e me tomou nos seus braços. A gente não era nada. A gente era tudo. Naquela época a gente era só a gente.
    Foi para lá que eu fui levada. Uma enxurrada de lembranças, cheiros, momentos, e de repente eu estava ali sentada num banco verde, no mesmo banco verde que nos sentamos daquela outra vez e olhamos um para o outro como se nos víssemos pela primeira vez. E foi um abraço bom aquele, como se tivessem se passado anos, mas ao mesmo tempo segundos, e nada tivesse mudado.
    Dessa vez você não estava lá. Ou talvez estivesse, em detalhes, ações que ficaram guardadas ali e que os ventos não conseguiram levar. Você estava na musica que eu ouvia, nas pessoas passando, na calçada despedaçada, nos passos apressados, nas mãos enlaçadas de casais estranhos e que nunca vi, nas janelas redondas daquele prédio antigo, nos arabescos do prédio velho onde fica o cinema, o cinema que frequentávamos.
    E fiquei ali até a musica acabar. Se eu ficasse mais talvez não iria querer ir embora. Sorri, eu sorri quando lembrei de tudo. Uma saudade no peito, uma vontade de te ver dobrando uma esquina e vindo na minha direção e me perguntar o que eu estava fazendo ali só para que eu pudesse responder que estava esperando por você, assim, só por acaso.
    Eu não sei em que tempo ficou perdido aquele momento. Eu não sei em que momento foi que o tempo nos roubos os sonhos. Tudo faz sentido agora, mas é um sentido meio batido, como se alguém no meio da noite, enquanto meu corpo letárgico e adormecido, tivesse me enfiado goela abaixo colheradas desse sentido medroso, cheio de pontos de interrogação que ninguém quer ver e todos passam reto. Não, eu não chorei por estar ali, eu não fiquei triste, eu só senti saudade, de você, de mim, de nós e de como tudo era bom embora sempre difícil. Mas nós conseguíamos tirar o maldito coelho da cartola, não é mesmo? De alguma forma a gente conseguia e então tudo ficava bem.
    Faz calor num inverno e o sol é de quase verão, mas tem um vento gelado que sobe a baía e eu lembro de uma frase que apesar de todos os versos, crônicas e histórias do Caio Fernando Abreu é a mais... a mais dolorida, entende? Eu lembro desta assim "se encontraram e se perderam para sempre".


 Annabel Laurino 
      coldheartx:

無標題 by Anna Hollow on Flickr.