segunda-feira, 29 de julho de 2013

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"Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores."


Caio Fernando Abreu

domingo, 28 de julho de 2013

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Meu estilo de vida
Liberta minha mente
Completamente louco
Mas um louco consciente

[...]

Não, eu não me sinto mal
Eu sobrevivo a todo lixo
Todo ódio, com amor
Eu dou o valor
Das coisas simples
Eu dou valor
Pras coisas simples



Charlie Brown Jr

sábado, 27 de julho de 2013

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                                                            (Skins)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

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''Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você compreende." 



(As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

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"Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante."



Clarice Lispector

terça-feira, 23 de julho de 2013

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o lado bom da vida | Tumblr
Sometimes is just you have to say.

Misantropa

    Juliana sentou-se no chão do quarto e se deixou chorar. Porque não tinha mais importância segurar o choro, conter a frustração indesejada latejando dentro do peito. Era preciso se deixar doer.
    O chão estava recém limpo, assim como a cama tinha cheiro de aroma de algodão, borrifada cuidadosamente depois que havia posto seus lençóis ao sol. O ambiente tinha cheiro de alecrim, do incenso. Fotos penduradas num painel mostravam uma atenção ávida por pessoas, momentos, família. Mas no peito, lá dentro do peito, essa atenção dada em excesso lhe doía agora.
    Juliana queria entender como o mal do mundo podia ser justamente as pessoas. Como se machucavam tanto entre si quando não se entendiam e o quanto se amavam quando se completavam alucinadamente. Sentia-se enganada, traída. Mas fora ela mesmo que se permitiu enganar. Sentiu-se como se tivesse assistido um comercial de televisão em que anunciassem um tal produto muito bom, que mudaria sua vida, colocaria metade de sua bagunça em ordem e, ludibriada pela propaganda, tivesse comprado o produto só para depois descobrir que era uma farsa. Uma mentira.
    O plexo solar e seu violão não partilhando de mais nenhuma chance de compor uma nota se quer. As decepções transbordando. O quarto impecável, o coração, destroçado.
    Sentiu vontade de chorar mais, e mais e mais e só mais um pouco talvez. Para esvaziar-se. Para preencher-se de um vazio que quem sabe viesse acompanhado de paz e uma solidão longínqua. Quem sabe. É por isso que fechava-se tanto. Juliana havia cansado. Cansado da espera insaciável de que as pessoas parariam de lhe doer. Por que não podia existir alguém no mundo que a cuidasse e a fizesse feliz sem lhe roubar os morangos que cresceriam no final? Será que nunca haveria uma forma de ficar tranquila?
    E o medo persistiu durante horas. Se houvesse uma maneira de esquecer que a humanidade existia, de fugir, de não criar mais laços com ninguém. Ah sim, ah isso seria bom.
    Encostou o corpo na cama. O quarto nem era grande, mas ali, sentada no chão, em meio ao frio infindável do dia, sentiu-se pequenina, tão pequena quanto a adorável Alice quando mordeu o macio biscoito que a diminuiu.
    Alguém bateu na porta, uma, duas, três batidas e uma voz insistente para poder entrar. Mas agora não, pensou. Hoje não. Me deixe em paz, pediu no vácuo do escuro, mas era dia, o escuro estava era dentro. Do peito.
    Me deixe só. Me deixe quieta, simplesmente me deixe, pediu em silêncio, como são feitos os desejos mais fortes e dolorosos, daqueles que Juliana não pronunciava em voz alta. E talvez não ousasse pronunciar nunca mais. 




Annabel Laurino


Tumblr - mywonderfulw0rld.tumblr.com

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“I can’t go back to yesterday because I was a different person then.”

Lewis Carroll, Alice in Wonderland

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Folha esta, Folha sua

     Uma folha escorregou gentil do topo de uma arvore na 5° avenida em frente ao Plaza Hotel, ao lado das belíssimas coberturas de Manhattan. A folha flutuou e encarapitou-se, depois caiu no chão como se repousasse lentamente com a sua finíssima camada seca e vermelho escura. 
    Um transeunte pisou-a logo quando atingiu seu voo. E mais tarde naquele mesmo dia, uma jovem se exercitando arrastou a pobre folha para longe, e esta escorregou pelo chão, até que um cão vadio a cheirasse e a pegasse na boca e fosse caminhando com ela por um curto espaço de tempo até  que perdesse o interesse e a deixasse sozinha na calçada suja. Um vento, não mais que frio e forte, e sabe-se lá de que direção vinha, se eram tantas, a ergueu com tamanha força, levantando seus flancos pedaços pisoteados não lembrando mais aquela linda folha de antes, erguendo-a cada vez mais, até que subisse e subisse, alcançando as janelas mais altas e depois como se nada fosse suficiente perdeu sua força e deixou-a regressar ao chão estável, duro e frio, onde já havia estado antes, para onde voltava agora. 
    Pedaços lhe faltavam para que estivesse completa, haviam roubado-lhe até mesmo seu caule macio. Pobre folha. Os espíritos das árvores, perguntaram-se depois, como podia ainda se considerar uma folha única, se seus pedacinhos dividiam-se espalhafatosos por ai. Oras, muito simples, ela estava em todos os lugares e seria sempre única e não se entristecia mais por isso. Era um ciclo, caindo uma vez do seu ramo verdejante e bonito, como a árvore, e cairia agora novamente, até que quem sabe, renascesse em uma outra árvore qualquer, quando o verão chegasse. E assim até que o ciclo se encerrasse. 
    Ah, como todos podem ver, a vida.




Annabel Laurino


♥

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“Me enfiei em casa e não saí. Um desgosto. Leio o tempo todo. Sento no jardim. Ouço música. Tento escrever, mas não sei se quero ou se preciso, e não consigo. Umas carências.”
Caio Fernando Abreu