sexta-feira, 12 de abril de 2013

Código indecifrável

    Então era só isso?
    Eu ficava me perguntando, a ideia e as perguntas pululando na mente revoltada de uma bagunça estranha.
    Se era só isso eu me atiraria pela janela e desistiria de vez. Chega de acreditar no amor.
    Sei lá, se era só isso eu preferia ficar em casa de pijama todos os dias sem esperar mais nada acontecer, se era só isso para mim então tudo bem, eu desisto logo de acreditar no amor e que existem homens de verdade por ai no mundo. Ta, eu desisto então se é isso que o universo está tentando me dizer e eu ainda não entendi porque sou teimosa.
    Desacreditei. Isso mesmo. Desacreditei de vocês homens, vocês ai. Desacreditei. Acho que ninguém hoje em dia quer mais ser amado. Acho que todo mundo cansou, na verdade. E é isso, ninguém quer estar de verdade com alguém e fazer realmente alguém feliz. Porque ninguém se esforça para ser gostado!
    Ah vamos lá, a grande lei ta atração está nisso, você mostrar seu potencial e diferencial dentre a selva de loucos lá fora e fazer algo de útil, algo que te mostre alguém interessante, alguém que valha a pena ser notado. Não adianta só bater no peito e gritar bem alto que esse é você e goste quem gostar porque as únicas pessoas que vão ficar por perto de fato são a sua mãe e o seu gato de estimação.

    Parece que os homens por ai estão mais é querendo alguém para levar para cama e que fiquem com eles até a chuva passar. De resto tudo bem, depois vocês se jogam numa mesa de bar com os amigos e reclamam que mulher nenhuma no mundo presta.
    Será que vale a pena ficar sentada e esperar? Palavras não me convencem mais, eu quero é atitudes. É isso. Eu quero o melhor. Passei quatro longos meses intermináveis tentando montar um quebra-cabeça que jamais consegui terminar e que depois só se mostrou ser tão insignificantemente previsível. Esses longos quatro meses foram os meses que fiquei esperando coisas que eu sempre quis e sempre sonhei e nunca tive e sempre tão simples, mas nada. Nada em cima de nada. Esse foi o resultado obtido. 

    Olha eu sei que sou exigente, mandona, chata, cheia de manias e mimada e coisa e tal. Mas eu nem se quer sou ciumenta ou aquele tipo de mulher que implica com tudo até com a própria sombra da outra pessoa. Eu sou tranquila, eu sou da paz e eu só queria amor. 
    Mas acho que chega mesmo de acreditar que o cara legal vai passar por aquela porta e vai me por na sua vida e me fazer feliz como ninguém mais poderia fazer. Chega de acreditar que existe essa coisa de companheirismo, romantismo, cavalheirismo e todos os outros 'ismos'. É como o Caio escreveu certa vez, "Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis. ".
    E ando, ando mesmo.


Annabel Laurino

quinta-feira, 11 de abril de 2013

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“Não quero um amor rasgado, remendado, pela metade. Demorei tanto tempo pra encontrar essa paz, acho que mereço uma coisa inteira, intensa, indestrutível.”

Caio Augusto Leite

terça-feira, 9 de abril de 2013

Café repartido e as estrelas

    Divide comigo aquele seu café quentinho, vai. Divide comigo aquelas suas histórias divertidas e que só se mostram faceiras quando embriagado pela loucura diária, só que dessa vez você contará suas histórias não para me impressionar como quando faz com as outras pessoas, mas como se fosse me fazer dormir e me por na cama do seu lado, só que você arrancará suspiros e sorrisos enviesados nos meus lábios enquanto te olho e te escuto e te admiro bem de perto. 
    Seja o quente do meu café a doçura que a gente busca todos os dias sem saber bem ao que adoçar. Pega minha mão e me diz que você ficará aqui até as estrelas do céu se distanciarem e até a lua trocar de lugar com o sol e tudo virar só luz novamente. 
    Fica, vai.
    Divide teu café comigo e me diz coisas bobinhas como que você gosta do meu cabelo e que a ponta do meu nariz gordinho é a ponta do nariz mais bonito que você já viu na vida e que não tem problema eu ser assim tão baixinha. Só fica e me conta suas histórias, me diverte com esse seu mundo escondido e deixa eu sentir o céu da sua boca, só por mais algumas horas antes de dormir, até eu encontrar aquelas estrelas escondidas e que escondes tão bem assim. 
    Fica.


Annabel Laurino


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O Lado Bom

    Eu nunca fui fã das desistências. Eu não desisto nunca daquilo que eu quero. É verdade sim que há as trocas de opiniões, as vezes de sonhos e até desejos. Mas vontade mesmo, daquilo que realmente se quer, daquilo que realmente faz seu coração vacilar e palpitar ansioso todas as noites antes de dormir, isso não, isso não se pode desistir. Vontades assim são os impulsos vitais da vida. Sem vontade de se querer e ser feliz a gente ficaria exposto na cama todos os dias respirando por um tubo de oxigênio e se alimentando por mais outros sei lá quantos tubos e fios e coisas injetáveis do tipo. 
    Tem gente que não gosta de ser feliz, ou desistiu, ou não quer mais. Mas eu ainda quero, meu caro. Eu ainda acordo todos os dias e desejo bem firme que eu quero ser feliz de um jeito imenso, vivo e de verdade. Só que não ser feliz por qualquer coisa ou sair por ai fingindo ser feliz e com aquela banca de ser feliz por momentos ou enquanto eu consumo sapatos novos numa loja bacana. Eu quero buscar isso, essa felicidade, eu quero me realizar em algo, alguém, em mim mesma. 
    Bom mesmo é quando a gente quer ser feliz mas nem desconfia de como. E a gente só vai vivendo e achando graça nas pequenas coisas da vida, nas insignificantes formas de ver como tudo funciona a sua volta. Aquele filme chato passando no cinema mas se vai pelo passeio, pela excursão, por ir e sair falando mal do filme depois e se sentir mais intelectual, por sair de casa e ver gente. Aquelas caminhadas nas manhãs frias do inverno, tão difícil persistir as vezes, mas se faz porque se pensa no objetivo e se almeja a conquista. Há sempre um lado bom das coisas. O lado bom da vida. É isso que eu tenho buscado ultimamente.
    Eu não irei desistir disso, mesmo que mil pessoas me tentem com seus pessimismos exagerados e suas formas cansativas e causadas de verem as coisas. Eu ainda estarei tirando meu coelho genuinamente branco da cartola. Porque é assim que se faz, não é mesmo?
    Decidi também que tem que ter por quem sofrer nessa vida. Não pode ser por qualquer um. 
    E outra, tem que se ser. A gente tem que ser. Não se pode ir entrando na vida das pessoas e querendo ser metade ou um quarto ou vinte por cento, a gente tem é que ser e espalhar coisas boas por ai. Nada dessa introspectividade toda sofrida e cabisbaixa  Nada de sofrer por quem foi embora porque quis, quem abriu a porta do carro e se jogou na autoestrada com o veiculo em movimento. Gente assim a gente deixa jogada lá e continua o percurso. Quem se perde por prazer a gente só faz o mesmo, a gente aproveita prazerosamente bem, só que vivendo.
    Então eu quero é viver, meu caro. Antes de tudo é ser feliz e saber porque eu vivo, o que eu quero e onde eu quero chegar. O resto sou só eu tocando violão numa janela qualquer como Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, e cantarolando Moon River baixinho para quem quiser escutar. Para quem quiser ser feliz junto.



Annabel Laurino

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

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    "Eu sei que sou exatamente o que 98% dos homens não gosta ou não sabe gostar (apesar de eles nunca me deixarem em paz). Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um sinal de luz recíproca no final do túnel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais. Ninguém entende nada. E eles adoram uma sonsa. Adoram. Mas dane-se. Um dia um louco, direto do planeta dos 2% de homens, vai aparecer. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim."


Tati Bernardi 

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sábado, 6 de abril de 2013

Transmutações Coloridas

    Essas transmutações nervosas alugam meus pensamentos tão congestionados em algum período dessa manhã. Mudam de cor. Se enredam entre si. Eu pensava azul ontem quando fui dormir mas acordei com a sensação amarela grudada no fundo da memória.
    Parece que os pensamentos se bagunçam assim como os cabelos depois que acordo. 
    De qualquer forma tenho quase certeza que hoje é amarelo e estou convicta de que essa ideia não mudará. Pelo menos até a hora de dormir e chegar ao fim do dia. Eu gostei mesmo foi do azul e de ter estado pensando azul. Sinceramente era uma coisa gostosa pensar todas aquelas coisinhas iluminadas, fez um bem nadado. Mas agora esse amarelo canário anda insistindo em ficar, vou deixar para ver. Mas não gostei. Quem sabe a próxima mutação caleidoscópica de uma de minhas ideias seja outra cor, rosa por exemplo. Eu adoraria pensar um pouco de rosa e inspirar rosa por ai. Adoraria. Mas essa cor sempre tão gentil me aparece pouco por aqui.
    Eu digo lento para que entendas bem, já que o meu movimento é continuo e quase sempre tão perspicaz, e furtivo também. 




Annabel Laurino

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Guarda-Chuva

    E Zé, me diz, é tão egoísta querer que alguém se apaixone pela gente? Porque eu ainda não consigo crer o que leva uma pessoa que tem o amor de outra nas mãos o jogar fora. Será que não desconfiam da tamanha sorte que tem ao serem amadas? Olhe o mundo Zé. Olhe para ele. 
    Acordei essa manhã e não tinha sol. Passou o dia com chuva e aqueles cafés quentes e extremamente fortes. O coração latejou. Eu pensei nas pessoas sortudas com o amor ganho. As pessoas que tem alguém para dividir o guarda-chuva em um dia desses e ainda roubar um beijo enquanto caminham, alguém que se preocupe se elas irão se molhar ou não ao sair do trabalho, alguém que irá recebe-las com braços quentes ao final do dia e perguntar como foi a tarde longa de tarefas árduas. Alguém que as leve para tomar café da manhã. Alguém para viajar, para ver filmes abraçados, rir de bobagens, compartilhar segredos. Alguém com ombro amigo para chorar e abraço forte para sustentar a tua luta diária quando tudo se mostrar difícil. 
    Zé, eles não sabem da sorte que eles tem.
    Eu te falei sobre o mundo... O dia hoje tão cinza e escuro, daquele jeito que você sabe que eu gosto. Mas é verdade que dias assim me lembram muito da falta que a companhia de alguém faz. Lá fora não era só a chuva batendo firme, era também a loucura toda, o vício e a fome, a solidão dos corações gelados. Sabe, quem tem um amor assim, tão grudado e causado e bonito e gentil, não deveria reclamar de nada, na minha opinião. Zé, tem coisa mais linda do que enlouquecer nesse mundo com a certeza de que você não está só, de que se você morrer em dois minutos você não morre sozinho? A vida as vezes tão insana, mas olhe, existe ainda o amor. 
    Quando vou ter esse amor, Zé? Falta muito, até quando? Hoje, vendo aquela chuva toda e aqueles casais embaixo daqueles guarda-chuvas, juntos e encolhidos, os passos apressados enquanto corriam para qualquer lugar, eu desejei ser um deles e provar esse gosto de favo de mel que os afortunados tem e eu ainda não, sei lá porque. Desejei ter alguém que me amasse tanto a ponto de engolir as próprias dores para me buscar do lado de dentro de mim mesma e me mostrar o mundo. Eu desejei ser alguém assim e ter alguém assim para mim, Zé. E ainda me atordoo em saber que tem gente feliz e nem sabe. Tem gente com a paz como amiga e nem desconfia.
    Será que chove aqui qualquer dia desses? Ein, Zé? 
    Será que eu ainda vou poder abrir meu guarda-chuva?





Annabel Laurino


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