sábado, 2 de março de 2013

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“E que venham novos sorrisos, novas histórias e novas pessoas.”

Caio Fernando Abreu

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"Acham que eu estou realmente bem, que tenho mesmo condições de segurar a minha barra sozinho. (…) Isso me deixa ainda mais confiante."



 Caio Fernando Abreu

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sexta-feira, 1 de março de 2013

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“E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário: por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”


Caio Fernando abreu

Over Rainbow


Alguém ai


    Olá? Será que tem alguém ai? Alguém me ouve? Alguém está lendo o que estou escrevendo? Oi, você. Como vai? Como foi o seu dia? Já te perguntaram isso hoje?
    Desculpa perguntar assim, desculpa a forma abrupta de iniciar essa conversa meio jocosa de quem não quer nada. É só que eu precisava saber se tem alguém. Sei lá, para saber. Antigamente costumava ter. Antigamente até algum tempo eu geralmente tinha. Você sabe, alguém, uma pessoa, um ser. Alguém que realmente se preocupava. Alguém que realmente lia as linhas escritas e as entrelinhas mais escondidas. Alguém que tinha o mesmo ideal de vida. Amor de verdade. Ir até o fim de tudo sem nunca desistir.
    Ah, perdoe-me novamente se te conto essas coisas, para você que talvez eu nem conheça. É que antigamente eu também tinha para quem contar essas coisas. Eu tinha com quem conversar das dores e medos do meu coração sem ser julgada sobre isso. Alguém que realmente entendia isso e não ia embora com passos largos batendo pesados nas calçadas com uma promessa de ‘talvez’.
    Sabe quando a gente simplesmente fica triste e não tem nada que dê jeito nisso? É mais ou menos isso. Eu tomei uma tristeza tão grande por tudo agora. Parece sempre que todas as coisas estão sempre distantes de mim e eu nunca vou alcança-las. Eu tinha alguém para explicar isso. Eu realmente tinha com quem olhar no olho e lamentar algumas coisas. Mas é uma tristeza esperançosa essa, eu te afirmo. É com ela que eu vou correr aos ventos.
    Sentada no chão do quarto com as meias raspando no carpete e aquela musica tocando que te faz sentir meio slow, sabe? É assim que eu estou agora.
    Fico procurando mãos fortes para me apoiar e me fazer nunca, jamais, never, desistir. Mas eu não vejo ninguém. Eu não vejo mais aquele alguém. Próximo e incrivelmente próximo e que faz qualquer coisa por você. Porque sabe que igual a você, meu caro, só correndo aos quatro cantos desse mundo procurando de céu a inferno e mesmo assim, só talvez uns vinte por cento parecida. Aquele cara que te liga mesmo quando você desliga na cara dele porque está furiosa pela falta de atenção, aquela pessoa que viajaria o mundo para encontrar a coisa mais boba que iria te fazer feliz.
    Aquela pessoa que eu não tenho mais.
    Fico redigindo um texto confuso na minha cabeça. Penso então que não tem jeito. E teria como ter? Quando as coisas deixam de ser elas realmente deixam e não há quem dê jeito nisso a não ser nós mesmos. As coisas deixaram de ser meu amigo. Me ausentei do barco por horas e olha a inundação!
    Continuo ouvindo a musica e resposta nenhuma me vem, continuo prestando a atenção no mundo a minha volta e nenhuma coisa me diz respeito mais. Só me resta viver. E eu vou viver meu caro leitor. Eu vou seguir. Eu vou com dor, com medo, com tristeza, eu vou com uma carga absurda de um peso morto que não existe mais e agora é só lembranças. Mas eu vou. Eu vou e estou indo agora. Estou partindo para o além mar e quem quiser que me acompanhe. Eu vou e não pretendo nunca mais voltar. Porque tem aquelas horas que chega de sofrer, chega de chorar, chega de pedir que entendam, que escutem, que sejam amigos e sejam verdadeiros. Chega de exigir o mínimo.
    Eu vou viver. 
    E eu espero que você, que está ai lendo tudo isso e ainda não desistiu, que vá fazer o mesmo. A vida é uma só!




Annabel Laurino

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

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dolorido-só

    Passei o dedo pela lista telefônica do celular, de nome a nome, de letra a letra, de número a número. Tudo o que eu precisava era de um contato que me atendesse as três da manhã enquanto chorava do outro lado da linha e ainda assim não desligasse o telefone na minha cara. Simples.
    Eu remediei as horas para não ir para a cama, mesmo cansada e com o corpo dolorido e a cabeça explodindo, mesmo querendo um lugar quente para me deitar tranquila, eu prolonguei o máximo que pude. Porque sabia que assim que deitasse a cabeça nos travesseiros eu ia chorar. Eu me conheço. O dia teria enfim acabado. A cabeça vai se esvaziando com as informações recebidas e vai passando uma espécie de filme. Dai eu pararia na cena que tudo acaba. Eu ia chorar. Chorei.
    Prometi para mim mesma que desde aquela ultima vez terrível eu jamais choraria assim por alguém, que eu jamais sofreria tanto assim e que eu jamais me decepcionaria ou me machucaria assim. E cá estou eu, machucada novamente, com todas as preses de 'vai passar' jogadas no lixo em segundos. 
    É como se tudo, absolutamente tudo, estivesse se repetindo. O orgulho exagerado, a arrogância pronunciada em cada palavra direta comigo, a maneira distante, como se eu fosse uma vilã, uma megera, um mal encarnado. Quando tudo que eu queria era que você simplesmente provasse o amor que dizia tanto que existia. Que jurava as estrelas inteiras do céu para dizer que existia. 
    Dói tanto agora. E me sinto uma idiota por isso. Eu só queria dormir. Eu só queria apagar tranquila com a mente vazia no meu travesseiro fofo e longe daquela almofada em formato de coração que você me deu e que fica me convidando para abraça-la enquanto durmo. 
    Eu só queria ser compreendida apenas uma vez. 
    Claro que a essa hora eu não teria coragem de ligar para nenhum dos meus contatos da agenda. Claro que eu não seria louca. Mas bem que seria bom. Bem que seria bom apenas uma vez me abrir e despejar tudo para fora. 
    Eu estou vendo um filme repetido em projeção 3D com direito a créditos finais e acréscimos de especiais ao fim. É doloroso, completamente compreensível e irremediavelmente insuportável.





Annabel Laurino

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pedaços

Deu aquela dor desesperada no peito. Não, eu não estava sufocando. Eu não estava morrendo. Eu não estava tendo um ataque cárdico embora ainda parecesse que o meu coração estava sendo esmagado cada vez mais forte por mãos feitas de ferro. Eu não estava nada. Era você. Você partindo e quebrando dentro de mim alguma coisa que ficou ali por mais um longo tempo, em cacos. Você indo embora e eu com o coração despedaçado. A gente se dividindo em mil. A gente se tornando em saudade.


Annabel Laurino

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

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Sei lá, tem sempre um pôr-do-sol esperando para ser visto, uma árvore, um pássaro, um rio, uma nuvem. Pelo menos sorria, procure sentir amor. Imagine. Invente. Sonhe. Voe. Se a realidade te alimenta com merda, meu irmão, a mente pode te alimentar com flores. Eu não estou fazendo nada de errado. Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas. 


 Caio Fernando Abreu

Enquanto minha guitarra suavemente chora

    Da vontade de atravessar todos os quilômetros que nos separam nesse exato instante só para me grudar no seu pescoço e te abraçar forte. Acabar logo com essas brigas bobas que acontecem agora tão frequentemente e eu nem sei mais como elas aparecem assim, tão do nada. 
    O que podia ser coisa de casal apaixonado que se ama já não é mais o caso. Vai além de implicância e amor de mais. Essas brigas e desentendimentos. 
    Eu acabei morrendo de medo de que tudo desse errado e quando eu finalmente me joguei por completo nos teus braços acabei me enroscando nas tuas mentiras e perdendo os passos. Acabei sem saber qual direção seguir. Não há nada agora que faça esse coração magoado a se recompor a não ser o seu completo e total amor. Mas quem nesse mundo consegue dar cem por cento de amor?
    Madrugada fria de verão e chove lá fora. Queria que aquela sua proposta de pegar um táxi no meio da noite e fugir para sua casa e me refestelar nas suas cobertas quentes junto do seu corpo confortável e já tão amigo intimo do meu ainda estivesse de pé. Você abriria a porta do carro e me colocaria embaixo dos teus braços, em segurança até a sua cama e eu ficaria lá, chorando as minhas magoas e medos antigos que talvez jamais irão se cicatrizar, até que você me fizesse um café quente e resolvesse prometer para sempre me amar.
    Sabe aquela musica do George? Tem aquela parte, aquela que diz que já não da mais para saber o que fizeram com você, que compraram e inverteram. Eu sou a pessoa da musica, comprada e invertida, com os ouvidos atulhados de coisas que só me levam para caminhos distantes. Acho que eu sempre fui assim, não é mesmo? A fugitiva partindo sempre para caminhos contrários quando tudo vai mal. É que eu sinto dor de ver tudo de uma forma que eu não possa curar. Meu lema é liberdade sempre, voe para longe mesmo que nada dentro de você irá conseguir se libertar. 
    Você que sempre me manteve presa a você, agora já não ta mais sabendo como me segurar. Você esqueceu como me manter firme embaixo das tuas asas meu anjo, e o som da minha guitarra melodiosa se encontra nos teus olhos castanhos, o único som que eu queria escutar. Mas não estou ouvindo. Há muito barulho lá fora e ele confunde tudo.
    Se eu pudesse fazer um desejo era que você chegue mais perto antes que eu já esteja longe demais para que até eu mesma possa me alcançar. Chegue e me tome nos seus braços, chegue e me faça promessas que realmente irá cumprir, chegue e não me deixe ir, não me deixe decidir um futuro que nem cresceu de tão imaturo. Mas chegue. Eu iria desejar. Grita nos meus olhos junto com os teus olhos gritantes, só para que eu veja o que não tais conseguindo me mostrar e vejas nos meus também, quanto medo!
    Já vai amanhecer o dia. Eu não guardo magoas no peito. Só cansaço. Só puro e sobrecarregado cansaço. A vida é longa e bela e nós somos jovens. Eu escuto George para me fazer mais feliz mas ao contrario disso fico calma e serena e lembro da gente e sinto saudades. Porque no fundo de tudo, sempre permanece aquela réstia de um gosto bom e que não será jamais acabado. Eternizado, eu diria. 
    O fim próximo come as páginas do nosso livro de lembranças e a unica coisa que me lembro quando fecho os olhos é que, esse tempo todo, eu estive onde realmente gostaria de estar.


Annabel Laurino