quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

;

“Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos…”

 Vinicius de Moraes

Asleep



Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu estou cansado e eu
Eu quero ir pra cama
Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
E então me deixe sozinho
Não tente me acordar de manhã
Porque eu terei ido
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
Do fundo do meu coração
Eu ficarei tão feliz em partir



The Smiths

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

365

    365 dias do ano. Vai, para de viver. Não, continua. Respira, enxuga as lágrimas, gotas da água do banho. Seu café fervendo em cima da mesa, vai esfriar. Que nem a sua ultima relação que não deu certo. Esfriou. Dois sanduíches vegetarianos, por favor. Boa pedida. É pra levar ou comer aqui? Aqui sempre, não pago gorjeta mesmo assim. Passam as horas e o tempo muda lá fora. Que dia é hoje? Tenho que estudar. Sabe aquele livro que todo mundo anda lendo? Lixo, puro lixo. Toca a estação, musica boa é que te faz dançar. Mentira, musica boa é que te faz querer transar, só que ninguém tem coragem de te contar isso.
    365 dias do ano e ele alisava as fotos dela como pequenas preciosidades em suas mãos grandes, aquele rostinho de boneca, pele branca, grandes olhos e boca pequena, sei lá, era um amor esteticamente romântico  talvez pudesse ser um amor de baixa literatura se não fossem as feridas no estomago pelo nervosismo excessivo que ela lhe causava. Duas horas e meia e ela ainda não havia ligado, tinha saído com outro cara. Que cara era esse? Será que ela o amava? 
     365 dias incontáveis do ano, faltavam poucos para logo mais um acabar, pensava. Poucos dias e ele ainda a adorava, mesmo ela saindo com outros caras, mesmo ela ainda sendo absurdamente louca e egoísta  Ela e suas pernas e pés de gueixa. Ela e seu sorriso enviesado e suas milhares de máscaras secretas e bem escolhidas. 365 dias do ano in love with you. Cantava ele embaixo do chuveiro quando ninguém olhava. Completely in love.




Annabel Laurino

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

;

“Seria mais fácil, se ele fosse um estranho, de quem ela pudesse se desligar. Eles são muito diferentes. Gênios opostos, eu diria. Mas tem algo em comum. A liberdade. O desapego. O medo da entrega. Quem sabe ficando juntos encontram uma solução. Bem que podia, né? Ela sempre pensou assim: “Pra ficar do meu lado tem que ser melhor que minha própria companhia. Eu tenho que admirar.” E ele me parece um pedaço daquilo que a vida tem de mais charmoso. Ela estava ficando instigada. Que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Ela diria que ele salvou sua vida se não soasse tão dramático. Ele não faz planos ou promessas, só surpresas, te ensinou a gostar de surpresas. Ele é diferente. De repente ela percebeu que o amor era o instante em que o coração fica a ponto de explodir.”

 Tati Bernardi

Espero.

“Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.”




 Fabrício Carpinejar

Tumblr_mencacbtre1qafc06o1_500_large

;

“E as discussões se sucediam, sem pé nem cabeça. Mas ciúmes são cegos como o próprio amor. São sentimentos mesquinhos, minuciosos, não esquecem a insignificância dos mínimos segundos. As batidas do coração jamais deveriam se escravizar aos tiquetaques desencontrados de dois relógios diferentes. A verdade, porém, é que eram ambos loucos, um pelo outro, e seus corações acabavam por se entender, num ritmo comum de compreensão. E as hostilidades descansavam invariavelmente em beijinhos e mil perdões.”

 Chico Buarque

Tumblr_mew9z5d61m1r0i9t4o1_500_large

;

“Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou.”


 Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Enquanto os outros dançavam, o nosso time acabava

    Ta vendo essas pessoas ali na rua dançando na calçada enquanto falta um minuto para o tão falado fim do mundo? Pois é. Você deve ta ouvindo a musica louca explodindo dos alto falantes logo ali na esquina enquanto rola uma festa louca, mulheres gritam e fogos de artificio são soltos no céu por alguém inspirado na polêmica.  
    Tem tanta gente lá fora nessa hora, eu sinto o cheio de umidade entrar pela janela aberta, sentada numa poltrona, olhando as luzes amareladas dos postes, os carros cobertos de gotículas de orvalho, é verão, choveu durante o dia, mal tomei café hoje, talvez por isso eu esteja assim. Nós não estamos lá, nós não estamos no verso tocado da musica descompassada e nem nos passos de dança das pessoas desajeitadas comemorando uma felicidade sem motivos. Não estamos nem em nós mesmos e o fim do mundo pode chegar e nós nem se quer nos falamos, o mundo pode explodir agora e eu não pensarei em nada, somente em como o cheiro da rua é incrivelmente delicioso hoje, com seu cheirinho de chuva próxima.
    Talvez essa história de que o mundo iria acabar tenha me feito pensar um pouco, não sei. Não acredito que isso poderia ser possível, mas e se? E se acabasse mesmo eu faria o que? Talvez não desse tempo nem de sair correndo para algum lugar e pegar os cachorros, tropeçando nos chinelos pela rua, atropelando pessoas. Talvez simplesmente tudo acabasse e puft. Não teria o que fazer, é um fim, uma catástrofe, essas coisas acontecem as vezes. Aceitação.
    E a gente ensaiou os passos tão perfeitamente, a gente queria tanto que desse certo, mas quer saber? Amigo, não deu. Vamos aceitar isso de uma vez por todas. Vamos olhar esse teorema complexado que talvez nem Einstein conseguiria resolver e vamos entender que simplesmente os fatores estão trocados, que ta tudo errado, que não vamos nunca chegar á um resultado aceitável.
    Meteoros caem nas calçadas com fogo zunindo e lambendo todas as coisas que conseguem alcançar, crateras se abrem no solo, pessoas gritam, a terra racha ao meio e meio mundo é engolindo para o abismo infinito, tudo acabando, tudo sendo exterminado. Não há o que se fazer.
    Mas vamos aceitar vai, vamos entender de uma vez por todas, chega de correr para todos os lados e puxar os cabelos, implorando socorro de ultima hora que não vai vir. Nosso tempo acabou que nem jogo em máquina de fliperama depois que você não tem mais moedinha para colocar, game over para nós.
    Essa noite não vai dar a gente dançando na calçada e nem trocando beijos e olhares amistosos com promessa contida no futuro próximo. Não vai ter eu te amo e carinho no rosto. Trocaram a musica e tudo que temos agora é o silêncio da destruição pós final. As cinzas do extermínio.
    Tem tanta gente lá fora agora, eu to aqui esperando um abraço de conforto que não irá chegar, as mulheres pararam de gritar e os fogos de artificio recomeçam em um frenesi distante. Um, dois, três. O mundo não acabou ainda, não preciso me preocupar em sair correndo. Olho para fora da janela, o mundo intacto, perfeito, e o nosso destruído. Já tão esquecido em meio a um cinza desbotado onde um dia teve tantas e tantas cores. Tantas que eu nem saberia dar nome. 




Annabel Laurino

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

;

“Meus pensamentos são estrelas que eu não consigo arrumar em constelações.”