Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
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Mergulho de cabeça nos lençóis, a procura do seu cheiro, que também não está lá, entranhado nos panos, guardado nas dobras…
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
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Agradeço sempre pelas sensações certas de que existe sim, em
algum lugar desse vasto mundo um lugar só meu, que talvez um dia eu encontre, e
existe sim coisas maravilhosas me esperando, aguardando o momento certo de
virem. Não vou ficar procurando nada, olhando embaixo dos tapetes da casa ou
olhando através da janela a cada cinco minutos. Enquanto isso eu resolvi
preparar um café e ler um bom livro. Eu sei que muitas vezes eu tendo a cair
naquela tediosa depressão de ‘quem sou ou para onde vamos e quem é você’
mas eu me encontro rápido, porque nunca me esqueci quem eu quero ser e para
onde eu quero ir. Fica mais fácil quando a gente sabe quem somos ou pelo menos,
o que nós queremos. A vida não vale mais a pena se vivida apenas de esperas e
sonhos movidos a ‘talvez’. A vida vale a pena quando a gente espera o que está
por vir e sabe exatamente o que quer, e onde quer chegar.
Annabel laurino
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Eu ia te escrever qualquer dia, eu tinha — e tenho — um monte de coisas pra te dizer, aquelas coisas que a gente cala quando está perto porque acha que as vibrações do corpo bastam, ou por medo, não sei. Mas as coisas todas, externo-interno, eram muito difíceis e escuras, eu não tinha condições de mostrar ou dar nada a ninguém que não fosse também escuro, compreende? Eu não queria, eu não quero dar trevas, dor, medo, solidão — eu quero dar e ser luz, calor, amparo (…)
terça-feira, 2 de outubro de 2012
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"Eu não espero que você seja o-grande-amor-da-minha-vida, parei de acreditar nisso na quinta série quando a moça que trabalhava na biblioteca do meu colégio me disse que estava se separando do marido dela. Meus pais estão juntos até hoje, mas a gente sabe bem como vão as coisas ali. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja um motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos. (...) Não quero te odiar. Não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. (...) Não quero que você me largue. Não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (eu nunca tenho), eu fiz isso com todos os outros. É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo. (...) Que eu não te visse com outra. Que eu não tivesse raiva. Que você não passasse a comer de boca aberta. Que você entendesse o meu problema com chãos de banheiro molhados pra sempre. Que você gostasse e cuidasse de mim como ontem à noite você cuidou. Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga não estraga não estraga. Posso pôr um post-it na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você."
Tati Bernardi
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
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"Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."
Martha Medeiros
domingo, 30 de setembro de 2012
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Pior do que voltar atrás em uma promessa feita e desfazê-la, é seguir em frente. Ironicamente, sem olhar para trás.
annabellaurino
annabellaurino
sábado, 29 de setembro de 2012
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"Ando muito só, um tanto assustado, e com a esquisita sensação de que tudo acabou. Ou pelo menos está se transformando — e radicalmente — em outra coisa. E tão vago, não sei sequer dizer do que se trata."
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Bote salva-vidas
Pensei “novamente sexta-feira”. Sexta feira, novamente. Fiquei
nessa enquanto me afundava ainda mais na cama. As camadas de cobertas me
cobrindo com seu calor, deu vontade de nunca mais sair dali. Lá fora os pássaros
cantavam e os raios de sol entravam pelas frestas da janela do quarto que alguém
abriu antes de sair. Tive vontade de tomar um café, mas o corpo parecia letárgico
demais para sair dali, daquele confortável campo de repouso.
Peguei o telefone
e vi as horas, não era cedo e nem tarde. Tive no peito um ímpeto doido de fazer
alguma loucura qualquer como de te ligar e dizer para você largar tudo e me
encontrar em cinco minutos, no meio da praça.
Eu ia dizer pra
você que iria estar com aquele meu casaco vermelho de veludo e o lenço de flores,
de qualquer forma, você ia me ver lá, sentada em um banco, com um livro aberto
entre as pernas, mordendo uma maça.
Essa foi a cena
parisiense romântica que passou na minha mente em questão de segundos, rápidos
segundos destruídos pelo meu orgulho ferido. Engoli a mágoa e degustei as
lembranças recentes. Não vou ligar. Guardei o telefone e afundei ainda mais na
cama.
Seria lindo, mas
como dizia o Caio, as coisas bonitas não acontecem mais.
Me perguntei,
assombrada, um milhão de vezes o que foi que houve comigo, o que foi que
aconteceu, qual o motivo desse gelo todo entalhado no peito. Não sabia o que
poderia ter acontecido, e como aconteceu. Foi impercetivel de mais, alguma
coisa grande cresceu em mim, silenciosa, e a agora, ocupa espaço.
Passo os dias com
preguiça de fazer as menores coisas, tudo parece pesado, sem sentido, e quando
me olho no espelho, eu não vejo ninguém de interessante lá, apenas uma garota
comum, de olhos grandes e assustados.
Zé, o que foi que
houve?
Nas histórias que
eu lia, nessa idade a gente curtia muito. Eu acho que deveria estar por ai,
rindo de alguma coisa qualquer, apertando o braço de alguém e distribuindo
charme, ouvindo musica ruim, vestindo roupa sem noção e fazendo muita bobagem. Mas
não Zé, eu to em casa, to na cama e to desacreditada de mim mesma. Para mim a
vida passou a ser como um dos desenhos antigos do Mickey, aqueles em preto e
branco que ninguém fala e os bonecos parecem sempre muito feios.
Quanto tempo faz
que eu não escrevo? Semanas, meses, um ano? Meus livros se acumulam no fundo do
baú, cheios de pó e ideias não utilizadas. E eram ideias tão boas! O que foi que
houve, desacreditei deles também?
Olhei para o teto,
todo branco, sem nada. Me senti como ele, mas não tão genuinamente puro e
imaculado, ao contrário, me senti cheia de nada e ao mesmo tempo vazia de tudo.
Da para entender?
Pensei que conforme
os dias passassem eu tomaria mais controle da situação. Mas já é outra sexta,
talvez a miléssima sexta feira de tantas outras e eu ainda afundo na cama como
um ser com medo, paralisado por tudo, esperando uma ajuda, uma mão que me puxe
e me tire daqui. Lembrei que eu já ajudei tanto, já fui tantas vezes o bote
salva-vidas e nesse momento frio de tamanha desesperança eu me pergunto: E
agora Zé, quem será meu porto de repouso? Meu bote salva-vidas? Quem poderá me
ajudar?
Annabel Laurino
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"Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê."
Gabito Nunes
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
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"Sou daqueles que, se você não fizer 36 polichinelos na minha frente, com uma placa “eu gosto de você” pendurada balançando no pescoço, jamais terei certeza."
Gabito Nunes
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