Martha Medeiros
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
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"Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."
domingo, 30 de setembro de 2012
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Pior do que voltar atrás em uma promessa feita e desfazê-la, é seguir em frente. Ironicamente, sem olhar para trás.
annabellaurino
annabellaurino
sábado, 29 de setembro de 2012
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"Ando muito só, um tanto assustado, e com a esquisita sensação de que tudo acabou. Ou pelo menos está se transformando — e radicalmente — em outra coisa. E tão vago, não sei sequer dizer do que se trata."
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Bote salva-vidas
Pensei “novamente sexta-feira”. Sexta feira, novamente. Fiquei
nessa enquanto me afundava ainda mais na cama. As camadas de cobertas me
cobrindo com seu calor, deu vontade de nunca mais sair dali. Lá fora os pássaros
cantavam e os raios de sol entravam pelas frestas da janela do quarto que alguém
abriu antes de sair. Tive vontade de tomar um café, mas o corpo parecia letárgico
demais para sair dali, daquele confortável campo de repouso.
Peguei o telefone
e vi as horas, não era cedo e nem tarde. Tive no peito um ímpeto doido de fazer
alguma loucura qualquer como de te ligar e dizer para você largar tudo e me
encontrar em cinco minutos, no meio da praça.
Eu ia dizer pra
você que iria estar com aquele meu casaco vermelho de veludo e o lenço de flores,
de qualquer forma, você ia me ver lá, sentada em um banco, com um livro aberto
entre as pernas, mordendo uma maça.
Essa foi a cena
parisiense romântica que passou na minha mente em questão de segundos, rápidos
segundos destruídos pelo meu orgulho ferido. Engoli a mágoa e degustei as
lembranças recentes. Não vou ligar. Guardei o telefone e afundei ainda mais na
cama.
Seria lindo, mas
como dizia o Caio, as coisas bonitas não acontecem mais.
Me perguntei,
assombrada, um milhão de vezes o que foi que houve comigo, o que foi que
aconteceu, qual o motivo desse gelo todo entalhado no peito. Não sabia o que
poderia ter acontecido, e como aconteceu. Foi impercetivel de mais, alguma
coisa grande cresceu em mim, silenciosa, e a agora, ocupa espaço.
Passo os dias com
preguiça de fazer as menores coisas, tudo parece pesado, sem sentido, e quando
me olho no espelho, eu não vejo ninguém de interessante lá, apenas uma garota
comum, de olhos grandes e assustados.
Zé, o que foi que
houve?
Nas histórias que
eu lia, nessa idade a gente curtia muito. Eu acho que deveria estar por ai,
rindo de alguma coisa qualquer, apertando o braço de alguém e distribuindo
charme, ouvindo musica ruim, vestindo roupa sem noção e fazendo muita bobagem. Mas
não Zé, eu to em casa, to na cama e to desacreditada de mim mesma. Para mim a
vida passou a ser como um dos desenhos antigos do Mickey, aqueles em preto e
branco que ninguém fala e os bonecos parecem sempre muito feios.
Quanto tempo faz
que eu não escrevo? Semanas, meses, um ano? Meus livros se acumulam no fundo do
baú, cheios de pó e ideias não utilizadas. E eram ideias tão boas! O que foi que
houve, desacreditei deles também?
Olhei para o teto,
todo branco, sem nada. Me senti como ele, mas não tão genuinamente puro e
imaculado, ao contrário, me senti cheia de nada e ao mesmo tempo vazia de tudo.
Da para entender?
Pensei que conforme
os dias passassem eu tomaria mais controle da situação. Mas já é outra sexta,
talvez a miléssima sexta feira de tantas outras e eu ainda afundo na cama como
um ser com medo, paralisado por tudo, esperando uma ajuda, uma mão que me puxe
e me tire daqui. Lembrei que eu já ajudei tanto, já fui tantas vezes o bote
salva-vidas e nesse momento frio de tamanha desesperança eu me pergunto: E
agora Zé, quem será meu porto de repouso? Meu bote salva-vidas? Quem poderá me
ajudar?
Annabel Laurino
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"Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê."
Gabito Nunes
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
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"Sou daqueles que, se você não fizer 36 polichinelos na minha frente, com uma placa “eu gosto de você” pendurada balançando no pescoço, jamais terei certeza."
Gabito Nunes
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Paraíso Solitário, guerreira vazia e seu elmo forjado
Não tenho medo de voltar atrás. Essa história de que
desistir é para os fracos, eu não caio. Eu não persisto naquilo que não me
agrada, eu não entro na guerra porque simplesmente quero perder a cabeça, não
vou desembainhar minha espada para ver meu combatente enfiar-me sua
lança sobre meu peito e ver a mim mesma tombar ao lado. Não vou continuar uma
jornada sem motivos, sem motivação, sem paixão. Não irei até o fim do caminho arrastando meus pés sobre espinhos se a esperança já morreu, se já mataram a rainha, se já roubaram e incendiaram todas as casas e as crianças já foram sequestradas. Não irei. Nem que o sol esteja ao pico e meu bebedouro cheio de água, sem motivos eu não continuo, sem paixão, eu não entro. Nesse caso eu volto atrás
mesmo, eu me escondo, ou eu pego minhas coisas e fujo, sem dar
explicação e satisfação.
Por que tão fria?
Eu me pergunto as vezes, passando em frente ao vidro frio de uma janela suja de um prédio
qualquer dessa cidade, vendo um rosto infantil, feição dura, tão descarnada de emoção. Mas não seria fria meu titulo.
Desesperançada, talvez. Simplesmente, desesperançada.
Mas permita-me esclarecer que caso eu, entrando em arena de combate, não sairia. Sim, eu, motivada, com a paixão fervendo nas veias, não sairia de lá até que derrotasse todos os leões, todos os gladiadores medievais e os mais bravos lutares e destruísse todas as suas espadas mais copiosas e perversas.
Porque ainda não aprendi a ter medo. E não tenho medo. Não tenho medo que me firam, que me prendam, que me instiguem e que zombem de mim pelas costas. Não tenho medo do que me agride a carne. Eu tenho mágoas. Receios. Tristezas e saudades. Isso sim, eu tenho forjadas em meu elmo. Mas sigo movida por motivações, por paixão, por arte, por musica, por beleza, por histórias, pelo diferente, pelo belo e surreal. Sou movida por amor, por tentativas, por verdade. Sou livre, livre e incontestavelmente egoísta, sim, mas ainda assim, verdadeira. Adoro uma verdade que machuque. Uma verdade que perdure. Simplesmente, uma verdade.
Mas permita-me esclarecer que caso eu, entrando em arena de combate, não sairia. Sim, eu, motivada, com a paixão fervendo nas veias, não sairia de lá até que derrotasse todos os leões, todos os gladiadores medievais e os mais bravos lutares e destruísse todas as suas espadas mais copiosas e perversas.
Porque ainda não aprendi a ter medo. E não tenho medo. Não tenho medo que me firam, que me prendam, que me instiguem e que zombem de mim pelas costas. Não tenho medo do que me agride a carne. Eu tenho mágoas. Receios. Tristezas e saudades. Isso sim, eu tenho forjadas em meu elmo. Mas sigo movida por motivações, por paixão, por arte, por musica, por beleza, por histórias, pelo diferente, pelo belo e surreal. Sou movida por amor, por tentativas, por verdade. Sou livre, livre e incontestavelmente egoísta, sim, mas ainda assim, verdadeira. Adoro uma verdade que machuque. Uma verdade que perdure. Simplesmente, uma verdade.
Sim, verdades. Pois assim, não me toque, não
me queira e nem me fale sobre amores, vida, paixões e tempos provindos se não
sabes como cuidar do que dizes mais amar. Não se pode fazer promessas e nem
proclamar amores hoje em dia, nunca se sabe o dia de amanhã. E eu, quase
sempre, nem mais me surpreendo. Sem surpresas, entrei apática ao mundo das
relações não vindouras. E me esqueci como regressar. Segui sem rumo sobre meu cavalo alado, minha espada esquecida, achando bonito o paraíso solitário do não sentir.
Annabel Laurino
domingo, 23 de setembro de 2012
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"Acontecem coisas estranhas quando estou num espaço muito amplo. Uma vontade de voar, parece que bastaria abrir os braços para fundir-me com o céu. Ao mesmo tempo, dá vontade também de ficar na terra, e viver, viver muito, com todas as miudezas do cotidiano. Impressão de ser maior que tudo, sensação de força, certeza de vitória, vitória tão certa e fácil como a coisas da natureza que se mostram ali."
— Caio Fernando Abreu.
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"Veja, os meus cabelos estão molhados, caminhei horas pela chuva querendo e não querendo procurar você.”
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
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