sábado, 1 de setembro de 2012

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  "Isso não vai acabar! Por que o estado dessa atmosfera tão densa, uma vez modificado, não seria definitivo?"



 Julio Verne - Viagem ao Centro da Terra

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“Tenha paciência. Tudo aquilo que você deseja, se for verdadeiro, e o mais importante: se for para ser seu, acontecerá.”


William Shakespeare.

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- O que você está fazendo?
- Ajeitando as coisas.
- Por quê? Alguma ocasião especial?
- Não, nenhuma.
- Então por que diabos há essa hora você está ai, arredando móveis, limpando os quartos...
- Estou apenas me preparando.
- E para o que, posso saber?
- Para quando a primavera chegar. E ela vai chegar. Sempre tão exigente aquela velha calhorda cheia de flores nos cabelos pintados de branco. Já viu como ela age? Aquele amor de sempre...
- Ah! E aquela saudade de sempre.
- Também, também...


Annabel laurino

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

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"Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um caminho."


Caio Fernando Abreu

it's not the month, is...


Hoje é dia 31.
Isso quer dizer que amanhã agosto acaba.
Graças a Deus, eu penso sobressaltada.
Será que toda essa angustia vai embora junto com o mês cravado no calendário?
Tomara, tomara.
E que vá, eu peço.
Só faltam algumas horas.
O problema não é o mês.
O problema é a angustia que assola no peito e que não da sinal de partir.
Então será que não vai?
Tomara, tomara.
Peço mais uma vez, esperançosa.



Annabel laurino

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Momento claro


    Eu pensei em escrever umas coisas bem duras e feias e grotescas. Cheias de espinhos, palavras amargas, pesadas, que expusessem tudo que eu sinto aqui dentro, amarrado no peito com um nó de marinheiro e que eu não consigo desfazer.
    Mas daí a noite foi breve, o vento raspou nos meus cabelos pela manhã e eu vi que não vale à pena, sabe? Nem um segundo meu ou seu nesse mundo necessita de tanto rancor, esse amargo, essa coisa de ficar sujando o que um dia já foi tão bonito, com palavras tão depreciativas e acusações recíprocas. Faz bem pra quem?
    Eu mesma fui dormir com o peito pesado, me sentindo péssima, culpada. Sempre fico culpada quando algo da errado na minha vida, seja alguém que vai embora ou algo que simplesmente não rolou. Mas parando para pensar, não tenho culpa não. Eu que sempre fui tão livre, limpa, inteira, sempre tão sincera. Minha maquiagem sempre tão transparente. Olho nos olhos das pessoas e não escondo o que eu sou. Não tem esse papo cafona, de me desculpa não sou perfeita. Você vai pedir desculpas por um fato? Ninguém é meu bem, todos nós somos o que somos. Acordamos descabelados, necessitamos de banho, comida, e carinho. Sim, carinho! Se sou imperfeita por isso, obrigada vida, já estou acostumada com isso e não quero mudar.
    A questão é que acho que chega disso, to tão levinha, o coração parece um balão flutuando num céu quase quebrando de claro. Chega vai. Não to com cabeça para dizer pra você o quanto fiquei triste quando você desistiu de mim. Ou o quanto eu me magôo fácil, eu e meu gênio de criança pequena. Também não quero ouvir os danos de que te causei. Já foram explicados, resumidos, fadados e até mesmo, arquivados.
    Desejo um bilhão de estrelas luz no céu clareando seu rosto e te servindo de paz, que a sua vida seja cheia de nuvens claras, teus caminhos sejam cheios de luz, amor e paz. E que você encontre seu caminho, que a gente encontre o nosso caminho. Quem sabe a gente não se cruza por ai? A vida é uma passagem cheia de curvas. Não levo malas, não guardo o que é desnecessário, meu principal objeto de valor quem sabe, é um sorriso nos lábios.
    Porque o hoje, amanhã, será um ontem eterno.



Annabel Laurino.

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"Presos pela liberdade, prosseguem cada um na sua, conectados por um fio invisível que não conduz mais eletricidade. Um fio de saudade dissonante e a certeza de que, amor como aquele deles, não acontece no tocar de uma varinha de condão."


Gabito Nunes 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

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“Não planejei dizer aquilo, não planejei decidir nada. Quando vi, já tinha dito, já tinha decidido.”




Caio Fernando Abreu

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“Raiva e rancor só merece quem se foi sem uma explicação convincente e nunca mais sequer procurou, deixando lacunas que nenhum outro adeus até hoje teve audácia de apagar. Pra você - e não menos que alguém como você - guardei e dedico toda minha raiva e rancor. E o meu amor também.”



Gabito Nunes


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

New way of life


    Te direi que entendi cada palavra sua sobre o amor. Ou o ‘amor’ que sentia, sente, por mim. Entendi cada vírgula, cada “eu te amo” gesticulado e bem disfarçado em gestos românticos, ou anti-românticos, porque também há sobre você, e quase todos nós, essa mania de sermos birrentos, camuflar emoções. E eu entendi cada peça misteriosa desse quebra cabeça, seu e de todos os caras da minha vida. Puxa foi interessante, sabe? Foi legal saber como funciona isso tudo. Só que perdeu a graça. To cansada pra valer. É isso. Pela primeira vez em toda essa minúscula vida eu estou sendo direta e falando sem rodeios em meio às palavras de que tenho uso. Cansadíssima.
    Agora aqui, sentada em cima dessa pedra fria de frente para o mar, com o caderno em mãos, o vento batendo no meu rosto, esse cheiro de maresia congelada, sal do mar, brisa salgada, esse som de crianças correndo e gritando lá longe, carros passando, caras tentando vender seu peixe, ganhar um dinheiro a mais no dia, to me sentindo tão cansada. De tudo que ia ser mas ai desengringolou e acabou não sendo. Culpa minha, sua, deles, de todos nós e nossas mentes ferradas.
    Eu sei que não sou perfeita, sei que nem sou a ‘mina gostosa’ que você e seus amigos ficam vendo as fotos no Facebook e dizendo ‘tai uma mina que eu pegava’. De longe também posso ser aquela garotinha que você conversa no chat e diz milhares de coisas furadas e que cola, sempre cola. Não estou desvalorizando a raça minha de todo dia, mas existem tipos, e não sou o tipo de menina, mulher, garota, enfim, que você está acostumado a lidar.
    Não tenho cabelos longos, não uso saia minúscula, não saio por ai dizendo que tenho um namorado e que ele me leva para sair todas as sextas, porque eu não quero um namorado, e nas sextas geralmente estou muito ocupada em meio aos meus livros ou em meio aos meus poucos amigos jogando vídeo game, salvando a princesa, escutando musica e morrendo de rir. Eu tenho mais o que fazer, e digo isso por que acho a vida muito fútil, e as pessoas muito fúteis e todo e qualquer tipo de relacionamento bobo que não exista amor, muito fútil. Tudo muito previsível e chato, as pessoas e etc. 
    E, como eu estava dizendo, aqui sentada, nessa hora da tarde, com o sol fustigando na minha cara e me dando um olá gracioso eu me sinto cansada de tudo isso, enquanto paro para pensar.
    Porque eu realmente acredito e acreditei nas pessoas, todas elas que entraram na minha vida, todas as pessoas que estenderam a mão e disseram, ‘ah eu to aqui com você’. Mas as pessoas não estão com você coisa nenhuma, elas ficam por um tempo, elas permanecem sentadas e quietinhas e te dão as réstias de carinho e atenção, até que o que elas querem é dado e elas vão embora, ou até elas perceberam que não terão nada e vão embora mesmo assim.
    Sem chance, cansei. Levanto dessa maldita pedra fria e saio caminhando pela praça, um cara meio alto, meio descabelado levanta do banco que estava deitado e sai cantando uma musica descornada sobre alguém que o deixou esperando e não chegou, e nunca mais chegou. Minha comparação com a dele é inevitável. Me sinto descabelada, sem banho, o efeito da brisa salgada, me sinto perdida, como se eu tivesse dormido em um banco qualquer dessa praça. Passo pelo chafariz e um amontoado de pombas se aglomeram em volta, saio caminhando, escutando ainda os berros gritados da melodia do velho mendigo e me sinto decidida. Sim, decidida.
    Respiro o ar, meio abatumado de penas de pombas fétidas, sal do mar, mendigo sem banho, cidade estranha, água parada do chafariz, e tomo um rumo. Um rumo, qualquer rumo, mas um rumo. Estou indisponível. A partir de agora, enquanto eu suportar. Enfim, não me procure. Esse é o novo lema da new way of life. Não me espere. Não me chame. A liberdade grita. É o único som que ouço.
     "Porque você não chegou e eu morri de dor, eu chorei, você não chegou, não se culpe, agora eu vou embora, eu tenho um novo amor. Um novo amor! Me olho no espelho, e olhe só! La está o amor!" (8)


Annabel Laurino