terça-feira, 28 de agosto de 2012

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“Não planejei dizer aquilo, não planejei decidir nada. Quando vi, já tinha dito, já tinha decidido.”




Caio Fernando Abreu

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“Raiva e rancor só merece quem se foi sem uma explicação convincente e nunca mais sequer procurou, deixando lacunas que nenhum outro adeus até hoje teve audácia de apagar. Pra você - e não menos que alguém como você - guardei e dedico toda minha raiva e rancor. E o meu amor também.”



Gabito Nunes


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

New way of life


    Te direi que entendi cada palavra sua sobre o amor. Ou o ‘amor’ que sentia, sente, por mim. Entendi cada vírgula, cada “eu te amo” gesticulado e bem disfarçado em gestos românticos, ou anti-românticos, porque também há sobre você, e quase todos nós, essa mania de sermos birrentos, camuflar emoções. E eu entendi cada peça misteriosa desse quebra cabeça, seu e de todos os caras da minha vida. Puxa foi interessante, sabe? Foi legal saber como funciona isso tudo. Só que perdeu a graça. To cansada pra valer. É isso. Pela primeira vez em toda essa minúscula vida eu estou sendo direta e falando sem rodeios em meio às palavras de que tenho uso. Cansadíssima.
    Agora aqui, sentada em cima dessa pedra fria de frente para o mar, com o caderno em mãos, o vento batendo no meu rosto, esse cheiro de maresia congelada, sal do mar, brisa salgada, esse som de crianças correndo e gritando lá longe, carros passando, caras tentando vender seu peixe, ganhar um dinheiro a mais no dia, to me sentindo tão cansada. De tudo que ia ser mas ai desengringolou e acabou não sendo. Culpa minha, sua, deles, de todos nós e nossas mentes ferradas.
    Eu sei que não sou perfeita, sei que nem sou a ‘mina gostosa’ que você e seus amigos ficam vendo as fotos no Facebook e dizendo ‘tai uma mina que eu pegava’. De longe também posso ser aquela garotinha que você conversa no chat e diz milhares de coisas furadas e que cola, sempre cola. Não estou desvalorizando a raça minha de todo dia, mas existem tipos, e não sou o tipo de menina, mulher, garota, enfim, que você está acostumado a lidar.
    Não tenho cabelos longos, não uso saia minúscula, não saio por ai dizendo que tenho um namorado e que ele me leva para sair todas as sextas, porque eu não quero um namorado, e nas sextas geralmente estou muito ocupada em meio aos meus livros ou em meio aos meus poucos amigos jogando vídeo game, salvando a princesa, escutando musica e morrendo de rir. Eu tenho mais o que fazer, e digo isso por que acho a vida muito fútil, e as pessoas muito fúteis e todo e qualquer tipo de relacionamento bobo que não exista amor, muito fútil. Tudo muito previsível e chato, as pessoas e etc. 
    E, como eu estava dizendo, aqui sentada, nessa hora da tarde, com o sol fustigando na minha cara e me dando um olá gracioso eu me sinto cansada de tudo isso, enquanto paro para pensar.
    Porque eu realmente acredito e acreditei nas pessoas, todas elas que entraram na minha vida, todas as pessoas que estenderam a mão e disseram, ‘ah eu to aqui com você’. Mas as pessoas não estão com você coisa nenhuma, elas ficam por um tempo, elas permanecem sentadas e quietinhas e te dão as réstias de carinho e atenção, até que o que elas querem é dado e elas vão embora, ou até elas perceberam que não terão nada e vão embora mesmo assim.
    Sem chance, cansei. Levanto dessa maldita pedra fria e saio caminhando pela praça, um cara meio alto, meio descabelado levanta do banco que estava deitado e sai cantando uma musica descornada sobre alguém que o deixou esperando e não chegou, e nunca mais chegou. Minha comparação com a dele é inevitável. Me sinto descabelada, sem banho, o efeito da brisa salgada, me sinto perdida, como se eu tivesse dormido em um banco qualquer dessa praça. Passo pelo chafariz e um amontoado de pombas se aglomeram em volta, saio caminhando, escutando ainda os berros gritados da melodia do velho mendigo e me sinto decidida. Sim, decidida.
    Respiro o ar, meio abatumado de penas de pombas fétidas, sal do mar, mendigo sem banho, cidade estranha, água parada do chafariz, e tomo um rumo. Um rumo, qualquer rumo, mas um rumo. Estou indisponível. A partir de agora, enquanto eu suportar. Enfim, não me procure. Esse é o novo lema da new way of life. Não me espere. Não me chame. A liberdade grita. É o único som que ouço.
     "Porque você não chegou e eu morri de dor, eu chorei, você não chegou, não se culpe, agora eu vou embora, eu tenho um novo amor. Um novo amor! Me olho no espelho, e olhe só! La está o amor!" (8)


Annabel Laurino









domingo, 26 de agosto de 2012

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A gente não foi um sentimento, só uma estação.





Gabito Nunes

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"Eu só queria que chegasse um e-mail seu. Ou melhor: que você chegasse ao vivo. E que você me trouxesse aqui a sua barriga, a sua nuca, a parte mais branca das sua coxas, a sua cara de bravo até pra sentir prazer e o seu cheiro de cigarro com amaciante."


Tati Bernardi


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    Porque é muito tarde para se arrepender e muito cedo para planejar qualquer coisa nova, grande ou pequena em sua forma. É tarde para qualquer coisa que se atrasou no engasgo, no engarrafamento, no fluxo de carros de uma avenida cheia. É tarde para qualquer pessoa, sentimento, viagem que ia e não foi. Não estou aceitando mais qualquer coisa que somente poderia ter sido. Sem devoluções. Se não foi, não foi, que seja. A porta está fechada. Fechei as janelas também, para qualquer teimosia alheia. Pus tabuas na lareira e troquei todas as fechaduras, para os mais espertos. Por que é tarde. E cedo demais para qualquer coisa nova, se quer saber. É cedo para destruir ou construir. O momento é de renovação. De dentro para fora. Estou me arrumando por dentro, edificando uma coisa boa, uma casa simples, de madeira, ou uma cabaninha humilde com fogo a lenha e toalhas de mesa bem postas, com bolos cheirosos descansando na janela e uma jarra d'água para a chegada das caminhadas no entardecer. Depois, quando o cedo passar e for tarde novamente, me preocupo com o resto. E o resto pode ser tudo. Pode ser nada, depende. Estou me dispersando outra vez.

Annabel Laurino

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“Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.”


Caio Fernando Abreu