"Não é medo, preguiça ou incapacidade de amar. Eu só preciso de uma coisa nova, viver coisas que não me perturbem."
Gabito Nunes
sábado, 11 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
sede
Mais um daqueles momentos dispersos onde a verdade, a razão, o desejo, o correto, o incorreto, o medo, a fome, o vicio, se difundem num só olhar destemido, cheio de sede. Tudo vira sede no fim. Você sabe, a fome é meio que sede, porque seca. Seca a gente por dentro, por fora, e secos de amor meio que piramos. A sede é uma forma de fome, uma enorme falta de tudo que não temos mais, ou que temos mas está longe, ou que já tivemos um dia e hoje, não temos mais. Esse é mais um daqueles momentos desenhando pássaros nas paredes do quarto e querendo criar asas longas para poder voar longe, além das paredes azuis. Vontade de recriar nos únicos braços que se sente falta um lugar eterno onde pudesse regressar sempre, como um ninho seguro, cheio de paz, comida, e segurança. Mas então a verdade vem como uma onda, e sabe-se que o ninho será derrubado pelo vento, ou que a arvore que o sustenta despencará, dia ou outro. Sabe-se também que nada é para sempre, e nesse desespero que me acrescenta minha sede só aumenta. Minha sede. Por ti.
Annabel Laurino
Dear
Sei lá o que é isso. To aqui de novo com as mãos atadas,
tomando café quente, fervendo sem sentir nem mesmo a boca formigar em protesto.
To escutando aquela musica dramatississima que você coloca sempre que quer
chamar minha atenção por que sabe que eu choro escutando ela, por que sabe que
ela tem tudo a ver com a gente, com nosso passado de um ano atrás. Ah mas eu
não sei o que fazer. Sério mesmo, não te minto. Eu nem mesmo entendo quem ou o
que é você. Só sei que não resisto a alguma coisa que tem em você. Meu
psicólogo disse que é química, mas estou pensando que pode ser algo muito mais
pesado, tipo física, matemática, espiritismo, química, astronomia e por ai vai.
Ver você naquela roupa de nerd saída de um filme americano com o sorriso torto,
os lábios grossos, as mãos que eu gosto, o cheiro que eu amo, da vontade de te
morder. E eu fico pressa em mim mesma gritando comigo, dizendo, para sua louca,
ele não é para você, para quieta, segura o facho, senta ai, cala a boca, não
toca nele, não respira, para, não, não puxa ele, não, não abraça, sai de
perto... Mas já era. Lá estou eu com meu sorriso de criança carente te pedindo
um minúsculo bocado de sua atenção, suplicando por um beijo, por uma réstia do
teu gosto que eu guardo sempre como uma criança obesa escondendo doces embaixo
da cama.
Acho que não é
falta de amor não. Amor eu tenho de sobra. Todos nós temos. Minha falta é você,
que colou em mim e sei lá, camuflou, virou uma parte minha, se uniu a mim, a
minha parte feia, minha parte bonita. Não sei, ta complicado. Mas to
despreocupada. Por mim tudo bem, sei que dói, sim dói bastante, mas já entrei
nessa a muito tempo, só estava querendo cavar um buraco para os lados desse
túnel que já estou trancada a tempos. Tanto faz. Amor da minha vida, paixão desenfreada,
daqui até a eternidade. Te quero sempre muito bem, de preferência embaixo
desses meus olhos embaçados que julgo castanhos. Milhares de beijos para você,
meu bem.
Annabel laurino
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Desorganizaram-se e de repente um não sabia mais onde estava o outro, levaram alguns segundos para localizar-se outra vez, os olhos de cada um lendo no rosto do outro o que ainda não tinham decifrado no próprio olho.
Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
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"A expectativa é como pegar um jacaré para domesticar e esperar que ele o abane a cauda quando você chegar em casa após mais um dia de trabalho."
Gabito Nunes
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Porque o tempo passado, filtrado pela memoria e refletido no tempo presente – agora –, parece sempre melhor. E terá mesmo sido?
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
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"Mas eles não voltarão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais."
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 7 de agosto de 2012
domingo, 5 de agosto de 2012
Namore uma Garota que lê...
Namore
uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem
problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore
uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de
biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Date A Girl Who
Reads – Rosemary Urquico
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Você não é previsível.
Ninguém é. Previsível é uma palavra que se encaixa para uma pedra, um galho
seco, uma mosca morta, um punhado de terra acumulada do sapato, essas coisas. Previsível
é qualquer coisa sem vida, que não fala, não se move. Imprevisíveis somos todos nós que vivemos em
movimento, constantemente, e que mudamos de pensamento a todo segundo. Quem
sabe onde podemos estar amanhã? E seu eu fizer as malas, abrir a porta e simplesmente partir? Ou se não? O fim desse argumento pode ser típico para você,
surpreendente, ou até mesmo interessante. Posso arrematá-lo com
rosas, floreios, ou uma simples conclusão. Quem pode garantir? Se não for hoje,
amanhã então, a gente se encontra, se senta numa mesa qualquer, toma um café,
se olha, se admira, conversa, ou não, ficaremos quietos. Quem sabe a
gente nunca mais se vê, sumiremos. Quem pode saber?
Annabel Laurino
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