domingo, 22 de janeiro de 2012

Desejo do dia: Manjar Turco



- Que deseja comer?
– Manjar turco, Majestade, por favor – disse Edmundo.


(As Crônicas de Nárnia) 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

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"O negócio é este: quando a gente quer se fazer de tolo, quase sempre consegue."


(O sobrinho do Mago; in As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Transitoriedade de... Vida.

    Sempre achei que se estivesse com as pessoas, eu estaria bem. Sempre pensei assim. Que se eu estivesse ao lado de alguém necessariamente eu não me sentiria só, e que mesmo que essa pessoa fosse bruta, difícil e até mesmo complicada de conseguir arrancar um gesto simples como até mesmo uma demonstração de tal eu precisava dela. E de todas outras pessoas. O que sempre foi um erro.
    Um dia, como todas as histórias terríveis começam, quando o conheci proximamente, como se analisa uma partícula distante dentro de um caleidoscópio. Dentre tantas outras partículas essa em si tinha alguma deformidade nas suas redondezas, algo em seu modo como flutuava no meio de todas outras, que simplesmente foi como se crescesse diante dos meus olhos até mesmo nus. E essa pessoa, essa partícula recém exorbitante tornou-se o centro dos meus dias. Por que? Eu não sei. Apenas tornou-se. O que pode-se considerar estranho, sempre fui alguém que pensa que apaixonar-se seria um erro fatal, sempre e sempre, e nunca cogitei a ideia de repartir meu tempo com outro alguém, mas é verdade que sempre fui crente do amor.     
    Enfim, essa pessoa de repente não era mais como todas as outras e nem mais era como eu mesma, era mais do que eu para mim própria, o que foi mais um légitimo erro. E todos os dias eu acordava pensando nela, e todas as formas e angulos que eu enchergasse a vida ela estava lá, e o futuro só parecia recriar eu e ela, ela e eu. E assim havia fotos de nós juntos, havia planos, havia segredos, conversas inacabaveis, sorrisos que só nós mesmos entendiamos. Até mesmo o vento soprando no cabelo era como sentir o sopro vindo dos lábios da pessoa, as musicas já não eram mais minhas musicas mas nossas, e o tempo foi nosso e os meses passaram e tudo que eu via era a pessoa, nós, a pessoa, e nada mais. 
    Caí como cai um avião em queda livre a mais de mil quilômetros por hora em uma altitude tenebrosa, o coração disparado no peito, nenhuma chance de sobrevivência se não o fim e logo, a queda. 
    Parece triste eu sei. Mas dentre todas as coisas, mesmo que haja um rombo no peito você consegue descolar um sorriso nos lábios, é verdade, acredite. 
    De tanto eu colocar aquela pessoa em primeiro lugar, de fugir de mim, de acreditar tanto nela, de que mudaríamos muitas coisas, que ela me mudaria, que eu a mudaria, e de tantos planos e de tanto futuro e tantas histórias, o meu presente foi se desbotando aos pouquinhos até que decaiu por si só. E logo, bem, você deve achar que essa pessoa, que por fim não era mais só como alguém que se ama, mas alguém pela qual você preza, sabe, seu amigo, seu melhor amigo, seu confidente, você deve achar, como todos devem achar, que esta permaneceu comigo embaixo do torrencial que me encontrava. Mas não. Sumiu como somem-se as gotículas umidas dos respingos de chuva na janela. Não houve então mais nenhum rastro do que um dia existiu. 
    Claro, você deve achar que eu fiquei muito triste. É verdade. Fiquei. Ainda lembro de algumas coisas, ainda prezo o que passou como se preza o passado, e até mesmo as cicatrizes hoje me servem de lição. Afinal, ninguém que sobreviva a guerra sai dela inteiro ou sem alguma incrivel lição para contar, não é mesmo? 
    Tudo isso fez-me ver os danos que muito eu já causei á quem me amou. E digo isso não por orgulho, mas por tristeza, não é facil ser machucado, não é facil engolir o choro e seguir em frente, realmente não é, é muito dificil ter que aceitar de repente que tudo não passou de uma ilusão, e que você se encontra sozinho, sem mais nada do que acreditou. Mas passa. Realmente passa. Demora as vezes, passa rápido as vezes. Mas passa. Tudo passa. As dores se tornam distantes e o queixo avante aponta para os novos dias. 
    Tudo bem, eu ainda olho as fotos, eu ainda escuto as musicas, eu ainda sou a mesma, embora essa pessoa nem mesmo me procure mais, eu ainda tenho um respeito por mim e pelo meu passado. Vergonha dos erros? Jamais. Vergonha você deve ter por ter entrado por essa vida que nem água, só escorregando pelos cantos, indo para onde a maré vai. Eu sou do tipo brasa, do tipo chama, eu marco, eu piso, eu sou tipo auto falante, gritando por ai. Não fico parada, dói, dói mesmo, e me machucam, e me pegam emprestado, mas eu me recomponho e tudo segue em frente como deve ser. 


Annabel Laurino. 

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  REVOLUTION. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

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"Falávamos como se nos conhecêssemos há anos. Há vidas quem sabe." 




- Caio Fernando de Abreu 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O tal do impulso vital me impulsionando por ai.


    Te descobrirás tão bem. E será aquele tão bem, batalhado, sabe? Daquele tipo de que você luta pra chegar como uma meta, todos os dias, incansavelmente. Até que você consegue e se vê contente e logo, feliz. Bem. Plena de tudo. Parece que mesmo á baixo dos erros as coisas conseguem ficar no seu lugar, e tudo começa a fazer um sentido tremendo.
    E você se descobre aos poucos todos os dias. No meio do insano te sentirás normal, e no meio do tédio te sentirás lívida de paz, podendo fazer todas as coisas e não sabendo por quais delas começar. E terás sede, de inovar, buscar, criar. Aquele rejuvenescimento estampará teus dias, a fome por sabedoria, arte, criação baterá na tua porta e te sentarás com elas na tua sala, bebendo chá as três da tarde com as pestanas úmidas, ao calor do verão, te sentirás inteira.
    Saberás que mesmo com tantas partes que já te arrancaram o que ficou é o real, aquilo de verdade. Tudo se pintará novo e nada poderá ser velho. Rirás sempre, jogaras beijos, te descobrirás amando todos, paixões de verão passarão como raios de luz sobre teus lábios úmidos e te sentirás tão bem, tudo passará rápido, sem dor, sem pesos, viverás por momentos, serás livre, não haverá lamento.
    Abrirás a janela em uma manhã, e dirás: - vida venha sempre, seja breve, preencha e mate a sede que tenho, abraça-me, e que todos os meus dias sejam mais lindos do que já foram ontem. 



Annabel Laurino. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

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    Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu e você é você. É vasto, vai durar.
    O que te escrevo é um “isto”. Não vai parar: continua.
    Olha para mim e me ama.
    O que te escrevo continua e estou enfeitiçada.

(Clarice Lispector)

Ao zero retornarás e começarás, novamente, e novamente mais um vez.

    Desaprendi o que é o amor.
    Sério mesmo. Não estou escrevendo isso por que acho que possa causar uma certa ligeira impressão de ingenuidade. É verdade. Eu desaprendi completamente o que é amar.
    Não sei mais como é que se sente esse troço.
    Que coisa mais estupida. E digo isso, estupido, á cada vez que essa ideia se forma mais nítida na minha cabeça.
    Vejo casais na rua, no cinema, na cafeteria, na praça, no restaurante, enfim, e há sempre aquele ar de envolto sabe, como se fossem dois imas grudados e preenchidos, como se um canal de ar estivesse ligado entre os dois bombeando algum tipo de hidrogênio romântico os revitalizando naquela aura auspiciosa de caricias, olhares, risos estravagantes e cheios de segredinhos, abraços, mão na mão, olho no olho, beijo no rosto, charminho e tal.
    Eu desaprendi tudo isso.
    Sinto-me como um robô recém tirado da dormência durante sei lá quanto tempo, me fechei tanto dentro dessa lata, dessa armadura, que agora não sei como voltar á funcionar. Se me olham, acho que é por que tem algum tipo de coisa errada no rosto, o batom está borrado, minha saia está amassada, estou descabelada, sei lá. Invento milhares de proposições para responder qualquer vestigio de sinal de atração que alguém possa ter por mim. Por que não acho que seja possivel existir. Por que desaprendi á saber quando existe. E vezes nem noto. Nem sei. É necessário que liguem buzinas, chamem um carro alegórico, a xuxa cantando nos meu ouvidos, a multidão do maracanã me empurrando e me amassando, gritando nos meus ouvidos, sinais de SOS, fogos de artificio, fogueiras o que for para que eu perceba. E olhe lá.
    Como se faz para que eu volte a funcionar, para que eu saia desse estado de profundo desinteresse pelo amor?
    Olho todos os dias pela janela e vejo o sol, é verão, e aquele impulso vital que tanto o Caio Fernando Abreu dizia está por ai, pairando, e eu espero que ele venha, que ele me toque, mas ele não vem e não me toca.
    As vezes acho que me fechei de mais, até de mim mesma. E vejo nessa minha cobertura externa tantos defeitos que não me dou espaço. Nem pra mim, nem para quem quer que seja. E vou ficando pra trás, sendo engolida pelos dias que se passam.
    Não sei se é necessário que alguém toque lá no fundo pra que isso aconteça, ou que eu me toque, ou espere me tocar. Não sei como se faz, se me atiro nessa maré nova, se espero ela se atirar sobre mim, simplesmente não sei. Não há como saber.
    E isso meio que dói.

bebellaurino.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

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É verdade que estou morrendo de medo do amor que você sente por mim. Mas não é só isso. Também ando com muito medo das pessoas todas. Eu sei disso.

(Caio Fernando Abreu)


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-Quando a noite chegar cedo e a neve cobrir as ruas, ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.
-Quando estiver muito quente, me dará uma moleza de balançar devagarinho na rede pensando em dormir com você.
-Vou te escrever carta e não te mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.

-Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.



Caio Fernando abreu