sábado, 7 de janeiro de 2012

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Já pensou que louco. Eu aqui pensando em você, e de repente o telefone toca. E como se descobrisse o meu silêncio transpassado no teu nome. Me ligando. 

bblaurino. 

Com pessoas, essa forma de criação mais imperfeita que Deus colocou sobre a Terra, tenho deixado pra lá. Minha energia é para o texto, as plantas, os passarinhos que alimento com sementes de girassol. A minha autocura no braço, na raça, na solidão que ninguém compreende, e por isso mesmo não dói. Me dóem as feridas físicas, as queimaduras de nitrogênio líquido pelo corpo. Tenho visto anjos, sab’s?
E as fadas também existem, baby.


(Caio Fernando Abreu. Carta a Jacqueline Cantore)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

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Assim olhando, de repente você se percebe tão quieto que tem vontade de fazer alguma coisa. Qualquer coisa dessas cotidianas, anônimas, acender um cigarro, ligar o rádio, quem sabe abrir a vidraça atrás da qual você está parado. Mas não faz nada. Você prefere não fazer nada. Permanece assim: parado, calado, quieto, sozinho. Na janela, olhando para fora.


(Caio Fernando Abreu)

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"Nos últimos tempos, me baixou uma humildade, criatura, dei para cozinhar, fazer faxina. Saio quase nada, vejo quase ninguém. Uma vida pra dentro, numa cidade indiferente."


(Caio Fernando Abreu)

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                               Infinitas Possibilidades.
                                 Você nunca se questionou sobre isso?


bblaurino.

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Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.


Martha Medeiros

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

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 "Cada dia é um show, cada dia um espetáculo. Só não o descobre quem está mortalmente ferido pelo tédio. O drama e a comédia estão em nosso cérebro. Basta despertá-los."

          Augusto Cury, O Vendedor de Sonhos.

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Volta e meia teu rosto aparece por aqui. O inverno parece próximo, posso lembrar de nós dois novamente, das tardes frias, das mantas, das luvas, dos beijos, de tudo que fomos, desenrolamos e que depois descobrimos ser. Volta e meia te vejo por aqui, roubando meu telefone, me arrancando sorrisos, me tirando do sério. Volta e meia me vejo te dando sermões, tentando mudar tua vida, tentando ficar mais perto de você, pra ver se assim eu te descubria. Volta e meia lembro dos teus abraços, lembro de me sentir completa, de sentir que o mundo tornava-se um borrão infinito não mais existencial, lembro-me da sede em meio ao vício, lembro-me do calor do teu corpo, da sensação cravada no meu corpo, da amizade que crescia cada vez mais. Volta e meia. É lembro de tudo, e assim que lembro jogo tudo fora. Como se pegasse uma vassoura, uma pá, e cuidadosamente juntasse todos os cacos quebrados daquilo que um dia já foi, jogo no canto da sala, saio, fecho a porta. E finjo que esqueci. Volta e meia, lembro. E nessa meia volta eu esqueço de que me lembrei. Constantemente me recordo de que não me esqueço mais. 

bebellaurino.

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    As pessoas acham mesmo que podem dilacerar você com palavras, insultos, más intenções, ações erradas; Ferir você, machucar você. Que podem se desfazer da sua boa vontade, brincar com os seus sentimentos. E ainda assim, elas exigem que depois você volte a ser como era antes das feridas serem provocadas, elas exigem que todas as coisas sejam apagadas. Que você simplesmente esqueça.
     Não é muito tolo?


bebellaurino.