segunda-feira, 19 de setembro de 2011

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Eu pensei que havia escutado batidas na porta
A madrugada era languida e vazia
Nenhum suspiro cortava a noite
E nenhum corpo transpassava o véu do céu negro
Ninguém havia na porta
E ninguém respondeu quando perguntei quem era
Tua alma branca passou por mim
Não reconheci-te de nenhum lugar
Mas tuas feições brandas eram compridas e doces
Teu passado em uma linha curta se juntava ao meu
No ato lúdico e colorido
Estávamos juntos outra vez
Tuas mãos colaram-se as minhas
Tua voz tornou-se água fluindo do seu peito
Tudo era vago e completo
E o fim chegou
Eu acordei.

Annabel Laurino.

domingo, 18 de setembro de 2011

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Oras, vamos lá!
Mais um domingo para se matar á pauladas.
Mais um santo 
E bendito,
Maldito
Domingo!



dói.


Não sei mais, só sinto que dói.
Meu peito, meus braços, minhas pernas, tudo bem.
Ta tudo em perfeito estado físico.
Mas por dentro.
Lá dentro.
Um terremoto toma conta de mim. Picos de gelos explodem no ar, milhares de arvores são arrancadas do lugar, chuvas e temporais arrastam tudo, mares e ondas gigantescas engolem o escuro obscuro breu de duvida.
Eu não sei se parto ou se fico.
Se te abandono e te deixo em paz.
E quão paz seria essa?
Seria bom não me ter mais aqui?
Seriamos felizes?
Você sorriria? Você gostaria?
Por que eu não.
Se sinto dor é por que te amo, e te amo tanto que já não sei dizer. Droga, eu quero que você arrume as coisas, droga, eu quero que você fiquei com a gente.
Eu to precisando parar de escrever por que nada mais me vem, eu já nem sei mais o que escrevo, tudo que escrevo é um borrão sem nexo, sem sentido.
Eu to com dor, e tudo dói.
Tudo é doloroso de mais.
Sou como uma criança esperneando na cadeira, virando o rosto, implorando para que a mãe me deixe sair e que não me force a comer mais nenhuma colherada dessa comida amarga e enjoada.
Por favor, suplico, por favor chega. Mas a vida me aglutina e me entope de suas colheradas amargas.
To querendo chorar e to chorando mesmo.
Amor eu digo, amor por favor, fica. Fica aqui. Não vai.
Mas dói dizer qualquer coisa a mais agora, por que eu já disse tudo. Já disse de mais.

Annabel Laurino.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Insatisfeita


    Nada me satisfez hoje. Adentrei em uma bolha vazia. Enevoada e recheada de ilusões, me cobri de um cobertor de frieza. Nem as prateleiras atulhadas de livros da livraria, o expresso quente e cheiroso, os biscoitos adocicados, o olhar insinuado, a ligação nova e recebida, o dinheiro ganho, as novidades, nada. Simplesmente nada me satisfez.
    Caminhei como sempre gosto de caminhar para perder o tempo, ri e gargalhei. Tudo tão falso e não sentido. Meus dentes se mostravam lá dizendo “olá” para o mundo, a quem quisesse ver e acreditar no sorriso que esboçavam molemente. Falso, ele não dizia nada além de nada.
    Não sei por que. Não me satisfiz.
    Cores e cheiros não me chamaram a atenção. O dia passou como um borrão preto tingido por um pincel velho num quadro quebrado. Não senti nada. Não senti fome, e nem dor, não senti saudade, não senti nada de bom, nada de especial. Não fui tocada e nem beijada, não fui sentida e nem amada. Mais um dia se passou. Tua presença não estampou a pagina do meu dia, teu cheiro não grudou na minha roupa, teus olhos não transpassaram meu corpo e tuas mãos tão tocaram minhas mãos.
   Do nada procurei uma forma de fugir da dor. Da monotonia desacelerada, da descontinuidade de tudo. As pessoas me cansam, tudo me cansa. Qualquer coisa e assunto se torna um fardo pesado, qualquer vontade que seja é como buscar uma força horrenda e imensa para levantar uma casa com uma só mão. Seja comer, dormir, andar... Não importa, é difícil de qualquer jeito. Meus olhos ficaram como pequeninas bolinhas desligadas, vendo tudo, não registrando nada. E nem quero registrar nada. Pra que? Esse vazio, essa coisa, essa mesma coisa de sempre. To tão causada por dentro, tão... Tão perdida. Estou tão com fome de alguma coisa que não to sentindo mais nada, além disso.
    Aqui dentro só bate o tempo que passa e a ansiedade em pensar que cada segundo que passa é um segundo perdido que não volta mais. É uma hora sem sentido, é mais horas sem saber de nada, é até então um dia. Um dia que eu perco por não ter ganhado você pra mim, é mais um dia que perco por não saber por que na verdade eu estou aqui. Por que que na verdade eu tento.

Annabel Laurino.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

E assim meio perdida, meio letárgica, em branco, recepção...


    As pessoas tão falando sem parar. Elas falam e falam. E parecem que estão guspindo tudo o que falam. O pior é que falam em outra língua. Eu to sentada aqui me perguntando o que que eu estou fazendo aqui e como eu vim parar aqui. Daí eu lembro que eu caminhei até aqui há alguns minutos atrás. Penso que eu poderia estar muito inerte em mim mesma para não lembrar do trajeto. Daí eu lembro que eu nem prestei atenção no que a minha mãe falava enquanto vinha comigo e isso me fez lembrar que eu vim pensando o tempo todo em você e que enquanto eu concordava com o assunto, eu não tinha a menor idéia do que se tratava ser.
    Continuo sentada. Faz uns minutos que estou aqui. A mulher bebendo água do meu lado acabou de espiar o que eu estou escrevendo. Eu olhei pra ela e ela fingiu olhar as horas no relógio da parede. Não achei a menor graça, como eu até poderia ter achado em outro dia.
    A sala de recepção esta cheia, eu to me perguntando por que eu não fiquei em casa. A minha cabeça lateja e sinto minhas mãos suarem, eu definitivamente não estou bem. Meus olhos estão úmidos e a todo instante eu confundo ter ouvido a sua voz no meio desse caos intraduzível.
    Um cara ta falando comigo agora, eu não to entendendo nada, ele ta falando outra língua, eu sei falar, eu sei o que responder, é tão simples... Mas não sai, parece que algo na minha mente esta congelada, a minha língua parece que enrolou-se e tudo que sai é murmúrios gustativos a procura do que falar ao certo. Ele esta me olhando com uma cara estranha, ele acha que eu sou louca, ótimo, não seria a primeira pessoa a achar.
    Respondo qualquer coisa, e ele assenti em um meneio de cabeça e seus enormes cabelos brilhantes e meio desgrenhados balançam de uma forma engraçada. Acho que dei a resposta certa, nem sei.
    Volto a escrever.
    Olho para os meus tênis e fico pensando na cor branco por um longo tempo, comparo a minha mente, totalmente em branco, e depois aos taxis na rua e acho graça disso.
    Não estou bêbada e nem chapada, estou letárgica. Tudo que me vem a cabeça é os seus olhos, seu sorriso, suas mãos, seu cheiro e tudo que eu sinto por você. Lembrei de mim negando os meus sentimentos á alguns dias atrás. E sorrio por isso, por quão estúpida cheguei a ser por achar que poderia fugir disso tudo.
    E não pude, tanto não pude que estou novamente no mesmo lugar. Esta tudo parecendo uma montanha russa, e eu me sinto girando no ar, as coisas passam, as pessoas gritam, eu fico sentada na recepção da escola de inglês esperando a minha aula começar, e digerindo a loucura dos últimos acontecimentos que influenciam eu e você. Você e eu...
    É tudo tão...
    Acabaram de me chamar pra aula. To guardando o caderno na bolsa, mas não consigo, tento terminar as ultimas coisas, e depois suspiro.
    O que mais eu tenho a escrever?
    Mais nada, eu decido.
    Ta tudo tão perdido, to tão causada, tão cansada. To querendo que você me ame, que você lute por mim, mas estou tão afringida pela espera irrecuperável do tempo e dos sentimentos. To querendo que você me puxe, que cole em mim e nunca mais desgrude. Que acredite e confie na gente.
    To achando isso tão difícil. To sentindo que vou estourar, vou chorar, vou gritar... Mas não posso.
    Desejo estar em casa, deitada na cama, meias e um cobertor, abraçando um livro, a cabeça caída sobre meu travesseiro e gritando ao som de Gun’s.
    Segunda chamada. Me levanto, ainda não guardo o caderno na bolsa, finjo mexer em qualquer coisa, sorrio falsamente para professor e depois termino.


Por favor, oh, por favor... Por favor, vida, oh vida, não me decepcione! Só dessa vez...


Annabel Laurino.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

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Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

(Sozinho - Caetano Veloso)

sábado, 10 de setembro de 2011

as bordas, do quanto tempo faz e razão.


Estou em uma letargia constante.
Vislumbrei meu corpo no espelho.
Não me dei o trabalho de anotar detalhes.
Quanto tempo faz que eu não percebo mais as coisas?
Quanto tempo faz que eu não percebo mais a mim?
As horas vem passando.
Estou caindo cada vez mais.
E estou sempre tentando me segurar pelas bordas, arranhando as paredes.
Sempre tento não cair.
Mas sempre caio.
Um tombo de cada vez, a dor sempre parece pior.
Desliguei meu telefone, e retirei o fio da internet.
Fiquei sentada bebendo café e escrevendo coisas sem sentido.
Todo mundo pode julgar idiota.
“Do que ela esta falando agora? Será que ela é louca?”.
Talvez eu seja, sei lá. Desde quando eu devo satisfação á alguém?
 Hoje a tarde andei sozinha, e tua presença me fez falta.
Não uma falta corrosiva como me era antes.
Só queria tê-lo por perto, como um amigo e rir de você, bagunçar seu cabelo e poder brigar sobre o quanto você fala de mais.
Coisas assim vem me fazendo falta.
Comecei a passar mais tempo comigo mesma e percebi que você tinha razão em tudo que dizia a nosso respeito.
Comecei a passar mais tempo comigo mesma e percebi que eu estava errada.
Deixei-me de lado procurando cuidar de você.
 E Agora?
Bem, agora eu meio que estou aqui.
Não to levantando da cadeira por que meu corpo não responde mais aos meus comandos.
Mas espero levantar. Caminhar até a cama e me deitar, ficar um bom e longo tempo não pensando em nada e depois dormir.
E não esperar mais nada, de qualquer coisa que seja.

Annabel Laurino.
Pare de ficar me perguntando se as coisas iram mudar ou não.
 Pare de ficar reclamando das situações, da maneira como eu sou, ou se eu não faço, se eu não te procuro.
 Se você me quer, lute.
  Se você não quer, o que você faz aqui? Por que você se importa?
  Não tenho mais forças pra me preocupar com nada, tudo que eu espero de você é o minimo do que eu já fiz por nós dois.

Annabel Laurino.

Partícula brilhante, poeira titubeante


Hoje quando acordei pela manhã tive algum vislumbre de esperança. Era apenas um floquinho pequenino que refestelou-se em algum canto da minha mente. Segundos, apenas. Mas era bonito, brilhante, acompanhava algum movimento de desejos secretos que eu ainda não entendia do que se tratava ser. Mas podia dizer que se encontrava em meu intimo. Algo esquecido por lá, algo que eu já não mexia há muito tempo e que já estava coberto de pó.
   Cocei o nariz na esperança fracassada de retirar aquela poeira de perto de mim. Era mesmo que se sentida de uma forma correta, muito bonita de se ver, porém, estava sendo irritante naquela hora da manhã, com aquele sol gritando lá fora ordenando para que eu me levantasse e me vestisse, correndo para o meu compromisso.
  Daí foi que algo na minha mente se chocou sem avisos, sem barulho. Foi um choque silencioso. E quem sabe esses sejam os piores choques. Não se ouve ruídos, não se ouve som e nem aviso de que alguma coisa aconteceu, você só fica ali, deitada somente escutando qualquer coisa, sua respiração, os pássaros lá fora, o barulho do vizinho do lado deixando a panela cair no chão. Tudo se torna um caos silencioso, você arfa quase sem ar, culpando a si mesma por remexer em seus próprios sentimentos.
   Eu podia me lembrar. Na noite passada havia ido dormir determinada a não esperar mais nada. A esquecer você. A esquecer todas as coisas que já passaram. Porém, quando abri meus olhos pela manhã à pequena partícula brilhante de poeira, chamada esperança titubeava na ponta de meu nariz, dançante ela exclamava por uma simples atenção que fosse.
    Conforme se decorreu o silencio causticante vi a pequena poeira crescer, inflamou-se em um brilho transparente encoberta por uma camada mais branca que a anterior. Admirei-a.
   Silenciosa, permanecia presa em mim, esperando a hora certa de poder me mexer e levantar da cama, sacudindo para bem longe aquela falsa esperança que me atormentava por dentro.
   Contei até dez, sorri falsamente fingindo acreditar em qualquer coisa, e depois sem avisos nenhum, outra coisa de descolou dentro de mim. Novamente, não havia som.
   E lá estava você.
    Parada, lembrei de suas feições, de todas as coisas que eu amo em você, lembrei do seu sorriso, das manhãs em que caminhamos juntos e como ultimamente tem sido duro pra mim me manter afastada, de como tem sido duro colocar a cada instante um status bem grande entre a gente: “AMIGOS”.
   Nossa, aquela esperança era incomoda. Ela encrespou-se formando uma fina linha branca e depois girou dentro de mim, queria que eu pensasse ser possível as coisas melhorarem, quem sabe, serem melhores do que eram antes.
  Mas não deu. Resisti.
   Peguei minha já conhecida armadura secreta para essas falsas ocasiões. Amarfanhei todas as más lembranças, levantei da cama e pensei: “Já era, tudo acabou. Não há mais o que esperar.”
   Segui meu dia, sai de casa, encontrei com você, vi você, não falei com você... Eu estava certa. Não houve nada. Não tinha o que esperar. Não havia mais nada a desejar.

Annabel Laurino.

A caneca vazia e esquecida, coitada, até fria já esta.


    Acabei de olhar a caneca de café. Esta vazia. Fria e seca, a camada por onde as bordas do liquido se encontravam antes agora marcam as paredes da superfície. Olhei e me entristeci. Algo passageiro, eu sei. Mas, a caneca vazia, fria e sem nada a dizer além das marcas do café quente e gostoso que antes a encorpava por inteiro, me fizeram sentir como essa justa caneca. Me vi como ela, perdida, caída sobre uma mesa esperando a hora de poder ser lavada e preenchida novamente, de qualquer coisa que seja, mas de algo quente se puder. Esperando ansiosamente não ser esquecida em um armário empoeirado, e também pedindo pra que alguém se lembrasse de mim. A tristeza voraz de estar preenchida e de repente lhe esvaziarem. Não, rapidamente não. Aos poucos. Em goles e goles foram tirando tudo de mim. Cada gole uma engolida fatal e dolorosa. Sentimentos e lembranças, esperanças e sonhos sendo sugados. E já não mais como antes, nem quente e nem tão bonita, nenhum vapor denso exala de mim, é como se estivesse em total estado de morbidez. Não exalo perfume e nem calor. Sou fria e agora vazia.
   Será que há algo pior do que ter permanecido como essa caneca esquecida?

Annabel Laurino.