sábado, 29 de janeiro de 2011

Vazio.


Não quero deitar para dormir amor. Não me deixe. Por favor.
Não quero repousar meu corpo sobre aquela cama quente e vazia. Não quero sentir o pavor ao descobrir que seu corpo não esta ao lado do meu, como deveria estar.
Não quero tentar dormir, e pensar, pensar e pensar. 
Que você não está mais aqui.
Não me deixe ir. Grite e exija, mas não me deixe ir.
Diga, “Não vá” e prometo não ir.
Não quero sentir tua ausência se alojar em mim, não quero sentir o vazio ao meu lado em qualquer lugar que eu vá, o vazio de que você não está mais aqui.
Você está compassando passos do outro lado da rua de onde me encontro, está desfrutando de outros sons e sabores dos meus, está tão bem, tão feliz. 
Egoísmo meu pensar em te pedir para voltar para o meu lado de cá.
Egoísmo meu cogitar a idéia de se quer pedir para você atender a minha ligação.
Mas amor, por favor, não me peça para deixar de te chamar de amor. Não me peça algo que nunca vou conseguir fazer. Não peça para deixar de esquecer a sua voz, o seu corpo, o seu cheiro, seu gosto.
Não me peça para não pedir para você me exigir ficar.
Não quero sentir, mais uma vez, depois tantas outras, o escuro encobrindo meus olhos, o vazio onde você deveria estar e que nenhum outro poderia ocupar.
Não quero pensar não ter você aqui. Mais uma vez.
Não quero deitar para dormir, naquela cama macia e quente, que você não está. Que você insiste em não estar.


Annabel Laurino.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Floreios & Borrões!

Siiiiiiiim! Um blog novinho em folha, criado por mim, é claro. Falando sobre livros, música e filme. Recém saido do forno, esta em estado de adaptação, mas estamos ai, em cena, e já tem dicas novinhas por lá!
 Entra logo e confere gente!

                             * http://prateleira-de-livros.blogspot.com/



Beijos,
                     Annabel Laurino.

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“Eu podia ser a ternura sem desejo, beijo, nem sexo. Ser somente a história mais pura, mas eu tô falando de amor”
 Leoni - Falando de amor.

Love You 'Till The End

    Ouça amor, as notas nos preenchendo de seus cálidos reconfortos sonoros que recheiam o quarto. Olhe amor, quanto brilho paira sobre o lugar, que acompanha os instrumentos sendo levemente tocados como se plumas passassem pelas paredes, acariciando o chão, para logo subir no ar, tocar nossos rostos e brincarem docemente em nossas mãos.
    Oh! Veja amor, veja como nossos corpos se mechem com a música, não é mágico? Veja, veja como seu corpo brilha lindo no sol, e veja também como dançamos bem, nem parece verdade!
    Sinta amor, como nossos olhos vão levemente se fechando como se algo puxasse as nossas janelas de visão. Veja, não é estranho? Depois de um dia longo, onde as horas custam tanto a passar, estamos sempre separados, e na minha mente, sempre juntos. Como agora.
    Olhe, estou quase dormindo, caindo no sono, e ele me chama como sussurros deliciosos que se elevam com sua canção tentadora. Bem como calda de chocolate se espalhando pelo lugar, até seu cheiro me agrada, tão irreal, que me surte um efeito de pura nostalgia e adoração.
    Depois do longo dia, caminhando pelo parque e sonhando em cada esquina esbarrar em você, depois de longas e infinitas horas pensando no seu rosto, em como seus olhos margeavam sobre meu corpo.
    Agora as horas ainda passam, mas pelo menos tenho um motivo para que acabem, ou melhor, para que pausem para mim.
    Irei dormir amor. E vejo, você não esta aqui, mas vamos fingir que você está, vamos sonhar.
    Eu vou, somente e delicadamente, pousar meus lábios gentilmente sobre seu rosto, terno e quente, meu corpo vai gritar para te abraçar, então me desculpe, terei de lhe abraçar. Logo vou permanecer em seus braços, que envoltos do meu corpo vão estar. Irei cantar uma música amor, uma das músicas doidas que você me escutava cantar. Mas aquela que você gostava em especial que você ria e dizia para mim continuar a cantar enquanto ela soava pelo aparelho de som.
“Eu só quero ver você
Quando você estiver sozinho
Eu só quero te pegar, se eu puder
Eu só quero estar lá
Quando a luz da manhã explode
No seu rosto e se irradia
Eu não posso escapar
Eu te amo até o fim
Eu só quero te dizer nada que
Você não quer ouvir
Tudo que eu quero perguntar é
Por que você não me leva
Aonde eu nunca estive antes?
Eu sei que você quer me ouvir
Recuperar o meu fôlego
Eu te amo até o fim
Eu só quero estar lá
Quando estivermos presos na chuva
Eu só quero ver você rir, não chorar
Eu só quero sentir você”
    (música em inglês - tradução. – The Pogles - Love You 'Till The End)
    E depois de cantar, baixinho quase sem som, eu vou simplesmente repousar em seus braços, sentir seu cheiro, seu afago. Vou mergulhar na imensidão de sonhos sem fim, vou ouvir o cântico do seu riso, vou me perguntar se é real, e vou lembrar de cantar novamente: Eu amo você até o fim.
    Assim será a maior verdade do meu dia, a frase mais sincera, até mais do que os sorrisos que andei dando ultimamente, será mais sincero do que água, mais translúcida do que um brilho de sol sobre a manhã. Será a maior verdade de minha vida, e saberei disso mesmo que eu cante sonhando. Será mais real do que procurar você por ai, mais real do que a minha própria vida. 
   Pena que eu tenha que guardar esse segredo somente comigo. Pena que apenas eu mesma suporte essa verdade, pena que somente eu mesma consiga vê-la.


 Annabel Laurino.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Algo.

     Hoje não vi nada em especial... Nada que pudesse... Espere!
    Oh, sim! Sim!
    Eu vi algo!
    Algo subindo a elevação de cores e de sabores que se enchiam dos meus lábios até aos lugares mais alheios de mim. Meu olfato, minha audição.
    E subia e subia. Como se estivesse sendo comando por um maestro que cheio de suas consternações, dos mais profundos e sórdidos desejos, conduzia o algo.
    Oh! Algo cheio para se ser visto, ouvido, cheirado e ainda saboreado.
    Gostos e gostos.
    Uma explosão de sensações na ponta de minha língua.
    Doce e amargo!
    Que crueldade deliciosa de uma mentira mal contada, mal profanada no encontro firme do osso que se move no beijar.
    Cheio de texturas. Ásperas e lisas. Sedosas e macias.
    Conduzindo pelo corpo.
    Conduzindo num caminho incerto da alma.
    Você vê sem nada ver.
    Você sabe sem nada saber.
    Saber e saber. Nada impede de entender.
    Oh como me encanto. É como notas de piano. Fortes, mais fortes, mais fortes, soando precisas, raivosas, subindo no ar. Tragando o silêncio, tragando a doce e breve inocência.
    Oh sim!
    Hoje, de fato eu vi algo.
    Vi você.
    Em um sonho. Apenas em um sonho.
    Real, por que não, real?
    Você esteve aqui afinal.



Annabel Laurino.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Como Uma Fotografia

      Eu vejo tudo, eu vejo um pedaço do mundo, do tamanho de uma formiga, por dois buracos refletores da minha alma. É estranho.
    O sol incidia por trás das copas das árvores. Árvores gigantescas que acomodam ninhos de pássaros como casinhas estranhas. Troncos escuros cheios de musgo. As folhas lá do alto, verdes, tão verdes e vivas quanto o verão, brilham, ah brilham, pela camada solar que acoberta os altos.
    Permaneço deitada na grama, vejo meu peito subir e descer ao longo da respiração. Lenta. Como o vento que sobra deliciosamente no meu corpo, nos meus braços e pernas nus, no meu rosto. Refrescando o calor do ar abafado que aumenta cada vez mais pela influência do lindo sol acima. Eu ouço o cântico feliz dos pássaros, ouço as vozes por baixo da música que toca nos meus ouvidos no ultimo volume do aparelho de som dos fones, ouço pessoas rirem, gargalharem e contarem uma história, ouço riso de crianças, latidos de cães.
    Lá no fundo de tudo que vejo, ainda olhando pra cima, pra copa das árvores, pras folhas, pro ar, eu vejo o céu. Azul cheio de nuvens brancas tão brancas que unidas formam cinza. Lembro de algodão. Sem gosto.
O vento balança os meus cabelos levantando-os gentilmente do chão e me dando uma deliciosa sensação de frescor.
   Novamente eu fito as folhas, elas dançam uma sincronia perfeita de uma dança divina, direita e esquerda, depois se balançam rodopiando no ar, unindo-se umas as outras na ajuda dos finos galhos que se balançam pelo vento. E novamente repetem e repetem a sincronia, parecem bailarinas, pomposas e delicadas, despencando as mais frágeis, as mais secas e finas do grupo, caindo pro chão, sendo pisoteadas. Que fim trágico.
   Eu as invejo por um instante. Tão delicadas, tão divinas, que me lembram como viver, seguindo o ritmo do vento, rápido, passos velozes e violentos, lento, delicado, pomposo, sem pressa, sem dor.
Tudo, tudo adentrando a cúpula das minhas idéias mais sórdidas e pequenas, como uma noz. Fecho os olhos, a música nos meus ouvidos é tão alta que agora abafa os sons de fundo. O vento ainda prende-se no meu rosto.
  Que desperdício. Que desperdício.
Minha mão posta sobre meu corpo formiga, e formiga. O vento me abraça tênue e gentil. Como um abraço que muito não ganho mais.
  Sinto o cheiro de terra, fresca, quente, coberta de folhas secas e amarelada.
E em um segundo qualquer, disperso quanto à luz, minha anotação mental, minha distração eu diria, sobre tudo que eu vejo, somem como quando se apaga a luz. Sem explicação.
  A nostalgia me assombra.
Eu vejo o sol por trás das lentes escuras dos óculos e pergunto-me, quem sentiria medo na luz? Medo da solidão?
  Medo da saudade.
Então eu me pergunto. Onde está você? Onde?
  Você está no vento, o que eu respiro, o que me abraça, o que sacode o mundo, o sol, que aquece, as folhas, as frágeis, as cúmplices. Você é a parte do mundo, o que eu fotografo, lento tão lento.
  Minha mão formiga, desejando seu toque. Tocar você. Sua pele. Sentir seu cheiro. Sentir seu gosto. Ver seu rosto.
  Onde está você? Aqui, eu penso, - agora, neste lugar, aqui comigo - ah que desperdício, você não está.
 E os anjos choram.



Annabel Laurino.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Música

Andei cantando uma música que ninguém poderia ouvir. Notas de piano, com pingos de um violino, como pássaros anunciando a chegada da manhã.
Alto e baixo. Suave e preciso.
Sempre tem sido assim, dês de que eu comecei a cantar.
Canto, e canto sem nunca me cansar.
É maravilhoso, o tom, a nota a sobrepairar, a esperança de alguém ouvir.
Canto alto, bem alto.
Canto mais forte do que meus pulmões poderiam suportar. Rasgo a garganta tentando chamar.
Um grito no ar, uma nota aguda.
Como pingos borrifados na vista de um pára-brisa.
Gotas vermelhas.
Alguém há de notar.
Alguém há de procurar de onde vem a música, os gritos, as gotas. Alguém, oh, por favor, há de me encontrar.




Annabel Laurino.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Desapontamento

As vezes só por que você se doa para alguém não quer dizer que vão lhe receber Bem. Você pode catar as melhores flores do mundo, as mais belas e cheirosas, e dar de amor para quem lhe faz bem, mas este pode ver apenas flores, e não as mais belas flores, ou ainda, o trabalho de catá-las uma por uma, de juntar em um buque, e depois com um cartão unido de palavras formosas e ternas que você especialmente fez. Você deve entender. Eu devo entender. Que nem todos os olhos do mundo vão lhe ver como você gostaria que vissem. Nem todas as bocas irão proclamar o que você gostaria que proclamassem. Nem os coração mais desejados irão sentir por você o que você gostaria que sentissem. Mas apesar de tudo, do desapontamento então, basta lembrar que o mundo é grande de mais, á pessoas de mais, milhares de lugares, de milhas a se caminhar. E num desses pedaços do mundo você vai encontrar alguém que lhe veja muito mais além do que você poderia imaginar, alguém certo pra você mesmo. Pra mim mesma.


Annabel Laurino.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Natal...

   Ah essa época do ano. Calor. A noite quente e formosa, o ar úmido e árido de verão. O som festivo, os risos, as expectativas. Tudo que me lembro sobre o natal são as melhores lembranças que posso pensar em ter, e que vou guardar para o resto da vida.  Eu pensei em falar sobre o natal em um sentido literal demais. Sabem, a árvore, os biscoitos, a torta, os presentes, as músicas e os abraços. Mas isso não é o Natal.
Natal não é só uma celebração. Não é uma festa, nem um encontro de familiares. Celebrem todo dia, festejem todo dia, abracem suas famílias todo dia! Por que só no Natal?
  Lembro-me de quando ser criança, de sentar a mesa com meus avós, que ainda vivos faziam-me acreditar no papai Noel, nos presentes e nas dádivas do natal. Eu era apenas uma criança, e tudo que eu entendia sobre ter um natal eram os presentes, a ceia posta a mesa, as pessoas rindo, a felicidade. E sempre que eu via todos sentados a mesa, cortando seus pedaços de frango alegres, ceiando sorridentes e maravilhados, eu sentia a felicidade. Eu via os rostos de meus avós envelhecidos pelo tempo e tudo que eu conseguia pensar era os quantos natais eles já não deveriam ter passado, eu via seus rostos corados, seus sorrisos ternos esboçados alegremente sobre o rosto, o brilho nos olhos na hora de entregar os presentes, os abraços apertados. Era além da felicidade, era algo mais, algo mais puro, mais além de que meus pequeninos olhos infantis poderiam captar.
  Eu guardo uma lembrança passada, tão boa quanto uma mordida em chocolate. Macia, gostosa e suculenta. Meus pais, ceiando a mesa em mais um natal. Mais uma vez os sorrisos alegres, os olhos tilintando de comemoração, a paz jazia bem ao nosso lado, como um sussurro elevado que só os puros de coração poderiam ouvir. Eles esboçavam pureza, comiam a ceia e me beijavam ternamente como pais beijam seus filhos, com amor. Eles beijavam-se, se abraçavam, e sorriam alegremente um para o outro. Nós três, sempre fora assim pra mim, com amor.
  Então eu ainda não entendia, era criança pequena. Natal, presentes, comida. O que mais poderia ser? Mas os tempos simples passam como fagulhas rápidas em um céu borrifado de luz, é tão rápido.
  Comecei a refletir naquela sensação boa de natal, na união, nos abraços, nos beijos, nos sorrisos, no ato de dar um presente, no ato de ceiar á mesa, de sorrir, de dizer boas graças e de agradecer por tudo de bom na vida.
  Foi como pegar uma trufa, recheada de cerejas e mel coberta por camadas de ouro e prata, glacês do mais puro açúcar, das melhores confeitarias, morder e degustar, até captar a doçura, a sobrepairar, o resultado. O ato do amor. Como uma injeção de fatos.
Ali esta o amor, aqui está o amor. O Natal não é uma festa sem uma música, uma música soada por corações. Pegue a mão de seu irmão mais próximo. Ele não é lindo? Não brilha como você brilha? Não possui um coração?
  Divida sua trufa de doces celestiais, reparta o perdão, o amor, a paz e alegria com seu irmão.
  Renovação, é perdoar e saber ser perdoado. Renascer, respirar o ar e continuar sempre em frente. Amar a Deus, ao próximo.
  Dê de presente não só algo material, mas o seu melhor sorriso, seu melhor abraço, sua melhor face de alegria, dê sua mão, suas forças. Retribua em paz, em canções. Deixe o amor pairar no ar como quando uma ave voa e rodopia alegre num infinito sem fim. O ápice das coisas, o resolver, permanecer de tudo.
O amor.
Viva a paz, vivas a renovação, vivas a ressurreição!




Annabel Laurino.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vem.

Num sussurro baixo, tímido. Em uma voz calma, tranqüila, e mesmo assim, soante . Eu lhe convido a sentar no espaço vazio ao meu lado.
Vem.
Caminhe até a mim.
Sente-se comigo, inspire o ar. Não há pressa. Não há dor.
Você pode pegar minha mão se quiser, deixar eu ver seu sorriso terno esboçar para mim. Você pode dizer o quanto o dia é lindo, o quanto o sol é bonito e o quanto o silêncio é valioso.
Sem dor.
Sem medo.
Eu vou contar uma história pra você, pequena e rápida. De uma certa vez. De algo que eu vi, que eu senti. Quatro letras, duas vogais, três consoantes. Vou lhe explicar, lhe conduzir pelo caminho dos sentimentos. Cada um que eu conheci. Meus pensamentos. Os mais difíceis de traduzir.
 Você não pode ter pressa pra ir embora amor.
Calma, lembra?
Então eu vou deixar você me olhar. Não ver. Olhar. Como eu realmente sou. Sem aquele sorriso educado que coloco no rosto todo dia. Sem aquela face infantil de quem pensa muito e pouco fala. Como eu sou. Realmente.
Vou deixar você temperar o dia. Com um toque de beijo, de malicia.
E novamente, calma.
É como pegar uma peça rara, muito rara. De cristal fino, com um toque a mais e no mínimo de cuidado se quebrará.
Então eu vou ouvir. Atentamente tudo que você tem pra dizer.
Onde você esteve, o que você procura aqui. Conte-me amor. Conte-me tudo, todos seus sonhos, desejos e ambições. Seus medos, suas dores.
Deixe-me curar você.
Cura-me.
Tome-me em seus braços e proteja o que lhe dou.
A peça rara.
Confiança.
Fique com todo meu carinho e confiança.
Tome conta pra si.

Annabel Laurino.