segunda-feira, 18 de novembro de 2013

The Lady is a Tramp


"She likes the free, fresh wind in her hair
Life without care
She's broke, and it's 'ok'"




Frank Sinatra

Rocket Queen

Eu vejo você parada
Parada sozinha
É um lugar solitário para você
Para você estar
Se você precisar de um ombro
Ou se você precisar de um amigo
Eu estarei aqui esperando
Até a amargura passar
Ninguém precisa da tristeza
Ninguém precisa da dor
Eu odeio ver você
Andando aí fora
Aí fora na chuva
Então não me castigue
Ou pense que eu, eu te ofendi
Como aqueles que te levam
E te fazem sofrer
Muito longe



Guns N Roses

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

;

So I kiss goodbye to every little ounce of pain
Light a cigarette and wish the world away
I got out, I got out, I'm alive and I'm here to stay
So I hold two fingers up to yesterday
Light a cigarette and smoke it all away
I got out, I got out, I'm alive and I'm here to stay




Jake Bugg

sábado, 9 de novembro de 2013

;

Exausted

;

“No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se… Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser. Talvez os amores eternos sejam amenos e os intensos, passageiros. É isso.”



 Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tennessee

Fagulhas presas se desprendem facilmente pelo ar
Tudo se desprende
O que vejo é fosco 
Como um filme em preto e branco
Não há romance
O romance acabou nos ultimos cento e vinte minutos
Cento e vinte minutos mal focados em cenas confusas, difusas
Me deixaram ver através da janela
E depois eles a fecharam
Como algo ilimitado
Eles me venderam o produto falso 
Por trás de uma propaganda recheada de sonhos bonitos, vestidos bem cortados
Trejeitos elegantes 
Mas eu nem sei se quer o que a elegância convém 
Comprei mesmo assim: onde assino?
Disseram que eu poderia ir para Tennessee no verão que vem
Eu nem sei onde fica, reservei as passagens mesmo assim
Me deram um aperto de mãos e fugiram com meu sobrenome rabiscado em preto no papel branco
Genial
Tennessee ficou para o próximo e próximo verão
Depois deste, que nem começou
Romances de revista
Romance por toda parte
Nas novelas e nos outdoors
O romance é bonito, eles te fazem pensar
E só gente bonita é que pode amar
Romance é a droga mais vendida
E eu nem se quer vi os campos verdes, o céu azul pastoso
Eu nem coloquei os pés 
Em Tennessee



Annabel Laurino

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Ventania

    Novembro está ai. Chegou batendo forte nas janelas com esse vento todo assoprando a seco e levando tudo. Trazendo tudo também. Veio socando as paredes de concreto das casas, arrebentando árvores, desfazendo varais de roupa, balançando fios elétricos e levantando poeira por todo lado. Forte, destemido. Os ventos vem e vão. E são esses mesmos ventos de novembro que assomam agora lá fora, que trazem coisas que eu tentei esquecer o ano todo. Que eu fingi esquecer, pelo menos.
    Novembro é sempre assim. Teimoso. Indeciso. Com um pé no inverno e o outro no verão. Como dizia Martha Medeiros, apego ao passado e desesperado pelo novo. E de novo posso ver o ano que vem a frente assim que dezembro chegar e logo logo acabar. E dessa vez o que Novembro me traz é as lembranças antigas de coisas que aconteceram e marcaram. Sim, o gosto bom do que ficou, daquilo que já foi e não volta. Não tem como voltar. 
    Como lei a gente sabe lá no fundo que tudo sempre vai, sempre se vai. E dessa vez a esperança é que algo também se vá. Que Novembro leve consigo nessas ventanias a solta todas as mesmices e más lembranças, que já não me servem mais. 
    É noite fria lá fora e o vento arromba as portas sem pedir licença, sem medir espaço. É frio, vento frio daqueles que exige um casaco, um agasalho, que levanta os cabelinhos dos braços e faz a gente se encolher. Um café, eu digo, noites daquelas que se precisa de uma companhia quente de um café forte. 
    Envolta em lembranças, difundo minha mente numa busca desesperada para me ver livre do passado, ao mesmo tempo em que mergulho novamente nas minhas memórias secretas e escondias e chafurdo mais uma vez numa espécie de nostalgia, tal qual só eu mesma reconheço. Fico como se degustando uma bala na boca lentamente, retirando o gosto bom que a bala tem. Mas ela nunca acaba. 
    Além do que já se foi me pergunto o que virá. O que Novembro me reserva agora? O que vem por ai junto com os seus ventos tempestuosos de céu escuro e muita chuva? 
    Ainda não sei. Desperto a mim mesma nessa vontade, nessa curiosidade do que o futuro pode fazer por aqui, das suas travessuras e brincadeiras, das trapaças de vida que sempre pulam pra fora nos surpreendendo. 
    Ah Novembro... Seja bem vindo, pelo menos.





Annabel Laurino
      

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Rodoviária

    A vida é uma rodoviária.
    Percebi isso enquanto abria mais uma carteira de cigarros e olhava atenta para a mala de uma senhora sendo colocada dentro do ônibus. Pessoas, todas elas diferentes uma das outras e ao mesmo tão iguais. O que as distingue? O que nos torna iguais? O que nos faz tão parecidos e ao mesmo tempo tão... Característicos?
    O lacre é firme e por isso demoro para abrir mas logo quando consigo coloco um maço na boca e acendo. O primeiro do dia é sempre forte e por isso sinto a garganta arder levemente e depois relaxar. Torpor, é por isso que procuro. O torpor da vida, algo que silencie o barulho, que estampe o caos, que relaxe os músculos tencionados de uma noite mal dormida. 
    Um casal abraçando-se chama minha atenção enquanto livro-me das cinzas. A moça segura o rosto do rapaz enquanto tenta explicar algo, baixinho, e parece calma enquanto chora, choro de entendimento, do tipo sem soluços, daqueles de despedida tranquila com direito a regresso. Mais um ônibus chega e o rapaz apruma sua mochila nas costas e se despede dela com um beijo demorado, contido. Por fim, ele acena e entra no ônibus. Ela acena de volta e chora um pouco até ir embora, sem olhar para trás.
    Despedidas. A vida é cheia delas. Eu ainda não entendo porque elas existem. A primeira vez que tive que me despedir de algo foi de um gato que tive na infância, eu tinha 5 anos de idade e não consegui entender porque eu tinha que dar tchau para ele e ele não podia ser mais meu. Eu queria que ele fosse meu para sempre. Então com aquela idade eu fui apresentada à minha primeira despedida. Minha mãe disse que eu podia ter outros gatos, e eu tive, e depois tive que me despedir deles também. Entendi que qualquer coisa iria embora depois de algum tempo e logo eu não quis mais nenhum gato.
    Um senhor de idade termina seu cigarro e olha fixo para mim, ele pisa no maço e estala os lábios e depois apruma os óculos de aros de tartaruga. Olhar firme, olhar cheio de rugas, olhos que já viram muito, vivenciaram muita coisa, olhos de quem tem calma na alma. Ele me olha como se soubesse exatamente o que eu estou pensando, como se pudesse ler os meus pensamentos e entendesse cada minuscula forma de vida dentro de mim, eu tão simples, ali sentada com um cigarro nos lábios e metade da vida dele percorrida. Ele me entende, ele me capta, por apenas nano segundos e eu me sinto lida, como um livro deve se sentir, depois disso ele não diz mais nada e vai embora, passos lentos, sem pressa.
    Olho no relógio e são 8:15 da manhã. Não entendo nada e a mente ainda parece uma gaiola fechada tentando conter alguma coisa viva querendo se libertar. O coração parece morto, meio vivo, meio dormente. Eu cato meia duzia de olhares distraídos, gente para todo lado, gente chegando, gente indo, para algum ou de algum lugar.
    O que todas elas levam além de suas bolsas e malas? 
    Recordações, saudade, memórias, dor, ansiedade, tristeza, felicidade... Isso as torna iguais, isso me torna iguais a todos eles, a todos, por todos os lados. É o que as despedidas nos geram, é o que a vida nos torna. Esse fluxo imenso de idas e vindas todos os dias, de surpresas inacabáveis e de despedidas inesperadas nos tornam seres sucumbidos de saudade, de memórias, de lembranças. 
    Do que é que eu sinto saudade? Do que é que eu me lembro? Do que eu me despeço?
    Mais um ônibus chega, com os faróis ligados, praticamente inuteis numa manhã com o céu tão branco, cheio de luz branda. É uma tempestade que chega, vinda de longe, sabe-se lá de onde. Me vejo refletida no vidro sujo da rodoviária, os olhos turvos, feições minhas que desconheço, carrego um mundo desconhecido no peito e que ninguém vê e talvez nunca verá. Alguém passa em frente ao reflexo e por segundos eu sou só um borrão de luz refletido no vidro. Um borrão na vida, da vida. Um borrão rápido passando para algum lugar, despedindo-me talvez, ou saudando quem sabe.
    A vida é dinâminca. Cheia de saudades. 





Annabel Laurino